4.2 Den kommunale modellen: Songdalen kommune
4.2.2 Startfasen: Kartleggingsprosess og individuelle planer
Toda mudança supõe uma ação de deixar e começar algo novo. Esta ação é sempre
um desafio, um reto. O idoso, quando motivado pela presença da doença, tenta mudar seus
antigos hábitos alimentares, buscando uma vida mais longa e saudável. Esta mudança
pressupõe um desafio ainda maior, devido ao forte conteúdo simbólico da comida, estudado
no capítulo primeiro deste trabalho.
A alimentação é fator fundamental para a promoção, manutenção e/ou recuperação
da saúde em todas as fases da vida. Ela adquire especial relevância na velhice, porque o
envelhecimento, embora sendo um processo fisiológico normal, acarreta alterações no
organismo que podem modificar as necessidades nutricionais e que freqüentemente requerem
modificações nos hábitos alimentares. Esse processo pode ser agravado pela presença de
doenças (MARUCCI, 1998).
O idoso tende a apresentar, proporcionalmente, mais episódios de doenças
(diabetes mellitus, hipertensão arterial, dislipidemia, doenças cardiovasculares, etc.) que a
população em geral; episódios estes em sua maioria crônicos (CHAIMOWICZ, 1997). Essas
doenças crônico-degenerativas são as responsáveis pelo maior número de internações e
incapacitações da população idosa (DUARTE, 2000). Além disso, os idosos freqüentemente
apresentam várias doenças ao mesmo tempo, sendo que muitas são incuráveis, embora haja
tratamento para controla-las (MPAS, 1999).
As restrições alimentares constituem parte essencial do tratamento. A mudança de
hábitos alimentares é fundamental. Impõem-se restrições alimentares principalmente de sódio,
gorduras saturadas, açúcar, embutidos, enlatados, conservas, bebidas alcoólicas, leite e seus
derivados integrais, vísceras, carnes gordurosas, etc. Essas restrições tendem a assumir
características negativas, associando-se à fantasia de perda de afeto, carinho e atenção
(CEREZETTI, 2000). Para Freitas:
Os desafios de mudar hábitos alimentares em idosos
Na dietoterapia, o rigor de uma dieta equilibrada em nutrientes, é um lócus
fora das necessidades do desejo, do prazer e da compreensão. O paciente,
no sentido adjetivo do termo, situa o tempo provisório do sacrifício e
incorpora explicações. Em um estado crônico de hipertensão, por exemplo,
a retirada do sal da vida, rompe vertiginosamente com este
tempo
provisório e a existência toma outros significados. Estigmatizados e
castigados pela dieta, a comida é dissociada do prazer e o corpo necessita
buscar outras motivações, outros gostos, para a restauração da vida (1997,
p. 47).
O envolvimento dos aspectos nutricionais com o envelhecimento compreende
desde a sua provável participação neste processo de envelhecimento até a possível ação no
retardo das disfunções e alterações degenerativas (FERRIOLLI; LUCIF JUNIOR;
MORIGUTI, 1998). A nutrição influi sobre o estado de saúde, prevenindo numerosas doenças
e incapacidades freqüentes nas pessoas idosas e exerce um papel primordial na manutenção da
saúde (DUARTE; NASCIMENTO, 2000). Uma oferta dietética ideal, mantêm um bom estado
nutricional, visando à manutenção da saúde do idoso e à prevenção das doenças
(FERRIOLLI; LUCIF JUNIOR; MORIGUTI, 1998).
Quando as pessoas se vêem frente à necessidade de mudar seus hábitos
alimentares, principalmente por motivos de saúde reagem de distinta maneira. Existem muitas
barreiras para a mudança dos hábitos alimentares (LOWENBERG, 1970).
Lembremos aqui que para Bourdieu o habitus constitui um sistema de disposições
duráveis, porém não imutáveis. Essas disposições não são normas rígidas de ação, mas
princípios de orientação adaptáveis às diferentes circunstâncias. Quando o agente social se
encontra frente a situações novas, no contexto de condições objetivas diferentes daquelas que
constituíram a formação dos habitus, se apresentam instancias que possibilitam a
reformulação de suas disposições (GUTIÉRREZ, 1995).
Os desafios de mudar hábitos alimentares em idosos
Bourdieu e Wacquant (1995) propõem que, através de uma análise reflexiva dos
condicionantes objetivos das próprias práticas, o agente social trabalhe para modificar suas
percepções e representações dos condicionantes externos de suas práticas, e delas mesmas, e
assim elabore estratégias diferentes de ação.
