3.5 Ytre faktorer
3.5.1 Spørsmålstyper
A competição imperfeita é uma característica chave nos modelos da nova macroeconomia aberta pois ela permite a análise explícita das decisões de preço das firmas. Um dos
problemas que as firmas encaram no comércio internacional é a decisão sobre a moeda na qual elas denominarão suas exportações. Os exportadores podem estabelecer seus preços tanto em sua própria moeda, hipótese tradicional e conhecida como producer currency pricing, quanto na moeda do comprador, hipótese conhecida como local currency pricing. No primeiro caso, os preços das exportações na moeda do mercado de destino variam proporcionalmente com as variações cambiais. Já no segundo caso, variações inesperadas na taxa de câmbio não afetam os preços das exportações no mercado comprador. Estes resultados são fundamentais para a determinação do regime cambial ótimo para um país, pois eles afetam a reação dos preços relativos entre bens domésticos e estrangeiros aos movimentos da taxa de câmbio.
No nível microeconômico, a rigidez dos preços pode ser racionalizada pela existência de
custos de menu. Neste caso, as firmas não ajustam seus preços sempre que a taxa de câmbio
varia. A associação entre as hipóteses de LCP e rigidez de preços é uma forma alternativa ao
PTM para se gerar desvios de curto prazo da lei do preço único e uma alta correlação entre as
taxas de câmbio nominal e real. Assim, os preços seriam menos voláteis do que a taxa de câmbio4. Além disto, o markup do preço sobre o custo marginal flutua endogenamente em resposta aos movimentos da taxa de câmbio5.
Com preços predeterminados, a escolha da moeda entre LCP e PCP afeta o passthrough da taxa de câmbio no curto prazo, que por sua vez determina quão significativo serão os efeitos de um choque cambial sobre as exportações e as importações dos países. Com a tradicional hipótese de PCP, o passthrough no curto prazo é completo, e afeta as exportações e as importações. Já com LCP, o passthrough é nulo, e não há efeito de curto prazo sobre as exportações ou importações.
Bachetta e van Wincoop (2005) desenvolvem dois modelos, um em equilíbrio parcial e outro em equilíbrio geral, e mostram que as firmas não são neutras na escolha entre LCP e PCP. A escolha ótima da firma dependerá do grau de incerteza sobre seus lucros em cada uma das estratégias de apreçamento. Dois fatos são cruciais na escolha: (i) a parcela de mercado do país exportador no mercado de destino; e (ii) o grau de substitubilidade entre os produtos da firma exportadora e produtos de concorrentes estrangeiros. Quanto maior é a participação de
4 Ver Baxter e Stockman (1989) e Flood e Rose (1995) para algumas evidências empíricas.
mercado do país exportador em uma indústria estrangeira e quanto mais diferenciados são os produtos, maior é a probabilidade de que os preços sejam formados com base na moeda do produtor (PCP). No caso oposto, a competição internacional é mais intensa quando a participação de mercado do país exportador é menor, e seus produtos têm um alto grau de substitubilidade em relação aos produtos de competidores externos. Neste caso, é mais provável que a firma exportadora calcule seus preços com base na moeda de seus competidores (LCP).
Betts e Devereux (2000) mostram que as presenças de PTM e de LCP são importantes na determinação da taxa de câmbio e das flutuações macroeconômicas internacionais. A hipótese de PTM limita o passthrough das variações da taxa de câmbio para os preços, e reduz o deslocamento de gastos entre países, provocado pelo choque monetário. Isto gera uma variabilidade muito maior da taxa de câmbio do que no caso em que não há PTM. Quando associada à rigidez de preços, PTM intensifica a resposta da taxa de câmbio a choques macroeconômicos. Além disso, uma vez que PTM gera desvios da paridade do poder de compra, ela tende a reduzir os co-movimentos entre os consumos dos países, enquanto aumenta os co-movimentos dos produtos. Finalmente, a presença de PTM tem importantes implicações de bem-estar na transmissão internacional dos choques de política monetária. Apesar de os modelos normalmente assumirem que os produtores vendem diretamente aos consumidores os bens comercializados internacionalmente, na prática muito deste comércio é feito através de agentes intermediários, que importam os bens para depois os venderem no mercado doméstico de seus países.
Um tipo de agente que pode assumir papel importante na determinação do grau de
passthrough da taxa de câmbio, alterando a dinâmica das variáveis macroeconômicas, é o
importador de mercadorias. Obstfeld e Rogoff (2000) argumentam que a aparente rigidez em moeda local dos preços das importações para os consumidores pode ser o resultado da prática de preços de importadores domésticos e distribuidores. Estes agentes compram os produtos importados pagando preços em moeda internacional e os vendem no varejo doméstico cobrando em moeda doméstica. Como para o importador o preço do produto importado é rígido na moeda estrangeira, se há uma variação na taxa de câmbio nominal, ele deverá decidir se a repassa integralmente para os preços domésticos ou não. Os efeitos
especial, os efeitos da taxa de câmbio sobre as importações podem ser reduzidos por meio de sua absorção no markup do setor importador. Se todo o ajuste for feito sobre os preços, os resultados macroeconômicos corresponderão àqueles observados sob a hipótese de PCP. Já se todo o ajuste for feito sobre o markup do importador, os resultados corresponderão àqueles sob a hipótese de LCP.
Toda a discussão em torno dos modelos da NMA tem como objetivo adequar o modelo ao estudo de políticas macroeconômicas alternativas. Pelo fato de que modelos microfundamentados fornecerem uma métrica para o bem-estar, é possível fazer a escolha entre os regimes possíveis. Dentre as políticas analisadas está o regime cambial ótimo para um país. Devereux e Engel (1998) analisam o bem-estar alcançado nos regimes de câmbio fixo e flutuante, utilizando um modelo com incerteza na política monetária. Neste ambiente, o regime cambial ótimo pode depender da forma em que os produtores calculam seus preços de exportação, se por PCP ou LCP. Quando os preços são calculados na moeda do comprador, a variância do consumo doméstico não é influenciada pelos choques monetários no exterior sob um regime de câmbio flutuante. Já quando os preços são calculados na moeda do produtor, ou quando o regime cambial é de taxa de câmbio fixa, há a transmissão dos choques monetários externos. Neste modelo, o prêmio de risco cambial também altera o nível de equilíbrio da taxa de câmbio6.
Outros assuntos têm sido pesquisados literatura da NMA levando-se em consideração a forma de calcular os preços das exportações. Um deles avalia os efeitos da incerteza sobre a economia. O ponto comum destes modelos é que o prêmio de risco é um importante determinante do nível da taxa de câmbio. Modelos com esta propriedade podem explicar as falhas dos modelos monetários tradicionais na determinação da taxa de câmbio, em termos de uma variável omitida na equação, a saber, o prêmio de risco cambial. Estes modelos também têm importantes implicações para o comportamento do forward premium e do forward
discount bias.
Engel (1999) resume em quatro pontos as evidências acerca do prêmio de risco cambial em modelos estocásticos de equilíbrio geral dinâmico que usam PTM e LCP. Primeiro, o prêmio
6 Bacchetta e van Wincoop (1998) também analisam incerteza monetária sob PTM, mas eles usam um modelo de dois períodos, que os permite averiguar o caso em que consumo e lazer não podem ser separados nas preferências.
de risco surge endogenamente nestes modelos. Segundo, a distribuição dos choques agregados de oferta não afeta o prêmio de risco cambial. Terceiro, quando a lei do preço único não vale, não há prêmio de risco, já que os produtores formam seus preços usando LCP. E quarto, os modelos não necessariamente implicam em grandes prêmios de risco.