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spørsmål i verdenshandelen. En sosialklausul innbefatter bare

In document Arne Wiig (sider 32-35)

A disposição íntima para a espectralização da existência e a dócil realização das atividades concernentes à transposição sígnica – registro, seleção, tratamento e composição das informações no arranjamento dinâmico que se caracterizará como identidade-perfil ou perfil- sujeito, obra sempre em processo – podem ser consideradas uma tendência irreversível e crescente de glocalização da experiência subjetiva. Na medida em que as tecnologias de acesso às redes, sobretudo móveis e portáteis, popularizam-se, o glocal se espraia pelo tempo de vida e pelos espaços de convivência. Ser cibermediático e ascender ao status de sujeito hiperespetacular exige ―dromoaptidão‖ específica, propriamente cibercultural, com o necessário desenvolvimento de competências cognitivas, pragmáticas e econômicas que garantam as operações de projeção, comunicação, relacionamento, deslocamento, permanência, acesso, de acordo com os ditames do tempo real (TRIVINHO, 2007a, p. 72). Trata-se não apenas de portar os equipamentos, possuir as senhas de conexão e saber lidar com as linguagens de acesso às plataformas em rede, mas também de acompanhar a lógica de mercado que rege, sob pena de exclusão e estigmatização social, contínua reciclagem – morte simbólica com reverberações muito significativas no contexto concreto da existência, haja vista que o crescente processo de virtualização do mundo só faz alargar a dependência das tecnologias ciberculturais. Ser dromoapto, portanto, é aderir, ainda que involuntária ou inconscientemente, à invisível violência perpetrada pelo regime de velocidade que instaura o modelo de vida dromocrático. É preciso ser dromoapto para não soçobrar às sucessivas ondas de renovação de hardwares, softwares, linguagens, modos de conexão e de disponibilidade interativa. A atuação no glocal cibercultural assim o exige.

[...] aos privilegiados dromoaptos, a rede, o real virtualizado, o ultranovo; aos novos miseráveis, o território geográfico, o real convencional, o desterro num cenário tão antigo e démodé quanto a história da humanidade. Na cibercultura, a regra – ao contrário do que comumente se pensa – não é a inclusão, mas a exclusão. (Ibid., p. 109).

A partir dessas considerações, é possível entender o senso de oportunidade da Tim: quatro meses após o lançamento da música ―Eu não tenho iPhone‖7, dedicada a ―todos os

excluídos do mundo Mac‖, os Seminovos foram convidados a gravar uma nova versão, ―Agora eu tenho iPhone (da TIM)‖ (figura 41). No vídeo, os novos usuários de iPhone 3GS, agradecidos

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O vídeo está disponível em http://www.Youtube.com/watch?v=iroerRXfWfk. (02 fev. 2011). Acesso em: 04 abr. 2013.

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ao plano promocional da teleoperadora, pulam felizes diante da câmera, beijando o dispositivo tecnológico recém-conquistado e cantando: ―Mesmo com o que eu ganho / Na Tim eu me dei bem / Olha aqui o meu neném‖.

Figura 41. Cena do videoclipe "Agora eu tenho iPhone" (da TIM). Banda Seminovos (2 jun. 2011).

Pode-se dizer que a dromoaptidão requerida pelo processo de espectralização da existência, ou pela manutenção do estado always on, implica promiscuidade corpo/máquina/mente/rede sem precedentes. E não se trata apenas de pensar a tecnologia como edulcorada extensão de algumas faculdades humanas, da qual pode apartar-se com facilidade, mas como vitalidade, coração pulsante que irriga toda condição de ser/estar glocal. De certo modo, o contexto induz à tecnodependência, normalizando-a, e as conseqüências de tal simbiose, embora aventadas pelo imaginário pós-humano, ainda estão longe de serem devidamente alcançadas.

Ao simbolizar a indexação do campo próprio pelas tecnologias do tempo real, o glocal leva a efeito, de maneira severamente ‗afável‘, o agenciamento não só do corpo e do psiquismo, mas também da existência como um todo. É através da condição glocal que doravante se desenrola, estrutural e prioritariamente, a mistura homogênea reificada entre ser, técnica e o social. (TRIVINHO, 2007a, p. 362).

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Cumpre frisar que se trata de crescente círculo vicioso: quanto mais dromoaptos tornam-se os sujeitos, maior o alcance da glocalização; quanto mais o glocal penetra as dobras da existência, mais dromoaptos precisam ser os sujeitos. E, na medida em que as diferenças entre existir e tele-existir tornam-se indistintas, palavras como ―imersão‖ ou ―acesso‖ perdem o sentido; o território informacional digital oriundo do acoplamento entre espaço urbano e espaço de fluxos (LEMOS, 2009) corresponde à homogênea realidade em que tudo e todos, o tempo todo, são e podem ser indexados. Neste horizonte extremo, referências dicotômicas como partida e chegada, interior e exterior, online e off-line, utilizadas para pensar ou traduzir as experiências telepresenciais mais ou menos imersivas, interativas ou não, não sobreviverão. Ser always on requer manutenção constante da veloz alternância entre a dimensão dos lugares e das redes ciberespaciais, de forma que ambas comparecem sempre cofusas. É ser/estar glocal o tempo todo. Nesse sentido, ser cibermediático implica permanecer em estado de hiperconexão para responder com agilidade às demandas em rede, mover-se no ―território informacional digital‖ (LEMOS, 2009) e dar satisfação constante de sua atual localização. Assediado incessantemente por questões orientadoras, o sujeito cibermediático atua no gerúndio e publiciza o que está ―pensando‖, ―sentindo‖, ―fazendo‖. A dromoaptidão é competência fundamental à atividade de existir em tempo real; mas, devido ao potencial de visibilidade mediática que facultam, as redes sociais digitais fazem surgir um tipo específico de sujeito: o sujeito hiperespetacular, correlato à subjetividade pós-moderna e narcisista, desdobrada para além dos contornos do corpo graças às tecnologias de conexão e interatividade, arredia às concepções de interioridade, intimidade, privacidade, profundidade, identidade, sinceridade ou autenticidade, ao menos como compreendidas na sociedade moderna e disciplinar. Este sujeito, efeito de presença na tele-existência das plataformas ciberespaciais, produto dinâmico das manifestações subjetivas que excessivamente frisam e projetam um eu, é aparição sempre provisória e negociada, espectro fabuloso que aponta um alguém, dourando-o de visibilidade, ao passo em que dele escapa, pois os processos de espectralização da existência e de transposição sígnica tendem a torná-lo, sempre, mais real que o real. Nesse sentido, é performático, hiper-real e hiperespetacular: no horizonte inatingível das telas, no palco provisório das redes, o sujeito raia intermitente, existe enquanto visível, e a disputa por visibilidade implica que assuma, always on, o papel de protagonista no eterno presente do tempo real que habita. Para tanto, precisa ser imagem, adentrar o fluxo de imagens e viver para as imagens. Deve ―apareSer‖.

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