3: METODE
3.1 Spørsmålene som grunnlag for metodevalg
Muitos consideravam, já na década de 1970, a tecnologia baseada no uso direto da radiação solar como sendo viável. Georgescu, ao contrário, chegou à conclusão de que tal tecnologia não era viável, pois qualquer receita de uso direto da energia solar seria parasita da tecnologia corrente, baseada principalmente em recursos fósseis.
A definição de uma tecnologia viável foi formulada para se opor ao que ele chamava de “dogma energético”. Este se referia às avaliações tecnológicas baseadas somente em
análises do fluxo de energia, não considerando os materiais necessários no processo de extração de energia.
Assim, criticou a escola de análise energética representada por Cotrell (1955), Odum (1971), Slesser, (1978) e Constanza (1980) por assumirem que a reciclagem perfeita dos materiais é possível se houver energia suficiente disponível. Para Georgescu (1979a), esse “dogma energético” leva a conclusão errônea que a energia é o único recurso limitante. Se por um lado, ele corretamente chamou atenção para a importância e singularidade dos materiais na economia, por outro lado acabou formulando uma nova Lei da Termodinâmica com status científico duvidoso para tentar se contrapor escola energética. Sua “4ª Lei” seria considerada equivocada e desnecessária, como será mostrado adiante.
A escola de análise energética tem como importante figura o ecólogo americano Howard Odum, que publicou um livro importante chamando a atenção para a importância da energia no sistema econômico. Environment, power and society (1971) tenta mostrar como a energia circula entre os setores da economia no sentido contrário ao dinheiro.
A escola de H.Odum considera o excedente energético como único critério de eficiência: quanto maior o excedente obtido por um processo, mais eficiente é tal processo. Se se utiliza uma tonelada de petróleo para extrair dez toneladas de petróleo, o excedente é de nove toneladas de petróleo. A computação do excedente é baseada não apenas na energia utilizada diretamente no processo de extração, mas também na quantidade de energia necessária para produzir ou consertar todos os componentes materiais do processo. Contudo, para Georgescu, o excedente energético, por si só, não pode constituir um princípio geral de avaliação tecnológica. Existem processos que
apesar de deficitários energeticamente, provêem um superávit de materiais. É o caso da mineração. Outros processos geram superávit energético, mas dissipam materiais. Qualquer principio de avaliação tecnológica deve levar em conta ambos os fluxos de materiais e de energia (1979a)
Sua crítica ao modelo energético é de que não se considera a saída de matéria do processo econômico. Sabe-se que todos os processos produzem dissipação de energia (indisponível), que retorna ao ambiente em forma de calor. Mas eles não consideraram que o processo econômico também dissipa materiais. Consideram, ao contrário, que o processo econômico recicla toda a matéria, como um ecossistema. Por isso, também não haveria necessidade de entrada de matéria do ambiente para o processo econômico.
Qualquer que seja a fonte de energia usada, não se pode ignorar a depleção dos depósitos terrestres de materiais disponíveis causada por qualquer processo produtivo. Considerando o planeta como um sistema fechado em que não entra matéria (apenas energia), no longuíssimo prazo, devido à dissipação material e ao declínio da qualidade no uso dos recursos naturais, alguns elementos materiais se tornarão mais críticos que energia para um sistema industrial do tipo atual, para Georgescu (1979a).
Sua visão do processo também o levou a criticar a afirmação de Kenneth Boulding (1966) de que não há lei que diga que a entropia da matéria aumenta, e que seria possível com a energia do sol reciclar todos os materiais utilizados pela economia. Assim, não haveria necessidade de entrada de materiais no processo econômico, pois este seria circular nesse aspecto. De fato, existem ciclos de reciclagem material no planeta Terra. Contudo, os materiais utilizados no processo industrial são compostos heterogêneos e concentrados.
Boulding havia proposto uma “economia do astronauta” em contraposição à “economia do cowboy”. A “economia do cowboy” é o que prevaleceu ao longo da história. Está relacionada à exploração de novos recursos, e a uma visão de expansão das fronteiras que delimitam os domínios do homem. Nessa visão o crescimento do bem estar humano está associado ao crescimento do consumo material. Muito recentemente a humanidade entendeu que se encontra num mundo esférico fechado e não num plano ilimitado. Se o mundo é um sistema fechado para materiais, mas aberto para entradas e saídas de energia, ele é como uma “nave espacial”. Para Boulding, a implicação disso é que a economia deve passar a ser vista como um sistema circular auto-renovável em termos materiais. Daí a expressão “economia do astronauta”, que deve ser o modus operandis do processo econômico: um sistema cíclico capaz de contínua auto-reprodução material, sendo necessária apenas uma entrada liquida de energia suficiente.
