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Entre 1986 e 2009, para todas as profissões, houve crescimento do número de profissionais, mais intenso para a ocupação de analista de TI, que apresentou taxas acentuadas e contínuas de crescimento, havendo retração apenas no ano de 1997. Resultando em 592% de aumento, seguindo-se os contadores, que registraram crescimento de 231% e os bibliotecários, 96%. As profissões regulamentadas há mais tempo apresentam um controle ocupacional mais notório, pois um crescimento explosivo como o percebido no caso dos analistas de TI, apesar da crescente abertura do mercado de TI, é prejudicial para a valorização profissional, como apresentado por Freidson (1998), Child e Fulk (1982) e Diniz (2001).

Os analistas de TI não apresentam projeto de fechamento do mercado de trabalho, com base em credenciais educacionais. Tal fato permite o acesso indiscriminado aos postos de trabalho, ocupados por diplomados em diversos cursos relacionados à área, tais como: Ciência da Computação (o mais antigo), Sistemas de Informação, Processamento de Dados, entre outros. Este movimento causa precarização da profissão, conforme Rodrigues (2006). Os contadores apresentam redução do número de profissionais ou crescimento nulo, percentualmente, no período de 1992 a 2001. Contudo, a ocupação apresenta um registro

acentuado de profissionais no ano de 2002, o que gera um elevado indicador de crescimento.7

7

Para a análise da família ocupacional dos contadores, consideravam-se as mudanças da ocupação na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). Os códigos da ocupação foram alterados, mas a associação foi feita direta para a família 2522. Na primeira classificação utilizada pela RAIS, em 1982, o contador foi registrado pelos códigos 1.10.10 e 1.10.90. Com a unificação pelo CIU 088, a classificação foi alterada para

Tabela 1 - Taxa de crescimento anual do número de profissionais nas ocupações analisadas no período de 1986 a 2009

Fonte: RAIS (2010)

Os analistas de TI apresentaram, em 2009 o maior contingente de profissionais em exercício, resultando em 195.144, seguindo-se os contadores, 106.142, e os bibliotecários, 17.952. No ano de 1985, os profissionais eram 28.215, 42.173 e 9.172, respectivamente. Os bibliotecários apresentaram um número muito reduzido de profissionais se comparado às outras ocupações. Assim, foi necessário considerar muitas das análises realizadas em valores percentuais.

Tabela 2 - Número de profissionais nas ocupações analisadas no período de 1986 a 2009

Fonte: RAIS (2010)

Para identificar o reconhecimento social, considerou-se que uma profissão reconhecida tem como sinais indicadores: estabilidade e boa remuneração (BOYER e CAROLI, 1993; CRIVELLARI, 1998). O crescimento do grupo socioprofissional também pode refletir este

2411, mas com a CBO de 1994 o profissional foi separado novamente em contador 0.93.10 e auditor 0.99.10. O

auditor do grupo base 0.99.10 foi associado ao grupo de “Outros economistas, administradores, contadores e

trabalhadores assemelhados nãoclassificados sob outras epígrafes”. E a CBO de 2002 apresentou um agrupamento das duas ocupações na família ocupacional denominada 2522.

1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 Analistas de TI 16% 11% 15% 7% 2% 6% 13% 2% Contadores 6% 5% 5% 1% 12% -5% -29% 27% Bibliotecários 10% 12% 4% 3% -3% 0% -9% 2% 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 Analistas de TI 10% 0% 2% -2% 1% 19% 7% 7% Contadores 1% -1% -1% -6% 0% 14% -7% -1% Bibliotecários -11% 14% -10% 0% 4% -9% 6% 2% 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Analistas de TI 5% 2% 15% 15% 17% 13% 14% 9% Contadores 18% 8% 12% 9% 14% 6% 11% 7% Bibliotecários 8% 15% -5% 15% 13% 2% 11% 1% 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 Analistas de TI 32.641 36.162 41.596 44.641 45.637 48.149 54.280 55.443 Contadores 44.868 47.016 49.302 49.731 55.915 53.334 37.914 48.118 Bibliotecários 10.088 11.297 11.726 12.050 11.735 11.741 10.717 10.955 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 Analistas de TI 60.833 61.036 62.157 61.059 61.475 73.395 78.528 84.170 Contadores 48.753 48.068 47.591 44.837 44.944 51.439 47.745 47.419 Bibliotecários 9.781 11.125 10.007 10.040 10.403 9.483 10.020 10.212 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Analistas de TI 88.458 89.877 103.560 119.302 139.142 157.223 179.533 195.144 Contadores 56.161 60.562 67.968 73.965 84.220 89.221 98.787 106.142 Bibliotecários 11.052 12.764 12.113 13.941 15.691 16.051 17.832 17.952

