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O culto à Virgem pela sua representatividade merece atenção particular. A história do culto a Maria tem as suas raízes na Sagrada Escritura e o seu início logo nos primeiros tempos da Igreja. Com a proclamação da Maternidade divina de Maria no Concílio de Éfeso, em 431, o culto desenvolve-se extraordinariamente assinalado por uma cada vez maior penetração no mistério cristológico. Nesse ambiente surge a primeira festa litúrgica mariana, a da Sua maternidade virginal, documentada no Oriente já no séc. V, em Roma, nas Gálias no séc. VI e na Espanha Visigótica no séc. VII. Esta festa vai-se desdobrando em muitas outras (todas iniciadas no Oriente): Anunciação (séc. VI), Natividade (séc. VI), Dormição (séc. VI), Apresentação (séc. VII), Imaculada Conceição (sécs. VII-VIII).

Em Portugal o culto a Maria remonta à Idade Média. Existente antes da formação da nacionalidade, o culto desenvolve-se extraordinariamente durante a Reconquista, sob o impulso de Santa Maria de Covadonga, vencedora de Cangas de Onis. A influência dos cavaleiros de além-Pirinéus e das ordens de inspiração beneditina foi decisiva nessa divulgação. As terras reconquistadas vêem nascer igrejas e capelas votivas à Senhora e muitas dessas povoações recebem mesmo uma designação evocativa à Virgem.

Nas inquirições de D. Afonso III (1258) em 98 paróquias identificadas no território que constituía a diocese de Miranda 28 tinham como patrono Santa Maria.

Com a vitória de Aljubarrota, vista como um autêntico milagre que se ficou a dever à intercessão de N. S. da Assunção cuja festa se celebrava a 15 de Agosto, o culto teve um novo incremento.

A devoção régia contribuiu igualmente para a difusão deste culto: é o próprio rei D. Manuel que em 23 de Maio de 1516 determina que se faça uma procissão anual a 2 de Julho em honra de Nossa Senhora (Visitação) e reflexo da acção de D. João IV a proclamação de N. S. da Conceição como padroeira de Portugal em 25 de Março de 1646.

Nos séculos XVII/XVIII, na Europa, o movimento marial parece entrar em letargia para renascer nos finais do séc. XIX. Todavia, em Portugal não é notória essa estagnação a que não será alheio a força do movimento mariológico nascido na Contra-Reforma, fruto da vontade de reparar a injúria feita pelos reformadores a Nossa Senhora, que no nosso país ainda se fazia sentir com vigor.

A par com este culto oficial, o culto a Maria assume, na nossa terra, um cariz vincadamente popular, assente em lendas e «justificado por aparições, mas não se trata das mesmas visões em que crê a igreja católica: enquanto para esta, Maria aparece sob a forma de uma pessoa, as Senhoras populares que aparecem são as próprias estátuas que veneram nos altares – depois de terem sido soterradas em grutas, elas voltaram à superfície, resplandecentes» 1.

As narrativas das aparições comportam quase sempre os mesmos elementos: uma imagem enterrada para a proteger dos mouros, aparecem a uma pastora, os lugares da aparição são sempre lugares ermos e campestres, normalmente em serras e nas grutas, nos penedos ou no interior oco de troncos de árvores. A Senhora pede simplesmente que seja construída uma capela em sua intenção, sem nenhuma contrapartida. Se os habitantes do lugar se recusam a erigir esse templo, a Senhora força-os por meio de prodígios, ou ainda, quando o povo desvia a imagem para lugar mais nobre, ela foge para onde apareceu e ali se lhe constrói o templo.

Vejamos algumas lendas de Senhoras Aparecidas veneradas na diocese de Miranda:

A imagem que se venera na ermida de Nossa Senhora das Flores, em Sezulfe, foi escondida num monte de pedras pelos cristãos que queriam protegê-la dos mouros. Quando os cristãos expulsaram os mouros, a Senhora descobriu-se na Primavera estando as silvas e as plantas silvestres revestidas de flores, daí o nome e os moradores das redondezas edificaram-lhe no lugar uma ermida. Outras Senhoras cujo culto se confina a uma local preciso

1

receberam nomes apropriados – do Areal, do Campo, do Carrasco, do Freixo, da Hera, da Oliveira, das Pereiras, do Prado, da Ribeira, do Sardão e da Veiga.

