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3 Literature Review

3.1 Spanglish code-switching

3.1.2 Spanglish code-switching: Constraints

Com esta Experiência de Ensino-Aprendizagem tínhamos como objetivo proporcionar ambientes democráticos e de tomada de decisão; representar plasticamente ideias individuais, sobre um tema específico, utilizando o desenho e, por fim explorar e descobrir diferentes materiais e as suas possibilidades. Para tal, iniciámos a atividade com um diálogo em grande grupo, como era habitual fazer, em que as crianças abordavam vários assuntos do seu interesse. Consideramos fundamental o hábito frequente do diálogo com as crianças, pois como afirma Oliveira-Formosinho (2008) “a escuta deverá constituir um processo contínuo no quotidiano educativo de procura de conhecimento sobre as crianças, realizado no contexto da comunidade educativa, numa ética de reciprocidade” (p.33). A autora salienta, ainda, que para entender a criança e o seu ambiente, com o objetivo de lhe transmitir algum tipo de conhecimento, é fundamental escutá-la.

Durante o diálogo tivemos a preocupação de direcionar o mesmo para a apresentação do trabalho que nós, estagiárias, estávamos a realizar. Explicitámos que este estava relacionado com o que eles sabem acerca do 1.º CEB, sendo que este trabalho serviria para a conclusão do curso, para podermos ser educadoras. Posto isto, as crianças fizeram algumas perguntas, mostrando motivação em perceber mais sobre o trabalho e em participar nele. Neste sentido, falamos que gostávamos de os entrevistar. Alguns quiseram saber o que é uma entrevista, ao qual respondemos, dando alguns exemplos, de modo a eles perceberem que já tinham visto entrevistas na televisão. Sugerimos mostrar-lhes como era, pedindo um voluntário a quem fizemos algumas questões aleatórias, para pudermos simular uma entrevista. De seguida explicámos que iria ser enviada uma carta aos pais, a pedir autorização para realizar as entrevistas. Contudo a sua participação era opcional. Assim, explicitámos que as entrevistas iriam decorrer ao longo da semana, em pares na sala de vídeo. Estas manifestaram interesse e entusiamo em colaborar. Durante o diálogo, surgiram algumas opiniões das crianças sobre como seria a escola do 1.º CEB, tendo em conta que havia opiniões distintas sobre a mesma, uma criança sugeriu que se nós quiséssemos ela desenhava como acham que ia ser a escola. Desta forma, consideramos que esta possibilidade nos ajudaria na recolha de dados, para tal solicitámos ao grupo de crianças que mostrassem, através do registo gráfico, como acham que será uma sala do 1.º CEB. Esta estratégia permitiu conhecer quais as perspetivas das crianças, sendo que “ao desenhar, a criança não reproduz lembranças visuais, mas experimenta, constrói e traduz sensações e pensamentos. O

representativa dela própria” (Corsi, s/d., p.2). Para além dos vários usos que podemos dar ao desenho, nós usámo-lo como a expressão do que a criança pensa sobre a sala do 1.º CEB. Sendo que como refere Silva, et al., (2016) “não podemos esquecer que o desenho é também uma forma de escrita e que os dois meios de expressão e comunicação surgem muitas vezes associados, completando-se mutuamente” (p.69). Para tal disponibilizámos às crianças material necessário, (um lápis, uma folha e uma base dura) para possibilizar a realização do desenho como podemos verificar na figura n.º 4.

De seguida as crianças manifestaram interesse em partilhar e apresentar o seu trabalho. Considerando que é importante ouvir a criança sobre o que fez e sobre o que pensa, Silva, et al., (2016) referem que a competência do educador em escutar cada criança,

de valorizar a sua contribuição para o grupo, de comunicar com cada uma e com o grupo, de modo a dar espaço a que cada uma fale, e a fomentar o diálogo, facilita a expressão das crianças e o seu desejo de comunicar (p.61).