Os hábitos são portanto modificáveis por sua própria natureza; a educação que é “a
mudança de conduta” é a estratégia. Com freqüência se afirma que é muito difícil mudar os
hábitos, e é certo, os hábitos não estão aí por casualidade, mas como resultado de forças muito
poderosas (BOURGES, 1988).
Para a pessoa idosa ser motivada a mudar seus hábitos alimentares é necessário
que as fortes razões existentes (doenças) lhe sejam explicadas num ambiente de abordagem
acolhedora e cuidadosa, onde possa se estabelecer confiança e melhorar a comunicação.
Nessa abordagem é importante descobrir por quê o idoso, às vezes, não segue as orientações
alimentares recomendadas; podem existir, entre outras, razões não relacionadas ao alimento,
como renda reduzida, incapacidade de preparar os alimentos ou desconhecimento prático
(DUARTE; NASCIMENTO, 2000).
Quando se trata de modificar os hábitos prazerosos da alimentação, os argumentos
científicos são de pouco peso e quase sempre fracassam. O Nutricionista deverá usar suas
habilidades para conjugar todos os fatores que no indivíduo determinam o comportamento
alimentar, como os costumes sociais e tradicionais, o prazer por determinados alimentos e as
preferências individuais. Modificar os hábitos alimentares é verdadeiramente entrar no lar do
idoso (WILLIAMS, 2003).
Segundo Lowenberg (1970) é mais fácil modificar os hábitos alimentares nos
jovens que nos idosos. Enquanto que o adulto jovem é normalmente receptivo às mudanças,
os mais idosos não admitem argumentações que impliquem alteração nos seus hábitos de
vida, especialmente os de natureza alimentar. Entretanto, uma vez que eles aceitam o fato de
Os desafios de mudar hábitos alimentares em idosos
que a nutrição adequada é essencial para a manutenção ou recuperação da saúde, tornam-se
ávidos em aprender (DUARTE; NASCIMENTO, 2000).
A introdução de uma mudança, por pequena e inócua que seja, pode causar muito
transtorno. Ou seja, para implantar a nutrição adequada, é de suma importância efetuar
mudanças que estejam de acordo com os hábitos alimentares do povo e estejam dentro da
estrutura de seu sistema de valores (LOWENBERG, 1970).
Segundo Snewtsellar (2002) o Nutricionista procurará estabelecer durante a
consulta um espaço de acolhimento no qual um sistema de suporte prepare o paciente para
enfrentar demandas sociais e pessoais de forma mais efetiva, fornecendo condições favoráveis
à mudança. Para facilitar a mudança dietética é necessário que seja levado em consideração o
seguinte: os indivíduos só alteram seu comportamento quando estão prontos para isso; a
intervenção nutricional é um forte determinante de resistência e recusa, ou motivação para
pessoas que querem fazer mudanças em suas dietas; os indivíduos passam por um ciclo de
diferentes fases de mudança e manutenção de suas alterações da dieta; são necessárias
diferentes intervenções para os indivíduos em diferentes fases de motivação; a ambivalência é
uma chave bloqueadora da motivação que pode ser resolvida através de intervenção, além
disso, resistência e recusa obstaculizam os objetivos de mudança de comportamento.
Dieta, saúde e doenças estão intimamente interligadas. Este conceito se aplica a
todos os grupos etários. No caso dos idosos a ingestão alimentar inadequada contribui
significativamente para morbidades agudas e crônicas. Há uma relação dialética entre doença
e alimentação: a doença afeta a ingestão alimentar e a ingestão alimentar inadequada
compromete a resistência à doença. Uma dieta bem balanceada e uma nutrição adequada são
fundamentais para o controle preventivo e terapêutico das doenças em idosos,
proporcionando-lhes uma importante melhora na qualidade de vida (CHANDRA et al., 1991).
Os desafios de mudar hábitos alimentares em idosos
Será pois necessário que se levem em conta todos os aspectos simbólicos que
envolvem a comida para de alguma forma ajudar o idoso com restrições alimentares por causa
da doença a incorporar um novo hábito alimentar. É importante que o indivíduo busque uma
nova forma de viver sem romper de forma traumatizante com seu passado. Só assim o novo
homem que “nasce” poderá sentir maior satisfação pessoal, e poderá experimentar novamente
a alegria de viver, viver com mais saúde e sonhar com a longevidade.
Referencial teórico metodológico