No Romeu a Senhora de Jerusalém apareceu a uma pastora que andava em busca de água, fez brotar uma fonte e comunicou-lhe que queria que lhe fundassem, no cimo do monte, uma casa onde fosse servida.

A imagem de Santa Maria de Bragança escondida pelos cristãos, quando os mouros aqui dominaram, manifestou-se em cima de um sardão, nome porque também é conhecida. Quiseram os moradores colocá-la num lugar com toda a veneração longe do local da aparição. Mas no dia seguinte a Senhora desapareceu e foram encontrá-la em cima do mesmo sardão. Aconteceu isto repetidas vezes até que se decidiu construir a igreja no local da aparição.

Em Vale Benfeito uma imagem apareceu a uma pastora no tronco de um freixo, pedindo-lhe a edificação de uma ermida, passando a venerar-se como Senhora do Freixo.

No alto da serra da Nogueira a Senhora apareceu a uma menina pedindo que lhe reparassem a ermida. A Senhora da Serra é irmã de seis outras Senhoras sob outras denominações: Luz (Constantim), Naso (Póvoa), Saúde (Vale de Janeiro), Assunção (Vilas Boas), Neves (Alfândega da Fé) e Castelo (Bemposta), que se vêem a toda a hora e se falam todas as manhãs:

No alto de siête cabeços. Moram lan siête Senhoras; Abencionam tó-las moças: Lhabradeiras i pastoras. Sus capilhas todas brancas. Cu las telhicas burmeilhas, Parecem rosas frolidas A bëijár i cìêlo i las streilhas. Söú siéte. I todas stan altas, Todas altas i armanas, A tó la hora se bëien I falam tó-las manhanas 1.

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MOURINHO, António – «Las Siête Armanas». Livro do Segundo Congresso Trasmontano. Lisboa: Casa de trás-os- Montes e Alto Douro, 1942, p. 497-501.

Estas relações de geminação desempenham uma função social importante, tendem a absorver os conflitos entre povoações. Quando uma imagem religiosa é «irmã» de outra, organizam-se procissões entre as povoações: a Senhora do Castelo, de Algoso, vai todas os anos visitar a Senhora da Natividade de Azinhoso. A Senhora do Naso recebe, na terceira oitava da Páscoa da Ressurreição, a visita de doze senhoras dos lugares de Ifanes, Constantim, Cicouro, S. Martinho de Angueira, Avelanoso, Angueira, Especiosa, Caçarelhos, Genísio, Vilar Seco, Malhadas e Póvoa. Também a Senhora da Assunção (Brunhozinho) na primeira oitava da Páscoa, a Senhora da Luz (Constantim) e a Senhora do Rosário (Silva) no dia 25 de Abril recebem a visita de outras Senhoras em procissão.

Ultrapassa as quatro centenas o número de imagens da Senhora que se veneram na diocese de Miranda do Douro em meados do séc. XVIII, segundo as informações do inquérito paroquial de 1758.

Como já referimos anteriormente, num total de 1858 ocorrências para 120 titulares, a Senhora é invocada 468 vezes. O seu culto dispersa-se por todo o território diocesano, apenas não está presente em 15 paróquias, nas quais se contam Miradeses e Múrias, para as quais, como já referimos, não existem memórias 1

.

A leitura do quadro nº 13 permite conhecer quais os títulos de invocação mais frequentes nas 330 paróquias da diocese de Miranda do Douro. O leque de Senhoras que eram veneradas nas freguesias diocesanas era bastante alargado correspondendo a um total de 62 invocações diferentes.

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São elas: Barreiros, Cedães, Edral, Fornos de Ledra, Fresulfe, Pinheiro Novo, Quadra, Salselas, Sampaio, São Cristóvão, São Pedro Velho, Sarzeda e Zeive.

Quadro nº 13 – Invocações da Virgem

Invocação Total Percent. Invocação Total Percent.

