4 Resultater
4.2 Pragmatiske funn
4.2.1 Generisk referanse
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O passado negligenciado pelos agentes públicos e por moradores se intensificou com a exploração do mercado imobiliário, as residências deram lugar para clínicas e outros tipo comércios. Os moradores se mudaram para modernos núcleos habitacionais ocasionando mudanças de uso em determinado período do dia. Fenômeno semelhante acontece nas centralidades das grandes cidades nos períodos fora dos horários comerciais, o espaço se desertifica e o medo afasta a população. De alguma forma, o uso residencial proporciona no bairro-jardim a dinâmica constante do uso das áreas verdes em diferentes lapsos de tempo. Em contrapartida a desvalorização dos imóveis e a atmosfera artística do setor estimularam grupos de empresários interessados em arte, cultura, vivências, música, etc. a abrir seus empreendimentos no local. Com a intenção de resgatar o convívio humano nestes locais foram estimuladas atividades coletivas, instalação de equipamentos públicos e a arte urbana.
A apropriação involuntária estimula o uso e a preservação provoca apreço, guarda no consciente o valor pelo espaço e contribui para a identidade da coletividade. Seguindo a ideia de Maurice Halbwachs de que as correntes de memória são capazes de construir lugares com potenciais enérgicos de vida quando estão no mesmo local o conjunto de expressões e a coletividade. E ainda, contrariando a ideia de que é necessário construir arquiteturas fantásticas para poder fluir o crescimento econômico no seu entorno o Setor Sul concentra energia para a requalificação de suas áreas por meio do conjunto de sentimento de pertencer e de querer estar nelas.
Figura 80– O Setor Sul como galeria de arte urbana passou por uma ordem de processos citadinos e sociais para despropositadamente se tornar o que é hoje. FONTE: Autora.
Dessa maneira seria correto dizer que a arte quebra barreiras causadas pelo imaginário humano e que os museus são lugares elitizados e por si excluem determinados grupos sociais. A arte pública quebra os paradigmas e deixa de ser um “objeto” estático em um ambiente específico para estar aos olhos de quem passa. A arte urbana abraça o meio e anula as
diferenças sociais participando indiscriminadamente e de maneira presente na sociedade.
O estudo consiste em avaliar o processo de decadência das áreas verdes e praças do Setor Sul e como o abandono destas áreas provocou a degradação do local. Nesse processo de
esquecimento, o lugar passou por diversas transfigurações na paisagem. O Setor Sul, território planejado, passa por um processo de degradação, fato agravado com as mudanças de moradores e do uso residencial para comercial.
Numa ciranda de ideias e situações como mostra no quadro abaixo, a sequência de acontecimentos articulados resultaram no que ocorre no Setor Sul hoje, movimentos histórico e social e as práticas artísticas remodelaram a paisagem e adequaram o uso das áreas verdes ao desejo dos que frequentam o lugar.
A prática transgressora foi capaz de chamar atenção dos habitantes para o lugar negligenciado, muitas vezes pessoas de fora do setor não tinham conhecimento das áreas verdes e por meio das mídias digitais perceberam que havia jardins escondidos com um baú de expressões. A sociedade com pequenos custos foi capaz de urbanizar e requalificar a área que por décadas foi negligenciada pelo poder público. De uma idealização bastante planejada a uma atmosfera urbana tomada pela arte sem intenção de ser.
As áreas internas do Setor permanecem esquecidas graças a má informação da disposição das casas, fato que contribui, em parte, para a falta de interação dos moradores com as áreas verdes. Ao longo dos anos, as pessoas se mudaram por mais que gostassem do local, das suas casas e da proximidade do centro da cidade porque o clima de insegurança tomou conta do lugar. As praças abandonadas sem iluminação, acumuladas de lixo e sem a manutenção adequada pelo poder público tornaram-se inseguras. O sentimento de medo influenciou a maneira de habitar o bairro, não só pelos moradores comuns, mas também, pelos fundadores do bairro que deixaram o Setor ou reforçaram a segurança de suas casas, transformando-as em verdadeiras prisões. As moradias, de alguma forma, mantinham o costume pacato do Setor com características residenciais e com o novo tipo de uso, o lugar assumiu uma dinâmica de extrema ocupação. A transfiguração desperta interesses de grupos que estão iniciando suas carreiras, seja como artistas, empresários, profissionais liberais, etc.
Essa transição evidencia a monotonia e a dilapidação de uma paisagem antes planejada.
Jacobs (2011, p. 72) relata a respeito dos parques “impopulares” no caso os nãos vistos por alguns moradores e pelo poder público: “Eles sofrem do mesmo problema das ruas sem olhos, e seus riscos espalham-se pela vizinhança, de modo que as ruas que os margeiam ganham fama de perigosas e são evitadas”.
As práticas ocorridas no pretérito histórico até o momento sobre a requalificação por meio do fenômeno urbano. Foi a maneira alternativa de intervenção da sociedade de forma espontânea transformando o cenário vazio num lugar de identidade capaz de atrair visitantes de outras localidades para os jardins secretos do Setor Sul. Conclui-se que apesar das áreas não terem uso constante, conforme idealizado por Howard e pretendido no projeto de Godoy e Sonnenberg, a ação dos artistas de rua, além de atrair curiosos estimulados pela repercussão da arte pelas mídias, também fizeram com que as áreas fossem descobertas pelos estrangeiros locais que não possuíam conhecimento que os miolos das quadras guardavam áreas com intenso verde e um acervo expressivo da arte de rua.
Das analises da pesquisa de campo e das entrevistas com os artistas de rua compreende-se que a arte magnetiza a atenção dos moradores, das instituições públicas e visitantes e transforma o vazio medonho no cheio expressivo. Como retratado na entrevista de Decy, enquanto ele grafitava no Bacião a Companhia de Urbanização de Goiânia-COMURG fazia a limpeza do lugar e os moradores cuidavam das fachadas voltadas para os miolos das quadras. O fenômeno urbano sacudiu o espaço, mesmo que não fosse o bastante para estimular transformações grandiosas.
Dessa forma, deixamos como sugestão um questionamento para novas pesquisa: qual é o uso ideal para essas áreas verde hoje? Há novas práticas e novas formas de ocupar de forma unida e coletiva? O espaço se adequa aos moldes do caminhar da sociedade?
De acordo com as entrevistas de Rustoff e Peralta, a requalificação pelo graffiti não é algo visto como “gritante” como ocorre em obras monumentais de arquitetura em espaços tidos como abandonados e marginalizados, mas sim como ferramenta que
impulsiona a frequente articulação da sociedade em diferentes áreas da cidade.
Fica além do desejo a suposição de como os moradores e visitantes se interagiriam com o lugar caso todos os muros que estão para os miolos das quadras fossem tomados por graffitis.
Não há como negar que o lugar é reconhecido e que se reconfigurou dentro do que se entende por “lugar diferente”. O Setor Sul é um cartão postal para os que visitam Goiânia.