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Chapter 3: Research methodology

3.7 Study Variables

3.7.2 Anthropometric Variables

dos “Millennials” e o tamanho do meio

Antonio Adami

Introdução: o artigo e sua construção

Nosso principal objetivo neste artigo é refletir sobre o estágio atual das pesquisas sobre o rádio no Brasil. Primeiramente focamos nossa análise na qualidade e profundidade das pesquisas realizadas e o estado da arte para, posteriormente, focarmos na carência de pesquisas sobre a produção e recepção radiofônica na era dos “Millennials” e, fechando o texto, trabalhamos com dados sobre o tamanho do meio no Brasil. Elaboramos o artigo dessa forma pois entendemos que primeiro teríamos que discutir como estão as pesquisas sobre o meio, já que percebemos um crescimento em termos quantitativos e qualitativos, além do dinamismo de pesquisas nos últimos 10 a 15 anos, mas, ao analisarmos este crescimento, os dados infelizmente não foram nada animadores. Nas pesquisas focando o tamanho do meio, trabalhamos como número de emissoras, seja em FM, AM, ondas curtas, tropicais e radiodifusão comunitária, e dados do mercado radiofônico atual. O tamanho do mercado hoje e os valores que o movem, algo em torno de R$ 46,36 bilhões em 2014, segundo a NET Notícias, tem proporcionado grande otimismo, tanto para profissionais como para as empresas do setor, apesar das crises políticas e econômicas que o país insiste em perseguir, denotando o atraso e o descaso do Estado com a sociedade.

PARTE 1 |Estágio atual das Pesquisas sobre Rádio no Brasil: as novas possibilidades... por: Antonio Adami Comunicação – Intercom e também na Rede Alcar, entre outros eventos periódicos.

Os dois congressos acima têm história e periodicidade anual e bienal ininterrupta, o primeiro já no XXXIX Encontro e, o segundo, no XI Encontro. Principalmente nestes dois eventos há boa organização e sistematização do conhecimento construído sobre o meio rádio, em diferentes campos de pesquisa, mas também existem algumas carências acentuadas. Quanto à produção científica, o grupo de trabalho sobre rádio na Intercom tem sido pioneiro, publicando e criando condições para o desenvolvimento de pesquisas, entretanto, há muito o que fazer pois percebemos, por exemplo, grande carência de originalidade dos trabalhos, inclusive de relevância científica e interesse social. É notória, infelizmente, segundo nossa análise, a repetitividade das pesquisas, num círculo vicioso, o que leva frequentemente ao afastamento de pesquisadores desses fóruns, dada exatamente a qualidade das discussões.

A intenção não é fazer juízo de valor, ao contrário, é verificar e analisar o estado em que se encontram as pesquisas e como estas aparecem nestes importantes eventos. Portanto, nos fica clara a leitura de que alunos e até pesquisadores seniores, se utilizam de artigos e livros produzidos para repetirem dados e pesquisas. Uma outra questão é que tanto nestes eventos como em publicações, seja de coletâneas, livros autorais e artigos, no geral, percebemos pouco interesse aos aspectos teóricos da produção, da recepção, da memória e sobre as perspectivas do rádio nesta nova era, que denominamos da “mobilidade”. Percebemos também que, historicamente, há uma demora acentuada, para chegar aos pesquisadores brasileiros, de discussões atualizadas e recentes e que já ocorreram ou estão ocorrendo fora do Brasil, seja em instituições norte-americanas, europeias e/ou demais regiões, por exemplo, demoraram para chegar entre nossos pesquisadores questões sobre o crowdfunding no rádio; também demorou muito para chegarem as pesquisas sobre a sonosfera digital e, mais recentemente, nem sequer existem nos congressos e trabalhos publicados pesquisas sobre o rádio e as mídias sonoras na era dos millennials. Obviamente estes são alguns dos campos, poderíamos citar muitos outros. Apesar da rapidez da internet, isso não significa difusão das pesquisas e de conhecimento, em andamento, nestas regiões. Obviamente que estamos tratando de pesquisas em comunicação e sobre o meio rádio.

Um outro ponto muito importante ao nosso ver, é que são muitos os artigos e livros com falhas referentes aos dados das pesquisas, sejam datas, sejam nomes, sejam títulos, erros que proliferam na internet. Percebemos claramente este fato quando da publicação em 2015, deste autor, do livro “O rádio com sotaque

paulista”, em que muitas datas e outros dados publicados por diferentes autores,

quando checados, apresentavam distorções. Isto se dá, entre outras razões, pelo descuido de pesquisadores quando da realização de suas pesquisas, repetindo dados equivocados, inclusive em orientações de dissertações e teses.

