2. THEORETICAL FRAMEWORK
2.2. Stakeholder theory
Geralmente, um manual escolar passa por diversas modificações no decorrer de sua vida útil. Muitas vezes, essas modificações são feitas para atender à necessidade de atualização da obra, ou às mudanças no currículo escolar e, até mesmo, aos interesses do mercado editorial, com o objetivo de torná-lo mais vendável. História do Brasil para crianças sofreu, no decorrer de cinqüenta anos de circulação no mercado editorial, algumas modificações quanto à sua materialidade.
A primeira edição do livro História do Brasil para crianças (1934) fazia parte da BPB, série Literatura Infantil (série 1ª, vol. 18), coordenada por Fernando de Azevedo. Essa primeira edição era em capa “solidamente cartonada” e continha ilustrações, em cores muito fortes, do escritor e caricaturista Belmonte. Na capa, há o registro de que o livro pertence à coleção da BPB. A partir da 4ª edição (1935), o índice foi colocado no início do livro.
Em 1939, em sua 7ª edição, foi acrescentada ao nome do autor Viriato Corrêa, entre parênteses na página de rosto, a seguinte referência: Da Academia Brasileira de Letras.
A partir da 13ª edição (1946), houve a substituição, no decorrer do texto, de algumas imagens que permaneceram até a última edição.
Na 14ª edição (1949), houve mudança no tamanho da capa, mas permaneceram as mesmas imagens de Belmonte. Acredita-se que essa edição constituiu-se em um “livro- prêmio”, dada à sua especificidade material: capa dura, tamanho maior, lombada vermelha com letras douradas.
Após a aprovação da Comissão Nacional do Livro Didático, do MEC, o livro sofreu importantes modificações (24ª edição, 1961). O próprio exemplar traz o registro de autorização da referida Comissão: “Livro de uso autorizado pelo Ministério da Educação e Cultura, e registrado na Comissão Nacional do Livro Didático sob nº 966” (CORRÊA, 1961, p. 4). A capa manteve-se cartonada, mas houve mudança na sua ilustração: Belmonte produziu imagens estilizadas. Eliminou-se a sinopse depois do título de cada capítulo, as ilustrações adquiriram um fundo de cor rósea e quatro delas ficaram coloridas123.
Mesmo de forma estilizada, a capa124 preserva as imagens de personagens históricos ligados ao poder instituído, como na capa anterior. Mais uma vez, o destaque é dado à figura do bandeirante, que se sobressai das demais. A ilustração parece indicar certo evolucionismo ou progresso cultural: em primeiro lugar, na contracapa, encontra-se um índio, seguido de um padre jesuíta e uma mulher indígena. Na capa, vê-se um bandeirante, uma mulher presumivelmente ligada aos setores abastados da sociedade, devido aos seus trajes, e uma figura do colonizador.
Acima do título, o desenho de um dirigível denota idéia de progresso. A inovação dessa capa reside na inclusão de duas figuras femininas, o que não havia na primeira capa.
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As ilustrações coloridas constam nos seguintes capítulos: O navegador espanhol (p. 40); A França Antártica (p. 94); Antônio Raposo e Fernão Dias (p. 128) e A figura maravilhosa de Tiradentes (p. 158).
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A capa dessa nova edição assemelha-se a capas de outros livros didáticos publicados pela CEN: SILVA,, Joaquim. História do Brasil (1ª série ginasial). São Paulo: CEN, 1961 e HERMIDA, Borges. História do
Figura 51 – História do Brasil – capa. Fonte: SILVA, 1961.
Figuras 52 e 53 – História do Brasil para crianças – capa e contracapa de Belmonte. Fonte: CORRÊA, 24ª ed., 1961.
Figura 54 – História do Brasil para crianças –
ilustração colorida de Belmonte.
Fonte: CORRÊA, 24ª ed., 1961.
Figura 55 – História do Brasil para crianças – ilustração colorida de Belmonte Fonte: CORRÊA, 24ª ed., 1961.
Já na 27ª edição (1982), talvez como forma de ter barateado seu preço, o livro passou a circular em capa mole, também conhecida como “capa rústica”, mas com as mesmas ilustrações e disposição gráfica anteriores.
A última edição de História do Brasil para crianças é do ano de 1984. O livro circulou durante cinqüenta anos no mercado editorial brasileiro, com uma tiragem bastante expressiva, num total de 154.090 exemplares, conforme tabela abaixo:
MOVIMENTO DE EDIÇÕES Obra: História do Brasil para crianças
Autor: Viriato Corrêa Série: Infantis
Data Edição Tiragem
1/11/1934 1/3 13.000 26/4/1935 4 6.000 9/6/1936 5 6.067 14/9/1937 6 5.966 27/4/1939 7 6.000 14/6/1940 8 7.050 10/8/1942 9 7.100 11/5/1944 10/11 10.105 29/5/1946 12/13 10.173 14/12/1949 14/15 9.860 10/12/1952 16/17 10.040 2/9/1955 18/19 10.003 2/8/1957 20/22 15.103 26/10/1961 23/25 15.187 29/8/1967 26 10.056 2/8/1982 27 7.476 30/1/1984 28 4.904 Total 154.090 Tabela 1 – Edições e tiragem de História do
Brasil para crianças (Arquivo CEN).
Pela tabela acima, nota-se que o período de maior tiragem do livro deu-se entre os anos 40 e 60, com duas edições por ano. O livro deixou de ser editado em meados da década de 80, talvez pelas mudanças ocorridas na própria Editora, com a morte de seu fundador Octalles Ferreira e a posterior venda ao Governo Federal.
A partir dos anos 70, já se constatava um considerável declínio na venda dos livros de Viriato Corrêa, como atesta a carta da Editora enviada à viúva do autor, Maria das Dores
Viriato Corrêa125. Nos anos de 1974, 1975 e 1976, por exemplo, o livro História do Brasil para crianças só tinha vendido o montante de 405, 697 e 72 unidades, respectivamente, embora houvesse no estoque da Editora o total de 2.071 exemplares.
Ainda no que se refere à materialidade do livro, não podemos deixar de mencionar a questão relativa aos direitos autorais. Em pesquisa realizada no acervo histórico da CEN, constatou-se que Viriato Corrêa recebia 10% sobre a venda do livro História do Brasil para crianças.
Figura 56 – Ficha do Departamento Editorial da CEN – 1935. Fonte: Acervo CEN.
Pela ficha cadastral, constata-se também que, um ano após a sua publicação, em 1935, já estava sendo providenciada a 4ª edição de História do Brasil para crianças. Para essa nova edição, a tiragem de 5 mil exemplares foi impressa na Gráfica da Revista dos Tribunais, em São Paulo, sendo o livro posto à venda no dia 26.04.1935, ao preço de 10$. Não há informações acerca dos direitos autorais relativos aos desenhos de Belmonte para o referido livro.
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Na carta, o Departamento Comercial da CEN sugere como solução para a queda na venda dos livros de Viriato que eles sejam vendidos ao valor de CR$ 4,50 (quatro cruzeiros e cinqüenta centavos), ao invés de CR$ 15,00 (quinze cruzeiros), tendo em vista o interesse de um comprador em adquirir todo o estoque, o que foi aceito pela viúva e beneficiária dos direitos autorais de Viriato (Arquivo Histórico CEN – Dossiê Viriato Corrêa).