• No results found

9. Drøfting av resultat

9.1 Språklig endring

9.1.3 Språklig analyse i virkelig tid

Apresentadas essas considerações sobre ensino médio, cabe sublinhar que a prática social investigada nesta pesquisa foi a prática docente comprometida com o pensar sociologicamente propiciado em aulas de Sociologia desenvolvidas em uma turma do segundo ano do ensino médio de uma escola pública da rede de ensino do Estado de São Paulo, localizada na periferia da cidade de São Carlos.

2. Prática docente e ensino de Sociologia

61 de dentro das salas de aula para fora, mas ao contrário: pelas práticas pedagógicas, as práticas docentes podem ser transformadas, para melhor ou para pior”.

A prática docente é fundamentada pedagogicamente quando exercida “com finalidade, planejamento, acompanhamento, vigilância crítica, responsabilidade social” (FRANCO, 2012, p. 160). Acrescentando que “não é da natureza das práticas docentes se encontrarem avulsas, desconectadas de um todo, sem o fundamento das práticas pedagógicas que lhe dão sentido e direção” (FRANCO, 2012, p. 163).

No entendimento de Franco (2012) há diferentes concepções de prática docente. A referida autora acrescenta que:

a mais usual é aquela associada à concepção tecnicista, que considera a prática docente como uma sucessão de procedimentos metodológicos previamente prescritos e planejados que devem ser executados pelo professor. Essa concepção vê a aula como uma sucessão de eventos linearmente dispostos, subsequentes, planejados e previsíveis. Segundo esse pressuposto, a aula deve ter um caráter instrutivo, informacional, de repasse de informações. A prática é vista como uma situação que independe do sujeito que a realiza, é organizada pela sequência de fazeres que o professor deve adquirir de fora para dentro. A pressuposição é que o aluno seja neutro, sem reações, e aprenderá por ouvir e fazer o que o professor solicita (p. 184-5).

A discussão sobre a prática docente está relacionada com questões levantadas pelos estudos da didática. Candau (2012, p. 14) salienta que “o objeto de estudo da didática é o processo de ensino-aprendizagem. Toda proposta didática está impregnada, implícita ou explicitamente, de uma concepção do processo de ensino-aprendizagem”. A autora defende a ideia de multidimensionalidade do processo de ensino-aprendizagem que “articule consistentemente as dimensões humana, técnica e político-social” (CANDAU, 2012, p. 14). Esse movimento possibilitaria a superação de uma didática unicamente instrumental e abriria caminho para outra fundamental.

Lima (2009, p. 169) acrescenta que Candau “supera esta concepção pelo que entende como o fundamental da Didática, envolvendo alguns temas mobilizadores da reflexão nesta disciplina, tais como: cotidiano escolar, saber docente, cultura(s)”.

Como mencionado anteriormente, a prática docente pode ser considerada uma prática social porque ela decorre de várias conexões entre “professores, alunos, instituição e comunidade, influenciadas pelos contextos socioculturais a que pertencem, formando um jogo de múltiplas confluências que se multideterminam em dado tempo e espaço social e que impregnam e configuram a realidade existencial do docente” (FRANCO, 2012, p. 187).

62 “a prática docente é, antes de tudo, o exercício de convicções tecidas histórica e coletivamente” (FRANCO, 2012, p. 187). Além disso, a prática docente “não se estrutura espontaneamente; ela responde o denso e complexo esquema de multideterminações. A prática que temos é, e sempre será, a possível nas atuais circunstâncias” (FRANCO, 2012, p. 215).

Roldão (2007) analisa a natureza e a especificidade da função docente, mostrando como o conceito de ensinar admite uma diversidade de sentidos e tem impacto na formação e atuação dos/as docentes. Cabe acrescentar que a autora prefere adotar a compreensão de “ação docente” ao invés de “prática docente”. Opção válida, uma vez que, segundo Roldão (2007, p. 101), aquela consiste em uma “ação inteligente, fundada num domínio seguro de um saber. Esse saber emerge dos vários saberes formais e do saber experiencial, que uns e outro se aprofundam e questionam”.