Uma outra questão também que queremos ressaltar é que existem raros projetos de publicação, fruto de trabalhos em grupos de pesquisa e intercâmbios, sejam nacionais ou internacionais. Percebemos que os grupos de trabalho em congressos, priorizam no geral projetos individuais ou, no máximo, publicação de coletâneas, sem vínculos com projetos mais aprofundados, resultados de pesquisas e intercâmbios. Este, aliás, é um dado recorrente, ou seja, há pouquíssimo intercâmbio real, via grupos de pesquisa, segundo dados da Fapesp e do CNPq, principalmente internacionais. Em análise recente, a partir de entrevista com pesquisadores de diferentes programas de pós-graduação em comunicação do Brasil (2016), notamos que isso ocorre por diferentes fatores, mas particularmente em virtude da dificuldade do brasileiro com o domínio de outras línguas e o acesso a outros países, que, aliás, cada vez mais fecham suas fronteiras, por um ou outro motivo. Nesse sentido, um dado interessante da Fapesp diz respeito aos convênios internacionais efetivados entre grupos de pesquisa, em São Paulo, entre 2011 e 2015, ou seja, somente dois convênios foram firmados oficialmente e se concretizaram com produções científicas, vindas e idas de pesquisadores, orientações no Brasil e no exterior etc.

Sobre as pesquisas apresentadas na Intercom, este que é o maior e mais antigo congresso da área de Comunicação do Brasil, com periodicidade anual e ininterrupta, e, como dissemos, atualmente no XXXIX Encontro, infelizmente, sobre o rádio, tem mostrado pouquíssimas pesquisas mais aprofundadas sobre o meio, não por falha do grupo de trabalho sobre o rádio, mas pela natureza do grupo e do formato do congresso. Além disso, apresenta trabalhos, na sua maioria, também sem relação com projetos de pesquisa de maior envergadura. A demonstração de que isso realmente ocorre é a pouquíssima aprovação de trabalhos em agências de fomento brasileiras sobre o meio rádio. Como exemplo, em pesquisa realizada na Fapesp, de 2009 a 2014, a agência aprovou apenas duas pesquisas de pós-doc no exterior (Europa); uma pesquisa livre, uma participação em evento no exterior e três iniciações científicas. Nenhum projeto temático, por exemplo, está ou esteve em execução nesse período, nesta que é a maior agência

Quanto à produção científica, o grupo de trabalho sobre rádio na Intercom tem sido pioneiro, publicando e criando condições para o desenvolvimento de pesquisas, entretanto, há muito o que fazer pois percebemos, por exemplo, grande carência de originalidade dos trabalhos, inclusive de relevância científica e interesse social.

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estadual do Brasil, que, aliás, recebeu em 2015 como receita R$ 1.350.088.934 ou US$ 356 milhões, sendo R$ 1.045.335.371 ou US$ 350 milhões, repassados pelo Governo do Estado de São Paulo, percentual de 1% do imposto sobre circulação de mercadorias e serviço (ICMS), recolhidos pelo Governo do Estado de São Paulo, porcentagem estabelecida na Constituição Brasileira de 1989 e, o restante como outras receitas.

Já que tratamos acima da qualidade das pesquisas, do ponto de vista qualitativo e quantitativo, achamos importante trazer os dados referentes aos principais interesses dos pesquisadores do Brasil. Assim, entre 2013 e 2016, considerando os documentos de origem da Plataforma Sucupira1,no banco de teses e dissertações

da Capes, aqueles que se destacaram e, portanto, tiveram maior preocupação dos pesquisadores, em ordem, foram:

1) Rádio e tecnologia

2) Emissoras comerciais, públicas, comunitárias e universitárias 3) Rádio e Memória

4) Rádio, Cultura e Sociedade 5) Rádio e recepção

6) Rádio e interatividade 7) Rádio e educação

8) Os gêneros de produção 9) Rádio e religião

novos campos de pesquisa: o rádio na era dos “millennials”

Primeiramente relembramos que enquanto meio de comunicação, o rádio não está em vias de desaparecer, como alguns consideram atualmente e consideraram quando do advento da televisão. Sobre isso, é muito exata a escrita de Herreros

