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Statistical analyses

In document Sleep and mild traumatic brain injury (sider 45-49)

Estudiosos da área de projeto de arquitetura que acompanham o movimento do desenhar sistemas vêm a algum tempo propondo as suas interpretações sobre os processos e a lógica de desenvolvimento do projeto. Geralmente estão associados a representações de esquemas aplicados no processo de criação do objeto como os diagramas de ordenação de afinidades de uso, estudos volumétricos e pré-dimensionamento dos ambientes.

O processo de materialização da ideia é único e se diferencia a cada projeto, pois o conhecimento, valores, habilidades e reinterpretação do desejo de terceiros são inerentes a cada ser humano. A forma reducionista aplicada à fase de criação não permite identificar os riscos e perigos contidos nas funcionalidades, atividades dos usuários, interdependências entre os sistemas construtivos, principalmente quando se utilizam as tecnologias solares.

O projeto de uma edificação é um trabalho coletivo e por isso, termina por imprimir a cultura desse grupo. Dai o papel transformador do profissional da arquitetura quando ordena, hierarquiza e define prioridades. Ao definir antecipadamente o desejável e as situações indesejáveis [riscos ou perigos] o projetista passa a conhecer as múltiplas variáveis envolvidas, reduzindo assim, a dificuldade de integrar e materializar as soluções de projeto. O programa de necessidades pautado na analise de risco torna-se a principal ferramenta proativa. Ao negar a estrutura de avaliação por requisitos de desempenho durante o processo de criação e desenvolvimento tende-se a fragmentação da integração entre sistemas colaborativos e a arquitetura. Isso significa a perda da linguagem arquitetônica, restando apenas sobreposições que impõem riscos diversos ao usuário e ao meio.

Os estudiosos que mais se destacaram na sistematização do processo de projeto são: Durand (1805) Alexander (1971,1979); Boudon (2004); Lawson (1997b, 2000); Jonas (1993, 2002), Cross (1984), Simon (1969,1991).

Tabela 3.2: Estudiosos que interpretaram a lógica do desenvolvimento do projeto sob a perspectiva da teoria dos sistemas.

Autor Fundamentação Legitimação Justificativa

Jean-

Nicolas-Louis DURAND

 Estabelece preceitos científicos à atividade de projeto de modo a estabeleça uma ordem pragmática, em termos de “função” e “utilidade”.

 Traz para as atividades de projeto a dinâmica da análise por meio da combinação entre as parte de forma linear e sistêmica.

 Demostra a relação objetiva e racional entre um sujeito conhecedor e um objeto a ser conhecido.

 Faz “a progressão do simples em direção ao complexo, do conhecido ao desconhecido, o caminho para o passo seguinte e se lembre de seu antecessor”3.

 Representação espacial através do uso de malhas ordenadoras.

 Considera com a única forma o conhecimento.

 Afasta procedimentos baseados na intuição, no sobrenatural ou em qualquer forma de dogmatismo.

 Trabalha a coordenação dos espaços por meio dos aspectos construtivos da edificação levando em conta economia na organização do espaço e no uso de materiais. Christopher

ALEXANDER Fase 01

 Automação como estratégia de projeto.

 Estrutura formulada a partir da matemática e da lógica.

 Representações de estruturas [1) tenham igual alcance, 2)sejam tão independentes entre si como possível, e 3) que sejam de alcance tão pequeno e, portanto, sejam tão específicos e talhados e numerosos quanto possível]4.

 Pesquisa da forma dentro de uma cultura.

 Demostrar as listas de requisitos, tabelas de interconexão entre eles ou diagramas no formato de árvores [mais simplificados] e em semitramas [mais complexo].

 

 Busca um método unificado para a consecução da forma.

 Fazer projeto é resolver problemas.

• 3 DURAND27, citado por VILLARI, 1990, p. 36). • 4 (ALEXANDER, 1969, p. 113).

Autor Fundamentação Legitimação Justificativa Christopher

ALEXANDER Fase 02

 Fundamenta-se na metafísica.  Estruturando padrões que são

palavras e as redes que são frases. Todos organizados em infinitas combinações.

 “[...] extrai ordem somente de nós mesmos; não pode alcançar-se: ocorrerá espontaneamente, se o permitimos”5.

 O acesso à qualidade se chegaria pelo afeto.

 O método apresenta-se como modo intemporal de construir, devendo empreender dedicação para compreendê-lo e executá-lo.

 As qualidades nos espaços se ajustam bem aos padrões da cultura onde está inserido.

 Trabalha com a noção cartesiana da divisão de um problema em partes menores, possibilitando a emergência da solução por meio de agrupamento das soluções.

