3 Literature Review
3.2 Language and Identity
3.2.2 Spanglish as an identity
Com esta Experiência de Ensino Aprendizagem procuramos familiarizar as crianças com a escola do 1.º CEB, criar oportunidades de diálogo sobre as suas expectativas sobre o 1.º ciclo, por fim valorizar a realização de experiências como forma de
Figura 9 - Maquete construída pelas
compreensão/conhecimento de diversos “fenómenos”, nomeadamente a atração de ímanes. Esta EEA surgiu após a realização de entrevistas às crianças que mostraram interesse em conhecer uma sala do 1.º CEB, sendo esta uma das estratégias facilitadoras do processo de transição apontadas pelas OCEPE, o que justifica a nossa deslocação a uma sala do 1.º CEB.
Iniciámos a atividade com um diálogo, em grande grupo, no qual explicámos ter falado com a professora do 1.º ciclo e que seria possível visitar a sua sala. Assim, deslocámo- nos à escola do 1.º CEB, integrada na mesma instituição. Julgamos esta visita essencial considerando que o grupo iria transitar para o 1.º CEB e como refere Silva et al., (2016) “a criança deverá ter oportunidade de conhecer a escola para onde vai transitar” (p.102). No entanto, importa referir que nem todas as crianças iriam permanecer na mesma instituição, mas consideramos relevante conhecer um espaço característico deste nível educativo.
Ao chegarmos à sala de 1.º CEB as crianças sentaram-se cada uma em sua mesa, a convite da professora titular da turma. A professora explicou que teriam de escolher uma mesa, que seria a mesma até ao final do ano, como ilustra a figura n.º 10.
Posteriormente, depois de o grupo estar todo sentado e de observar a sala de aula, dialogámos sobre as diferenças encontradas na sala, em relação à sala da EPE. Diálogo que apresentamos em nota de campo, evidenciando as diferenças referidas pelas crianças.
Gabriel: Tem muitas cadeiras. Jorge: Não tem áreas.
Bernardo: Não tem bonecos.
Rita: Estamos sempre aqui sentados. Sofia: Todos têm livros.
(Nota de campo, 30 de janeiro de 2017) De seguida questionámos se as regras desta sala seriam iguais. O grupo de crianças pôs o dedo no ar para enumerar as regras da nossa sala, como se verifica na figura n.º 11 e
Estagiária: Então e quais são as regras desta sala?
Sofia: Pôr o dedo [no ar] para falar. Pedir para ir à casa de banho. Não dizer palavrões. Não bater.
Rita: As regras são as mesmas.
Professora: Então e o que se faz nesta sala?
Bernardo: Aprendemos a ler. Vamos ter que estudar. Aprendemos a escrever. E a fazer contas.
Estagiária: E podemos brincar quando quisermos? Rafaela: Sim.
Samuel: Não.
Tomás: Sim, se fizermos os trabalhos. Cristina: Só no recreio.
(Nota de campo, 30 de janeiro de 2017)
Durante o tempo em que permanecemos na sala foi necessário relembrar algumas vezes as regras da sala, bem como a postura correta que devem ter na sala. Para estas crianças tornou-se difícil estar tanto tempo sentadas, como se pode ver na figura n.º 12.
Esta dificuldade é referida por Silva (2004) num estudo de caso, onde entrevistou algumas professoras de 1.º CEB, que salientam que na EPE devem ser desenvolvidas determinadas regras de comportamento. Neste sentido uma das entrevistadas refere que “as competências que eu penso que eles deveriam adquirir no jardim-de-infância são aquelas regras básicas de estar numa sala, como estar sentados” (p.100).
Para finalizar a visita, questionamos as crianças se queriam vir para o 1.º CEB. Deste diálogo obtivemos apenas 5/26 respostas negativas, às quais tentamos perceber o porquê.
Figura 11 - Durante a visita à sala do 1.º CEB
Para clarificar procurámos conhecer as razões pelas quais as crianças não quererem ir para a escola do 1.º CEB, apresentamos a seguinte nota de campo com as respostas, sendo que uma não quis explicar.
Rui: Porque gosto da escola onde estou, não preciso mudar.
Mário: Não gosto tanto desta escola. Sílvia: Eles aqui não brincam.
