Appendix 3.A Teams’ travel for different schedules
4.4 Player-centered coalition formation without prior agreement on allocation method 82
4.4.2 Stability as a proxy for players’ best options
A enunciação, sob a visão de Culioli, é um processo de constituição de um enunciado, ou seja, é um ato de construção. O linguista se preocupa em explicar o processo da construção de produção de um enunciado e o reconhecimento dos enunciados produzidos pelos enunciadores em uma situação de enunciação (interação verbal). Esse processo de enunciação envolve tanto quem fala quanto quem ouve, ambos envolvidos em um tempo e em um espaço. Não esqueçamos que esse papel - falante e ouvinte - apresenta uma constante alternância, ora o enunciador A é o falante, ora o ouvinte, assim como o enunciador B ora é o ouvinte e ora o enunciador.
A teoria das operações enunciativas apresenta a construção dos enunciados a partir de três tipos de relação: relação primitiva, relação predicativa e relação enunciativa.
5.5.1 Relação primitiva
A relação primitiva não é, necessariamente, a primeira operação de um enunciado, pois ela ocorre de forma indissociável com a relação predicativa como mostraremos no próximo tópico. Observamos que é uma relação que ocorre entre noções e que possibilita um sentido e conduz a uma ordenação ou sentido dos termos somente dentro do ato enunciativo.
Rezende (2008b, p.54) explica que essa relação é de ordem semântica entre três termos: relator (r), um termo-origem (x), geralmente animado ou com propriedades de agentividade, outro termo (y), geralmente inanimado ou com propriedades não-agentivas.
A relação primitiva que parte da origem para o objeto remete diretamente às noções. Como já afirmamos em 5.2, as noções dizem respeito a propriedades físico-culturais. A partir dessa afirmação, podemos concluir que a determinação do sentido da relação primitiva não seja apenas de caráter de análise da linguística,
pois como foi explanado, uma parte das propriedades da noção está ligada à cultura, outra à situação de enunciação.
Também podemos afirmar que a relação primitiva apresenta três noções instáveis em processo de estabilização, e, que também são anteriores ao léxico e à gramática. Para comprovar tal afirmação, observemos o esquema:
< a r b>
noção noção noção a – origem
r - relator (predicado) b – objetivo
As noções <a r b> são apresentadas como predicáveis, aquilo que é dizível (ou aquilo que pode ser dito), são da forma P, P’. Para demonstrar a relação primitiva, atentemos para o seguinte exemplo:
O menino chutou a bola.
Menino será representado como < ( ) ser menino >34. Em menino, bola, chutar, temos uma relação primitiva ordenada, porém não linear, porque entre o termo que é o chutador (menino) que é o agente, esse possui propriedades agentivas e o termo que é o chutado (bola), sendo esses o objeto com propriedades não-agentivas. Logo percebemos que há uma relação orientada do chutador em direção ao chutado, isso devido às propriedades das noções.
Assim temos: < a r b > menino chutar bola.
O preenchimento das noções < a r b > constitui um esquema de lexis Rezende (2008b, p. 54) afirma que a lexis possui um potencial de orientação a partir do qual os termos da relação primitiva podem ser orientados, a propriedade transita a partir da qual uma relação entre x e r e uma relação entre r e y permitem estabelecer uma relação entre x e y.
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5.5.2 Relação predicativa
A relação predicativa ou relações orientadas opera no nível sintático. Ela constitui-se quando, por um lado tem-se a relação primitiva especificada por um predicado e dois argumentos e, por outro lado tem-se o esquema de lexis.
Culioli (1990), fornece a seguinte notação para o esquema de lexis que é representado por <ξ0,ξ1,π>, onde ξ0 é o ponto de origem da relação; ξ1 é o ponto de chegada da relação, ou seja, ambos são os variáveis de argumentos e πé o operador da predicação.
A partir do esquema de lexis, que é um esquema complexo e que deve ter seus três lugares preenchidos com noções, uma vez que a noção que preenche o lugar π deve ser relacional, i.e., devem ter todas as propriedades primitivas35 presentes na relação primitiva temos a relação predicativa que consiste na ordenação da lexis de maneira que venha estabelecer a relação entre os termos de partida e os do ponto de chegada.
Groussier (2000 apud BIASOTTO-HOLMO, 2008, p.79) explica que uma vez instanciada a lexis, a predicação tem seu lugar, isto é, o enunciador pode relacionar o primeiro termo com o segundo através da noção relacional (π).
Dessa forma, é possível notar que é na relação predicativa que ocorre o processo de referenciação, no qual os sujeitos estabilizam o sentido dos termos. Para elucidar tal relação tomemos como exemplo a noção “mesa”, no nível da representação da relação predicativa os enunciadores devem fazer a operação de quantificação, de qualificação e de determinação referenciando “ser mesa” ↓ “não ser mesa”. Então, percebemos que seu sentido não é claro, não está estabilizado porque ainda não se tem o estabelecimento da ocorrência, porque é no ato da enunciação que se pode distinguir que a ocorrência ocupa um lugar na lexis.
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5.5.3 Relação enunciativa
A relação enunciativa ocorre no nível do discurso, no momento da enunciação. É no momento da construção do enunciado que se obtêm as marcas que permitem que se encontre o tempo, o espaço e os enunciadores que participam do evento.
É somente na relação enunciativa que se pode distinguir através das marcas dos enunciados se estão no presente, no passado ou no futuro. Também é nesse momento que aparecem as aplicações das modalidades tais como a assertiva, a negação, a hipótese, a exclamação, a ênfase, entre outras. São elas que demonstram o que o sujeito enunciador quer dizer ou o que ele pensa e o que espera que o sujeito coenunciador o entenda ou pense sobre o que ele está dizendo.
De acordo com Culioli (1976, p.93, tradução nossa)
[...] essa situação de enunciação é definida por um conjunto de parâmetros que formam um pacote de relações entre o sujeito do enunciado S e o sujeito enunciador S1, e um pacote de relações entre o momento ao qual se refere o enunciado T e o momento de enunciação T1.36
5.5.3.1 Relação enunciativa: localização dos enunciados na situação discursiva
Para realizar a localização dos enunciados dentro de uma situação discursiva necessita-se localizar a lexis, representada pelo símbolo
λ,
dentro de um espaço enunciativo e de um sistema que compreende um localizador dentro de uma situação-origem Sit0, um localizador para o evento Sit1, e um localizador para oevento referido,Sit2.
Para cada localização há dois parâmetros: S de enunciador e T para o espaço que são representados no seguinte esquema para a localização situacional de tempo, do espaço e do ato enunciativo por seus enunciadores. Esse esquema permite analisar diversas possibilidades de fenômenos de uma língua, principalmente os de ocorrência pragmática.
36“[...] cette situation d’énonciation est définie par un ensemble deparamètres qui forment um paquet
de relations entre ‘sujet de l’ énoncé S’ et sujet énonciateur S1 et um paquet de relations entre le
λ Є < Sit2 (S2, T2) Є Sit1 (S1, T1) Є Sit0 (S0, T0) >