Christopher ALEXANDER Fase 03

Fase 03

 Ordem auto regenerativa que e auto regula e evolui.

 Busca pela harmonia do espaço

físico.  Simplicidade na forma e na organização como meio para a obtenção de um ambiente harmonizado.

 Nega a necessidade de processos complexos para a elaboração do projeto.

Herbert SIMON [economista]

Analisou a arquitetura.

 A arquitetura trabalha com o contingente, ou seja, como a forma e o espaço deveriam ser.

 Poder predizer [simular] o comportamento do objeto.

 Vê o projeto como solução de problemas.

 Permite a construção de possibilidades teóricas no estudo da concepção.

• 5 (ALEXANDER, 1979, p. 11)

Autor Fundamentação Legitimação Justificativa Nigel

CROSS  A proposição surge a partir do conhecimento, do pensamento e da ação.

 Identifica a diferenciação fundamental no trato das questões relativas ao processo criativo arquitetônico.

 Nega a diferenciação entre forma e conteúdo.

 Valorizar o processo de criação do projeto e o uso de diversas técnicas incluindo o uso de axiomas.

 Traz para a análise do projeto elementos ou situações de

incerteza, instabilidade, exclusividade e conflito de valores.

 Trata-se da subordinação a procedimentos criativos.

 Busca os fundamentos das questões relacionadas ao processo criativo arquitetônico.

Bryan

LAWSON  O processo de projeto é uma sequência de atividades guiadas por construção de ideias.

 Envolvem tanto o raciocínio caótico quanto o sistemático.

 O processo de projeto pode ser compreendido como uma atividade investigativa.

 “constrói sua estrutura na imaginação antes de erguê-la na realidade”6.

 Processos de criação como “processo mental sofisticado capaz de manipular muitos tipos de informação, misturando-os em um conjunto coerente de ideias e, finalmente, gerando alguma concretização dessas ideias”7.

 Não indicar procedimentos para sua execução. Contudo indica que a atividade de projeto envolve um ciclo interativo de análise, síntese e avaliação que permite compreender problemas e propor soluções em graus diferentes de hierarquia.

• 6 MARX, O capital, citado por LAWSON, 1997b, p. 14. • 7 LAWSON, (2000, p. 10).

Autor Fundamentação Legitimação Justificativa Philippe

BOUDON  “a concepção não é uma atividade de resolução de problema, mas de produção de algo que possa ser apresentado como solução do problema”8

 Trata-se de uma atividade comunicável e se constitui de um conjunto de operações identificáveis.

 Identifica as transformações às quais uma imagem está sujeita, sendo necessário considerar as operações inscritas nesse processo que se faz por meio de conjunções ou sínteses.

 Sistematiza o conhecimento da concepção arquitetônica, para que essa seja passível de ensino e transmissão.

 Trabalha com a sequência de operações na concepção do projeto. A sistematização das operações permite o conhecimento da concepção arquitetônica para que seja passível de transmissão. Em projeto, os problemas são múltiplos, mutáveis e vinculados uns aos outros.

Wolfgang

JONAS  O projeto é o próprio, “fundante”, ou seja, ele é o fundamento, pois tem uma causa, origem, justificação e supostas verdades.  Inventar hipóteses a fim de

descobrir o potencial ou a necessidade de dissolução e ou recombinação da proposta.

 Trabalha com hipóteses que vai tomando forma e se estruturando paulatina e reciprocamente.

 Opera as interfaces entre o contexto e artefato [arquitetura ou sistema construtivo].

 Nada é evidente, por isso pode ser pensado a partir do instante em que se apercebe do problema ou da condição.

 Os fundamentos e procedimentos científicos estão subordinados aos procedimentos criativos.

 Permite o uso de métodos para solucionar as questões.

Fonte: Tabela elaborada a partir de Brandão O. C. S.(2008). Sobre fazer projeto e aprender a fazer projeto. Tese /USP.

A importância desses autores se deve a formalização de discussões objetivas sobre o processo criativo em arquitetura. Eles abrem a “caixa preta” e se defrontam com as limitações da retenção e hierarquização das múltiplas variáveis. E ainda, de que é necessário, de alguma forma, planificar o processo.

Essas proposições continuam a ter importância para as equipes de projeto. Quanto mais se compreendem as relações do processo cognitivo, mais fácil fica a construção da lógica do projeto. Infelizmente para muitos arquitetos a discussão se encerra na "caixa preta" preferido fazer uso de modelos reducionistas deixando para a engenharia a resolução do detalhamento da arquitetura. Dessa forma tentam fugir a responsabilidade das consequências de seu processo criativo sobre o objeto a ser usado e integrado ao meio e a sociedade.

In document Sleep and mild traumatic brain injury (sider 45-49)