Rosário 231 49,35% Alegria 1 0,21% Conceição 55 11,75% Amparo 1 0,21% Assunção 51 10,89% Angústias 1 0,21% Senhora 36 7,69% Areal 1 0,21% Expectação 18 3,84% Balsamão 1 0,21% Encarnação 11 2,35% Barreiro 1 0,21%

Neves 10 2,13% Boa Morte 1 0,21%

Purificação 10 2,13% Cabeça 1 0,21% Prazeres 9 1,92% Campo 1 0,21% Remédios 6 1,28% Caridade 1 0,21% Anunciação 5 1,06% Carmo 1 0,21% Apresentação 4 0,85% Chãos 1 0,21% Castelo 4 0,85% Despacho 1 0,21% Natividade 4 0,85% Esperança 1 0,21%

Penha de França 4 0,85% Exortação 1 0,21%

Soledade 3 0,64% Flores 1 0,21%

Bom Sucesso 2 0,42% Freixo 1 0,21%

Carrasco 2 0,42% Graça 1 0,21% Consolação 2 0,42% Guia 1 0,21% Desterro 2 0,42% Hera 1 0,21% Loreto 2 0,42% Jerusalém 1 0,21% Mercês 2 0,42% Luz 1 0,21% Monte 2 0,42% Naso 1 0,21% Pé da Cruz 2 0,42% Oliveira 1 0,21% Piedade 2 0,42% Paz 1 0,21% Reis 2 0,42% Pereiras 1 0,21% Ribeira 2 0,42% Pereiro 1 0,21% Saúde 2 0,42% Prado 1 0,21% Socorro 2 0,42% Pranto 1 0,21% Veiga 2 0,42% Repouso 1 0,21% Visitação 2 0,42% Sardão 1 0,21% Total Geral 468 100%

Como facilmente se constata, a Senhora do Rosário era a invocação preferida. Das 468 ocorrências, 231 (49,35%) eram-lhe dedicadas. Seguiam-se a Senhora da Conceição com 55 (11,75%), a Assunção surge em terceiro lugar com 51 invocações (10,89%) seguida de Nossa Senhora com 36 (7,69%). Ainda com alguma representatividade aparecem a Senhora da Expectação com 18 (3,84%), a Senhora da Encarnação com 11 (2,35%), e as Senhoras das Neves e da Purificação com 10 (2,13%) cada uma. As restantes têm uma representatividade relativamente baixa.

A vitalidade deste culto reflecte-se igualmente no elevado número de confrarias da sua invocação.

Segundo a informação dos párocos, existiam 339 confrarias correspondentes a 221 paróquias e repartidas por 63 invocações. No seu conjunto as confrarias de devoção mariana representavam 26,54% (90) do número total das confrarias da diocese, reforçando a observação verificada nos cultos predominantes, que fazem da mãe de Cristo o alvo preferencial da devoção da população do séc. XVIII. Destas a Senhora do Rosário é a mais popular, 49 (14,49%). Seguindo-se a Assunção e a Conceição com 6 ocorrências cada (1,76%)

Mais adiante no capítulo sobre as confrarias analisaremos a questão com mais profundidade.

5.2. CAPELAS PARTICULARES

A revolução produzida pela Devotio Moderna no modus orandi conduziu, como afirma João Francisco Marques, «no quotidiano dos leigos, à definição e conquista de um comportamento intimista, pessoalizado, onde se confinava uma espiritualidade individualizada, muito da feição do devoto e em que este se refugiava e satisfazia»1

.

No âmbito dessa religiosidade pessoalizada a construção de oratórios e capelas particulares expandiu-se. No território diocesano em análise os párocos assinalam as capelas particulares das suas paróquias, a sua localização e, na maioria dos casos, os respectivos padroeiros. Inventariaram- se 128 capelas, a maioria delas 123 (96,1%) situavam-se dentro das povoações, destas 27 (21,09%) estavam adossadas à igreja matriz, 11 (8,59%) junto às casas de moradia dos administradores e as restantes 84 (65,62%) em local público, apenas 5 (3,9%) estavam situadas em local ermo fora dos povoados e ainda uma que estava adossada a outra capela.

Significativo é o número de capelas consagradas a Nossa Senhora 40 (30,46%) sublinhando mais uma vez a preponderância do seu culto em relação aos dos santos. Santo António com 19 capelas (14,84%) seguia-se na preferência dos devotos.

É claro que a maioria destas capelas não pode ser atribuída a essa religiosidade pessoalizada, muitas delas foram construídas para tumulação dos fundadores e famílias, nomeadamente as adossadas à matriz, outras para celebração de missas de sufrágio e outras intenções e demais actos religiosos. Algumas mesmo com vínculo de morgadio, que associadas à construção da casa e obtenção de carta de brasão, funcionavam como um mecanismo de ascensão social para as elites locais.

