Chapter 5: Discussion
5.2 Strengths of the Study
Nair Prata Nélia Del Bianco
Um dos mais instigantes desafios que se impõem atualmente é como inserir o ensino de rádio num ambiente marcado profundamente pela reconfiguração, impulsionado pela cultura de imagens, a presença da internet e pela convergência digital. Desde a sua criação, os cursos de Comunicação no Brasil têm sido regulados por diretrizes curriculares que estabelecem critérios mínimos para seu funcionamento, disciplinas obrigatórias e instalação de laboratórios para prática e experimentação, entre eles, o de rádio. Esse vínculo com a prática laboratorial requer constante investimento das instituições de ensino na atualização de infraestrutura se quiser acompanhar as transformações. Ao lado disso, sugere dispor de corpo docente cada vez mais especializado e atualizado diante das inovações. E por fim, o mais dramático, como manter o interesse dos alunos por um meio centenário que crescentemente perde audiência entre os mais jovens. Foi guiado por essas e outras questões que o Grupo de Rádio e Mídia Sonora da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) realizou em 2014 uma ampla pesquisa com o objetivo de traçar o perfil do ensino de radio no Brasil2. Das 430
instituições que oferecem cursos de Comunicação, 113 participaram da pesquisa, o que corresponde a 26,27% do total. Dadas as dimensões geográficas do país, decidiu-se pela realização de uma consulta online, utilizando a plataforma SurveyMonkey, que
1. Artigo apresentado no IX Congresso da Associação Portuguesa de Ciências da Comunicação, realizado de 12 a 14 de novembro de 2015, em Coimbra, Portugal.
2. A pesquisa contou com uma coordenação nacional (Nair Prata e Nélia Del Bianco) e com a co-coordenação de professores representantes das cinco regiões brasileiras: Centro-Oeste (Nélia Del Bianco), Nordeste (Edgard Patrício), Norte (Edilene Mafra), Sudeste (Antonio Adami, Julian Gobbi e Nair Prata) e Sul (Eduardo Meditsch e Luiz Artur Ferraretto).
foi respondida por um representante de cada instituição. Para compreensão dos resultados, é necessário entender a constituição histórica do campo de ensino de comunicação no Brasil.
Trajetória do ensino de rádio no Brasil
O primeiro bacharelado em Jornalismo nasceu em 1947, por meio do testamento do empresário paulistano Cásper Líbero, à época proprietário do jornal
A Gazeta, que determinou a criação da Faculdade de Jornalismo Cásper Líbero,
com características amplas e forte direcionamento humanístico: “uma escola de jornalismo e ensinamento de humanidades, particularmente português, prosa, estilo, literatura, eloquência, história e filosofia” (Hime, 2004, p. 1). Como parte das disposições testamentárias, o empresário defendia a realização de práticas laboratoriais nos veículos de Comunicação existentes na sua própria organização. Em 1948, nasceu o segundo curso de Jornalismo, na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro e, daí em diante, os bacharelados foram se multiplicando até se chegar ao número de 430 instituições de ensino superior que oferecem, atualmente, cursos diversos na área de Comunicação.
Segundo Marques de Melo (2003), as décadas de 50 e 60 foram marcadas por avanços e retrocessos de natureza pedagógica, decorrentes da inserção institucional dos pioneiros cursos de Jornalismo nas faculdades de filosofia e letras, e “tais espaços acadêmicos refletiam as demandas dos agentes educativos, vocacionados para atuar nas redes de ensino secundário, inibindo as identidades peculiares a segmentos profissionais, como o nosso, moldados compulsoriamente pelo estilo discursivo que ali era hegemônico” (p. 1). Na década de 60, a criação das primeiras faculdades de comunicação em Brasília, São Paulo e Porto Alegre estabeleceu um divisor de águas, “libertando-se da tutela das faculdades de filosofia e letras, os cursos de jornalismo passaram a funcionar de modo articulado com as carreiras emergentes de publicidade, relações públicas, cinema, editoração, rádio e televisão” (p. 2).