1. Segundo a Capes, é uma nova e importante ferramenta para coletar informações, realizar análises e avaliações e ser a base de referência do Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG). A Plataforma deve disponibilizar em tempo real e com muito mais transparência as informações, processos e procedimentos que a Capes realiza no SNPG para toda a comunidade acadêmica. Igualmente, a Plataforma propiciará a parte gerencial-operacional de todos os processos e permitirá maior participação das pró-reitorias e coordenadores de programas de pós-graduação. A escolha do nome é uma homenagem ao professor Newton Sucupira, autor do Parecer nº 977 de 1965. O documento conceituou, formatou e institucionalizou a pós-graduação brasileira nos moldes como é até os dias de hoje.

(2011): “Não faltaram agoreros que deram por morto o rádio, mas eles se esqueceram de analisar que a mesma tecnologia que criaria novas formas de comunicação também poderiam ser meios de sobrevivência deste veículo”. O rádio sequer tornou-se obsoleto diante das novas mídias e o potencial interativo que trazem, ao contrário, aprendeu a conviver como nenhum outro meio com as mídias sociais digitais e aprendeu também a conviver com a geração dos millennials, em um mundo mais tecnológico, mais rápido, tornando-se assim também mais ágil e mais jovem, juntamente com esta geração, termo cunhado pelos autores Straus e Howe (2000), associado aos jovens da virada do século XX, no ano de 2000. O que falta realmente são pesquisas no Brasil que acompanhem esta evolução. As mídias sonoras, e particularmente o rádio, convivem muito bem com esta geração da interdependência, a vida bios, o bios virtual, segundo Sodré, já citado, quando trata da constituição de um novo “ethos”, uma

nova qualificação da vida. Para o autor, bios virtual define-se como uma lógica globalizada, um modus de se pensar e interagir com diferentes Estados, sociedades e mercados, que se organizam de forma global, o que pressupõe rapidez na circulação da informação, ou seja, uma vivência do tempo que é nova, específica, exatamente as características que o rádio possui nesses novos tempos, cada vez mais se construindo e se reconstruindo, pois esta é precisamente sua gênese.

Um outro ponto importante é que o rádio aprendeu a conviver em um mundo com novas formas de produção e consumo de mídia, de arte, de literatura, exatamente como escreve Vargas Llosa (2014), em “A civilização do espetáculo – uma radiografia do nosso tempo e nossa cultura”, ou seja, o meio encontra-se dentro desta discussão

levantada pelo pesquisador peruano radicado em Londres, quando procura definir as características distintivas da cultura de nosso tempo no contexto da globalização, da mundialização do capitalismo e dos mercados, bem como conviver com a extraordinária revolução tecnológica que vivemos. Isso é o rádio nos dias de hoje, e está aí vivo e pulsante, nesta sociedade contemporânea, urbana, midiática, “líquida”, de Bauman (2007).

Nesta nova era, não devemos esquecer alguns conceitos clássicos sobre o meio, por exemplo, do rádio enquanto linguagem ou seja, linguagem radiofônica por: Antonio Adami

O rádio sequer tornou- se obsoleto diante das novas mídias e o potencial interativo que trazem, ao contrário, aprendeu a conviver como nenhum outro meio com as mídias sociais digitais e aprendeu também a conviver com a geração dos millennials, em um mundo mais tecnológico, mais rápido, tornando-se assim também mais ágil e mais jovem, juntamente com esta geração

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é o conjunto de formas sonoras e não sonoras representadas pelos sistemas expressivos da palavra. A música, os efeitos sonoros e o silêncio compõem um universo de significação determinado pelo conjunto dos recursos técnico- expressivos da produção sonora e o conjunto de fatores que caracterizam o processo de percepção sonora e imaginativo-visual dos radiouvintes. Não cremos que isto tenha mudado com o advento das tecnologias, o que foi alterado foi a maneira de consumir sons e, sem dúvida, as possibilidades de produção de conteúdos sonoros, em diferentes plataformas. Percebemos que o rádio atual não pode prescindir da arte e a dramaticidade do mundo, não somente presente na literatura, mas no jornalismo, no humorismo, no entretenimento. Afinal, quando foi a última vez que um programa realmente nos seduziu, que uma voz nos comoveu, que a audição de uma entrevista nos causou uma verdadeira emoção estética? No rádio, o som exercita a imaginação do ouvinte. A interpretação mais os elementos sonoros incorporados tornam-se um todo que pode realmente nos tocar, além disso, o rádio possui uma característica única, muito próxima do texto literário, é capaz de nos surpreender. Todas estas questões carecem de mais pesquisas no Brasil, com maior profundidade.