Avançando nessa apresentação da compreensão de prática docente adotada nesta pesquisa, cabe retomar algumas reflexões de Freire (1992, p. 109):

toda prática educativa implica sempre a existência de sujeitos, aquele ou aquela que ensina e aprende e aquele ou aquela que, em situação de aprendiz, ensina também, a existência do objeto a ser ensinado e aprendido – a ser re-conhecido e conhecido – o conteúdo, afinal.

Freire (1992, p. 57), sobre a prática docente, argumenta que “enquanto objetos de conhecimento os conteúdos se devem entregar à curiosidade cognoscitiva de professores e alunos. Uns ensinam e, ao fazê-la, aprendem. Outros aprendem e, ao fazê-la ensinam”. Essa reflexão nos aponta caminhos para defender a ideia de que a prática docente é uma prática social.

Freire (1992) retoma e discute algumas críticas feitas ao livro “Pedagogia do oprimido”. Em diversos trechos, o autor apresenta reflexões que nos auxiliam na compreensão de prática docente. Por exemplo, sobre o ato de ensinar e de aprender, Freire (1992, p. 110) destaca que eles são “dimensões do processo maior – o de conhecer – fazem parte da natureza da prática educativa. Não há educação sem ensino, sistemático ou não, de certo conteúdo. (...) Quem ensina ensina alguma coisa – conteúdo – a alguém – aluno”. Para a realização do ato de ensinar e de aprender, é importante considerar que “o diálogo pedagógico implica tanto o conteúdo ou objeto cognoscível em torno de que gira quanto à exposição sobre ele feita pelo educador ou educadora para os educandos” (FREIRE, 1992, p. 118).

É importante atentar para as considerações de Ianni (2011) de que é necessário superar a ideia que o professor é uma autoridade porque supostamente sabe o que irá ensinar.

2. Prática docente e ensino de Sociologia

63 Para o referido autor, “na realidade, o professor, quer queira ou não, é um ator e ser ator diante de um grupo que é espectador é um privilégio. Como podemos quebrar o monopólio do saber, da fala e do espetáculo? Através de um trabalho democrático com a classe” (p. 338).

Sobre essa questão e focando no trabalho dentro da sala de aula, Arroyo (2012, p. 10) salienta que “no trabalho nesse espaço, tanto mestres quanto alunos experimentam frustrações, desânimo, incertezas, cansaço... mas também vivenciam realizações, compromissos ético-políticos que vão configurando outros profissionais e outros educandos”.

Abramovay e Castro (2003, p. 460) afirmam que a função social da escola é mais explicitamente percebida e significada “no cotidiano da sala de aula, a partir da ‘negociação’ que ocorre entre professores e alunos em relação aos conhecimentos e saberes que se deve ensinar e aprender”.

Candau e Koff (2015, p. 334) sublinham que “a educação escolar ainda tem um papel relevante na formação das crianças, dos/as adolescentes e dos/as jovens”. Para que essa instituição continue exercendo tal função, é necessário acompanhar as transformações que estão ocorrendo na sociedade e isso tem demandado, segundo Candau e Koff (2015, p. 334- 5), a “reinvenção dessa escola que entendemos precisa ser mais plural, democrática, capaz de responder aos desafios de nossa contemporaneidade e de formar cidadãos e cidadãs, sujeitos da construção de um mundo menos dogmático e mais solidário”.

Como procuramos explicitar, nesta seção, foram apresentadas considerações sobre ensino médio e prática docente. Por meio delas, entendemos que a prática docente é uma prática social que decorre de articulações entre professores, estudantes, instituição e comunidade. Os autores e as autoras que foram mencionados/as nessa seção salientam que a prática docente tem conexão, entre outros elementos, com os conteúdos (abordados explicitamente ou não) na educação escolar. Na próxima seção serão apresentados apontamentos sobre o ensino de Sociologia na educação básica.