reconhecimento, vindo do interior do próprio grupo. Neste sentido, os bibliotecários apresentaram crescimento significativo de 1985 a 2009, registrando a manutenção de 100% dos postos de trabalho e a abertura de 95,73 % de novos postos. Apenas no período de 2002 a 2009 é que houve aumento em 60% dos bibliotecários no Brasil. Este índice tende a crescer fortemente quando se considera a relação entre o número de bibliotecas escolares existentes no país (30.381, segundo a RAIS-Estabelecimento) e o número bibliotecários nelas

empregados (1.561, conforme a RAIS). A partir da Lei 12.244/20108, espera-se que a

profissão tenha nos dez anos seguintes à lei, um crescimento muito elevado, para responder às necessidades reais da população estudantil, bem como às exigências legais de exercício da profissão.

Quanto à distribuição geográfica, apurou-se que as três ocupações apresentam, historicamente, mais profissionais nas seguintes Unidades Federativas, na ordem: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. No período de 2003 a 2007, o Distrito Federal ocupou a terceira posição como Unidade Federativa com maior número de profissionais no Brasil para os analistas de TI. No período que registra o menor número de profissionais na família

ocupacional do contador (1993 − 2000), o estado da Bahia ocupou a terceira colocação.

Apesar de existir uma concentração no estado de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, é percebido o crescimento do número de profissionais em várias Unidades Federativas, o que indica uma pulverização do crescimento, e não apenas uma concentração nos estados destacados.

8 A lei dispõe sobre a universalização das bibliotecas nas instituições de ensino do País. Seu art. 3º diz que “os

sistemas de ensino do País deverão desenvolver esforços progressivos para que a universalização das bibliotecas escolares, nos termos previstos nesta Lei, seja efetivada num prazo máximo de dez anos, respeitada a profissão de Bibliotecário, disciplinada pelas Leis nos 4.084, de 30 de junho de 1962, e 9.674, de 25 de junho de 1998” (grifo nosso).

Tabela 3 - Número de profissionais nas ocupações por unidade federativa em 2009

Fonte: RAIS (2010)

Outro fator de reconhecimento profissional é a remuneração. Para tanto, utilizou-se as variáveis remuneração média e remuneração por hora trabalhada. A análise da remuneração das ocupações utilizou a variável REM DEZ (R$), que registra o valor do salário dos profissionais no mês de dezembro. Tal variável registra o total pago ao empregado, incluindo os valores referentes a salário, gratificações, abonos e outras rubricas constantes no manual da RAIS. A variável em questão foi criada em 1999. A partir dos valores obtidos nas consultas realizadas, procedeu-se à correção dos outros anos, por meio do índice IPCA, no intuito de compatibilizar os valores, tendo como referência o ano de 2009. Para tanto, calculou-se um índice deflator, com base na inflação registrada via IPCA, procedendo-se à atualização dos salários.

Os resultados (

UF Analistas TI Contadores Bibliotecários

RO 245 603 35 AC 116 105 16 AM 1.147 1.776 240 RR 69 212 29 PA 1.258 1.158 252 AP 95 192 28 TO 293 362 76 MA 682 832 176 PI 392 445 74 CE 2.940 2.258 379 RN 645 753 133 PB 857 914 203 PE 3.600 2.888 401 AL 340 553 182 SE 525 1.206 78 BA 4.695 3.142 522 MG 12.947 8.330 1.656 ES 2.486 2.035 460 RJ 24.560 10.714 2.368 SP 99.001 42.343 6.700 PR 9.300 6.416 1.055 SC 5.741 4.854 597 RS 8.136 6.066 944 MS 999 909 98 MT 1.202 1.286 137 GO 2.040 1.978 307 DF 10.833 3.812 806 TOTAL 195.144 106.142 17.952

Gráfico 2) demonstram os valores médios nacionais das remunerações dos profissionais. No Brasil, de acordo com a média nacional, os analistas de TI apresentaram uma redução salarial, entre os anos 1999 e 2009, o que não foi percebido pelos contadores e bibliotecários. Entretanto, percebe-se uma oscilação salarial na família ocupacional dos contadores, principalmente no ano de 2006 para 2007, quando houve um crescimento não permanente da remuneração. Os bibliotecários evidenciam aumento/estabilidade crescente na remuneração.

Quanto à relação salário/distribuição geográfica, é possível notar que os analistas de TI apresentaram reduções salariais nos seguinte estados: Amazonas, Alagoas, Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Tais reduções podem ter sido originadas da ausência de correção dos salários, evidenciando uma queda do reconhecimento social. Sendo esta a mesma ocupação que apresentou expressivo crescimento, é possível identificar crescimento pouco ordenado dos postos de trabalho, por não haver fiscalização e atuação de órgãos representativos que controlem a profissão. Tal fato pode ter gerado um crescimento que suscitou a precarização do emprego. Este sintoma pode refletir uma redução da percepção quanto à competência de valor especial e da manutenção da relação fiduciária dos clientes, conforme define Freidson (1998) ao esclarecer sobre o caráter do trabalho profissional. Entretanto, recomenda-se que estudos futuros sejam desenvolvidos sobre tais unidades federativas, no intuito de esclarecer se houve recessão geral ou específica à profissão.

