2 Teori og tidligere forskning
2.4 Språkpolitikk og språkplanlegging
2.4.1 Språkpolitikk, språkplanlegging og språknormering
Os panoramas contemporâneos das cidades são refletidos nas diversas dimensões das mudanças sociais, econômicas e culturais. Goiânia como referência de lugar sofre interferências destas mudanças e os fenômenos urbanos são fatores que provocam essas transformações.
Figura 35 – Setor Central, Avenida Anhanguera, propagandas constroem a identidade do centro da capital. FONTE: Autora. Data:09-06-2017.
Goiânia ainda reverbera o retrato mudancista e inovador após sua edificação. A sociedade deixa de ser um fator que sofre modificação para ser um fator modificador, ordenador e construtivo de espaços considerados desinteressantes para o mercado mobiliário e poder público. Identidades são deixadas pela transitalidade humana e a ferramenta construtiva intuitiva, o graffiti, resgata a vontade de intervir e reescrever os territórios cujo resultado é a remodelagem paisagística do local. Goiânia por muito tempo carregou o legado trágico do acidente radioativo ocorrido em 1987. O césio 137 apesar de ter sido local, o acidente colocou a capital de Goiás no cenário global e ainda gerou, nacionalmente, discriminação contra os goianos. Descontaminar essa mancha não seria uma tarefa fácil, mas foi na arte que a cidade enxergou a provável maneira de reverter o cenário acinzentado que pairava na atmosfera local. Segundo BABIN “qualquer lugar e qualquer ação é potencialmente artistizável” (BABIN apud SILVA, 2005, p. 112). Em qualquer lugar e hora a expressão urbana remete hábitos de uma sociedade global numa
atmosfera particular que, por fim, resulta em práticas globais com características locais, glocais31.
Mais uma vez a arte aparece como maneira de amenizar as mazelas e de alegrar lugares de catástrofes e esquecimento. Muitas vezes a intervenção do espaço público colabora para o rompimento de histórias negativas.
O Projeto Galeria Aberta, idealizado no final de 1987 por PX Oliveira32 tinha como intenção usar a
arte para apagar o cenário acinzentado, ou melhor dizendo, o legado de Goiânia ser uma capital “contaminada” e afastar o preconceito que pairava
31 Inserção hibrida de global e
local resulta em glocal. Termo usado por Roland Robertson (2000) que sugere a ideia de: “agir globalmente e pensar localmente”.
32 PX Oliveira nasceu em 1954,
Goiânia-GO formou-se em jornalismo e é gestor cultural com especialização na França pelo Courant/Ministère de la Culture. É um grande conhecedor em arte pública com livros, além de ser o idealizador do Projeto Galeria Aberta. Desde 1987 exerce cargos nas áreas de cultura e turismo.
33 Os painéis da Paixão de Cristo
reproduzidos ao longos da GO- 060 são obras do artista goiano Omar Souto.
Figura 36 – Basta! Omar Souto. Pintura no edifício do extinto Beg Avenida Goiás, Centro. FONTE: FARIAS, p. 12, 2005. Data 1988.
na atmosfera da cidade com pinturas nas fachadas dos edifícios no Setor Central. Segundo Farias (2005) o projeto tinha a perspectiva de “melhorar a ‘visualidade’ da cidade e elevar a autoestima do goianiense” (FARIAS apud TAVARES, 2010 p. 2) O projeto reuniu artistas regionais e nacionais para reproduzir nas empenas cegas, fachadas sem aberturas à iluminação, dos edifícios públicos e privados pinturas artísticas permanentes como os painéis ao longo da Rodovia dos Romeiros33, GO-
060, Goiânia-Trindade ou efêmeras em fachadas e laterais das frotas de ônibus.
O painel de Tucanos (Figura 37) da artista Iza Costa34
foi primeiro mural a ser pintado no prédio da extinta empresa de telefonia Telegoiás, localizado na rua 3 Setor Central. Por mais que fosse uma forma de expressão em que havia acordo entre o poder público e o privado, o receio da possível reprovação da sociedade goiana de tornar a centralidade goianiense uma grande galeria aberta tomava conta entre os idealizadores e estimuladores. Além da artista Iza Costa foram convidados Alcione Guimarães, Amaury Menezes35, DJ Oliveira, Dirso
34 Iza Costa nasceu em 1942 em
Anicuns-GO. Importante artista goiana estudou na Escola Goiana de Belas Artes da Universidade Católica. Expressionista, a artista possui obras simbólicas espalhadas pela capital como os murais da Escola Militar Hugo Carvalho Ramos I e também no colégio Agostiniano.