A partir de 1962 vigorou no Brasil a determinação do chamado Currículo Mínimo para os cursos superiores de Comunicação do país, com as exigências homologadas pelo Ministério da Educação (MEC). Neste período, os atos normativos do governo federal determinaram cinco diferentes currículos mínimos para a área. A Resolução nº 02, de 1984, do Conselho Federal de Educação, fixou o último currículo mínimo do curso de Comunicação Social, instituindo as habilitações Jornalismo, Rádio e TV (Radialismo), Publicidade e Propaganda, Cinema e Relações Públicas. Segundo Moura (2002), as características dos profissionais formados neste período foram
PARTE 1 |Perfil do ensino de rádio no Brasil por: Nair Prata e Nélia Del Bianco determinadas de acordo com o currículo em vigor à época de realização do curso.
Nos anos 70, o Conselho Federal de Educação instituiu novas exigências didático-pedagógicas para os cursos de Comunicação, entre elas a necessidade de equipamentos profissionais e laboratórios especializados.
Finalmente a Resolução CFE 2/84 tornou obrigatória a infra- estrutura laboratorial, criando o ambiente propício ao desenvolvimento do experimentalismo nas faculdades de comunicação de todo o país. Apesar da hegemonia então exercida pelos adversários do empirismo, a força da lei atuou no sentido de estruturar atividades de ensino comprometidas com a aplicação prática dos conhecimentos assimilados pelos jovens na sala de aula ou adquiridos nas leituras recomendadas pelos mestres que valorizavam a bibliografia segmentada. Isto facilitou a criação de pontes com o mercado de trabalho. Essa nova safra de diplomados já possuía experiência na criação, produção e difusão de mensagens ou na gestão de campanhas, o que os habilitava a disputar vagas nas indústrias do ramo, sem reciclagem prévia (MARQUES DE MELO, 2003, p. 2).
Em 1996 foi criada a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), com a flexibilização do funcionamento do ensino superior no país. No ano seguinte, teve início o processo de criação das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) dos cursos de Comunicação, trabalho marcado por longas discussões com a participação de especialistas do MEC e representantes da área, buscando uma alternativa ao currículo mínimo mais inserida na realidade da graduação. Em linhas gerais, as DCNs de cada curso deveriam contemplar sete tópicos: perfil do formando/egresso/profissional, competências/habilidades/atitudes, habilitações e ênfases, conteúdos curriculares, organização do curso, estágios e atividades complementares, acompanhamento e avaliação Em quatro de julho de 2001, o MEC aprovou o parecer 492 do Conselho Nacional de Educação contendo as atuais diretrizes da área de Comunicação Social e suas habilitações.
Uma das propostas das Referências Nacionais dos Cursos de Graduação para os cursos de bacharelado e licenciatura foi acabar com as chamadas “habilitações”, transformando-as em cursos independentes, com a redução do número excessivo das nomenclaturas vigentes para terminologias específicas das graduações existentes. No caso da Comunicação Social, por exemplo, este nome se tornou uma grande área de conhecimento e as antigas habilitações se tornaram cursos, como Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Relações Públicas, Cinema e Audiovisual e Radialismo (ou Rádio e TV). Atualmente, estão homologadas as DCNs dos cursos de Cinema e Audiovisual, Jornalismo e Relações Públicas. O curso de Publicidade e Propaganda está com as discussões adiantadas e em Radialismo nada foi feito até
agora. Nas áreas de Jornalismo e Relações Públicas há uma grande movimentação em todo o país, já que as DCNs foram aprovadas em 27 de setembro de 2013 e, a partir desta data, estes cursos tiveram que adequar seus projetos pedagógicos às novas diretrizes, com prazo máximo de dois anos para entrada em vigor dos novos currículos aos alunos ingressantes.
Portanto, a partir do início do ano letivo de 2016, os novos alunos de Jornalismo e Relações Públicas já passam a estudar a partir de matrizes curriculares geradas pelas novas DCNs, criadas com o objetivo de aproximar o ensino à prática do mercado e também formar um profissional com visão crítica sobre a sua área de atuação. Além do estágio, que passa a ser obrigatório em ambos os cursos, as novas diretrizes apontam para bacharelados mais práticos, mais próximos do mercado de trabalho. No caso do Jornalismo, por exemplo, as Diretrizes indicam que a elaboração do projeto pedagógico deverá, entre outros conteúdos, observar os seguintes padrões: “Formar profissionais com competência teórica, técnica, tecnológica, ética, estética para atuar criticamente na profissão, de modo responsável, produzindo assim seu aprimoramento” (Resolução CNE nº 1/2013).