O quadro nº 14 apresenta o elenco das capelas particulares referidas nas Memórias Paroquiais:

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MARQUES, João Francisco – «Oração e devoções», In AZEVEDO, Carlos Moreira, dir. – História Religiosa de

Quadro nº 14 – Capelas Particulares

INVOCAÇÃO PARÓQUIA LOCALIZAÇÃO ADMINISTRADOR

Adoração dos Reis Parada de Outeiro Matriz Sebastião Machado de Figueiredo Almas Fermentãos

Almas Sacoias Pedro Mendes e herdeiros Almas Vale Salgueiro Isabel de Cepêda

Cristo Crucificado Chacim Matriz Descendentes do Chantre Domingos da Rocha Ferreira Espírito Santo Bagueixe Domingos Afonso e Paulo Gonçalves Nossa Senhora São João Baptista Casas de moradia Veigas

Nossa Senhora São João Baptista Casas de moradia Ferreiras

S. Amaro Argozelo António Fernandes

S. Amaro Parada de Outeiro Domingos Pires Pavão de Sousa S. Amaro Prada José de Morais, de Vinhais S. Amaro (Picadeiros) Vimioso João Baptista de Sampaio e Melo S. Ana Bemposta Matriz Manuel Calado de Morais S. Ana Cortiços Casas de moradia Pe Gaspar de Morais S. Antão Vale de Telhas Matriz Pe João de Araújo S. António Ala

S. António Bagueixe Pe Jácome, de Quintela S. António Fornos do Pinhal Francisca de Morais S. António Izeda Matriz

S. António Mascarenhas

S. António Mirandela D. Doroteia, viúva do capitão-mor Vasco de Morais

S. António Ousilhão José de Barros Pona S. António Pinela Matriz Pe Amador Rodrigues S. António Podence

S. António Rebordãos José Fernandes Saraiva S. António (Santa Cruz) Sanfins da

Castanheira Gaspar de Sá Pereira

S. António Santa Valha António José de Morais Castro S. António São Pedro Velho Maria Correia

S. António Sezulfe Matriz António Pinto Pereira do Lago

S. António Mofreita P

e

Caetano de Morais Ferreira de Castro

S. António Vilarinho de Agrochão António Teixeira de Castro e Sá S. António (Quinta de Vale das

Flores) Santa Maria Morgado dos Ferreiras S. António (Quinta das Carvas)

Santa Maria Morgado dos Rochas S. António (Toural) Santa Maria

S. Apolónia (Quinta de Santa

Apolónia) Santa Maria Morgado dos Soares S. Brás (Golfeiras) Mirandela

S. Caetano Arcas Francisco José de Almeida S. Caetano Gralhós Capitão Francisco Xavier S. Caetano (S. Caetano) Miranda José Caetano Feio de Azevedo S. Caetano Quirás Manuel do Amaral Sarmento S. Caetano Bornes Casas de moradia Francisco José de Frias Sarmento Santa Catarina Cedães Pe Manuel da Costa

Santa Comba (Golfeiras) Mirandela António Bernardo de Morais Sarmento

S. Cosme Mirandela Paulo Caetano Pinto Santo Cristo Pinela Matriz António Rodrigues

Santo Cristo Rebordãos Matriz João de Morais, de Lanção Santo Cristo Santa Valha Matriz Jerónimo de Morais Castro Santo Cristo das

Chagas Quintas Matriz Bento Pinto das Chagas S. Cristóvão Vinhas Matriz Manuel Telo

S. Cruz Serapicos Manuel Fernandes e outros herdeiros

S. Domingos Arcas Herdeiros de Domingos Teixeira de Andrade

S. Domingos Vila Chã da Braciosa

Santa Eufémia (Réfega) Miranda Francisco Machado de Carvalho S. Facundo Urrós Pe Francisco Xavier Supico S. Francisco S. Facundo Matriz António do Amaral Sarmento S. Francisco (Mosteiro) Sanfins da

Castanheira José de Morais Pereira S. Francisco Vinhas Vasco Anes Teixeira S. Gonçalo Vila Nova das Patas Casas de moradia Herdeiros de João Ferreira S. Jerónimo Miranda do Douro Matriz Filha de José Machado, de