35 Segundo o site itaucultural.
org.br: “José Amaury Menezes (Luziânia-GO, 1930). Pintor, desenhista. Inicia seus estudos de pintura com Frei Nazareno Confaloni. D.J. Oliveira e Ritter, na Escola de Belas Artes da Universidade Católica de Goiás. Entre 1963 e 1986, é professor de desenho e plástica na Escola Goiana de Belas-Artes e no Departamento de Artes e Arquitetura da Universidade Católica de Goiás. Atua como diretor da Escola Goiana de Belas-Artes, entre 1968 e 1971.”
36 Edney Antunes de Lima, natural
de Goiânia, nasceu 21/03/1966, artista visual. Segundo o site itaucultural.org.br “Produz trabalhos que incluem camisetas impressas com depoimentos sobre a realidade social de trabalhadores e desempregados. Realiza as mostras individuais Projeto Prima Obra, na Galeria Funarte, Brasília, 1996 e 1998; e Projeto Macunaíma 98, nas Galerias Funarte, Rio de Janeiro, 1998. Participa do Território Expandido II, no Sesc/Pompéia, 2000; Salão Pernambucano de Artes Plásticas, Recife, 2000 e 7º Salão da Bahia, no MAM/BA, Salvador, 2000.”
Figura 37 – Tucanos, Iza Costa, Ed. Brasil Telecom (antigo prédio da Telegoiás), Rua 3, Centro. FONTE: FARIAS, 2005, p. 84. Data: s/d.
José, Omar Souto e outros. Segundo o empresário Pedro Vasco dono da extinta construtora e incorporadora Ellus retrata que:
“É que tinha de ter alguém que iniciasse o processo com coragem e dedicação. E qual era o receio, que me lembro, das pessoas na época? Que a obra dele não fosse retratada com a fidelidade”. E sentencia a defesa do nome da artista, mais que de sua obra, propriamente dita: “o carro-chefe de todos eles foi a Iza Costa”. (VASCO apud FARIAS, depoimento, 2005, p. 74)
Amaury Menezes (Figura 37) deu cor e vivacidade ao cenário seco do prédio da Delegacia Regional do Trabalho, localizado na avenida 85 no Setor Sul. Estas práticas urbanas graffiti e estêncil, apesar de terem feito parte de um projeto público e privado, não passaram por manutenção e com a ação do tempo ou do próprio homem algumas delas sofreram desgastes.
O projeto teve repercussão positiva e estimulou artistas que impulsionados pela arte feita com sprays de Alex Vallauri, menos dispendioso, produziram artes nos edifícios da capital sobre o acidente
radioativo com o tema de super-heróis para apaziguar o cenário local.
Os artistas Nonatto Coelho de Oliveira e Edney Antunes36 formavam a dupla denominada Pincel
Atômico, nome dado em função do momento. Esses artistas trouxeram para Goiânia o graffiti que é uma prática de informação rápida, reflexiva e com humor.
Comecei a tomar conhecimento do graffiti em São Paulo, que foi a maior força desse movimento aqui no Brasil e ainda é. Pensei então, por quê não criar um grupo de graffiti aqui pra trabalhar aquele suporte que me parecia naquele momento, como é, livre de intermediações, bolhas conceituais, de entraves burocráticos que arte também possui. Foi assim, então, que eu chamei o Nonatto [Coelho], depois chamei outro amigo, o Marcos Rodrigues, que ficou pouco tempo, não deu certo trabalharmos juntos, ele preferiu sair e ficou eu e o Nonatto, um grupo de dois. Na época, então teve o acidente com o césio 137, que era aquela coisa do problema do aparelho radiológico, que tinha implicância radioativa de menor proporção, mais que foi bem grave. Então… como o graffiti tem essa coisa do humor e a gente sempre trabalhou com isso
mesmo, a gente resolveu botar esse nome de Pincel Atômico. (ANTUNES apud TAVARES, 2010, p. 63)
O Pincel Atômico introduzia ao cenário goiano o primeiro contato com o spray e a prática transgressora reflexiva que São Paulo e demais capitais nacionais e globais já conheciam desde a década de 1960. Em entrevista cedida ao jornal O Popular
Naquele momento, ainda não havia uma cena de arte urbana em Goiás. A mudança fez com que o graffiti conquistasse seu lugar na arte contemporânea e ganhasse espaço em museus e galerias. Há muito tempo ele não é mais o primo pobre das artes plásticas. Hoje, temos artistas goianos da arte urbana se destacando até fora do País, com trabalhos transgressores e muito originais. (ANTUNES em entrevista ao jornal O Popular, reportagem on-line dia 09-03-2018)
A dupla finalizou sua parceria na década de 1990 mas permanecem reconhecidos no mundo das artes. Em entrevista a um dos artistas de grande
presença nas localidades da cidade, Marcelo Peralta37, faz com que nos questionamos até que
ponto a arte urbana tem capacidade de requalificar um lugar. Cita o caso ocorrido em 2015 no Setor Central no programa coordenado pela Secretaria de Cultura de Goiânia (Secult) conhecido como Galeria Noturna, cujo intuito era chamar a atenção da população para o centro principalmente à noite. As pinturas foram realizadas na Av. Goiás até as imediações da Rua 55, Setor Central. Quase todas as portas de aço do comércio foram pintadas. As obras só eram possíveis de serem vistas quando as portas dos estabelecimentos eram fechadas, ou seja, à noite e nos finais de semanas, quando não havia ninguém nas ruas. Peralta afirma que: “Vendiam o programa como forma de requalificar o centro e esclarece que, sozinho não iria levar nada para o local, somente uns visitantes casuais”. Finaliza, afirmando que “as pessoas invertem um pouco a lógica de que pintar vários murais irá trazer vida ao local e que isso não funciona assim, ela não possui esse poder todo, já que a cidade é toda pintada por artistas locais”. Hoje algumas obras já estão apagadas, porque parte dos artistas não fizeram um trabalho bem
37 Marcelo Peralta, lambe e
arquiteto e urbanista. Entrevista concedida em 16 de janeiro de 2017.