Breve cenário do ensino de comunicação no Brasil
O ensino do rádio no Brasil está inserido nos diversos cursos da área de Comunicação, como Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Relações Públicas, Cinema e Audiovisual e Radialismo (ou Rádio e TV). O primeiro curso de Rádio- TV, especificamente, foi criado pela Escola de Comunicação e Artes (ECA), da Universidade de São Paulo, em 1966, e começou a funcionar em 1967. Atualmente, o bacharelado em Radialismo no país deve ter carga horária mínima de 2.700 horas e ser integralizado em quatro anos, de acordo com as Referências Curriculares Nacionais dos Cursos de Bacharelado e Licenciatura do MEC.
O ensino de rádio tem buscado novos espaços pedagógicos, em atividades experimentais fim, de acordo com a denominação de Marques de Melo (1985). Os laboratórios de rádio das instituições de ensino superior têm se constituído, tradicionalmente, como espaços privilegiados de experimentação onde, por meio de uma articulação teórico-prática, os alunos assumem as diversas funções jornalísticas e artísticas de uma emissora, tendo a oportunidade de vivenciar o dia-a-dia de uma estação. Meditsch (2001) explica que uma das vantagens do ensino do rádio nos cursos de Jornalismo é que os alunos não são preparados apenas para trabalhar no veículo rádio: “Quem sai dominando a linguagem do veículo se adapta muito mais facilmente tanto à expressão audiovisual quanto ao texto utilizado na internet”. O pesquisador lembra que “os grandes sites de notícias estão copiando das redações de radiojornalismo o seu modo de produção
PARTE 1 |Perfil do ensino de rádio no Brasil por: Nair Prata e Nélia Del Bianco - desde o serviço de radioescuta até a edição em fluxo contínuo - porque ninguém
como o rádio tinha antes o know-how de trabalhar com informação jornalística em tempo real”.
Ferraretto (2008) aponta seis conteúdos sobre rádio indispensáveis nos diversos currículos dos cursos da área de Comunicação. Segundo o autor, a partir destes conteúdos, “desenvolvem-se os conhecimentos específicos das habilitações ou das carreiras tecnológicas, conforme o caso e o maior ou o menor grau de aprofundamento necessário, podendo se tratar, conforme a habilitação, de conteúdos associados ao radiojornalismo ou à publicidade em rádio” (p. 11):
a. A contextualização histórica: “apresentar o percurso do rádio, identificando
os marcos compreendidos como os acontecimentos principais e as suas datas, mas permitindo ao estudante olhar para os lados, para baixo e para cima, vendo a paisagem social, econômica, política e cultural, que serve de pano de fundo para a história do veículo” (p. 11).
b. A contextualização geográfica: “para que o estudante tenha acesso à
realidade local, regional, nacional e internacional. Salienta-se que, em um mundo globalizado, a vigência da internet facilita este trabalho ao mesmo tempo em que obriga a sua realização” (p.11).
c. A contextualização social: “demonstrando que, quando, onde, como e por
que o rádio (...) dirige-se a públicos diversificados, muitas vezes parcelados com base em critérios geográficos, demográficos e socioeconômicos aos quais se associam particularidades em relação aos ouvintes em potencial” (p. 11).
d. A contextualização ético-jurídica: “apresentando a legislação específica e os
parâmetros éticos” (p. 11).
e. A contextualização teórica: “discutindo (...) no nível do rádio em si, sua
função social; suas implicações antropológicas, psicológicas e sociológicas; e as especificidades da sua mensagem; e, no de sua relação, como objeto de estudo, com as grandes correntes das chamadas teorias da comunicação (p. 11).
f. A contextualização técnica: “Trata-se de um processo de tomar contato com
o entorno que permite ao som ser transportado de seu ponto de geração até o ouvinte, ponto em que o rádio, na perspectiva da convergência, toca outros meios através de suportes como o celular e o computador. Trata-se, também, de entender as bases da mensagem sonora (voz humana, música, efeitos e silêncio)” (p. 11). Enfim compreender a natureza da linguagem sonora.