Georgescu criticou essa visão de economia circular, como se fosse possível que o processo econômico funcionasse sem entrada de materiais. Enfatiza que a reciclagem da matéria nunca poderá ser 100%, pois ela também está sujeita a transformações irreversíveis. Como, para Boulding, a reciclagem pode ser completa, o sistema econômico poderia operar como se todos os recursos fossem renováveis.
Para reforçar sua oposição ao tipo de pensamento acima exposto, Georgescu acabou propondo uma 4ª Lei da Termodinâmica relacionada à dissipação da matéria. Para ele, um sistema fechado, em que só entra energia a uma taxa constante, não pode realizar trabalho a uma taxa constante indefinidamente. Alternativamente, significa que não é possível reciclar 100%. Propôs tal lei de maneira específica em 1977 no artigo “Matter, matters too” (A matéria também importa).
Na época, não foi respondido. Em 1986, Bianciardi et al. relativizaram esta lei de Georgescu dizendo que, em termos teóricos, a reciclagem total é possível sim. Por isso, sua 4ª lei não teria status de lei científica.
In our opinion, G.R.’s statement is very important from the standpoint of analysis of physical processes, or even ethics, but it is false in the field of physical laws where the author intended it to stand (BIANCIARDI et al., 1986).
Os mesmos autores consideram que a reversão da degradação material é possível se houver uma entrada líquida de energia suficientemente grande no sistema, pois o custo energético desta reversão é crescente. Isto quer dizer que em termos concretos a reciclagem de 100% é inviável, mesmo que seja possível em termos teóricos.
A introdução da 4ª lei teria sido desnecessária. Para recuperar materiais desperdiçados, é necessária uma forma ordenada de energia que diminua a entropia de dentro do sistema, aumentando, contudo a entropia do ambiente. Se a reciclagem perfeita é fisicamente possível havendo quantidade suficiente de energia disponível, o problema é que tal gasto de energia envolveria aumento tremendo de entropia do ambiente, o que não seria sustentável para a Biosfera (BIANCIARDI et al, 1993).
Para Robert Ayres (1997), a reciclagem dos materiais não envolveria qualquer aumento de entropia na biosfera, se realizada apenas com a energia direta do sol. Concorda que os materiais não podem ser reciclados com 100% de eficiência, e que, portanto, sempre há perdas. Contudo, para ele a conclusão de Georgescu de que “o sistema econômico
está fadado a decrescer na medida em que materiais de baixa entropia forem dissipados e se tornarem indisponíveis” é falsa.
Para Ayres, o que deriva da proposição de imperfeição da reciclagem é que: 1) mesmo os processos de reciclagem mais eficientes gerarão resíduos; 2) esses resíduos acumulam no tempo em alguma “lixeira” que pode ser a crosta terrestre, os oceanos; 3) na ausência de recuperação, os materiais úteis diminuiriam em cada período em termos da quantidade perdida para a lixeira. Contudo, dada a disponibilidade de energia advinda do sol, não há barreira para se tratar a “lixeira”; 4) a recuperação nunca será de 100%, portanto sempre haverá resíduos do próprio processo de recuperação. Esses resíduos simplesmente voltam para a lixeira; 5) assim, a implicação correta é de que nem todos os materiais da Terra podem estar em serviço ativo em um dado momento, porque a “lixeira” nunca pode ser eliminada de uma só vez. Georgescu debateu veementemente com físicos que energia não é suficiente, porque materiais de qualidade também se dissipam e se tornam crescentemente indisponíveis. Para enfatizar esse ponto explicitamente propôs uma 4ª lei da Termodinâmica. Ayres rebate dizendo que sua lei está longe de ser uma lei geral.
Se o status dessa lei é tido como incerto, e, para alguns, falso, as investigações de sua validade também são problemáticas. Todavia, para todo efeito prático, sua observação sobre a dissipação da matéria é ecologicamente relevante mesmo que a 4ª lei seja falsa. Com a tecnologia atual a reciclagem de materiais está muito longe de ser completa. Materiais valiosos estão constantemente sendo dissipados em formas que não podem ser reutilizadas. Além disso, para reciclar toda a matéria num sistema fechado, seria necessário não apenas energia quase infinita, mas também tempo infinito (BEARD & LOZADA, 1999; NOBRE & AMAZONAS, 2002).