feito. Eram artistas plásticos e pessoas que não possuem a prática de fazer o trabalho na rua como os grafiteiros.
Em contrapartida a esse questionamento de Peralta, o processo de reconstrução de lugares abandonados nas zonas centrais de Goiânia atraem olhares do público que procura contato e vivência com o fenômeno da arte urbana. Ruas localizadas nos centros das quadras e nos fundos de lojas e pequenas indústrias no Setor Central serviam de zona de carga e descarga dos produtos de caminhões. Naquele tempo era funcional, mas com o passar do tempo as indústrias se deslocaram para setores de indústria. De alguns anos para cá, o uso de um desses becos começou a receber intervenções de artistas urbanos. Os muros foram então cobertos pelos
graffitis e agora há bastante cultura na atmosfera.
O Beco da Codorna, assim como o Beco do Batman e Aprendizes, em São Paulo, inicialmente abandonados e sem perspectivas, receberam impulsos desses flâneurs que viram nestes lugares a oportunidade de expressar dizeres e pensares. Hoje nestes lugares estão instalados cafés, lojas e
a presença constante de turistas. Casamentos já foram realizados no Beco da Codorna cujo cenário para muitos tradicionalistas seria uma afronta para a cidade e para outros o lugar é visto como mágico, lúdico e intenso.
Independente da época e situação, o espaço público em Goiânia sempre esteve conectado à arte e aos que a contemplam. Desde a década de 1980 as diferentes formas de dizeres fizeram parte da centralidade da capital do cerrado. Nesse sentido Lefebvre nos elucida que:
O espaço social implica a reunião atual ou possível em um ponto, em torno deste ponto. Logo, a acumulação possível (virtualidade que se realiza em certas condições). Esta afirmação se verifica no espaço da aldeia, da morada; ela se confirma no espaço urbano, que revela os segredos do espaço social ainda incertos na aldeia. O espaço urbano reúne as multidões, os produtos nos mercados, os atos e os símbolos. Ele os concentra, os acumula. Quem diz “espacialidade urbana”, diz também centro e centralidade, atual ou possível, saturada, quebrada, inquieta, pouco importa; ou seja, centralidade dialética. (LEFEBVRE, 2000, p. 87)
A centralidade, coração da cidade, reúne num só espaço, as várias vertentes constituinte da pirâmide social, os vários rostos e pensamentos, signos e marcas, devaneios e crenças. É um espaço sem preconceito que não segrega, ele agrega. É nele que durante anos a história e vivências são rememorados pelos goianienses e assim transcritos. O espaço
Figura 38 – Edifício da Delegacia Regional do Trabalho, antes da reprodução de Amaury Menezes. Av. 85, Setor Sul. FONTE: FARIAS, 2005, p. 93. Data: s/d.
Figura 39 – Sem título, Amaury Menezes, delegacia regional do trabalho, Av. 85, Setor Sul. FONTE: FARIAS, 2005, p. 93. Data: s/d.
artistizável de Babin é o mesmo espaço saturado, quebrado e inquieto de Lefebvre, e ainda acrescido das novas identidades das placas de publicidade ao pixo que espanta o transeunte. O Setor Central de Goiânia é o coração do velho e do novo, é o passado convivendo com o futuro.
Figura 40 - Antes, Viela Miguel Rassi. Localizada na Avenida Anhanguera, Setor Central, Goiânia-GO.
FONTE: autora. Data 02-07-2012. Figura 41- Depois, a Viela Miguel Rassi é conhecida como Beco da Codorna em que eventos relacionados às práticas urbanas são realizados. Além de museu de arte urbana, também a loja upoint que oferece serviço de tatuagem, pub e venda de artigos relacionados a grafitagem. FONTE: @upointgraffiti, 2016.
Figura 42- Evento realizado em 2015 na viela Miguel Rassi – Beco da Codorna, Festival Internacional do