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A existência de uma congregação em Balsamão está documentada desde 1731, neste ano a 19 de Julho, o Irmão António de São José compra, para a sua congregação, a Pedro de Mesquita e Sá e sua mulher uma propriedade sita na quinta das Olgas. Pela leitura da escritura de venda 1 depreende-se que

a congregação já existia abrigada junto à ermida de Nossa Senhora de Balsamão e estava organizada hierarquicamente pertencendo as funções de presidente ao referido Irmão António de São José. Da observância seguida por estes congregados dá-nos informação, também, o mesmo documento ao designá-los por «hirimitas barbadinhos». Barbadinhos era a designação pela qual eram conhecidos popularmente os Capuchinhos em Lisboa, devido ao uso da barba 2

. Portanto daqui pode concluir-se que numa primeira fase a congregação de Balsamão seguiu a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos.

A existência desta congregação em Balsamão correspondia aos desejos da Câmara de Chacim que por um lado, assegurava a manutenção do templo e uma recepção condigna aos romeiros especialmente nos dias da festa e novenas; por outro, a existência de um convento no seu termo enobrecia e dava mais importância à vila. Nesse sentido a 2 de Março de 1732, de acordo com a nobreza e os homens da governança, faz escritura de doação da ermida de N. S. de Balsamão e respectivo monte onde se situa «para que posaõ viver a dita congergaçaõ dos ditos seis Irmitas leigos e hum sacerdote» 3. Eram eles

o Irmão António de São José presidente e fundador da congregação, o Irmão Francisco de Santa Ana, o Irmão Pedro das Chagas, o Irmão Lázaro da Madre de Deos, o Irmão Manuel de Jesus Maria, o Irmão Leonardo de Santo António, e o Padre António de Santa Teresa, sacerdote do hábito de São Pedro, capelão da congregação; todos eles professos na Ordem Terceira de São

1

IANTT., Arquivo Histórico do Ministério das Finanças – Convento de Balsamão, Cx. 2206.

2 FELICÍSSIMO, Albino – «Capuchinhos», In AZEVEDO, Carlos Moreira, dir. – Dicionário de História Religiosa de Portugal. Rio de Mouro: Círculo de Leitores, 2000, Vol. I, p. 290.

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Francisco sujeitos ao Guardião do Convento de São Francisco de Bragança e subordinados à jurisdição do Bispo de Miranda do Douro.

O fundador António de São José, cujo nome secular era António Pires Forças, natural de Outeiro, concelho de Bragança, filho de António Pires Forças e D. Maria Lopes, frequentou o 4º ano de Cânones na Universidade de Coimbra. Desejoso de abraçar a vida eremítica hospedou-se, em Chacim, na Casa do Mestre de Campo João de Sá Mesquita, o qual com sua mulher D. Paula o persuadiram e instaram para que escolhesse e aceitasse o deserto de Balsamão, local apropriado para o seu intento 1

. Graças ao dinheiro herdado de seu pai, que faleceu no Brasil como capitão-mor de Vitória, no estado do Espírito Santo, pôde iniciar as obras de adaptação do eremitério e adquirir algumas propriedades para seu sustento 2.

Em 10 de Fevereiro de 1733, D. João V autoriza os congregados a instalar- se em Balsamão e confirma à Câmara de Chacim o direito de Padroado 3.

As obras no eremitério continuaram graças às esmolas dos fiéis e a algumas doações patrimoniais: a 16 de Dezembro de 1734, Marcos Luís, viúvo, de Castelãos, devido ao desejo que tinha de se retirar para Balsamão, doa à congregação alguns dos seus bens 4; em 19 de Novembro de 1735, Manuel

Fernandes e sua mulher Maria Gonçalves, de Limãos, doam ao seu irmão e cunhado Lázaro da Madre de Deus, eremita em Balsamão, umas oliveiras sitas nas Olgas 5

.

Terminadas estas é inaugurado oficialmente o convento a 12 de Abril de 1740, procedendo à bênção solene o abade de Vinhas, Roque de Sousa Pimentel, em representação do bispo. Os estatutos para a casa foram feitos pelos Missionários de Varatojo. À época residiam no convento 5 sacerdotes e 12 leigos 6

.

Em meados do séc. XVIII, a congregação parece gozar de uma relativa prosperidade material, que lhe permitia conceder créditos. Assim aconteceu em

1

VARGAS, António Júlio de Sá – Memoria Acerca de Balsamão. Bragança: Typographia de Bragança, 1854, p. 80-81.

2

VARGAS, António Júlio de Sá – ob. cit, p. 88.

3

IANTT., Arquivo Histórico do Ministério das Finanças – Convento de Balsamão, Cx. 2206.

4 IANTT, Arquivo Histórico do Ministério das Finanças, Convento de Balsemão, Cx. 2206. 5

IANTT, Arquivo Histórico do Ministério das Finanças, Convento de Balsemão, Cx. 2206.

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14 de Novembro de 1751 com o empréstimo de 144 mil réis ao capitão-mor de Torre de Dona Chama, Francisco Xavier de Sá Loureiro 1

.

Em 1753 chega a Portugal Frei Casimiro de S. José Wyszynski, da Congregação polaca dos Marianos da Imaculada Conceição, com a incumbência de fundar, em Portugal, uma casa da sua Ordem.

O bispo de Miranda, D. Frei João da Cruz, informado das intenções de Frei Casimiro, permitiu aos congregados de Balsamão a sua incorporação na Ordem da Conceição, em 1 de Outubro de 1754 2

, tornando-se a primeira casa desta ordem em Portugal e reconhecendo o polaco como seu superior após a morte do P. Frei Jerónimo da Trindade a 26 de Setembro de 1754 3.

Sobre este convento dizem as memórias:«Them mais a Ermida e Santuario de Nossa Senhora de Balsamaõ millagrosa, distante da mesma villa meya legoa, no ermo, para o nascente, aonde se achaõ huns Congregados Sacerdotes, e Leigos, Com o abitto da Sempre immacullada Conceiçaõ, [...] e os ditos Congregados que existem havera trinta annos, por que antes asestia Somente huma Ermida, estaõ Sogeitos ao Reverendo Abbade desta villa e ao excellentissimo e Reverendissimo Bispo deste Bispado de Miranda e na Sua falta ao Illustrissimo Cabido, e a esta Igreja vem cumprir cada anno com o preceito da confissaõ e comunhaõ» 1.

4.9. TRINITÁRIOS DESCALÇOS DE MIRANDA DO DOURO E