Quando dissemos que o rádio rejuvenesceu é porque aprendeu mais que qualquer outro meio de comunicação a dialogar neste contexto dos Millennials, principalmente no contexto cultural da “sonosfera digital”. Aliás, este conceito deve ser mais bem aclarado aqui, para que se evite sua utilização de forma inexata, proliferando e perpetuando-se pela internet.

A primeira vez que tivemos contato com o conceito de sonosfera digital foi em um encontro em São Paulo, em 2009, com o professor catalão Armand Balsebre, convidado do grupo de pesquisa Mídia, Cultura e Memória. Tentando entender o conceito, percebemos que era abrangente demais e só pudemos entender sua dimensão a partir da abordagem conjunta com outros conceitos, de outros pesquisadores, em um momento em que se discutia a globalização. Assim, buscamos entender este conceito juntamente com o “universo líquido”, do sociólogo polonês radicado na Inglaterra, na universidade de Leeds, Zygmunt Bauman, já citado, e, também, quando, entre outros, dialogamos com os conceitos de hibridismos culturais e cultura-mundo, de Peter Burke (2008) e Gilles Lipovetsky (2011), respectivamente.

Na verdade, o conceito é trabalhado a partir de uma pesquisa financiada pelo Ministério da Ciência e Inovação espanhol, do grupo Publiradio: Grup de Recerca em Publicitat i Comunicació Radiofònica (www.publiradio.net) da Universitat Autònoma de Barcelona, que trata da sonosfera digital no sentido de definir e especificar os cenários comunicativos que se apresentam para a exploração

e transmissão dos conteúdos sonoros, bem como para a experimentação com novos formatos. No nosso modo de ver, hoje é precisamente este o lugar do rádio e suas novas possibilidades, se rejuvenescendo no Bios-Virtual, de Muniz Sodré, já citado. O rádio torna-se assim parte da “nuvem”, circulando por outras ondas, além das tradicionais, torna-se universal, e o grande mediador cultural no processo de transformação social. Assim, como nos anos 1920, 1930, 1940 e 1950, capaz de conglomerar multidões, na sonosfera, o rádio assume características globais e, o que é interessante, este é o local ideal para o rádio dialogar com todas as mídias. No nosso modo de ver, este é o grande avanço do rádio nestes novos tempos tecnológicos, ou seja, o meio aprendeu e se adequou às novas necessidades, principalmente na produção de conteúdos sonoros, em diferentes plataformas, tendo no radiojornalismo sua maior força, movido pela interação. Sobre o rádio e a sonosfera digital, escreve com muita precisão Paez (2011, pp. 63-75):

Avaliar o alcance das mudanças nas rotinas de produção que os avanços tecnológicos estão a operar nos distintos meios e estudar as características dos novos paradigmas baseados na interacção e na participação são duas das principais questões que centram boa parte da investigação recente em comunicação. No entanto, as consequências da convergência digital apenas são examinadas do ponto de vista da recepção e quase igno¬radas do ponto de vista do som, numa sociedade que continua a exaltar a imagem rela-tivamente a qualquer outro estímulo comunicativo. Esta situação é, na verdade, muito surpreendente no momento presente, dado que a integração e o carácter concomitante de diferentes dispositivos electrónicos-digitais desenham um novo ambiente na recepção das mensagens auditivas e propiciam o aparecimento de novos hábitos de escuta, que superam e rompem os limites das formas tradicionais. De uma perspectiva estritamente sonora, acreditamos que este novo ambiente – canalizado pelos tais dispositivos e em que confluem a rádio pela Internet (web-linked radio stations), o telefone móvel (mobile media), os podcasts, a TDT (Televisão Digital Terrestre), a televisão para invisuais, as plataformas de música online (tipo Spotify) ou os ambientes musicais (muzak), para citar apenas alguns – intervém decisivamente na arquitectura do que poderia denomi¬nar-se como sonosfera digital.

