O processo de desgaste dos diferentes substratos geológicos (rochas, solos e depósitos sedimentares) ocorre segundo a dinâmica ambiental do local e da formação que os elabora.
As rochas são classificadas em três grandes grupos, baseados nos processos de formação das mesmas (ígneas, metamórficas e sedimentares).
Com relação à susceptibilidade ruptura de taludes rochosos, bem como a elaboração de feições erosivas nas porções compostas por solos residuais, Silva, Schulz e Camargo (2003) comentam que dentro do mesmo grupo litológico pode haver diferença na resistência contra este processo (desagregação física ou decomposição química), mas em diferentes locais e situações.
Este desgaste caracteriza-se por fissuras no terreno, materializadas na forma de erosão; embora nos cursos d´água, este problema geotécnico ocorra tanto no interior da drenagem quanto em sua área de influência, normalmente correspondendo à planície fluvial.
Zancopé (2004) cita a distribuição dos afloramentos rochosos das estruturas geológicas que influenciam na distribuição granulométrica dos materiais transportados pelo rio, incluindo ainda a mineralogia da carga detrítica e sua distribuição no perfil longitudinal; alinhamento da direção preferencial do curso d’água; erosão diferencial do fundo do leito e consequente efeito sobre o entalhamento do vale; e gradiente do curso d’água; entre outros.
Sob o ponto de vista da geomecânica, a variação da resistência das rochas depende dos seguintes fatores: tempo necessário para criá-las, conteúdo
22 mineralógico, tempo de exposição aos agentes climáticos, tipo de clima, tensões exercidas sobre elas, etc.
Quando a modificação de um determinado seguimento de um rio, sobre rochas, o nível de degradação é bem diferenciado, quanto aos processos que ocorrem nos solos (residual ou transportado).
Rochas de mesmo conteúdo mineralógico podem apresentar textura e tamanho dos grãos diferentes, como no caso das rochas graníticas estudadas por Sousa (2004).
Por conta da variação dos tipos de rochas dentro do mesmo grupo litológico, optou-se em pontuá-los por grupo litológico que se encontram, como pode ser observado na tabela 8.
O processo de desprendimento e arraste acelerado das partículas do solo pode ser feito pela água e pelo vento. O mecanismo que gera este problema começa quando as gotas da chuva embatem a superfície do solo e destroem os agregados, culminando em: (a) desprendimento das partículas de solo; transporte do material desprendido, e em seguida, depósito em outros lugares(BERTONI & LOMBARDE NETO, 1999).
Esta palavra, cuja origem é latina (BASTOS; MILITITSKY; & GEHLING, 2000, erosão derivada do verbo erodere (corroer), podendo ser definida como sendo um conjunto de processos pelos quais os materiais da crosta terrestre são degradados, dissolvidos ou desgastados e transportados de um ponto a outro pelos agentes erosivos, tais como as geleiras, os rios, os mares, o vento ou a chuva (VILAR, 1987; PRANDI & VILAR, 1993), como também, eventos de precipitações pluviométricas torrenciais podem causar danos sócio-econômicos e ambientais (DIODATO, 2005).
Neste caso, a influência das atividades humanas é apresentada no tópico 4.2.6, referente aos diferentes usos e ocupações.
Diferentes tipos de rochas sofrem o ataque dos agentes atmosféricos de formas distintas, embora, em sua grande maioria, seguem padrões distintos, como no caso do comportamento geotécnico do contato entre as rochas do tipo granítico e diabásica das encostas de Florianópolis (SC).
Os solos aluviais são encontrados no interior dos depósitos formados pelo transporte hidrodinâmico dos rios, podendo ser formados por aluviões antigos e
23 recentes, na forma de faixas estreitas e alongadas com baixas alturas, correspondentes às planícies aluviais e terraços fluviais, encontrados ao longo das calhas dos rios principais (COSTA, 2009). Os mesmos são constituídos de materiais erodidos, retrabalhados e transportados pelos cursos d’água e depositados nos leitos ou margens dos mesmos (MEDRADO, 2009).
