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In document THE STATE OWNERSHIP REPORT 2015 (sider 73-112)

Em contacto com a Biblioteca Municipal de Lousada, foi assegurado livre acesso às atividades que ocorrem semanalmente no âmbito da leitura num ambiente bastante informal, com um conjunto de indivíduos a frequentar o 3º e 4º ano do ensino básico, alguns deles visitantes assíduos da referida biblioteca.

Assim, a experiência foi planeada com base no convite a crianças que se enquadravam no perfil definido para a amostra, em pares ou grupos de três crianças no máximo para fazer a experimentação do livro digital, seguindo-se uma avaliação da experiência com base na observação, numa entrevista semiestruturada e finalmente num questionário que permitisse obter informação sobre aspetos relacionados com a avaliação da usabilidade e motivação.

Ao reduzir os indivíduos participantes na experiência de cada vez, tentámos minimizar as possíveis influências recíprocas das opiniões expressas e aumentar as oportunidades de participação de cada indivíduo.

A estratégia de entrevistar crianças em pequenos grupos poderá igualmente favorecer o ambiente das entrevistas, deixando as crianças mais relaxadas por estarem acompanhadas e, por isso, mais à vontade na entrevista para se entreajudarem, comentar situações, trocar impressões e até completar as respostas mutuamente (Oliveira-Formosinho e Araújo, 2004).

A responsável pela Biblioteca caracterizou estas crianças como bastante participativas e críticas, o que à partida fez prever que não haveria timidez durante a entrevista, conforme viemos a confirmar, resultando na obtenção de informações relevantes no âmbito do estudo.

Para o decorrer desta investigação, foi então criado um questionário inicial para preenchimento pelo investigador, com o propósito de recolher informação que permita caracterizar melhor a amostra. Foi igualmente criada uma lista de tópicos de observação e de orientação para o registo das notas de campo (incluído na secção de “Anexos” desta dissertação), bem como um guião de entrevista semiestruturada. O guião teve como função “levantar uma série de tópicos” (Bogdan & Biklen, 1994) e servir como uma ferramenta que evitasse o desvio excessivo face aos aspetos em estudo durante a entrevista.

As crianças e respetivos encarregados de educação foram contactados para se perceber se teriam disponibilidade e vontade de participar na experiência de leitura do livro digital educativo de narrativa multilinear e posterior entrevista.

Os participantes no estudo e os seus encarregados de educação foram informados acerca dos objetivos da experiência e da entrevista, bem como do facto de que as informações fornecidas e respetivos registos audiovisuais seriam utilizados exclusivamente para o estudo em questão e que seria respeitado o seu anonimato. Todos acederam com entusiasmo.

Uma das crianças convidadas a participar na experiência de leitura tinha infelizmente restrições temporais, pelo que, apesar de não estar planeado inicialmente, tivemos necessidade de levar a cabo uma experiência de leitura individual. De facto, como os restantes participantes ainda não estavam presentes, prosseguimos com esta leitura individual para não desperdiçarmos a oportunidade de observação. Posteriormente foi levada a cabo uma experiência de leitura em grupo com as restantes três crianças, conforme descrito mais à frente.

As atividades foram então realizadas na Biblioteca Municipal de Lousada. Procurámos, encontrar o espaço mais adequado à sua realização, e acabámos por optar pela sala de leitura infantil, que foi reservada para o efeito e se revelou um local cómodo com um ambiente bastante natural e familiar para os participantes.

A experiência de leitura individual durou cerca de 20 minutos. No início da experiência explicámos ao participante que se tratava de um livro digital, que para além de ser lido num tablet, de cada vez que era lido era diferente. Durante a experiência, a criança interagiu com o tablet independentemente e sem instruções ou interferências do investigador.

Para a experiência de leitura coletiva demos as mesmas indicações sobre o livo que foram dadas ao participante individual. Esta experiência durou cerca de uma hora e trinta minutos, durante os quais as crianças interagiram de forma independente e sem interferências do investigador, rodando o tablet entre si em leitura coletiva em voz alta e à vez. Este tipo de interação foi decidido e adotado naturalmente pelos participantes, sem que nenhuma regra tivesse sido imposta pelo investigador, tomando assim contornos de atividade livre. Este grupo fez um total de quatro leituras num ambiente de descontração e envolvimento, e foram

interrompidos quando iam iniciar a quinta leitura (por constrangimentos de horário da biblioteca) para prosseguirmos com a entrevista semiestruturada.

As crianças responderam espontaneamente às perguntas, não se tendo verificado grandes dificuldades em obter as respostas das crianças. De facto, apesar das frases geralmente curtas, as crianças responderam a todas as questões sem revelar de modo geral dificuldade em compreender o que estava a ser perguntado.

Conforme já referido, as entrevistas foram orientadas por um guião constituído pelos principais pontos de interesse acerca da problemática que norteia esta investigação. As questões contidas no guião foram todas tocadas, embora nem sempre pela ordem aí indicada, de acordo com o fluir da própria entrevista.

No total foram efetuadas cinco experiências de leitura do livro digital educativo de narrativa multilinear, duas entrevistas, uma individual e uma coletiva, e foram preenchidos oito questionários com vista à avaliação mais palpável em termos de usabilidade e motivação / envolvimento.

A entrevista individual rondou os dez minutos e a entrevista em grupo rondou os 25 minutos. O preenchimento dos questionários rondou os cinco minutos.

As entrevistas e toda a experiência foram registadas em suporte audiovisual, com a devida autorização dos encarregados de educação dos participantes, de forma a garantir um apoio posterior na análise das informações recolhidas com a possibilidade de rever toda a informação não-verbal que também é portadora de sentido, ainda mais com crianças. Assim, tornou-se possível rever “toda uma gama de gestos, expressões, entoações, sinais não-verbais, alterações de ritmo, enfim toda uma comunicação não-verbal cuja captação é muito importante para a compreensão e a validação do que foi efectivamente dito” (Ludke & André, 1986:36).

Ao mesmo tempo, no decorrer das entrevistas, informações-chave foram sendo anotadas.

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