Como dito anteriormente, o presente trabalho foi realizado em 3 (três) escolas municipais de Belo Horizonte. A Escola Municipal Caio Líbano Soares, localizada na regional Centro-Sul da capital tem um característica marcante: atende somente ao público da EJA. São cerca de 60 docentes, atuantes em 3 (turnos): manhã, tarde e noite. São 5 (cinco) coordenadores: uma pela manhã, duas pela tarde e dois no turno da noite. A equipe da biblioteca, nos três turnos, é composta por 3 (três) professores em readaptação funcional e 2 (dois) auxiliares de biblioteca. Nessa escola são atendidos em torno de 1.300 alunos, devendo destacar-se que a flutuação, ou seja, as constantes entradas e saídas destes, é muito grande. No primeiro turno temos 10 turmas, no segundo turno, são 7 (sete) turmas e o terceiro turno, é o maior, com 19 turmas. A especificidade nessa disposição é que, nos 2 (dois) primeiros turnos os alunos de inclusão estão mais presentes, enquanto o noturno é formado basicamente por alunos trabalhadores. Em virtude desse panorama optamos por trabalhar nessa escola, somente com o terceiro turno, de modo que seja uma realidade mais próxima das demais escolas.
Já a Escola Municipal Padre Edeimar Massote localiza-se na regional Noroeste e conta com 12 professores atuantes na EJA e atende a aproximadamente 1.000 alunos nessa modalidade, que é oferecida pela escola no turno da noite. A
equipe da biblioteca nesse turno é composta por 2 (dois) pessoas, sendo, uma auxiliar de biblioteca e uma professora de readaptação funcional. Essa escola também possui 2 (dois) coordenadores para a EJA.
A Escola Municipal Carmelita Carvalho Garcia está na periferia do bairro Ouro Preto. Das escolas pesquisadas é a menor. São apenas 6 (seis) docentes e uma coordenação para a EJA, que também é ofertada no turno da noite. A escola possui uma auxiliar de biblioteca nesse turno e atende aproximadamente 130 alunos, destacando, novamente, a alta taxa de “flutuação” dos mesmos.
Diante desse contexto, iniciamos o trabalho com o seguinte universo: - 3 escolas;
- 3 bibliotecários;
- 4 pessoas atuando na biblioteca, sendo 2 professores em readaptação funcional e 2 auxiliares de biblioteca;
- 42 professores atuantes na EJA6.
Inicialmente, foi aplicado um questionário com os professores para identificação e caracterização dos mesmos, a fim de se estabelecer aqueles que participariam da segunda fase, ou seja, da entrevista. A análise dos dados coletados mostrou que dos 42 professores, apenas 7 (sete) afirmaram possuir o hábito de levar seus alunos à biblioteca da escola. Diante dessa constatação, concluímos ser necessário estudar, também, aqueles que não se enquadravam no perfil de sistematicamente levar os alunos à biblioteca.
De modo geral, foi possível perceber que os professores, atuantes na Rede Municipal, têm uma boa formação acadêmica. Dentre os docentes identificamos muitos com pós-graduação (Especialização e Mestrado).
6 Na Escola Municipal Caio Líbano Soares, foram considerados apenas os 24 professores atuantes no turno da noite.
A partir desse panorama, definiu-se o parâmetro para participação na pesquisa. Dos 7 (sete) professores que afirmavam possuir o hábito de freqüentar a biblioteca, eram assim distribuídos: em duas escolas um professor em cada uma delas afirmaram utilizar a biblioteca, e na outra escola, 5 (cinco) professores se manifestaram. Para compor a amostra, optamos por realizar um sorteio, estabelecendo 2(dois) docentes na escola onde 5 (cinco) freqüentavam a biblioteca, acrescidos de 1 (um) de cada outra escola.
Diante dos demais docentes (35) que afirmaram não possuir o hábito de freqüentar a biblioteca com seus alunos, realizamos também um sorteio, estabelecendo um representante por escola.
