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DO SETOR SUL

O Projeto Cura foi concebido durante o período da ditadura militar e promovido pelo Banco Nacional de Habitação-BNH, com normas na Carteira de Desenvolvimento Urbano-CDU21. Dentro das

propostas elaboradas pelo BNH, o projeto tinha como intuito urbanizar áreas livres e transformá-las utilizando-se de equipamentos públicos de lazer, implementação das redes de esgoto sanitário, água potável, iluminação pública, pavimentação e galerias de água pluviais.

O que o governo federal pretendia e o que foi definido no programa era estimular a apropriação destes lotes por meio de projetos e infraestruturas, a fim de gerar benefícios econômicos como a arrecadação de impostos das áreas do projeto, estimular o comércio e o mercado imobiliário. Diferente do desejo de organização de um espaço público para o convívio social numa unidade de

Figura 12 – Entrada Bosque dos Flamboyant. Lambe- lambe de manifesto do Projeto Casa Fora de Casa FONTE: Autora. Data: 26-11-2016.

21 Vide Manual Cura- 1979. Base

para a elaboração do Projeto CURA Setor Sul, não estabelece nenhuma prioridade quanto à situação da malha urbana para a escolha da área Cura.

vizinhança o projeto aspirava mais interesse financeiro do que sua verdadeira essência, o alcance social. Desse modo, as proposituras do BNH em conjunto com as estratégias políticas do governo federal acerca do Projeto CURA e as áreas escolhidas dentro do território nacional, em particular o Setor Sul- Goiânia/GO. Bairro localizado próximo ao centro, teve seu espaço organizado e requalificado, onde sempre existiu moradores de médio a alto poder aquisitivo e se adequava aos interesses de se interagir com as regiões futuramente planejadas. Nesse contexto o setor se encontrava numa imagem e situação negativa no que se referia à conservação e manutenção das áreas verdes:

“(...) a comunidade atendida deu ás áreas verdes e aos equipamentos ali instalados uma má utilização, não se interessando pela sua conservação e manutenção, permitindo, ou até participando da sua deterioração física social.” (IPLAN22

Biblioteca. Folheto nº 439. Data 22-11-1989).

Vale dizer que, resgatar a territorialização desordenada do bairro no processo histórico do Setor Sul, em meados de 1950, com as fachadas das casas, erroneamente, instaladas para as ruas, fato registrado em vários relatórios até chegar onde aos dias de hoje, com as práticas artísticas urbanas se tornando infraestruturas sensitivas e visuais. A população “não se interessa pela conservação e manutenção” e é também, colaboradora da “deterioração física e social” destas áreas? A sociedade, em parte, tem responsabilidade sobre a paisagem negativa, mas foi o próprio poder público municipal que, além de questões históricas no processo de habitação do bairro-jardim e nos modelos e tentativas organizacionais do Projeto CURA demonstrou-se perder sentido e suas estratégias de recuperação das praças foram esquecidas.

Não muito diferente, as condições registradas nos relatórios de 1979/1980 sobre os miolos das quadras perduram e podem ser descritas nesta década de 2010:

22 IPLAN – Instituto de

“a) equipamentos de iluminação bastante danificados;

b) equipamentos de lazer tais como balanços, gangorras, labirintos, quadras de esporte e escorregadores, consideravelmente depredados;

c) gramado parcialmente danificado; d) arborização deficiente;

e) entulhos no gramado obstruindo os equipamentos, em alguns casos; f) lotes baldios, sujos;

g) frequência, relativamente baixa, de moradores de outros bairros;

h) frequência, relativamente baixa, de moradores do Setor Sul.” (ibid.)

Dessa forma o plano de trabalho do Projeto CURA possui como objetivo real de promover melhoria da qualidade de vida urbana na área em questão. Assim como nos objetivos específicos promover:

“a) reestruturação física:

- remanejamento de sistema viário (para veículos e pedestres);

- recuperação, eliminação e substituição de equipamentos;

- arborização e recuperação do gramado: - instalação de equipamento de manutenção; - fechamento dos lotes baldios.

b) Reestruturação social e administrativa: - estimulo à utilização da área e dos equipamentos de lazer;

- estímulo à participação da coletividade na limpeza, fiscalização e preservação;

- providência para a fiscalização quanto à obediência ao código de postura;

-providência para a limpeza e manutenção da infraestrutura de todos os equipamentos; - providências para o policiamento frequente afim de inibir a utilização da área para o consumo de drogas.” (ibid.)

Sabe-se que o Setor Sul, à época, era o único bairro da Capital a possuir equipamentos para a prática de esporte e que com essa característica atraía pessoas de localidades vizinhas. O relatório nesse ponto deixa claro que as pessoas de outros setores, que conforme escrito no corpo textual do documento, “estrangeiros locais”, criavam problemas com as praças e moradores. Num outro contexto o relatório registra, há contradição de que é o morador que faz mal uso das praças, como é mostrado no Apêndice I (Pasta G 134, controle 1577 “a”, Caderno Projeto CURA – Sondagem de opinião pública), são esses “estrangeiros locais” que depredam tais áreas.

Em 1979, período de grande discussão sobre o Projeto CURA, também moradores de outros bairros desconheceriam tais áreas e sendo assim não fossem o alvo ativo de degradação, mas sim de esquecimento e negligencia da prefeitura e vizinhança em se abster do lugar, além da próprio desgaste provocado pela ação do tempo no que se trata por não ser usufruído e habitado.

Do projeto elaborado por Godoy e Sonnenberg à elaboração do Projeto CURA em 1973 no bairro-

jardim muitas mudanças ocorreram dentro de seus limites. As transformações foram em acabar com determinadas quadras com áreas verdes para atender interesses particulares e institucionais, até mudança do desenho das quadras para a construção de avenidas. A seguir o mapa nos revela com mais detalhes alterações de partes do setor até meados até meados da década de 1990.

SONDAGEM PÚBLICA 1995: LEITURA, COMPREENSÃO