Mogadouro

S. João Miranda do Douro Fora João de Ordaz Flores S. João Baptista Ferreira Fora Arcediago da Sé, Manuel de

Morais Sarmento S. João Baptista Prado Gatão Matriz

S. João Baptista Vimioso André de Morais S. João Baptista (Águas Frias) Monforte

de Rio Livre

S. José Macedo de Cavaleiros Matriz Luís Carlos de Oliveira Sarmento S. José Mirandela António da Veiga de Sequeira S. José (Palas) Valpaço Pe Francisco Bernardes S. José Vale Telhas António José Vieira

S. José Vila Nova das Patas Casas de moradia Herdeiros de José de Sousa Machado

S. Lourenço Serapicos João Baptista Lourenço S. Lourenço (S. Lourenço) Santa Maria Sarmentos e Figueiredos S. Luzia Ala Cónego Francisco Luís Pereira

Ochoa

S. Maria Madalena Alvites José Pinto Meireles

S. Maria Madalena Tuizelo Pedro Ferreira de Sá Sarmento S. Mateus Mirandela D. Henrique de Macedo S. Miguel Macedo de Cavaleiros Felizardo José

S. Miguel Mirandela Martinho Teixeira Homem S. Miguel Podence

S. Miguel Pombares Matiz Pe Frutuoso Brás

S. Pedro Miranda do Douro Matriz Jerónimo Godinho Soares S. Pedro de

Alcântara Sanceriz Matriz João Rodrigues Cameirão S. Pelágio (S. Pelágio) Miranda Francisco Machado de Carvalho S. Roque Rebordãos João de Morais

S. Simão Sobreiró de Baixo Vasco de Morais Sarmento S. Tiago Mirandela Luís Lázaro Pinto Cardoso S. Tomás de Aquino Castelãos

S. Tomé (Quinta da Aveleira)

Parada de Outeiro Domingos Pires Pavão de Sousa S. Tomé (S. Tomé) Vimioso Francisco José Pessanha S. Vicente (Além) S. Facundo

Sª da Alegria Bornes Casas de moradia Pe Félix Freire de Andrade Sª da Anunciada (Valongo) Espadanedo

Sª da Apresentação Candedo Tomé de Morais Silva Sª da Conceição Bagueixe Fora Francisco Pires Sª da Conceição Argozelo Casas de moradia Pe Francisco Vaz Quina Sª da Conceição Caçarelhos Matriz Manuel Pires Morgado Sª da Conceição (Golfeiras) Mirandela Pe Gaspar Manuel de Morais Sª da Conceição Palaçoulo Matriz

Sª da Conceição Parada de Outeiro Matriz Luís Morais de Feijó

Sª da Conceição Rebordãos Casas de moradia Herdeiros de Francisco Sá Peixoto Sª da Conceição Santa Cruz

Sª da Conceição Vimioso José Manuel de Morais Faria Sª da Conceição Vinhas António Martins

Sª da Conceição (Águas Frias) Monforte de Rio Livre

Sª da Encarnação S. Facundo Matriz Amador de Morais

Sª da Expectação Vilartão Álvaro José de Morais Soares Carneiro

Sª da Expectação Bornes Matriz Pe António Pinto Sª da Penha de

França Rabal João Diegues Quintas Sª da Purificação Izeda Matriz Bernardo de Barros, de Carrapatas

Sª da Purificação Parada de Outeiro Francisco de Mesquita Machado Sª da Soledade Vale de Telhas Luís de Faria

Sª das Neves Talhas Francisco de Morais Sª das Neves Travanca - Algoso Matriz

Sª das Pereiras Vimioso Pedro Ferreira

Sª do Amparo Vilares Jerónimo de Morais Campilho Sª do Bom

Sucesso Malhadas

Capela de São

Bartolomeu Martinho Raposo Sª do Bom Sucesso Miranda do Douro Fora D. Luísa Ordaz Sarmento Sª do Desterro Mascarenhas

Sª do Loreto (Vila Boa) Rebordaínhos Casas de moradia Sebastião Jorge de Figueiredo Sª do Rosário Limãos Manuel Carlos de Morais Sarmento Sª do Rosário Mora Fora

Sª do Rosário Podence

Sª do Rosário (Maçaira) Vale de Janeiro João Gonçalves Sª dos Prazeres Alvites Amador de Bandos Sª dos Prazeres Mirandela Palácio Marquês de Távora Sª dos Prazeres Santa Maria Matriz Figueiredos Sª dos Remédios Vimioso Maria de Reboredo Sma. Trindade Constantim

5.3. RELÍQUIAS

Associado ao culto dos santos encontra-se o das relíquias, que o Concílio de Trento, na sessão XXV, de 3 de Dezembro de 1563, declarou solenemente dignas de serem veneradas, pedindo apenas para se evitar qualquer género de superstição e não aceitar uma nova relíquia sem aprovação do bispo.

