5 Analyse
5.5 Stedfortredende berøring og Sosiale Objekter
A auto-eficácia é uma das variáveis psicológicas, mais associadas à motivação, pois sugere expectativas pessoais relativas ao self.
O conceito foi introduzido por Bandura (1977, 1989), e embora derive de pressupostos behavioristas, distancia-se destes ao assumir o indivíduo com capacidades interactivas com o meio. Isto pressupõe, que não só o ambiente influência o sujeito, como o contrário também é verdadeiro. Este fenómeno ficou conhecido, como determinismo recíproco.
Para Bandura (1977), a visão behaviorista do comportamento humano, nos moldes adoptados por Skinner, em termos de reforço ou punição, era bastante reducionista. A sua investigação começou por centrar-se, no estudo de comportamentos agressivos em crianças sujeitas a ambientes hostis. Os resultados demonstraram, que as crianças adoptavam comportamentos semelhantes àqueles que eram expostos, com base na imitação.
Na sequência destas investigações Bandura (1977) delimita, uma série de etapas inerentes a estes processos de aprendizagem social, que envolvem modelo e aprendiz. As etapas abrangem factores, tais como: a atenção; a retenção; a reprodução e a motivação. Uma melhor aprendizagem implica, que o modelo deva ser interessante, pois só assim poderá haver retenção e posterior reprodução do que se observou. Por outro lado, a motivação também deverá estar presente, e neste caso o reforço ou a punição poderão ser factores importantes. Neste sentido, as razões para se imitar alguém podem dever-se a reforços passados, a reforços prometidos ou à observação de reforços atribuídos a terceiros. Por exemplo, um indivíduo obeso pode estar motivado para perder peso, porque: recorda-se que quando perde peso a sua família o elogia (reforço passado); porque imagina que se perder peso o seu médico irá elogiá-lo (reforço prometido); ou porque observa que outros sujeitos obesos também em tratamento são elogiados, quando conseguem atingir o programa terapêutico estabelecido (observação de terceiros). Este exemplo, também é aplicável se pensarmos em motivações negativas para não agir. Neste caso, a punição passada, possíveis representações imagéticas negativas ou observação de punição em terceiros, afasta a pessoa da reprodução do comportamento.
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De acordo com este modelo, a acção e a motivação humana são condicionadas por sistemas regulatórios, relacionados não só com melhor integração social, mas também com melhor saúde (Blanchard et al., 2005; Luszczynskaab, Gutiérrez-Doñac & Schwarzerb, 2005; Schwarzer & Fuchs, 1996). O conceito auto-regulatório é aplicável em três períodos. Num primeiro momento, o sujeito procede a uma auto-observação a nível comportamental. De seguida, existe uma comparação e/ou competição com pessoas consideradas como modelos. Na última etapa, subsiste uma avaliação de todos os momentos anteriores, isto é, auto-reforços ou autopunições, se a avaliação for positiva ou negativa, respectivamente. De salientar, que esta avaliação irá condicionar a ideia que o sujeito faz de si próprio. Ou seja, se o auto-reforço é encarado como positivo, o mesmo já não acontece com excessiva autopunição. Isto porque, os mecanismos compensatórios são muitas vezes desajustados, comprometendo a pessoa a nível social. Desta forma podem surgir pensamentos compensatórios de superioridade, de apatia, de depressão ou mesmo comportamentos aditivos.
Neste sentido, Bandura (1997a) enfatiza, que a mudança de comportamento acontece, quando a percepção de competência é fortalecida e não quando existe eliminação do stress emocional.
A auto-eficácia é então, a apreciação que a pessoa faz acerca das suas capacidades em realizar um determinado comportamento, necessário para produzir um resultado desejado (Zimmerman, 2005). Paralelamente à percepção de auto-eficácia, existem ainda outros dois mecanismos responsáveis pela perspectiva de acontecimentos. São elas: a expectativa de resultado situacional, e a expectativa de resultado da acção (Bandura, 1989). Na primeira, as consequências são encarados fora do controlo pessoal, levando geralmente a sentimentos de vulnerabilidade ou distorção da realidade. Por exemplo, uma pessoa de peso normal pode achar, que nunca irá ter colesterol, apesar de incorrer em hábitos alimentares pouco saudáveis. Na expectativa de resultado, o indivíduo considera que consegue controlar os factores externos, tendo acções preventivas nesse sentido. Por exemplo, um sujeito obeso pode evitar ter doces em casa, de forma a iniciar e manter uma alimentação mais saudável.