o perfil do ensino de rádio no Brasil
A presença de disciplinas sobre o meio rádio nos currículos dos cursos de Comunicação sempre foi objeto de debates intensos entre professores da área. Há uma crença arraigada que o espaço dedicado ao meio é menor se comparado
a outras disciplinas tradicionais como as vinculadas ao jornalismo impresso. Mesmo coma exigência das Diretrizes Curriculares de inserção desse conteúdo na formação dos alunos parecia não dar aos professores a garantia de ocupar um espaço mais equilibrado na grade de disciplinas da maioria dos cursos. Isso porque as instituições de ensino têm relativa autonomia e podem flexibilizar a estrutura curricular no sentido de adaptar sua estrutura às demandas e realidade do mercado regional. A pesquisa realizada vem, em parte, confirmar as observações preliminares e lançar alguns desafios à constituição de uma práxis de ensino num momento em que a comunicação é decisivamente marcada pela convergência.
Das 113 instituições que participaram da pesquisa, a maioria tem curso de Jornalismo (93%) seguido de Publicidade e Propaganda (67%), Rádio e TV (22%), Cinema e Audiovisual (19%), Relações Públicas (31%) e Comunicação Organizacional (0,9%). Entre os respondentes, a maioria das instituições é pública (47%), seguidas de particulares (35%), sendo que as confessionais, comunitárias e filantrópicas correspondem a 18% da amostra.
A pesquisa revela que os cursos de Jornalismo tendem a oferecer entre duas a três disciplinas de rádio, seguindo praticamente o que é estabelecido nas Diretrizes Curriculares. O mesmo acontece com Publicidade e Propaganda com uma a duas disciplinas. O investimento maior se dá exatamente em curso específico, Rádio e TV, onde as instituições oferecem, em média, de cinco a nove disciplinas. Interessante observar que 60% dos cursos de Cinema e Audiovisual não oferecem disciplinas de rádio. Aqueles que ainda incluem o conteúdo no currículo têm, no máximo, duas matérias, indicando não há equilíbrio entre os diferentes meios e sim uma
predominância na área de cinema e vídeo. Nos demais cursos Relações Públicas e Comunicação Organizacional segue a tendência de ter apenas uma cadeira.
Com esse quadro, é de se esperar que o número de horas semanais dedicadas a disciplinas de rádio esteja entre os mais baixos. Em metade dos cursos de Jornalismo participantes da pesquisa são dedicadas de oito a doze horas semanais ao conteúdo específico de rádio distribuídos ao longo de dois a três semestres. Em Publicidade e
(...) os cursos de Jornalismo tendem a oferecer entre duas a três disciplinas de rádio, seguindo praticamente o que é estabelecido nas Diretrizes Curriculares. O mesmo acontece com Publicidade e Propaganda com uma a duas disciplinas. O investimento maior se dá exatamente em curso específico, Rádio e TV, onde as instituições oferecem, em média, de cinco a nove disciplinas. Interessante observar que 60% dos cursos de Cinema e Audiovisual não oferecem disciplinas de rádio.
PARTE 1 |Perfil do ensino de rádio no Brasil por: Nair Prata e Nélia Del Bianco Propaganda, não passa de oito horas por semana distribuídas em dois semestres.
Em quase 30% dos cursos de Rádio e TV há oferta de 80 horas semanas que podem ser distribuídas ao longo de oito semestres.
Na maioria dos cursos, as disciplinas sobre esse conteúdo tendem a ser oferecidas entre o quarto e o sexto períodos, exatamente quando entra na fase em que o foco da aprendizagem está na prática profissional.
Quando se aplica a técnica de nuvem para identificar as palavras mais frequentes nas ementas das disciplinas de rádio, observa-se que o foco nos cursos de Jornalismo está em abordar conteúdos sobre técnicas de redação, reportagem e noticiário para rádio. Nos demais há uma preocupação com criação, produção, linguagem, locução e roteiro radiofônico. Em menor proporção aparecem palavras como webradio, mídias eletrônicas e multimídia o que denota menor preocupação com as questões da convergência, indicando que o conteúdo tem como foco aprendizado sobre técnicas tradicionais de produção.
