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PARAIBANO

A partir da observação direta nos municípios componentes do projeto em análise possibilitou-se desenvolver o quadro 7 que sintetiza a participação dos agentes produtores do turismo no processo de desenvolvimento turístico da região. Na gestão do turismo é comum ver o processo de desenvolvimento turístico sendo iniciado ou fomentado pelo setor privado, com o investimento em grandes empreendimentos hoteleiros ou de restauração e lazer. Neste caso em análise, nota-se pelo quadro acima que o setor público deu o pontapé inicial, com uma relevante participação da comunidade. Até mesmo tratando-se do setor privado, poucos são os empreendimentos com investimento externo e mesmo estes empregam mão-de-obra local (mesmo sem qualificação), ou seja, a renda gerada com a atividade turística na região permanece na região.

Quadro 7: Agentes Produtores do Turismo do Brejo Paraibano

Agentes Produtores do Turismo Expectativas e Tendências Participação Poder Público Visualiza no projeto uma oportunidade

de desenvolver a região, aumentar a arrecadação de impostos para a melhoria dos municípios, desenvolver o turismo e, sobretudo espera estimular e valorizar a cultura para a população local.

Fomenta todo o projeto, tanto financeiramente quanto gerencialmente. Iniciou o projeto e, através da Instancia de Governança continua com o desenvolvimento do mesmo.

SEBRAE Tem como principal objetivo a qualificação da mão-de-obra empregada no turismo e o desenvolvimento de produtos em apoio ao micro e pequeno empresário.

Participa ativamente do projeto, desde sua concepção, planejamento, gerenciamento até sua execução e avaliação. Extrapola o objetivo inicial de apoio aos micro e pequenos empresários e auxilia até na infraestrutura improvisada para a realização do circuito nos municípios. Agentes do Mercado (grandes

empresas e cadeias, empresários locais, fornecedores de serviço e

matéria-prima)

Aumento de oportunidades de acumulação e reprodução de capital ou de expansão de seu negócio e sua lucratividade.

A maior representação do empresariado é local, de micro e pequenos empresários, e até mesmo informais. Inicia-se o interesse por investimento de cadeias, com apenas 2 empreendimentos instalados, mas sem monopólio da atividade. Os fornecedores são locais.

Atendem, em número, a necessidade da demanda, porém não em diversificação, ocorrendo a ausência de serviços e produtos turísticos demandados.

Trabalhadores diretos e indiretos (formais e informais)

Oportunidade de trabalho e renda seja direta ou indireta, e de participação social com o sucesso do projeto.

A mão-de-obra utilizada no projeto é advinda dos próprios municípios e regiões circunvizinhas. Participam dos cursos de qualificação oferecidos na busca de inclusão no projeto. População Residente Inicialmente não tinha expectativa

quando ao desenvolvimento turístico da área, vendo o projeto como incentivo a cultura local. Com o passar de cada edição, o aumento do fluxo turístico, o incremento de divisas, investimentos na região e o desenvolvimento social advindo disto, quer participar mais ativamente do projeto.

A população residente vê o projeto, antes de qualquer coisa, como um projeto destinado à comunidade e depois destinado ao turista. Tenta participar das atividades propostas e quando não participa também não vê problemas com o fluxo gerado, já que o mesmo traz oportunidade de desenvolvimento local.

Turistas Interessados pelo turismo cultural, procuram na autenticidade das atividades do projeto uma imersão com os costumes

locais, mantendo contato com a comunidade local.

Permanecem nos municípios, utilizando dos serviços turísticos durante o circuito e expressando interesse em retornar em outro momento. Respondem positivamente

às alterações em cada edição com o aumento crescente no fluxo a cada

ano. Fonte: Dados da Pesquisa (GALVÃO, 2012)

Com relação aos agentes de mercado do Brejo Paraibano encontra-se um perfil característico uniforme. São pequenas e micro empresas formais e informais, com característica de empresa familiar, o que os fazem empresários do tipo pioneiros. Entretanto os municípios de Bananeiras e Areia já despertam interesse pelo empresariado de cadeia, como o Serra Golf Apart Hotel em Bananeiras e a Pousada Villa Real em Areia. Não há representantes da cadeira internacional de hotéis nem de grandes operadoras em nenhum dos municípios. Operadoras de turismo da capital - João pessoa - fazem a venda do produto turístico dos mesmos.