Estes solos possuem características físicas e químicas distintas, dependendo da configuração ambiental do lugar onde os mesmos se encontram, podendo ter alto teor de sais, pH ácido, até com granulometria de muito fina a muito grosseira, por vezes conglomeráticas, micáceas, feldspáticas e apresentando traços de minerais pesados (anfibólios e piroxênios) bem como estratificações plano-paralela e intercruzadas de pequeno a médio porte, de canais fluviais (COSTA; POLIVANOV; ALVES, 2008).
No que diz respeito às rochas e seus solos residuais, o contato entre estes materiais distintos (corpos graníticos e diabásicos), pode torná-los sujeitos aos problemas geotécnicos, como escorregamentos e ruptura de taludes (RAIMUNDO; SANTOS; DIAS, 2002).
De acordo com o IBGE (2007), os solos transportados são formados a partir de depósitos superficiais não consolidados do tipo colúvio, tálus, cones de dejeção, etc.
Os paleossolos podem estar à superfície caso tenham sido expostos pela erosão do manto de sedimentos sobrejacente.
Os vales fluviais variam entre si, que por sua vez,os que se apresentam fechados, com processos erosivos atuantes, podem causar erosão laminar/superficial, movimentação de solos residuais e deposição destes materiais na própria encosta (Lacerda, 2002).
Estes “solos” coluviais, devido à sua natureza porosa, aliada aos macroporos derivados do sistema radicular morto da vegetação em conjunto com a ação de animais, fazem com que estes materiais sejam muito permeáveis (LACERDA, 2002). De acordo com Lacerda (2002), do ponto de vista geotécnico, os solos residuais são mais resistentes do que os coluviais, no caso de não ocorrer ruptura brusca destes produtos da ação do intemperismo.
No entanto, a denominação destes materiais varia entre as áreas do conhecimento, e por conta disto, optou-se em classificá-los segundo o processo de
24 formação (classificação geotécnica) e definiram-se tais materiais, como pode ser observado na tabela 4.
Quanto à definição do “score” do sistema de classificação proposto, como pode ser observado na tabela tipos de solos, os solos com maior resistência ao processo erosivo foi o solo residual jovem e o de menor definição foi o coluvial.
Como foi possível observar, o processo erosivo está associado a uma diversidade de fatores e por conta disto, as variáveis adotadas no sistema de avaliação proposto, limitou-se, no caso dos parâmetros geológicos, aos tipos de substratos e definição dos tipos de solos, já que o comportamento varia entre os vários materiais.
Tabela 4 - Definições os diferentes tipos de solos (MACIEL FIHO, 1994; IBGE, 2007).
Tipo de solo Definiçao
Aluvião Formado pela acumulação dos materiais transportados pelo escoamento das águas nos ambientes fluviais, lacustres, deltáicos e marinhos.
Aterro São depósitos de materiais feitos pelo homem, para fins de engenharia, como no caso de estradas e demais construções.
Colúvio Depósito de materias sedimentares encontrados nas encostas, por conta do deslocamento causado pelo próprio peso e por ação das águas pluviais. Orgânico Formado pelo acúmulo de matéria orgânica, especialmente em áreas
florestadas, ou acumulados pela sedimentação de material geológico rico em resíduos vegetais.
Solo residual Resultante da intemperização da rocha e que se comporta como solo, podendo se compartimentado em Solo residual jovem e maduro.
Eólicos Formados pelo acumulo de sedimentos finos transportandos pelo vento, comum em áreas costeiras e desérticas, podendo formar feições geomorfológicas do tipo duna.
Paleossolo Material reliquiar, formado em uma paisagem numa época passada e que foi posteriormente recoberto por sedimentos.
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4.2.3 Parâmetros geomorfológicos dos problemas geotécnicos ocorrentes em