Para enriquecer esta descrição, apresentamos alguns desenhos e o relato das crianças sobre os mesmos, em forma de nota de campo, para podermos ficar mais elucidados sobre como as crianças pensam que será a sala do 1.º CEB.

Luísa: uma prateleira com livros, os meninos estão [sentados] a ler com um livro, o quadro com letras. Tem dois pisos, a sala do 1.º ano e a do 2.º ano em cima.

(Nota de campo, 16 de janeiro, 2017)

Figura 4 - Desenho sobre a sala do 1.º CEB

Jorge: [desenhei] meninos, cadeiras e mesas em fila. Um quadro e isto [apontando para uma parte do desenho] para pendurar os casacos.

(Nota de campo, 16 de janeiro, 2017)

Luís: Um armário para pendurar as mochilas, um quadro, à frente está a professora, e os meninos estão nas mesas atrás.

(Nota de campo, 16 de janeiro, 2017)

Bernardo: [Fiz uma] mesa onde se guarda os livros, tem mesas com livros. Em cada mesa estão os meninos, tem quadro, com giz.

(Nota de campo, 16 de janeiro, 2017)

Através dos desenhos e relatos expostos, consideramos que o grupo apresenta uma noção realista de como será a sala do 1.º CEB, identificando algumas diferenças relativamente à organização do espaço, como a disposição das cadeiras e mesas, a existência do quadro grande, com a professora à sua frente. Tendo em conta que o grupo se centrou na organização do espaço, sala de aula, procurámos através de um diálogo, em grande grupo, compreender outras dimensões com que se irão deparar no momento de transitar para o 1.º CEB. Surgiram inúmeras respostas, como apresentamos na seguinte nota de campo.

Rita: Vamos aprender a ler e a escrever.

Cristina: Vamos aprender a escrever coisas com letras maiúsculas e a arrumar tudo. Luísa: Lá aprende-se matemática, inglês, português e ginástica.

Ivo: A jogar futebol, eu adoro jogar. Lá há muitas bolas.

Samuel: Pois, lá vamos ter um campo grande. Como temos na escola crescer.

Figura 6 - Apresentação do desenho

Figura 7 - Apresentação do desenho

Ivo: Eu devia ter desenhado um campo de futebol. Samuel: Pois, era isso é que era fixe. Vamos fazer?

(Nota de campo, 16 de janeiro, 2017)

Tendo em conta o entusiamos do grupo, em desenhar o campo da escola do 1.º CEB, propusemos a construção de uma maquete de um campo de futebol. Desta forma, discutimos o projeto, os materiais que seriam necessários, bem como a divisão de tarefas dentro do grupo. Algumas crianças ficaram de modelar os jogadores em plasticina e outros de construir o campo. No final da atividade o grupo de trabalho apresentou, às restantes crianças, o trabalho desenvolvido e que este iria ficar na área dos jogos (figura n.º 9). Explicaram ainda que este jogo se jogava com uma bola de pingue-pongue, movendo-a com as palhas através do sopro.

Esta EEA possibilitou explorar o tema em estudo, relativamente à perspetiva das crianças em relação ao 1.º CEB, bem como explorar as competências e regras necessárias para trabalhar em grupo, considerando as competências que promovem uma transição suave para o ciclo seguinte. Em jeito de conclusão esta EEA surgiu com o intuito de dar voz à criança, procurando atender aos seus interesses e desenvolver competências sociais em trabalho de grupo. Consideramos o registo gráfico, como estratégia de ensino/aprendizagem, valorizando os interesses das crianças, até porque “não se pode, porém, esquecer que o desenho é uma forma de expressão plástica que não pode ser banalizada, servindo apenas para ocupar o tempo. Depende do educador torná-la uma atividade educativa” (Silva, 1997, p.61). Pelo explicitado percebe-se que o desenho é uma forma de comunicação, em que a criança exprime e expõe os seus pensamentos sobre algo.