Com relação à equipe atuante nas bibliotecas, optamos por entrevistar as 3 (três) bibliotecárias responsáveis por estas escolas, bem como todos os que trabalham neste espaço no turno da noite, indiferente se eram auxiliares de biblioteca concursados ou professores em readaptação funcional.
A partir dos parâmetros definidos ficou a amostra constituída da seguinte forma:
- 3 bibliotecárias;
- 4 profissionais atuantes na biblioteca escolar, sendo 2 professores em readaptação funcional e 2 auxiliares de biblioteca;
- 7 professores, sendo 4 que disseram serem freqüentadores da biblioteca com os alunos e 3 que informaram não ter esse hábito.
A seguir, apresentamos uma tabela para caracterizar os sujeitos participantes da entrevista.
TABELA 1 – Caracterização dos participantes da pesquisa
Nº Ent. Idade Sexo Graduação Tempo de
formado
Possui Pós Qual/Nível Freqüenta a biblioteca 1 55 F Supervisão e Administração 18 N S 2 65 F Biblioteconomia 35 S Mestrado - 3 45 M Letras 20 S Especialização e Mestrado - 4 54 F Ciências Biológicas e Biblioteconomia 25 S Especialização S 5 48 M Química 23 N N 6 56 F Letras 35 S Especialização e Mestrado S 7 48 F Biblioteconomia 6 N - 8 50 F Biblioteconomia 28 N - 9 49 F Letras 19 S Especialização - 10 47 F Letras 26 S Especialização S 11 49 M Letras 18 S Especialização N 12 37 F Biblioteconomia 10 meses N - 13 55 F Letras 34 N N 14 28 F Biologia 1 N -
Estabelecidos o campo da pesquisa, os métodos a serem empregados e os sujeitos participantes, chegamos ao momento de verificar o que foi apurado na prática dos profissionais atuantes no contexto da EJA.
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A ATUAÇÃO DA BIBLIOTECA ESCOLAR NA EJA: A
REALIDADE PESQUISADA
Apenas quando somos instruídos pela realidade é que podemos mudá-la. (Bertolt Brecht)
Entre o infinito do ideal e o concreto do real há um abismo. (G. W. F. Hegel)
Apesar do reconhecimento da importância da biblioteca escolar no processo de ensino-aprendizagem, sua atuação ainda demonstra ser tímida. Muitas são as possíveis razões para esse fato, sendo a falta de integração entre o bibliotecário e o professor um dos pontos a ser refletido.
Diante do reconhecimento dessa importância, a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, após a implantação do Programa da Escola Plural, iniciou um Programa de Revitalização das Bibliotecas Escolares na rede de ensino municipal. O referido programa parece indicar a importância dada à biblioteca escolar por parte dos profissionais da educação, atuantes na Secretaria Municipal de Belo Horizonte.
A realidade das escolas municipais de Belo Horizonte, onde todas são dotadas de uma biblioteca escolar, estando nesse espaço profissionais (bibliotecários e auxiliares de bibliotecas) nomeados através de concurso público, tornou esse um lócus interessante a ser investigado.
Com relação à Educação de Jovens e Adultos, conforme visto no decorrer da história dessa modalidade de ensino, as dificuldades enfrentadas foram grandes, marcando sua trajetória por avanços, e ainda, por muitos retrocessos. Também nesse ponto a Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte possui sua atuação definida em Lei, de forma a garantir a continuidade do processo, contribuindo para que esse fosse um local propício para o desenvolvimento da pesquisa.
A partir das informações coletadas na realidade, estabelecemos categorias de análise, a fim de buscar uma melhor compreensão das questões levantadas. Essa análise é nosso próximo ponto.
Para uma melhor compreensão, estabelecemos a seguinte legenda para os entrevistados:
Número da entrevista + P – Professor Número da entrevista + B – Bibliotecário
Número da entrevista + A – Auxiliar de biblioteca
Número da entrevista + R – Professor em readaptação funcional.
Dessa forma, passaremos a análise dos dados obtidos, dentro das respectivas categorias de análise.