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Os problemas comumente observados no interior dos rios e no interior das bacias hidrográficas estão associados às condições naturais do local quanto ao uso e ocupação do entorno. No entanto, do ponto de vista geotécnico, pode-se citar as seguintes questões (SOUZA PINTO & HOLTZ, 1976; ZUQUETTE,1993; MINISTÉRIO DAS CIDADES, 2007; CORREA & SOUZA FILHO, 2009; COSTA et al., 2009; LÉVY et al., 2011):

 Alteração física do canal;

 Assoreamento do canal devido à entrada de materiais particulados do entorno e/ou acumulados durante a redução do nível de água do canal;

 Erosão de suas margens pela ação do fluxo em escoamento;

 Inundações no leito maior e excepcional, que dependendo do tipo de

ambiente, pode causar danos sócio-econômicos e ambientais;

 Movimentação de massa;

 Problema de erosão do leito, quando presença de pilares intermediários de pontes e;

 Recalques provenientes da dissolução de rochas calcárias pela água subterrânea;

 Remobilização dos sedimentos do canal causada pela circulação de embarcações nos canais fluviais devido à ondulação das águas causada pela movimentação de embarcações, dependendo da largura e profundidade do canal, como também pelo porte da embarcação.

 Solapamento basal devido ao escoamento da água nas proximidades das margens de elevada inclinação, que por sua vez, escava o contato rio/margem ao ponto de promover discontinuidade do maciço (rochoso/terroso) e com seu próprio peso, cai sob efeito gravitacional ou mesmo potencializado pela circulação sobre este local, no caso da área de estudo, foi potencialização pela circulação do gado de um ponto a outro.

O tipo de solo exerce um papel importante no processo erosivo, mas empregar a classificação pedológica destes materiais é um tanto prejudicial para os locais

39 constituídos por solos e materiais transportados, por isso, optou-se pela classificação com base no processo de formação, sob o ponto de vista geotécnico.

Os solos coluviais são formados pelo acúmulo de materiais geológicos anisotrópicos de frações diferentes e podem ocorrer no sopé das encostas e segundo Lacerda (2002), tais depósitos de colúvios podem apresentar uma grande variedade de tipos de solos, frações variadas dos materiais geológicos, podendo atingir espessuras de aproximadamente 30 m.

Os depósitos formados por aterro em área de aterro rodoviário, de acordo com Maccarini (2002), apresentam descontinuidades dos mesmos, gerando trincas; se houver implantação de obras rodoviárias sobre aterro antigo apresentará incompatibilidade das deformações verticais, onde as tais trincas apresentam-se paralelamente ao eixo da rodovia; não apresenta ligação na direção diagonal ao eixo, com os bordos da mesma, como também, não apresentam desnível ou degrau entre as margens opostas das mesmas.

Quando aos aterros provenientes de mineração, os mesmos podem promover impactos distintos ao meio, segundo as condições geológicas do minério explorado e a forma que foram dispostos seus bota-foras na natureza Como no caso da atividade de mineração de carvão a céu aberto, no município de Lauro Muller, Santa Catarina, onde podem ocorrer deficiências no processo de construção (disposição inadequada dos materiais e resíduos da mineração utilizados e nas áreas adjacentes ao empreendimento, como também, o modo de construção do solo influencia na qualidade ambiental do solo construído (CAMPOS; ALMEIDA; SOUZA, 2003).

Miguel, Vieira e Grego (2009), ao estudarem os efeitos da intensificação do pisoteio do gado sobre as propriedades físicas do solo, comentam que a taxa de infiltração de água no solo apresenta estrutura de dependência espacial, que aumenta em função da intensidade de pisoteio.

A erosão superficial constitui como o primeiro estágio do processo erosivo, evoluindo conforme as ravinas são formadas, podendo culminar na formação de voçorocas, compreendendo o estágio terminal do processo. Ela é responsável pela remoção das partículas coloidais e dos íons em solução, reduzindo seu potencial produtivo de biomassa, pela baixa fertilidade (MENDES, 2006).

40 Diferentes problemas geotécnicos podem ocorrer sob diferentes tipos de uso e ocupação. Nas áreas urbanizadas, em especial, nas localizadas em regiões de topografia com declives acentuados e em conjunto com constituição geotécnica de solos e rochas desfavoráveis, podem ocorrer, por exemplo, problemas de deslizamentos de terra, ruptura de encostas, queda de blocos, Solifluxão, etc. Como já ocorridos nas porções montanhosas da Pasigh/ Índia (PRAKASH, 2002) e na região Serrana do Estado do Rio de Janeiro/Brasil (SILVA; LOUREIRO; SILVEIRA, 2010).

Vale salientar que, em decorrência da densidade populacional, os impactos sócio-ambientais são potencializados, gerando danos ambientais e sociais.

No caso de recalques (deformações do maciço com movimentação descendente), podem ocorrer por variação do lençol freático sobre diversas obras de engenharias, como por exemplo, edifícios implantados em rochas cársicas sob processo de dissolução hidrogeoquímica destas rochas. Embora Albuquerque Sobrinho (2006) tenha observado tais fenômenos induzidos pela injeção de calda de cimento no solo (“jet grouting” e CCPh).

Com relação à degradação ambiental dos solos, a vegetação atua minimizando os problemas geotécnicos, embora o processo de reestruturação da vegetação florestal no controle dos processos hidrológicos superficiais darem-se de forma lenta, que de acordo com Negreiros & Coelho Netto (2009). Estes pesquisadores indicaram que o intervalo de tempo entre a degradação ambiental causada por um deslizamento ocorrido há mais de 18 anos, em uma área florestal secundária, sob condição de terreno íngreme, ocorreu de forma lenta, possivelmente por causa da intensa lavagem superficial no interior da clareira através do fluxo adicional provido pela estrada, propicionado maior ação de ventos intensos sobre a floresta adjacente, alimentando a degradação do entorno imediato como um possível efeito de borda, atrasado em relação ao processo de revegetação nas bordas.

Menescal, Figueiredo e Franco (2005) comentam que as chuvas em áreas urbanizadas precipitam-se sobre superfícies impermeabilizadas, que escoa para os bueiros e atingem os cursos fluviais. Neste sistema, a infiltração é praticamente nula e uma das consequuências disso é a alta frequuência de inundações após os temporais.No entanto, estes autores ainda afirmam que a intensidade e duração das

41 precipitações pluviométricas que ocorrem no interior das bacias, bem como, fatores fisiográficos do tipo área da bacia, seu formato, declividade, tipo de solo, cobertura vegetal, dentre outros, são os fatores principais causadores destas enchentes.

“Piping” é um dos tipos de erosão que ocorre no interior do maciço terroso, quando a água de infiltração escava o solo em horizontes inferiores, formando túneis internos de diâmetros variáveis e formação de voçoroca (NASCIMENTO & GARCIA, 2005).

Esta erosão interna geralmente promove o abatimento dos materiais arenosos, concentrando as águas das chuvas, que podem evoluir para feições erosivas desdes sulcos à voçorocas, com extensão de até 150 m, no caso da Bacia do Córrego Tenente, Mariluz – PR (SOUZA; GASPARETTO; NAKASHIMA, 2008).

O estudo feito por NASCIMENTO & GARCIA (2005) indicou que o controle estrutural no terreno pode influenciar na dinâmica das águas subterrâneas, facilitando o desenvolvimento de “pipping”.