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Inaugurado em 1909, pelo presidente mineiro Bueno Brandão, a instituição localizada na Fazenda Gameleira, nos arredores de Belo Horizonte, “destinava-se a recolher e educar crianças abandonadas “material e moralmente”, do sexo masculino, oriundas de todo o território mineiro” (FARIA FILHO, 1996, p. 283) A direção da nova instituição cabia a Leon Renault que possuía a tarefa de educar e restituir a sociedade, meninos de idade de 8 a 12 anos.
A instituição recebia inúmeros visitantes que ficavam impressionados, positivamente, com a organização e a proposta educativa do espaço. Para muitos, o estabelecimento representava, no Brasil, aquilo de mais moderno que era proposto em termo de educação, e considerado como uma experiência pioneira e modelar, pois seguia as pegadas da Escola Nova. (FARIA FILHO, 1996).
A localização no campo, a participação dos alunos no processo educativo, trabalhos manuais aliado a educação intelectual, formação de caráter, negação do castigo físico, práticas que nas palavras de Manoel Ciridão Buarque, professor de pedagogia da Escola Normal de São Paulo, representava a “Escola Nova Popular”.
Bendigo a minha fé na educação, que me encaminhou os passos para o oeste de minha pátria, como outrora o Genovês encaminhou os seus para o oeste do planeta, e me fez, como ele, descobrir um novo mundo. Esse novo mundo da educação que é a Escola Nova Popular encarnada no Instituto João Pinheiro, fundado em Belo Horizonte, pelo benemérito presidente de Minas Gerais, Exmo. Sr. Bueno Brandão. [...]
Minas porém, já encarnou esta educação nova numa obra de originalidade mundial, o seu mais fulgente diamante, que ela poderá ostentar não só aos olhos de suas irmãs federadas, mas aos olhos do mundo civilizado. Ela criou a Escola Nova Popular Brasileira (INSTITUTO 1919, p. 44)10
A instituição exemplificava aos olhos dos visitantes a melhor maneira de educar a população carente, pois demonstrava a resolução dos problemas referente à criança pobre. E deste modo, o Instituto João Pinheiro passa a ser modelo educacional de crianças das camadas populares, como se pode perceber nas palavras de Maria Lacerda de Moura em visita a instituição em 1932.
A humanidade só encontrará o seu caminho – quando toda a educação – quando toda a escola tiver a organização social e econômica do Instituto João Pinheiro. Escola oficina, escola agrícola e profissional, além de educação intelectual.
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E que a escola primária fosse transformada em escola desse gênero – seria isto um caminho para a sociedade nova. (INSTITUTO 1919, p. 194)11
O progresso da nação e o despertar de uma nova era a partir da educação fica bem claro nas palavras de Maria Lacerda de Moura. Ademais, o Instituto João Pinheiro chamou a atenção de muitos visitantes que o consideravam a instituição modelar e singular no Brasil. Principalmente, por suas práticas pedagógicas advindas das ideias escolanovistas, Faria Filho (1996) cita algumas como a presença de um “pai” e “mãe” que viveriam em torno de 30 meninos, e se responsabilizariam pelas atividades. O autor descreve que os meninos eram distribuídos em grupos de três pelos quartos da “casa”, e assim, formariam com o casal, uma família.
O instituto, também, incentivava para a formação moral e cívica dos alunos, a organização da instituição em forma de República Federativa, no qual, “cada quarto seria a célula básica da República – os municípios, os pavilhões seria as unidades federativas – os estados; e o conjunto dos pavilhões formaria a Federação Republicana.” (FARIA FILHO, 1996, p. 286). Desta forma, incentiva-se a participação ativa dos alunos no estabelecimento; atividades como voto, policiamento, pagamentos, julgamento de alunos, recepções de visitas e outras faziam parte desta miniatura de republica. A presença destas práticas no instituto objetivava a formação de hábitos de dever, de responsabilidade, e os capacitaria para melhor participar e vivenciar a republica real, na qual eles viveriam ao sair da instituição (FARIA FILHO, 1996)
Portanto, a presença de um regime familiar atesta a ideia republicana de ser a família, a educadora por excelência. Aliado a isso, a existência de uma república em miniatura, que parte de uma perspectiva presente em várias correntes teóricas; dentre elas, o positivismo, bastante presente em Minas Gerais no período, em perceber a “nação” como sendo, de certa forma, a continuidade da “família”. Deste modo, “A construção da nação tem como pressuposto, a restauração ou a estruturação da família e a preservação da mulher-dona-de- casa”. (FARIA FILHO, 1996, p. 291).
Além disso, o Instituto João Pinheiro apresentava atividades que envolviam o trabalho manual, que subdividiam em: trabalho manual, agrícola, nas oficinas e interno. No qual,
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reificava a formação da moral, ideológica, disciplinar e tecnicamente dos alunos, capacitando- os para o trabalho na lavoura mineira. Ademais, os alunos recebiam um salário, que tinha como finalidade ensinar o menino, a viver por si só, e perceber o valor do trabalho na manutenção da pessoa e a poupar. Ou seja, aprender a ser um trabalhador assalariado. Como dissertava um visitante do Instituto em 1926,
E a noção do dinheiro? Cada aluno do “João Pinheiro” aprende a saber o que o dinheiro vale. A vadiação é multada. A malcriação é paga em dinheiro. O mau procedimento é dinheiro perdido. Cada aluno ganha um tanto. O que fez de mal lhe diminui a renda: que embolsa, a que lhe fica para pecúlio.
A cada fato social corresponde uma certa situação econômica (ASSISTÊNCIA 1930, p. 85)12
Outras práticas eram, também, desenvolvidas na instituição como a frequência a biblioteca e ao clube literário e a publicação de um jornal. Hábitos que tinha como propósito formar intelectualmente o aluno. Assim sendo, as diferentes práticas pedagógicas ocorridas no Instituto João Pinheiro demonstra os motivos da frequência de inúmeros educadores, e as impressões positivas da instituição.
O conjunto de atividades aproximava o estabelecimento às ideias escolanovistas, e o colocava como pioneiro em Minas Gerias e no Brasil, em experiências com clara inspiração escolanovista. A presença do Instituto João Pinheiro no estado mostra a preocupação dos políticos em renovar o ensino. Inquietação que se materializou na Reforma Educacional de Francisco Campos de 1927.