Ainda que ocupe menor espaço no currículo, em 97% dos cursos é permitido fazer Projeto Final de Curso ou Trabalho de Conclusão de Curso sobre rádio, seja ele o desenvolvimento de um produto ou de uma pesquisa que resulte em monografia. Na maior parte dos cursos há apenas um professor contratado com formação e experiência em rádio para ministrar todas as disciplinas. No entanto, duas exceções foram registradas. Em 38% dos cursos de Jornalismo há dois docentes contratados. Em quase a metade das instituições de ensino que oferece Rádio e TV há três profissionais no quadro com habilidade específica. Observou-se que, em 49% das instituições de ensino, o docente contratado pode atuar em mais de curso na área de Comunicação. Por exemplo, não é raro encontrar professores formados em Jornalismo atuando em cursos de Rádio e TV nas áreas de produção. A atividade dupla também se estende à pós-graduação, a considerar que 80% dos contratados são mestres ou doutores. A exigência de titulação é parte essencial do processo seletivo nas instituições brasileiras por força da legislação que regula o setor de ensino. Com isso 45% dos professores de rádio atuam na graduação e em algum programa de pós-graduação, seja em Comunicação ou em área afins dentro da sua instituição.
laboratório de ensino
As diretrizes curriculares brasileiras não somente definem conteúdos dos cursos como também estabelecem exigências quanto à construção de laboratórios de ensino que possam atender a demanda de produção regular equivalente ou assemelhada aos veículos de comunicação tradicionais. Significa que no Brasil
as chamadas disciplinas técnicas não podem ser exclusivamente teóricas, mas devem ter metade do seu tempo dedicado à prática laboratorial. A medida foi a saída encontrada pelos legisladores no sentido de dotar as escolas de condições de ensino similares ao mercado de trabalho para superar a dificuldade que os alunos enfrentavam diante do impedimento legal para realizar estágio em veículos de comunicação que vigorou de 1977 a 1996.
Em razão dessa exigência, pode-se observar que 62% das instituições instalaram um laboratório de rádio, 16% chegam a ter dois em funcionamento, e menos de um quarto delas possuem três laboratórios. A maioria (95%) dos laboratórios oferece aos alunos equipamentos de produção digitais que convivem com outros analógicos. Ou seja, em 62% dos estúdios de rádio há ainda equipamentos analógicos em funcionamento. Em 91% deles há operadores de áudio profissionais para auxiliar os alunos na gravação de produtos. Mas em 8% deles não se tem esse tipo de profissional, podendo ser operados até mesmo pelos próprios alunos.
Na avaliação dos professores da área, o maior desafio é manter os laboratórios com equipamentos atualizados e com capacidade para atender a uma diversidade de tipos de produção, desde a produção de notícias, publicidade, e programas de entretenimento. Mais do que equipamentos, é fundamental ter técnicos sempre atualizados com as mudanças nos processos de produção. Alegam que de nada adianta ter o último tipo de equipamento se não há quem tenha capacidade técnica para operá-lo. A existência de laboratórios, portanto, cria uma demanda frequente por atualização, seja de equipamentos, profissionais e, especialmente, de professores (veja quadro1).
Quadro 1: Condições do laboratório de ensino. Fonte: dados da pesquisa
Atualizado - equipamentos digitais em bom funcionamento 60%
Profissional - porque possui infraestrutra e espaço físico
semelhante ao de uma emissora de rádio 54,1%
Parcialmente atualizado - porque uma parte dos equipamentos
instalados é analógico 25,9%
Desatualizado - porque a maioria dos equipamentos é velho e
sem manutenção 2,4%
Precário - porque não dispõe de equipamentos profissionais 1,2%
Precário - porque foi instalado de forma provisória em espaço
PARTE 1 |Perfil do ensino de rádio no Brasil por: Nair Prata e Nélia Del Bianco Outra alternativa para melhorar a qualidade da prática em rádio tem sido
a utilização de emissoras de instituições de ensino como espaço laboratorial. Entre as instituições pesquisadas, 31% exploram uma concessão de rádio FM, 42% mantêm uma webradio e somente 30% não tem qualquer tipo de rádio em funcionamento. O dado é bastante estimulante para o ensino, a considerar que, entre as que possuem rádio, 70% oferecem vagas de estágio para alunos; 75% abrem espaço para veiculação de programas produzidos exclusivamente pelo corpo discente; 58% permitem que os estúdios sejam utilizados para produção de exercícios em sala de aula. Somente em 11% das rádios de instituições não estão