Quanto ao poder publico, sua intervenção é tida como indutiva, que identificou os atrativos de seu território como gerador de fluxo e realizou investimentos preliminares para o desenvolvimento do projeto. Tem-se como principal agente indutor do processo turísticos da região, juntamente com a comunidade.

Referente aos trabalhadores diretos e indiretos, estes são guiados por suas necessidades, então apropriaram-se dos espaços na busca de obtenção de trabalho, renda e moradia, que são encontrados nos empreendimentos turísticos e de apoio. Este foi o pontapé para a formação de cooperativas, associações, entre outras ações coletivas dos moradores da região, de forma a serem agentes mais que ativos no processo de desenvolvimento turístico da região.

Na revisão do papel de cada agente produtor do turismo na apropriação do espaço, foi propiciada uma formatação a partir da instância do fórum de governança. Esta organização possibilita uma política mais especifica direcionada ao atendimento dos resultados propostos de acordo com a necessidade do setor turístico e dos agentes. O fórum possibilitou uma discussão e deliberação mais organizada e uma gestão equilibrada dos interesses e necessidade de cada agente, aumentando o ganho de produtividade e de competitividades dos destinos envolvidos a partir da melhor gestão do uso dos recursos comuns a todos. Foi sinalizado assim através desta pesquisa o quão crucial se apresentou o envolvimento de todos os agentes produtores do turismo para o estágio de desenvolvimento da atividade na região.

Dessa maneira, o desenvolvimento passa a ser entendido como resultado de fatores endógenos e isso inclui o envolvimento profundo dos agentes produtores do turismo, vinculados à concepção política e social. A preocupação com uma gestão das atividades de desenvolvimento do turismo na região tem sido constante através de ações conjuntas dos diversos agentes envolvidos no processo, para garantir a integração e mobilização de todos os agentes envolvidos.

Além disto, apesar do aumento do fluxo turístico e do envolvimento dos agentes locais em novos negócios e demandas que são geradas a partir daí para atender as novas necessidades dos novos turistas, o que induz à ampliação do espaço como destino turístico e passando então a ser um indutor, já que ampliando assim o desenvolvimento de toda a região do brejo, e desta forma, novos destinos são contemplados pelo interesse dos turistas e o investimento em novos produtos pelos agentes de mercado, percebe-se que o patamar encontrado no tocante aos problemas ou impactos negativos advindos da atividade turística apresenta-se positivo, pois mesmo que instintivamente ou não intencionalmente, certos problemas comuns esperados não forma encontrados e como isto não quer dizer-se radicalmente que não há influencia negativa do turismo na região, mas levar a enxergar que às vezes certos problemas podem ser evitados e às vezes alguns problemas do desenvolvimento local não são decorrentes do turismo.

É neste momento que o projeto caminhos do frio – rota cultural pode tornar-se um indutor ao desenvolvimento turístico regional, quando os destinos vizinhos possibilitam que estes turistas estendam-se às suas áreas, havendo uma articulação que extrapole os limites traçados inicialmente, ampliando a escala microrregional projetada a principio, criando uma nova escala, adotada pela identidade regional e não pela definição de território. A partir desta articulação pode surgir um complexo de relações regionais entre seus diversos agentes produtores interligando os destinos, levando ao desenvolvimento de toda região, paulatinamente.

Através desta abordagem de turismo como indutor do processo de desenvolvimento regional não se pode negar a transformação social advinda do fomento à atividade. Com o respeito e o estímulo às reais manifestações culturais locais foi possível desenvolver um turismo cultural autêntico, que visa antes de tudo, envolver a comunidade na preservação e valorização de seu legado cultural. Como demonstra o projeto, o desenvolvimento de uma região a partir do setor turístico como indutor do processo desenvolvimentista precisa incorporar esta noção de gestão compartilhada, incluindo todas as faces que o desenvolvimento envolve, ou seja, deve se atentar a uma gestão que priorize o social, o político, o cultural, tão quanto o econômico. A partir de ações e projetos, como este, que garantam a participação de todos os agentes sociais envolvidos pode-se caminhar a uma gestão democrática conforme a idealizada para as regiões que desenvolvem o turismo no Brasil.