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Strength of main vehicle structure and securing of freight

In document COMMISSION II (sider 92-103)

7. Implementation

7.7. SPECIFIC CASES

7.7.2. List of specific cases

7.7.2.1.3. Strength of main vehicle structure and securing of freight

O primeiro cronista do Brasil foi Pero Vaz de Caminha, com a carta escrita a El-rei D. Manuel, da qual já nos ocupamos. O primeiro cronista das Américas foi Cristovão Colombo, com as suas cartas escritas aos soberanos espanhóis. O primeiro cronista do México foi Hernán Cortez. Desses cronistas descendem os que os sucederam nas crônicas de cada país que se ia fundando no continente, e também das expedições que se faziam para explorar e conhecer a natureza e as pessoas de cada lugar. Alguns dos exemplos são as crônicas dos padres jesuítas e franciscanos. Uma das mais conhecidas, que liga o extremo da América do Sul aos confins do Brasil é a Crônica do novo descobrimento do Rio Amazonas, do Padre Cristóbal de Acuña, religioso da Companhia de Jesus. A crônica do Padre Acuña foi publicada em Madrid, no ano de 1641, e narra o que ele viu e registrou numa viagem de expedição que foi de Quito (Equador) a Belém (Brasil). Seu objetivo “era fazer um relatório completo de tudo o que visse durante a viagem, informando o mais corretamente possível as riquezas existentes na região, além de descrever a geografia e as populações locais” (ESTEVES, 1994, p. 19. In: ACUÑA, 1994). A crônica do Padre Acuña dialoga com a crônica de Carvajal, pelo grau de fantasia que habita a narrativa, nem sempre objetiva. Dialoga também com outras crônicas de autoria anônima sobre o Rio Amazonas. Alguns delas seriam tão fictícias que teriam sido feitas a partir de mapas da região, por cronistas anônimos que nunca haviam feito tal viagem e, portanto, só podiam fazer ficção. Os cronistas que vêm depois recuperam algumas características desses exploradores, e assim sucessivamente até a crônica atual.

No caso particularmente brasileiro, a carta de Caminha foi encontrada na Torre do Tombo em 1773 por Seabra da Silva, e até os dias de hoje não parou de ser lida, copiada, difundida, parodiada, e de certo modo, reescrita. A crônica moderna, aceita como gênero literário, também tem sua ligação com o esse documento fundador de novos horizontes. Jorge de Sá fez um estudo conciso, mas bastante didático sobre a evolução da crônica no Brasil, desde o descobrimento até a atualidade da moderna crônica jornalística, especificando qualidades de quase todos os grandes cronistas em diferentes momentos da história nacional. Abre o primeiro capítulo de seu livro A crônica com a citação:

A carta de Pero Vaz de Caminha a El-rei D. Manuel assinala o momento em que, pela primeira vez, a paisagem brasileira desperta o entusiasmo de um cronista, oferecendo-lhe a matéria para o texto que seria considerado a nossa

certidão de nascimento. Se a carta inaugura o nosso processo literário é bastante discutível: sua importância histórica e sua presença constante até mesmo nos modernos poemas e narrativas parodísticos atentam que, pelo menos, ela é um começo de estruturação, não é o marco inicial de uma busca que, inevitavelmente, começaria na linguagem dos “descobridores” que chegavam à Terra de Vera Cruz, até que um natural dos trópicos fosse capaz de pensar a realidade brasileira pelo ângulo brasileiro, recriando-a através de uma linguagem livre dos padrões lusitanos (SÁ, 1987, p. 5).

Temos uma contradição. Ao mesmo tempo em que Jorge de Sá diz que a carta de Caminha é o nosso documento inaugural, põe em xeque sua qualidade literária. Demonstra predisposição para aceitar os pressupostos batidos da teoria literária que insiste em classificá- la como literatura de informação, quando ela merece ser vista como literatura de formação. A outra falta que ele vê na carta é o fato de ela ser a escrita da realidade brasileira pelo ângulo de um lusitano. Questão por nós já superada pela luz da teoria antropofágica e pelo pensamento mestiço. Na sequência de seus argumentos, Jorge de Sá é mais contraditório, pois admite que Caminha é um cronista criador:

Indiscutível, porém, é que o texto de Caminha é criação de um cronista no melhor sentido literário do termo, pois ele recria com engenho e arte tudo o que ele registra no contato direto com os índios e seus costumes, naquele instante de confronto entre a cultura européia e a cultura primitiva. Não é gratuitamente, portanto, que ele conta a el-rei detalhes aparentemente insignificantes, tais como:

“(...) E daqui mandou o Capitão a Nicolau Coelho e Bartolomeu Dias que fossem em terra e levassem aqueles dois homens e os deixassem ir com seu arco e setas. Aos quais mandou dar a cada um uma camisa nova, uma carapuça vermelha e um rosário de contas brancas de osso, que eles levaram nos braços, e cascavéis e campainhas. E mandou com eles para ficar lá um mancebo degredado, criado de D. João Telo, a quem chamam Afonso Ribeiro, para andar lá com eles e saber de seu viver e maneiras. E a mim mandou que fosse com Nicolau Coelho” (SÁ, 1987, p. 6).