As ocupações analisadas que apresentam processo efetivo de profissionalização − ou

seja, os contadores e os bibliotecários − registram tendência à estabilidade dos salários.

Ressalta-se que, por serem profissões organizadas e possuirem órgãos que representam a classe dos profissionais e dos empregadores, são praticados acordos coletivos anuais que propiciam tal cenário.

Gráfico 2 - Evolução salarial no Brasil, de 1999 a 2009 − Analistas TI, Contadores e Bibliotecários

Fonte: RAIS (2010)

Ao analisar o estado de Minas Gerais quanto à evolução salarial, verifica-se que o valor dos rendimentos é inferior à média nacional para todas as ocupações. Contudo, percebe- se que a unidade federativa reflete a mesma tendência que o cenário brasileiro.

Gráfico 3- Evolução salarial em Minas Gerais, de 1999 a 2009 − Analistas TI, Contadores e Bibliotecários

Fonte: RAIS (2010)

Quanto à remuneração, pode-se inferir que o profissional com maiores salários é aquele que detém mais expressivo reconhecimento social. Contudo, em se tratando de comparação entre profissões, faz-se necessário considerar o valor da remuneração por hora trabalhada. Ao analisar a variável FX HR CONT (número de horas para as quais o profissional foi contratado), apresentada desde 1994, percebe-se distinção entre as ocupações.

- 1.000,00 2.000,00 3.000,00 4.000,00 5.000,00 6.000,00

Evolução Salarial Brasil

Ana lista s TI Conta dores Bibliotecá rios - 1.000,00 2.000,00 3.000,00 4.000,00 5.000,00 6.000,00

Evolução Salarial Minas Gerais

Ana lista s TI Conta dores Bibliotecá rios

O analista de TI apresenta uma média de 40% dos profissionais com contratos entre 31 a 40 horas e 57% entre 41 a 44 horas, registrando baixos percentuais para contratações abaixo de 30 horas. Já os contadores e os bibliotecários, registram até o ano de 2002 médias entre 9% e 13%, para empregos com menos de 30 horas de contrato.

Os contadores têm, em média, 58% dos profissionais atuando com contratos entre 41 a 44 horas. Mas os bibliotecários registram um percentual médio de 44% para os contratos entre 31 a 40 horas, sendo este o grupo mais expressivo para a ocupação. Nos últimos anos, os bibliotecários têm apresentado um aumento no número de profissionais entre 41 a 44 horas, mas este ainda não simboliza a situação da maioria dos profissionais. Contudo, ao analisar tal realidade, especialmente no ano de 2009, identifica-se, pela média que o contador apresenta o maior valor por hora de contrato, seguido do analista de TI e do bibliotecário, como pode ser observado na Tabela 4. Os contadores registram valores maiores em contratos de 21 a 30 horas e de 31 a 40 horas, também por ser representativo o número de profissionais em cargos públicos e em instituições financeiras.

Tabela 4- Valor/hora de trabalho (R$) em 2009 − Analistas TI, Contadores e Bibliotecários

Fonte: RAIS (2009)

Ao se analisar os grandes efetivos em salário direto, é necessário, contudo, reportar-se

às recomendações mais amplas, propostas pela noção de “relação salarial” de Robert Boyer

(1990, 2009), verificando o impacto do salário sobre a variável “modo de consumo”. Neste

sentido, é crucial associar-se à noção de salário direto (e também o indireto), às perspectivas

de “estabilidade e carreira”, tratados na seção 7.2. Porque, para o grupo sócio profissional que tem prevalecente o emprego informal ou “por conta própria”, faz-se imprescindível, em longo

prazo, investir na construção de seu próprio patrimônio para garantir o seu futuro, o que não se faz necessário (ou tão necessário), para que os que possuem empregos públicos em outras boas contratações. Logo, a necessidade de acumulação individual de bens, afeta a disposição

para o consumo, e reduz a dinâmica da economia produtiva, conforme o “círculo virtuoso” de

Boyer. Sobre essa discussão, ver também Castel (1998, p. 150).

Máximo de horas Analista TI Contador Bibliotecário Até 12 HS 27,88 25,04 20,47 13 A 15 HS 21,17 20,31 12,91 16 A 20 HS 18,45 28,62 15,29 21 A 30 HS 29,60 51,96 16,84 31 A 40 HS 33,11 39,96 23,44 41 A 44 HS 18,10 17,81 14,64