• No results found

Støttefunksjoner

In document Delrapport om Kreftområdet (sider 21-25)

3. Nåsituasjonen

3.3. Støttefunksjoner

século XVII

Utilizado desde a Idade do Bronze, o domínio da produção de vidro desenvolveu-se no período romano. Após esta fase, o seu uso vai sendo abandonado, sendo reintroduzido com maior intensidade durante o período moderno. De facto, nas grandes viagens oceânicas, dada a pouca durabilidade de certas bebidas dentro de barris de madeira, a utilização da garrafa de vidro começou a ganhar relevo, por permitir uma melhor conservação de produtos e uma mais fácil arrumação a bordo dos navios (Carnes-McNaughton & Wild-Ramsing, 2008).

Introduzida em meados do século XVII, a garrafa de vinho inglesa foi sofrendo diversas alterações morfológicas ao longo das décadas, o que permite definir cronologias e centros produtores (Jones, 1986: 9).

No início da sua produção, a garrafa exibia um colo longo, assente sobre um bojo esférico. Com o decorrer do tempo, o colo tornou-se mais curto e o bojo foi-se tornando mais abatido, com uma flexão da base bastante reentrante, o que oferecia à garrafa uma maior estabilidade (Jones, 1986: 9).

A atribuição de cronologias a estas garrafas foi-se desenvolvendo durante o século XX, através de datações relativas, com base em contextos arqueológicos datados ou através de selos das garrafas que permitiam a sua datação (Hume, 1961: 91-117, Hudson, 1961: 79-90, Jones, 1986: 9). O selo identifica, em regra, o conteúdo e o ano de produção ou o dono da garrafa, o que ajuda a datar o artefacto com grande precisão (Medici, 2011: 342), mas em ambos os casos de estudo não se verificou nenhum selo aplicado a qualquer recipiente.

Esta nova garrafa em vidro verde-escuro desenvolvida em Inglaterra deriva de um novo método de produção do vidro, que passou a ser fabricado em forno de carvão, substituindo o anterior forno de madeira. Este atingia temperaturas mais elevadas, além de permitir uma maior eficiência do forno, originando novas formas e novos tipos de vidro (Jones, 1986: 11). Esta inovação tecnológica permitiu, por um lado, desenvolver a qualidade do vidro, e por outro,

86

aumentar a sua produção, sendo esta em finais do século XVII de cerca de 240 000 dúzias/ano, um número que se aproxima dos 3 milhões de garrafas (Hume, 1961: 93; Jones, 1986: 11).

Este novo recipiente foi utilizado na conservação e transporte de vários produtos, entre os quais se destaca o vinho, o gin, óleos, medicamentos ou água. Por vezes, podiam ainda ser reutilizados, com diversos tipos de líquidos (Carnes-McNaughton & Wild-Ramsing, 2008) e ofereciam várias capacidades, de meio galão, um ou dois galões (Jones, 1986: 17).

A bordo das embarcações estudadas neste trabalho, não se pode afirmar com exactidão os produtos que conteriam, mas como vimos, algumas podem estar associadas ao transporte de vinho ou ter sido reutilizadas, por exemplo, como granadas no Santo António de Taná (gargalo com fuso MH-5245) (Fig. 16).

O consumo de vidro a bordo durante o período moderno era muito recorrente, embora tivesse sido introduzido de uma forma gradual. Consultando a bibliografia disponível, constata-se que em contextos de naufrágio anteriores a meados do século XVII, apenas se observam peças em vidro excepcionais, como são exemplos uma tampa de açucareiro e uma outra não classificada, ambas em vidro translúcido, e um copo em vidro verde, característico das produções venezianas, registados no naufrágio português de meados do século XVI escavado nas Seychelles (Blake & Green, 1986).

O consumo efetivo de garrafas de vidro verde-escuro a bordo parece verificar-se apenas na transição do século XVII para o XVIII, quando se confirmou o consumo pleno de garrafas de vinho.

Em ambos os casos estudados, as garrafas aparentam ser de fabrico inglês. Embora a sua produção se fizesse em vários países, são várias as diferenças que distinguem as garrafas inglesas das restantes (Jones, 1986: 29). Para além disso, parece certo que o seu desenvolvimento é pioneiro em Inglaterra, e que daqui as garrafas aportavam às colonias Inglesas nos Estados Unidos e embarcavam numa grande quantidade de navios para as mais diversas partes do globo, a comprovar pelos naufrágios estudados (Tabela 12).

No caso concreto das duas colecções estudadas, os parâmetros de análise basearam-se quase sempre em paralelos de sítios e naufrágios ingleses, bem como dos territórios britânicos

87

no continente americano (Hume, 1961; Hudson, 1961), dada a sua clara afinidade com os contextos em estudo.

No que respeita às garrafas quadradas, estas parecem surgir cronologicamente mais cedo que as garrafas de vinho. Associadas à pintura Holandesa do princípio do século XVII, passaram por este motivo a ser designadas de dutch gin bottle, pelo que se generalizou a assunção de que eram oriundas da Holanda, embora se saiba que não serviam apenas para o transporte de gin nem a sua origem fosse exclusivamente neerlandesa (Hume, 1961: 106).

A sua origem remonta ao fabrico vidreiro holandês de finais do século XVI, herdado dos vidreiros de Antuérpia que se desenvolveram a partir de 1550, influenciados por via de artesãos venezianos (McNulty, 1971: 93).