Do hertz ao byte, o rádio incorporou uma série de alternativas de irradiação, sem que nenhuma eliminasse a anterior. Hoje, o rádio pode ser ouvido em ondas médias, ondas curtas, ondas tropicais e em frequência modulada e muito mais que isso. Vejamos o que escreve Adriana Cury, jornalista da Rádio Bandeirantes de São Paulo, em sua dissertação de mestrado (2016), o que completa nossa análise sobre o meio rádio, tecnologia e pesquisa:

por: Antonio Adami

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O rádio pode ser ouvido por tv a cabo, DTH (direct to home), satélite, parabólica e, a que talvez seja a mais revolucionária, a internet, que trouxe a reboque o podcasting, o rádio na web e as web rádios. Na mesma direção, os aparelhos de recepção se multiplicaram, passando de rádios elétricos, rádios automotivos e rádios a pilha para walkman, players de mp3, tablets, computadores e aparelhos celulares. Dentro das redações, outra evolução: as gravações antes realizadas por sistema magnético passaram a ser digitalizadas, alterando toda a técnica de edição de áudio, captação de som e aparelhagem de transmissão. E ao mesmo passo que melhorou sobremaneira o som também demandou transformações na estrutura narrativa, exigindo toda uma adaptação dos seus profissionais. Na era da rádio na web e da webradio, vive-se uma ampla oferta de forma de emissões, alterando a lógica inicial de oferta e também de demanda. O podcasting é um dos exemplos claros dessa mudança, pois se trata, muitas vezes, de material digitalizado disponibilizado via internet de um conteúdo já transmitido. A nova ferramenta, que teve início com a criação dos ipods da Apple, é considerada por alguns pesquisadores como máxima expressão da liberdade do ouvinte, que pode escolher conteúdos e o momento em que quer ouvi-los. Trata-se de um processo que oferece formas particulares de interação.

Pesquisas sobre o tamanho do meio rádio

Neste item vamos apresentar o tamanho do rádio no Brasil, para que possamos nos posicionar sobre as pesquisas sobre o meio. O rádio é um gigante no Brasil, país também com fronteiras gigantescas, com 200 milhões de habitantes. Para fins didáticos e denotando a dimensão que o rádio possui, apresentamos alguns dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 10 de julho de 2015. O Brasil é o quinto maior do mundo em território, com uma área total de 8.515.767,049 km2 e possui um litoral com 7.491 km, com fronteiras ao norte com Venezuela, Guiana, Suriname e Departamento Ultramarino Francês; a noroeste com Colômbia; a oeste com Bolívia e Peru; a sudoeste com Argentina e Paraguai e ao sul com Uruguai. Só não possui fronteira com Equador e Chile. O rádio alcança todos os rincões do país, algo em torno de 90% da população, sendo que 70% desta utiliza o meio para o entretenimento e 50% ouve os noticiários, segundo dados do Projeto Inter-Meios, relatório de investimento em mídia, coordenado pelo Grupo Meio & Mensagem em parceria com a auditoria PricewaterhouseCoopers-PwC.

Ainda segundo dados do Inter-Meios, a pesquisa aponta os hábitos dos ouvintes e, nesse sentido, a música sertaneja, por exemplo, é a mais ouvida pela

população, com 50%e a música popular brasileira vem logo em seguida com 41% (trata-se de duas características distintas de música brasileira). O brasileiro ouve rádio, em média, cerca de 3 horas e 50 minutos por dia e a maior audiência é das 10h da manhã. Aliás, segundo dados dos departamentos comerciais das principais emissoras de rádio das capitais, particularmente São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre, o meio tem como horários nobres o período da manhã, entre 7h e 10h; o período da hora do almoço, entre 12h e 14h e o período da tarde/noite, entre 18h e 20h. Nesses momentos é que a publicidade brasileira mais fatura no rádio, evidentemente os momentos de maior audiência. 50% dos brasileiros pesquisados escutam rádio em casa, 10% no carro e 5% no trabalho. Este é um dado interessante para análise, pois, a priori, nos parecia ser mais ouvido no carro, o que não ocorre, assim, por outro lado, não há dúvida de que o rádio continua sendo o grande mediador da cultura brasileira.

Um campo de pesquisa de grande interesse para o futuro do meio e curioso é quanto à audição radiofônica, ou seja, esta ocorre com outros meios de comunicação simultaneamente, sendo a internet a mais utilizada pelos ouvintes, com 18%; 16% ouvem o rádio assistindo à televisão; 13% lendo jornal e 12%