Rita: Se tenho de vir para aqui para aprender a ler, não preciso, aprendo com a [educadora responsável pelo grupo].
(Nota de campo, 20 de janeiro de 2017)
Contudo, decidimos continuar o diálogo explicando ao grupo que já estava terminada a nossa visita e que íamos voltar para a nossa sala, tendo que deixar tudo arrumado, pois a sala era de outros meninos.
De seguida, já na sala de atividades, retomamos o diálogo, em grande grupo, questionando as crianças sobre a visita, sugerindo que apontassem algumas diferenças entre a sala do 1.º CEB e a nossa, diálogo que apresentamos em nota de campo.
Crianças: As regras são parecidas, e algumas são iguais. A nossa mesa não está igual, lá cada um tem a sua mesa. Tinha a área dos jogos.
Estagiária: E podíamos ir para lá sempre que nos apetecesse? Não.
Vamos para a área dos puzzles só quando acabamos os trabalhos. Não tem área das experiências;
Não tem nenhuma [área].
Mas eles trabalham os ímanes. E os ímanes são das experiências não? Estagiária: O que acham? O que podíamos fazer com os ímanes? Servem para pôr coisas no frigorífico.
É para colar.
Estagiária: Para colar? Para agarrar algumas coisas. Estagiária: Que coisas? Nas mesas.
Estagiária: Vai buscar um dos nossos ímanes, e experimenta (mesa de madeira). Não cola.
Pois não, tem de ser nas patas, que são de metal.
(Nota de campo, 30 de janeiro de 2017)
Este diálogo prosseguiu com as crianças a enumerar os materiais que seriam ou não atraídos pelos ímanes. Deste modo, orientamos a nossa ação educativa para a exploração da atração dos ímanes. Em pequeno grupo, disponibilizámos diversos materiais, para que as
ímanes. Assim, sugerimos às crianças para preverem quais os materiais que seriam atraídos pelos ímanes. Durante a previsão surgiram algumas afirmações: a caneca vai colar, porque é de metal; a madeira não atrai; a caneta também cola, tem cor de metal. De seguida, as crianças começaram a dividir os materiais, agrupando-os, pelos que seriam ou não atraídos pelos ímanes. Para facilitar esta separação disponibilizámos uma folha verde para os materiais que seriam atraídos e uma folha vermelha para os que não seriam atraídos. Após a previsão distribuímos ímanes pelas crianças de modo a comprovar as suas previsões, criando novos conjuntos. Ao longo desta experiência surgiu a necessidade de criar um novo conjunto, pois como disse uma das crianças este [objecto] deste lado cola ao íman e deste não. Como existiam mais materiais com esta característica criámos o terceiro conjunto, representado por uma folha branca. Para finalizar e, como se verifica na figura n.º 13, o grupo de trabalho apresentou às restantes crianças a tarefa realizada com ímanes, justificando a necessidade de criar três conjuntos e o porquê de alguns objetos serem ou não atraídos, referindo que a propriedade dos materiais tem influência no facto de os objetos atraírem o íman ou não.
Sintetizando, nesta EEA foi possível articular os diferentes conteúdos e as várias áreas do saber. Neste sentido, consideramos que para explorar o domínio da linguagem oral e abordagem à escrita são essenciais os vários momentos de diálogo e explicação dos trabalhos realizados, pois é “necessário que o contexto de educação pré-escolar forneça ocasiões que motivem o diálogo e a partilha entre as crianças, a partir das vivências comuns” (Silva, et al., 2016, p.62). Relativamente à visita da sala do 1.º CEB, importa salientar que o nosso objetivo foi apresentar uma sala de 1.º CEB às crianças, procurando dar-lhes uma oportunidade de construíram uma imagem real sobre a mesma. No entanto consideramos que esta atividade foi apenas um pequeno contributo para facilitar um processo gradual e adaptativo como é a transição, atingindo o objetivo que as crianças conhecessem o espaço para o qual iriam
Figura 13 - Apresentação dos materiais que são ou
transitar, tendo em conta que algumas destas crianças ouvem os familiares a falar sobre o tema.
4.3. Experiências de Ensino-Aprendizagem desenvolvidas no âmbito do 1º Ciclo do