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2.6 Numerical results

2.6.7 Other instances

Castilho (2012, p. 472-476) primeiramente nos mostra o estatuto categorial dos pronomes. Para isso faz uma retonada histórica, desde as referências de Apolônio Díscolo (sec. I D.C) uma vez que os argumentos utilizados por ele apresentam uma notável atualidade, passando pela Gramática de Port Royal até, finalmente a organização da atual gramática.

Primeiramente, o autor nos chama a atenção para a organização da gramática ocidental que os argumentos que ela dispõe para a caracterização da classe dos pronomes levaram em conta suas propriedades semânticas, discursivas e gramaticais (=sintáticas e morfológicas). Quanto aos argumentos de Apolônio Díscolo (apud CASTILHO 2012, p. 472) citaremos apena um, o que mais se aproxima da definição tradicional dos pronomes “[...] é a parte da oração que faz às vezes de um nome [=substantivo] na forma dêitica ou anafórica, e que não se acompanha de artigo”

Ainda na tarefa de entender o processo de desenvolvimento dos pronomes, ao longo dos anos, percebemos que a maioria dos gramáticos latinos se preocupava mais com a classificação e pelas propriedades morfológicas dessa classe que com suas propriedades funcionais.

Nebrija (apud CASTILHO, 2012, p.473) define o pronome como “uma das dez partes da oração, a qual se declina por casos, e tem pessoas determinadas. E chama-se pronome, porque se põe em lugar do nome próprio.” Na busca de compreender os mistérios sobre os pronomes, Castilho (2012, p. 573) busca a referência em João de Barros (importante estudioso português, autor de uma das gramáticas mais relevantes da história da gramática da Língua Portuguesa). Ele define o pronome como sendo “ua parte da oraçom que se põe em lugar do próprio nome”.

Até essa época, aproximadamente séculos XVI e XVII, só existiam os pronomes pessoais, demonstrativos e possessivos. A organização dos pronomes como a conhecemos hoje: pessoais, demonstrativos, possessivos, relativos, interrogativos, reflexivos/recíprocos e indefinidos só passaram a acontecer, ou melhor, só foram incluídos após o século XVII.

Castilho (2012, p. 574) afirma que para definir o estatuto categorial dos pronomes, é necessário examinar as propriedades discursivas, semânticas e gramaticais e, também sua gramaticalização. Ainda, para o autor, do ponto de vista semântico-discursivo, os pronomes (1) representam as pessoas do discurso (1ª pessoa: quem fala, 2ª pessoa: com quem se fala e 3ª pessoa: do que se fala; (2) permitem a retomada ou antecipação de participantes, pelo caminho da foricidade (anáfora e catáfora).

O estudioso acrescenta que, sob o ponto de vista morfológico, os pronomes exibem propriedades de caso, pessoa/número e gênero. Quanto à sintaxe, Castilho explica que a Gramática greco-latina enfatizava duas relações de base: a da proximidade ou adjacência, quando a forma acompanha o substantivo e a da substituição, quando a forma substitui o substantivo. Isso explica o fato de hoje termos os pronomes adjetivos que determinam um substantivo e os pronomes substantivos, aqueles que substituem, ocupam o lugar de um substantivo.

Os pronomes, de acordo com o lugar que ocupam dentro de um enunciado podem ocupar a função de núcleo do sintagma nominal (SN). Os pronomes indefinidos ninguém e alguém exercem somente a função de substantivo, pois eles não pedem determinantes. Enquanto os pronomes indefinidos nenhum e algum exercem a função de pronomes adjetivos, sempre vêm seguidos de um substantivo. No entanto, dentro de um processo de enunciação essa informação pode não ser totalmente verdadeira.

Castilho (2012) analisa os pronomes indefinidos apenas como quantificadores indefinidos. Ele afirma que esses quantificadores indefinidos podem exercer a função de núcleo do sintagma nominal por não se combinarem com um substantivo. Dentro da teoria defendida pelo autor, não se aplica o termo “pronome substantivo” porque, segundo ele, devido às dadas propriedades pronominais dessa classe.

A quantificação, para Castilho (2012, p. 505), insere-se no processo semântico da predicação. Mattos e Silva (1989 apud CASTILHO, 2012, p. 505) explicam que os quantificadores pronominais são

[...] atualizadores do nome que não estabelecem relação entre o que é designado pelo nome e pelas pessoas envolvidas no processo da comunicação, como os demonstrativos e possessivos, mas que acrescentam ao que é designado alguma informação sobre a quantidade.

Dentro da quantificação e não deixando de lado que os pronomes em análise são categorizados como indefinidos, entendemos que “indefinido” poderá ser desde um número indeterminado de objetos (alguns lápis) até uma quantidade indeterminada (algumas dores). Devemos lembrar que há elementos que são contáveis e não contáveis. Vejamos alguns exemplos:

(38) Quando o Brasil se lança realmente como criador de coisa aí não vai nenhuma paixão, nenhum bairrismo nem nada é especial.25

(38). 1 Vamos reconhecer alguma figura humana. (afirmação)

(38).2 Vamos reconhecer figura humana alguma. (negação: não reconhecemos figura humana nenhuma).

Nesses poucos exemplos, os quantificadores indefinidos nos revelam que compõem uma classe bastante heterogênea visto que: diante da morfologia flexionam de gênero e número (38.1) e outros não (38.). Alguns podem exercer a função de núcleo do sintagma nominal e outros de determinantes do sintagma

25

nominal. Observando a posição dos quantificadores alguns podem se movimentar, chegando até a alterar o sentido (38.2), outros não se movimentam.

Longobard (1988 apud CASTILHO, 2012, p. 508) assevera que pode-se reconhecer que os quantificadores indefinidos tomam por escopo substantivos que remetem aos seguintes conjuntos: 1. conjunto unitário - o quantificador especifica apenas um elemento do conjunto: algum, alguém, algo etc , 2. conjunto vazio – o quantificador especifica um conjunto vazio de elementos: nenhum, nada, ninguém e 3. conjunto total – o quantificador especifica a totalidade dos elementos que compõem o conjunto: tudo, todos etc.

Dentro do que foi exposto até aqui sob a análise da gramática descritiva devemos, além de conhecer a função dos pronomes indefinidos, reconhecemos que esses desempenham dentro de sua forma de ser um pronome por estar “substituindo” ou “determinando” um substantivo, que eles desempenham com intensidade o sentido de quantificação de indeterminação.

Podemos concluir afirmando que tanto os pronomes indefinidos quanto os quantificadores indefinidos corroboram para que um texto tenha um caráter de indefinitude, imprecisão, principalmente quando ocorre dentro de uma situação comunicacional genérica na qual se vinculam conhecimentos compartilhados pelos enunciadores sem a intenção de particularizar ou de focalizar com precisão as marcas conversacionais.

4.3 Análise Linguística dos Pronomes Indefinidos sob a Ótica Linguística de