Acerta bastante quando diz que o texto de Caminha é uma criação no sentido literário. Quando diz que Caminha trabalha com retalhos, sugere uma boa metáfora, a da crônica como uma colcha de retalhos, na qual esse cronista artesanal alinhava os fatos, abrindo caminho para os cronistas vindouros:

Seu relato é, assim, fiel às circunstâncias, onde todos os elementos se tornam decisivos para que o texto transforme a pluralidade dos retalhos em uma unidade bastante significativa. Dessa forma, por mais que ele tenha afirmado, no início da “nova do achamento”, que, “para o bem contar e falar, o saiba pior que todos fazer”, percebemos que tem consciência da possibilidade de “aformosear” ou “afear” uma narrativa, sem esquecer que a experiência vivida é que a torna mais intensa. Daí o cuidado em reafirmar que ele escreve após ter ido à terra “para andar lá com eles e saber de seu viver e maneiras”: a observação direta é o ponto de partida para que o

narrador possa registrar os fatos de tal maneira que mesmo os mais efêmeros ganham uma certa concretude. Essa concretude lhes assegura a permanência, impedindo que caiam no esquecimento, e lembra aos leitores que a realidade – conforme a conhecemos, ou como é recriada pela arte – é feita de pequenos lances. Estabelecendo essa estratégia, Caminha estabeleceu também o princípio básico da crônica: registrar o circunstancial (SÁ, 1987, p. 6).

Eis uma tarefa para o gênero que habitaria e se desdobraria nas páginas dos jornais: registrar o circunstancial. “Nossa literatura nasceu, pois de uma circunstância. Nasceu da crônica” (SÁ, 1987, p. 7). Partir da carta de Caminha como o nosso primeiro registro do circunstancial é uma opção didática. Machado de Assis, quem retoma esse aspecto em suas crônicas, nos explica de forma bem humorada, que a crônica é o registro do circunstancial, da trivialidade, e que seu nascimento remonta aos tempos do paraíso. Vejamos a transcrição de uma crônica que explica de forma formidável o que é a crônica, e qual é a sua idade:

O Nascimento da Crônica27 (texto completo)

Machado de Assis

Há um modo certo de começar a crônica por uma trivialidade. É dizer: Que calor! Que desenfreado calor! Diz-se isto, agitando as pontas do lenço, bufando como um touro, ou simplesmente sacudindo a sobrecasaca. Resvala- se do calor aos fenômenos atmosféricos, fazem-se algumas conjeturas acerca do sol e da lua, outras sobre a febre amarela, manda-se um suspiro a Petrópolis, e la glace est rompue; está começada a crônica.

Mas, leitor, esse meio é mais velho ainda do que as crônicas, que apenas datam de Esdras. Antes de Esdras, antes de Moisés, antes de Abrão, Isaque e Jacó, antes mesmo de Noé, houve crônicas. No paraíso é provável, é certo que o calor era mediano, e não é prova do contrário o fato de Adão andar nu. Adão andava nu por duas razões, uma capital e outra provincial. A primeira é que não havia alfaiates, não havia sequer camisarias; a segunda é que ainda havendo-os, Adão andava baldo ao naipe. Digo que esta razão é provincial, porque as nossas províncias estão nas circunstâncias do primeiro homem. Quando a fatal curiosidade de Eva fez-lhe perder o paraíso, cessou, com essa degradação, a vantagem de uma temperatura igual e agradável. Nasceu o calor e o inverno; vieram as neves, os tufões, as secas, todo o cortejo de males, distribuídos pelos doze meses do ano.

Não posso dizer positivamente em que ano nasceu a crônica; mas há toda a probabilidade de crer que foi coetânea das primeiras duas vizinhas. Essas vizinhas, entre o jantar e a merenda, sentaram-se à porta, para debicar os sucessos do dia. Provavelmente começaram a lastimar-se do calor. Uma dizia que não pudera comer ao jantar, outra tinha a camisa mais ensopada do que as ervas que comera. Passar das ervas às plantações do morador fronteiro, e logo às tropelias amatórias do dito morador, e ao resto, era a coisa mais fácil, natural e possível do mundo. Eis a origem da crônica. Que eu, sabedor ou conjeturador de tão alta prosápia, queira repetir o meio de que lançaram mãos as duas avós do cronista, é realmente cometer uma trivialidade; e contudo, leitor, seria difícil falar desta quinzena sem dar à

canícula o lugar de honra que lhe compete. Seria; mas eu dispensarei esse meio quase tão velho como o mundo, para somente dizer que a verdade mais incontestável que achei debaixo do sol, é que ninguém se deve queixar, porque cada pessoa é sempre mais feliz do que outra.

Não afirmo sem prova.

Fui há dias a um cemitério, a um enterro, logo de manhã, num dia ardente como todos os dias e suas respectivas habitações. Em volta de mim ouvia o estribilho geral: – Que calor! Que sol! É de rachar passarinho! É de fazer um homem doido!

Íamos em carros! Apeamo-nos à porta do cemitério e caminhamos um longo pedaço. O sol das onze horas batia de chapa em todos nós; mas sem tirarmos os chapéus, abríamos os de sol e seguíamos a suar até o lugar onde devia verificar-se o enterramento. Naquele lugar esbarramos com seis ou oito homens ocupados em abrir covas; estavam de cabeça descoberta, a erguer e fazer cair a enxada. Nós enterramos o morto, voltamos nos carros, e daí às nossas casas ou repartições. E eles? Lá os achamos; lá os deixamos, ao sol, de cabeça descoberta, a trabalhar com a enxada. Se o sol nos fazia mal, que não faria àqueles pobres-diabos, durante todas as horas quentes do dia? (MACHADO DE ASSIS, 1994, p. 13-14).

3.2 O Narrador-Repórter Registra o Circunstancial e Promove a Evolução do

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