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A capacidade de mudança e a manutenção de hábitos dependem também das cognições que lhe estão associadas, isto é, o valor que o sujeito lhes atribui (Anderson, Winett & Wojcik, 2007; Bandura, 1997b; Saco et al., 2007; Luszczynska, Tryburcy & Schwarzer, 2007; Schwarzer & Fuchs, 1996). E isto requer, a formação de uma série de pensamentos. Assim, a pessoa pode alterar o seu comportamento, por considerar que está em risco (“o risco de ter um AVC é grande devido ao meu excesso de peso”); ou porque avalia que a alteração comportamental irá reduzir o risco (“se comer menos reduzo o risco de ter um AVC”). O indivíduo pode igualmente estimar, que tem as competências necessárias para a mudança (“sou capaz de ter uma alimentação saudável para sempre”). Estes exemplos ilustram, que para haver intenção de mudança, não basta que o sujeito tenha as competências necessárias, ele tem que acreditar que as possui.
Conclui-se então, que a percepção de auto-eficácia é marcante na determinação de metas pessoais e actua na quantidade de esforço e perseverança em atingi-las. Quanto maior a crença nas capacidades pessoais, maior será a perseverança e o esforço despendidos (Bandura, 1982, 1989).
Segundo Bandura (1986, 1997a), as crenças de auto-eficácia derivam da experiência individual, de experiências observacionais, da persuasão verbal e de sinais emocionais.
Experiências particulares de sucesso irão incentivar a reprodução futura do comportamento, contrariamente, fracassos repetidos aumentam a probabilidade de mecanismos de evitamento e de baixa auto-eficácia (Zimmerman, 2005). Uma vez estabelecida esta avaliação global, o indivíduo amplia-a a outras situações. Entretanto, se houver um fracasso isolado entre sucessos repetidos, a avaliação final continua a ser positiva. Se ocorrer um sucesso isolado entre fracassos repetidos, a avaliação continuará a ser negativa.
A segunda origem refere-se à observação do desempenho dos pares. Na avaliação que faz do comportamento dos outros, o indivíduo pode aumentar a sua auto-eficácia, principalmente se esta observação for repetida. Ao observar, resultados positivos conseguidos por terceiros no desempenho de tarefas difíceis, a pessoa motiva-se a iniciar as mesmas tarefas. Contudo, para
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isto ocorrer, o sujeito tem que perceber estes modelos como semelhantes a ele próprio.
Na persuasão verbal, sob a forma de encorajamento e suporte, o sujeito pode aumentar a sua auto-eficácia. No entanto, estes incentivos têm que ser realistas e partir de pessoas credíveis. Caso estas condições não se verifiquem, a pessoa tem tendência a desistir da tarefa.
Finalmente, estados emocionais como ansiedade, depressão ou stress, comprometem os julgamentos de auto-eficácia.
De acordo com Bandura (1992), o grau de auto-eficácia do sujeito varia num largo espectro de situações, e prevê diferentes níveis de alterações terapêuticas. Por exemplo, no âmbito de programas de dieta e controlo de peso, a auto-eficácia prediz uma maior intenção comportamental (Wamsteker et al., 2005) como seja a adopção de hábitos alimentares mais saudáveis (Anderson et al., 2007; Bagozzi & Warshaw, 1990). Isto pressupõe, que fazendo uma medição inicial da auto-eficácia dos sujeitos, podemos com maior grau de segurança prever aqueles que terão melhor sucesso; os que possuírem inicialmente índices mais elevados de auto-eficácia terão no final do programa menor IMC.
Os efeitos da teoria de Bandura, também têm sido comprovados em análises transculturais. Numa investigação de Annesi (2007), foram determinadas associações entre a auto-eficácia e alterações do IMC em mulheres caucasianas e afro-americanas. O autor constatou uma diminuição do IMC em ambos os grupos com clara relação entre este factor e o aumento da auto-eficácia ao longo do tempo.
Noutro estudo, (Focht, Rejeski, Ambrosius, Katula & Messier, 2005), foi analisado do papel da auto-eficácia em sujeitos obesos com co-morbilidade associada (osteoartrite). Os resultados demonstraram, uma melhoria de auto- eficácia quando a pessoa tinha uma intervenção nutricional e a nível da actividade física. Por outro lado, melhores scores de auto-eficácia foram preditores de um aumento da mobilidade neste grupo analisado. Estes valores indicam, a importância de factores psicológicos na determinação da saúde da pessoa.
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