3.5 Utvikling i drivstofforbruk i flåten
3.5.1 Statistisk sentralbyrå
Queiruga, quando desenvolve sua teologia procura retraduzir a experiência e a reflexão, impondo ao nosso tempo uma total remodelação da vida cristã nos meios culturais e religiosos. Retraduzir indica repensar o cristianismo. Sua reflexão teológica não trata de um fenômeno conjuntural de traços efêmeros, mas de um novo modo de pensar a teologia, a partir de categorias antigas, mas sempre atuais para ela. A reflexão de Queiruga obedece à profunda necessidade interna, implicado na dinâmica concreta e complexa do processo religioso e cultural do ser humano. Segundo Queiruga, uma teologia consciente da precariedade histórica sempre terá muito que aprender de cada etapa ou forma de cristianismo que constrange necessariamente a plenitude que se lhe oferece em cada época48. Ele afirma
que a
distância entre nosso presente e nosso passado é o preço que devemos pagar por algo que constitui uma das maiores riquezas do cristianismo: sua antiguidade. Esta implica enorme tesouro de experiência e saberes, tanto teóricos como práticos. Mas significa também que nos chega a compreensão da fé em molde cultural que pertence a um passado que em grande parte já se tornou caduco. Para perceber a magnitude do problema, basta pensar que a maioria dos conceitos intelectuais, representações imaginativas, diretrizes morais, e práticas rituais do cristianismo forjaram-se nos primeiros séculos
48 Cf. QUEIRUGA, Andrés Torres.
de nossa era, e que quando muito, foram parcialmente refundidos na Idade Média.49
O desafio é fundamental e implica ter ousadia para ir a este “tesouro de experiência e saberes, tanto teórico como prático”50. O Concílio Vaticano II
representa uma ruptura, no sentido de abrir portas e indicar uma meta distante. A resposta ao desafio, em grande parte, está por fazer-se, em muitos aspectos51. Um duro atraso histórico se fez, na tarefa da retradução global do conjunto da fé.
Queiruga parte da convicção de que é necessário ir a fundo, aceitando com todas as conseqüências a lógica dos pressupostos, não pela via do racionalismo, mas, antes de tudo, pela importância das conseqüências práticas. O modo como recebemos e proclamamos a relação de Deus conosco influi na atitude que tomamos diante da vida, influi no modo como nos relacionamos com os outros e com o mundo criado52.
O estilo teológico de Queiruga está estruturado em um processo de mudança profunda, não facilmente percebida, mas que trabalha a consciência de todos. Parte daí a preocupação constante em tornar consciente a forma de experimentar Deus hoje – o que implica considerar seriamente a mudança de paradigma, desenvolvendo um novo estilo teológico. Segundo ele, mudaram-se os parâmetros culturais, como também mudou, drasticamente, nossa maneira de estar no mundo e, por conseguinte, o modo de relacionamento com Deus53.
49 Idem.
Um Deus para hoje. p. 11-12.
50 Ibid. p. 11-12. 51 Cf. Ibid. p. 13. 52 Cf. Idem.
Recuperar a Criação. p. 19
Como toda mudança, também a teológica supõe certa dessacralização de formas anteriores. E, por atingir as raízes mais profundas da crença, pode ser muito dolorosa, mas torna-se inevitável para a manutenção da fé como experiência viva, e não como simples fóssil inerte do passado54. Porque as
palavras e as proposições têm seu significado em seu contexto, mudadas aquelas perdem este último, e podem, inclusive, significar o contrário do que pretendiam55.
Podemos levar em consideração que a maioria dos conceitos teológicos cristãos nos chega de séculos, e tem sua origem na milenar tradição bíblica e a sua elaboração mais estritamente conceitual na patrística. Ainda que tenham sido recebidos por muitos na versão pré-moderna, escolástica e neo- escolástica – que teve expressado uma intenção restauradora – esses nos remetem a séculos de nosso tempo e, situam-nos no outro lado da crise aberta pela Modernidade56.
Conseqüentemente, a maioria dos conceitos teológicos, com exceção de alguns verdadeiramente novos, os outros pertencem à cultura pré-moderna e, por esta razão, não é hoje significativa. No contexto em que nasceram tais conceitos eram justificados, tinham um significado justo; atualmente, adquirem um significado distinto. E mesmo quando, por esforço histórico ou adaptação teológica, tentamos entender seu sentido originário, ficamos muitas vezes divididos57. As palavras evocam ressonâncias antigas em nível emotivo, e os
54 Cf. Ibid. p. 22.
55 Cf. Ibid. p. 22. 56 Cf. Ibid. p. 22. 57 Cf. Ibid. p.p. 22-23.
conceitos se inserem, em geral, em sua antiga rede de significados, reforçando sua persistência.
A solução mais eficaz consiste, quase sempre, em modificar-se o vocabulário e, sobretudo, introduzir os significados de modo expresso na nova rede conceitual. Significa que certos conceitos e expressões precisam ser concebidos e formulados de outra forma. Por exemplo, o conceito de eleição deveria ser abandonado pela teologia, uma vez que no atual horizonte cultural evoca um sentido que não corresponde à autêntica revelação de Deus.
Não são poucas as categorias teológicas e expressões da fé que precisam ser repensadas, recuperadas no horizonte cultural de nosso tempo, partindo da experiência mais nuclear do Novo Testamento, que tem como fundamento único a imagem de Deus como amor e que irrompe como criador e salvador. A teologia de Queiruga centra-se no esforço para dialogar com a Modernidade e desvendar todo mal entendido que foi desenvolvido através do tempo. Sua teologia se insere na tarefa de recuperar para hoje a autêntica
experiência cristã. As palavras recuperar, repensar, retraduzir, tão presentes
em suas obras, apontam justamente a perspectiva de levar muito a sério a mudança de paradigma e contribuir com uma nova compreensão do cristianismo no horizonte da cultura moderna. Estimulando a ter uma teologia cristã que faça um diálogo aberto com a cultura atual, uma teologia que possa expressar-se a partir de novos parâmetros de interpretações da realidade moderna.