Era arreigada a devoção dos católicos da Idade Moderna às relíquias, consequência, como afirma Jean Delumeau, do que então se pensava: «o corpo de um santo, mesmo reduzido a alguns ossos, continuava através dos tempos a agir miraculosamente» 1

. Isso fazia com que os crentes, preocupados em se verem livres de seus males, ocorressem aos locais onde as relíquias eram veneradas.

Pelas respostas dos párocos tem-se conhecimento da existência de várias relíquias espalhadas pela diocese: em Castelãos a relíquia de São Zenão festeja-se no seu dia a 9 de Julho; em Donai existem relicários de Santa Teresa, São Tiago, São Filipe, São Crispim, São Plácido e Santo Lenho; em Ifanes à relíquia da Cabeça Santa «acodem muintas pessoas destas vezinhanças, assim do nosso Reyno, Como do de Castella, mordidas de Cains raivosos e pello que se tem esperimentado se acha ter virtude para o referido effeito sem embargo de se naõ achar autyhentica»; em Macedo do Mato venera-se uma relíquia do Santo Lenho «que por capítulos de visita naõ sahe em procissaõ, nem a porta da ditta Capella sem ser debaixo de Pallio, com doze luzes, que alumiaõ obrando Deos por ella evidentes millagres como hé Converter em ágoa carregadas nuvens de pedra e Sarayva, e outras muitas maravilhas, Cuja relliquia por antigua tradiçaõ ter vindo de Roma em vida de hum natural do mesmo povo»; em Águas Frias venera-se a cabeça de Santa Vitória «reliquia notavel adonde todos os dias Concorre gente, e gados de

1

todas as Castas mordidas de cais daamnados; e na dita quinta, que tem 50 vezinhos; não he memoria se deramasse cais algum; e querendo aos gados se mostra a santa Cabeça; todos para ella inclinam e estam muito quietos; no que tenho feito refelexam nas vezes que a mostrey»; e em Travanca (Mogadouro) na igreja matriz existe um altar dedicado a Santa Luzia «da qual há huma reliquia, a que no Seu dia, que he a treze de Dezembro, Concorrem varios devotos».

5.4. FESTAS E ROMARIAS

O culto dos santos atingia o seu ponto mais alto nas festas e romarias que lhes eram dedicadas, traduzindo-se num dos aspectos mais característicos da piedade popular da época. Disso nos dão conta os párocos ao responderem ao quesito nº 14 da primeira parte do inquérito. O quadro nº 15 apresenta o calendário das festas e romagens que se celebravam na Diocese referidas nas memórias:

Quadro nº 15 – Festas e romarias CALENDÁRIO

LITÚRGICO MÊS LOCAL DE FESTA OU ROMARIA

Janeiro

São Julião 7 Varge

Santo Amaro 15 Alimonde, Corujas, Nozelos, Prada, Sanhoane, Vale

Frades, Vilarinho de Cova de Lua

Santo Antão 17 Sobreda

São Sebastião 20 Argozelo, Cimo de Vila, Freixedelo, Portela, Soeira

Santo Ildefonso 23 Sanceriz

Fevereiro

São Brás 3

Caravelas, Grijó de Parada, Nozelos, Soutelo da Penha Mourisca, Torre de Dona Chama

Março

Anunciação 25

Aboá (N. S. da Encarnação), Alfaião (N. S. da Veiga), Constantim (N. S. da Luz), Lamas de Podence (N. S. do Campo), Nogueira (N. S. da Cabeça), Quintanilha (N. S. da Ribeira

Abril

São Jorge 23 Landedo, Vilar de Ouro, Alfaião (N. S. da Veiga)

24 Limãos (São Alexandre)

São Marcos 25

Pedome, Romeu (N. S. de Jerusalém), Silva (N. S. do Rosário), Castanheira (N. S. da Assunção), Castro