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In document THE STATE OWNERSHIP REPORT 2015 (sider 61-72)

Esta dissertação enquadra-se, quanto ao seu propósito, na categoria de Investigação e Desenvolvimento (I&D). Segundo Van Der Maren (1996), este tipo de investigação pode assumir a forma de desenvolvimento de conceito, desenvolvimento de objeto e desenvolvimento ou aperfeiçoamento de habilidades pessoais enquanto utensílios profissionais. Assim, tendo em conta que se pretende investigar o envolvimento e motivação para o contacto com a leitura em alunos do primeiro ciclo do ensino básico, nativos digitais (Prensky, 2001), através do desenvolvimento e experimentação de um livro digital educativo de narrativa multilinear, o presente estudo enquadra-se na forma de desenvolvimento de objeto, com o propósito de averiguar o impacto que o produto desenvolvido poderá ter no âmbito dos aspetos visados na investigação.

Ainda segundo Van Der Maren (1996), o desenvolvimento de objeto tem como principal objetivo a solução de problemas que se identificam a partir da prática quotidiana, e é eficaz porque propõe soluções para esses problemas, com base em teorias e revisão bibliográfica que ajude na procura dessas soluções. De facto, segundo este autor, “este procedimento interessa ao campo da didática e este é o domínio, conjuntamente com a tecnologia educativa, onde se encontra este tipo de investigação” (179).

Uma I&D de objeto inicia-se geralmente pela análise do objeto que se espera capaz de responder à necessidade identificada em estudo, seguindo-se a sua conceptualização para posteriormente elaborar um modelo, preparar estratégias de concretização, avaliar as possibilidades de execução, proceder à elaboração do protótipo e implementá-lo (Van Der Maren, 1996).

O que se pretende para esta investigação é também bem sumariado por De Ketele e Roegiers (1999), que indicam que “investigação de desenvolvimento ou investigação tecnológica” visa essencialmente a ação, sendo a eficácia o valor prioritário a que se refere. Neste cenário, o investigador tem como tarefa a construção de ferramentas, com base numa revisão bibliográfica bem consistente, para conseguir chegar a possíveis indicadores, ainda que válidos apenas em determinados contextos.

Assim, Brown (1992) citado por Coutinho e Chaves (2001) aponta alguns aspetos como sendo os mais relevantes das várias modalidades de metodologia de desenvolvimento:

 Abordagem de problemas complexos em ambientes tecnológicos de aprendizagem;

 Integração de todo o tipo de conhecimentos teóricos (comprovados e hipotéticos) e tecnológicos no sentido de se encontrarem soluções viáveis para a complexidade dos problemas em análise;

 Conceção de uma solução "protótipo" para o problema em causa que deve ser fundamentada desde um ponto de vista teórico e prático (ouvidos os profissionais no terreno) e articulada aos objectivos de aprendizagem;  Condução de uma investigação rigorosa e reflexiva no sentido de conceber,

implementar, testar e refinar no terreno, num processo iterativo, a solução protótipo concebida (evolutionary prototyping);

 Colaboração permanente entre investigadores, profissionais do terreno (professores) e tecnólogos (Coutinho e Chaves, 2001).

Estes aspetos apontados por Brown materializam-se desta forma no processo de metodologia do desenvolvimento ilustrado na figura 41.

Para testar o impacto do protótipo desenvolvido junto de uma amostra do público-alvo, optámos pela realização de um estudo de cariz indutivo com recurso ao método qualitativo para o tratamento dos dados recolhidos, uma vez que se pretende sobretudo obter pistas ou indicadores sobre fenómenos particulares de interesse relevante para o estudo. Considerámos assim pertinente seguir uma metodologia de investigação qualitativa ou interpretativa, pois entendemos que seria a mais adequada para perceber os processos, os produtos, os fenómenos inerentes à problemática desta investigação a partir das representações e das perceções individuais dos sujeitos.

Assim, pretendemos acima de tudo obter informação qualitativa, capaz de ser recolhida no ambiente natural para criar as condições necessárias à auscultação dos aspetos visados sem interferências externas que possam alterar a informação observada, aproximando-a da realidade o quanto possível de forma a salvaguardar a fiabilidade dos resultados.

Segundo, Bogdan e Biklen (1994) esta abordagem permite descrever um fenómeno de forma exaustiva através da tentativa de obter e compreender, com pormenor, as perspetivas e os pontos de vista dos indivíduos sobre determinado assunto. Assim, a principal preocupação em investigação qualitativa não é efetuar generalizações, mas antes particularizar e compreender os sujeitos e os fenómenos na sua complexidade, singularidade e contexto.

Desta forma, em oposição a afirmações universais e à explicação dos fenómenos de forma linear optámos por não determinar relações de causa e efeito lineares nem explicar fenómenos, provar hipóteses e determinar leis gerais – pressupostos de uma perspetiva de investigação positivista – mas antes possibilitar a transposição do que se descobriu a outras situações e sujeitos.

De acordo com Bogdan e Biklen (1994), “a preocupação central não é a de se os resultados são suscetíveis de generalização, mas sim a de que outros contextos e sujeitos a eles podem ser generalizados”. (66)

Na perspetiva da pesquisa qualitativa, o conhecimento constrói-se “de modo indutivo e sistemático, a partir do próprio terreno, à medida que os dados empíricos emergem” (Lefébvre, 1990 citado por Pacheco, 1995:16), em contraponto com a abordagem quantitativa que procura comprovar teorias, recolher dados para confirmar hipóteses e generalizar fenómenos. Desta forma, a investigação qualitativa orienta-se numa linha interpretativa dos fenómenos educativos (Serrano, 2003) para tentar compreende-los a partir da instigação dos significados dos próprios contextos na sua particularidade e complexidade.

Segundo Bogdan e Biklen (1994), os investigadores qualitativos fazem uma abordagem minuciosa do mundo numa tentativa de ilustrar as situações e as experiências dos sujeitos da

forma mais completa possível, considerando a relevância de todos os detalhes (Ludke & André, 1986). Por isso, os dados recolhidos neste tipo de investigação são predominantemente descritivos (Serrano, 2003), uma vez que a “descrição funciona bem como método de recolha de dados, quando se pretende que nenhum detalhe escape ao escrutínio” (Bogdan & Biklen, 1994).

Sendo ponto assente que neste tipo de investigação os dados para análise são produzidos e interpretados pelo investigador, deve ter-se especial atenção ao facto desses dados poderem refletir a subjetividade do investigador. Bogdan e Biklen (1994) alertam exatamente para esse facto, referindo que “os dados carregam o peso de qualquer interpretação”.

Contudo, deverá sempre ser feito um esforço no sentido de fazer uma leitura articulada dos dados com uma contextualização teórica e com uma postura de omissão de opiniões pessoais (Bogdan & Biklen, 1994), em conjunto com o rigor e cuidado na recolha e análise dos dados. Assim procurámos conduzir o processo de produção de conhecimentos nesta dissertação.

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