Kapittel 3 - Veien mot et oljefond
3.11 St.meld. nr. 32 (1984-1985)
Analisando as médias observadas para TMSH podemos observar que apenas dois grupos de média foram formados, e estes resultados demonstram que mesmo em segundo corte os híbridos de cana-energia continuam se comportando de forma a serem superiores em produção de massa seca quando comparados a materiais tradicionais. Assim como para os parâmetros tecnológicos pode-se notar que a magnitude dos resultados foi diferente em relação aos resultados observados no experimento anterior sendo que o hibrido de cana- energia mais produtivo expressou média de 64,6 toneladas de massa de matéria seca por ha, e este comportamento pode ser explicado pela idade do material e pela diferença entre os anos agrícolas em estudo, ou seja, pela interação genótipo ambiente. Ressalta-se ainda a diferença entre o tipo de solo dos dois locais estudados, embora as condições de solo e fertilidade neste caso foram mais restritivas ao desenvolvimento da cultura de acordo com os critérios de classificação de ambientes descrito por Prado (2005), é possível que estes materiais sejam mais adaptados a estas condições que os materiais tradicionais. Este conjunto de fatores evidencia a necessidade de se intensificar os estudos quanto à interação genótipo – ambiente,
para que se tenha sucesso ainda maior na seleção de materiais mais produtivos e para que no futuro se tenha recomendações mais assertivas quanto à alocação e manejo agrícola destes materiais.
Neste experimento houve uma alta correlação entre os resultados de produção de massa verde e massa seca o que pode ser um indício de que os materiais teriam atingido no momento da avaliação uma maior estabilidade dos fatores de produção e/ou um indicativo de que a maior parte dos materiais em estudo neste campo tenha atingido o seu pico de acumulo de massa verde no momento da avaliação (aos 13 meses de idade pós-corte). Esta afirmação torna-se mais consistente ao considerarmos que 95% dos híbridos de cana-energia apresentavam-se com alto grau de florescimento nesta ocasião, comprovando a importância de buscar variabilidade para este fator no intuito de, juntamente com os demais fatores de produção, a ausência de florescimento contribuir para o aumento da produção de biomassa por área.
Avaliando os resultados obtidos é possível afirmar que existem possibilidades concretas de se praticar o melhoramento genético da espécie Saccharum spp para a produção de plantas voltadas àa produção de biomassa moderna a ser utilizada para a produção de bioenergia, pois com o resultado dos dois experimentos foi possível comprovar a sua superioridade nestes termos, em relação aos híbridos de cana-de-açúcar comercial, sendo um deles o mais cultivado em área comercial no Brasil atualmente e dos mais produtivos entre eles.
Quanto a outras matérias primas alternativas a escassa literatura, (FAO, 2006 e SBS, 2007) relata que a cultura do eucalipto apresenta produção de massa seca por área variando entre 9,8 e 17,5 t de massa seca por hectare por ano e o capim-elefante, que seria outra fonte potencial para a produção de matéria prima para fins energéticos, pode produzir de 20 a 43 t de massa seca por hectare, dependendo das condições de cultivo (SAMSON et al. 2005; URQUIAGA, 2002 e 2006).
Outras fontes de matéria prima têm sido citadas por Mazarella (2012) e seus resultados são apresentados abaixo:
i. Bahiagrass – (Paspalum notatum) (wild) = 3,2 t de massa seca ha-1, citado por Polk’s
Technology – IGCC – (2004);
ii. Switchgrass – Panicum virgatum (wild) = 12 a 14 t de massa seca ha-1, citado por SAMSON et al. (2005);
iii. Brachiaria Grass (Mulato) (Brachiaria spp.- Hibrido CIAT 36061)= 37,5 t de massa seca ha-1 (ADAS, 2002, citado por MAZARELLA 2012);
iv. Miscanthus = 12 a 16 t de massa seca ha-1 (ADAS, 2002, citado por MAZARELLA 2012);
Segundo Mazarella, do IPT, citado por BrasilAGro (2012), cultivando capim elefante, em Illinois nos Estados Unidos, foram colhidas 29,1 toneladas de massa seca por hectare em 2008, enquanto que Flores (2009), avaliando variedades desse mesmo capim aos seis (6) meses após o plantio no município de Gurupi – TO observou produtividades em massa seca por hectare variando de 30 a 37 t.m.s.ha-1, resultados muito próximos aos obtidos para a cana- energia em primeiro corte e inferiores aos resultados obtidos pelos híbridos de cana-energia que mais se destacaram na colheita do segundo corte.
Analisando estas considerações sobre fontes de matéria prima alternativa e potencial para a produção de bioenergia, percebe-se que a única cultura que se aproxima dos níveis de produção aqui atingidos são as gramíneas da espécie Pennisetum ou capim-elefante. Porém, há de se considerar nesta semântica as diferentes capacidades de eficiência e adaptabilidade da cultura a diferentes condições ambientais das áreas agricultáveis do território brasileiro, sobretudo predominantes nas áreas marginais de cultivo, além das questões como domínio tecnológico da cultura e do sistema de produção agrícola, capacidade de produção em escala, os custos de produção de massa seca final, a possibilidade de realizar pelo menos cinco (5) cortes com produtividades economicamente viáveis e principalmente a facilidade para o melhoramento genético das plantas e a existência de banco de germoplasma, conhecido e disponível prontamente para a realização de cruzamentos, que permitam como no caso da cana-energia explorar com sucesso a variabilidade da espécie e a segregação das características de interesse.
Desta forma os resultados obtidos nos experimentos que compõe este trabalho permitem comprovar a possibilidade de se realizar o melhoramento genético da espécie
Saccharum spp. para a produção de híbridos de cana-energia, voltados para a produção de biomassa moderna, haja vista a superioridade destes materiais quanto à produtividade agrícola de massa seca e biomassa por unidade de área em detrimento aos resultados encontrados na literatura para outras culturas energéticas. Considerando que estes resultados foram observados para materiais selecionados a partir da primeira população segregante para este fim específico nas condições brasileiras, é possível esperar a obtenção de produtividades
ainda maiores nas seleções futuras, contestando as afirmações feitas por Leite (2008).
Embora já se tenha demonstrado o potencial desta planta para fins energéticos, o principal entrave à expansão de área cultivada mundialmente com matérias-primas alternativas para a produção de bioenergia são os elevados custos de produção das matérias primas, o que acaba por inviabilizar o cultivo para este fim em alguns casos.