Estes recipientes conteriam sobretudo bebidas espirituosas e alcoólicas, que eram consumidas em dias festivos, às refeições ou nas doenças, acreditando-se que o álcool teria um poder curativo. Poderiam receber aguardente, pela sua propriedade de preservação da saúde, e gin, considerada a primeira bebida medicinal (McNulty, 1971: 98).

Transportavam ainda cerveja, a bebida mais consumida na Holanda no século XVII, e vinho, que era importado da França, Espanha, Madeira e Portugal continental, entre outros, e que era consumido pela classe média holandesa. O vinho era transportado em tonéis, trasfegado para garrafas quadradas e armazenado em porões frescos (McNulty, 1971: 98), para depois ser consumido.

A sua forma prismática e a denominação de case bottle provêm do facto de o seu transporte se efectuar em caixas de madeira que podiam conter doze garrafas, e que eram de assinalável importância no armazenamento a bordo de embarcações; como vimos, no naufrágio do Kronan e no de La Natière, além das garrafas, surgiram no registo arqueológico as caixas onde estas foram armazenadas (Einarsson, 1997; L’Hour & Veyrat, 1999).

Tal como referimos no estudo das duas colecções, este grupo de garrafas é mais difícil de caracterizar. A sua produção em diversos países, aliada à circulação um pouco por todos os territórios ocupados tanto por Ingleses como Holandeses não nos permite afiançar a sua origem exacta. Contudo, a tampa de estanho BH-001-S75.09, descoberta em BH-001, que nos mostra a

88

Rosa Tudor gravada no topo, poderá remeter-nos para a origem inglesa destes produtos, associada à Casa Tudor, embora, como vimos, também nos possa remeter para uma origem francesa, encontrando-se o carimbo associado a uma marca distintiva da melhor qualidade das produções de estanho (L’Hour & Veyrat, 1999).

Em qualquer caso, quando consultamos a Tabela 12, observamos que este tipo de recipientes é muito recorrente em todos os navios quer de origem inglesa quer holandesa, quer de outras nacionalidades o que nos pode camuflar a sua origem. Todavia esta presença vem demonstrar a recorrente utilização destes vidros a bordo em finais do século XVII e princípios do XVIII, demonstrando também as trocas comerciais que eram então realizadas.

As outras garrafas recuperadas em BH-001 e SAT estão relacionadas com a utilização portuária dos locais da perda. Embora de períodos diferentes, encontram-se várias garrafas cilíndricas usadas, sobretudo, para o transporte de vinho. Seguindo o trajeto cronológico anteriormente apresentado, estas seguem-se como o desenvolvimento das onion bottles que abandonam a sua forma oval, prolongando-se sobre um corpo delgado e um colo alongado e que são produzidas através de sopragem em molde (Medici, 2011). Caracterizam-se também por serem de vidro verde-escuro, embora um exemplar seja de vidro translúcido (BH-001-S99.02).

Embora lhes fossem sempre atribuídos paralelos ingleses, aqui temos, de facto, em dois exemplares, atributos que nos permitem dizer com exactidão a sua proveniência. Tratam-se de BH-001-S61 e BH-001-S91.12 cujas marcas no fundo nos indicam os seus produtores, Henry Rickets e William Powel respectivamente, que operaram ambos em Bristol, em 1852 o primeiro, e a partir de 1900 o segundo (Hume, 1961; website “Soda and Beer Bottles of North America”).

É mais difícil determinar a datação e origem precisa dos outros recipientes; porém, se analisarmos o tipo de molde usado, que vai sofrendo evoluções ao longo dos séculos XVII e XVIII, conseguimos atribuir cronologias, ainda que com espaços temporais mais alargados. A uma ez que a produção era feita em larga escala, sendo a funcionalidade o factor mais importante no fabrico, o que se traduzia em semelhanças nas produções, não se verificando características morfológicas que nos permitam balizar cronologicamente estes recipientes com grande precisão. Além disto, o processo de fabrico não era linear em todos os países, começando o sistema automático em Inglaterra em meados do século XVIII e em Portugal apenas nos anos 40 do

89

século XX (Medici, 2011). Sabe-se, todavia, que a sua produção se inciou em cerca de 1730, e continuou pelos mesmos métodos até cerca 1850, altura em que se revolucionou a indústria e se começaram a produzir garrafas semelhantes às actuais (Jones, 1986: 9).

O seu grande número em diversos contextos arqueológicos, tanto terrestres como subaquáticos, nos países europeus ou nos Estados Unidos, pode dever-se ao facto de neste período a Inglaterra proibir, através da alfândega, a importação de bebidas alcoólicas para o seu território em recipientes pequenos, por serem mais facilmente contrabandeados. Logo, o produto ao chegar em toneis era vazado para garrafas, que seriam produzidas em Inglaterra, para depois entrarem numa rede comercial nacional ou internacional, pelo que vários vinhos europeus podiam ser vendidos em garrafas inglesas, justificando a grande quantidade destes recipientes em todos os contextos (Jones, 1993: 27).

Dentro da Baía da Horta, um importante porto de apoio a partir do século XVII estes recipientes demonstram a continuidade de utilização do espaço marítimo insular no longo tempo. A sua presença em contexto portuário traduz o palimpsesto deste tipo de contextos, enriquecido continuamente devido a diferentes eventos, seja por motivo de naufrágio, por perdas acidentais ou por lixo arrojado ao mar.

Em SAT, embora com uma muito menor quantidade expressa pelo contexto arqueológico, podemos atribuir a mesma origem destes recipientes, que por um destes motivos foram formar parte do sítio.

In document Delrapport om Kreftområdet (sider 21-25)