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Spørreskjemaundersøkelser

2 TEORETISKE PERSPEKTIV OG PROBLEMSTILLINGER

3.3 Spørreskjemaundersøkelser

Todas as etapas dessa dissertação, desde a escolha do tema, passando pela elaboração de sua estrutura até as conclusões, foram direcionadas com base em uma abordagem epistemológica (Martins Jr. 2002). A metodologia foi apresentada pelo orientador dessa dissertação, Prof. Dr. Paulo Pereira Martins Junior, durante o Projeto CRHA (Martins Jr. et al. 2006) e no Mestrado, com a disciplina “Epistemologia Fundamentadora”.

Inicialmente, foram realizadas pesquisas e revisões bibliográficas sobre o tema florestamento/reflorestamento através de corredores florestais, com um viés ecológico-econômico. O intuito foi apresentar e rever algumas medidas para a implementação dos corredores e destacar alguns condicionantes e benefícios, além da sua aplicabilidade como possíveis medidas de reparação e/ou conservação com produção agro-ecológica.

Paralelamente, o mesmo processo foi conferido aos conceitos norteadores para o desenvolvimento eco-sustentável e a sua prática nas Geociências agrárias e ambientais. Nesta fase da pesquisa foram analisados e introduzidos alguns dos conceitos produzidos durante o Projeto CRHA (Martins Jr. et al. 2006), bem como por outros autores, sendo estes, preponderantes para uma proposta de desenvolvimento eco-sustentável em áreas rurais, agrícolas e florestais, com ênfase na conjugação do binômio: ecologia e economia.

Em seguida, partiu-se para a coleta de informações sobre o local de estudo, como o espectro dos componentes básicos do meio físico (geologia, geomorfologia, solos, clima, drenagem, hidrologia, hidrogeologia e aspectos bióticos), além de dados históricos, sócio-econômicos, demográficos entre outros sobre a bacia, obtidos principalmente em CETEC (1981) e Consórcio Magna/Dam/Eyser, Ruralminas, SEAPA–MG (1998).

Conseqüentemente, ocorreu o levantamento e a preparação das bases cartográficas a serem utilizadas através de programas de sistema de informação geográfica (SIG). Como não existiam cartas específicas para a área da bacia, foi necessária a seleção e a extração de alguns temas das cartas regionais da Bacia do Rio Paracatu em escala de 1:250.000 (geologia, geomorfologia, hidrogeologia e pedologia) e de 1:100.000 (no caso a carta da rede hidrográfica) que foram atualizadas. Outras imagens foram geradas, como por exemplo, a elaboração da carta do modelo digital de elevação do terreno, decorrente da atualização das cartas de altimetria e de curvas de nível, além da carta de ordenamento dos canais da rede hidrográfica.

Em um momento seqüente, foi planejado e realizado o primeiro trabalho de campo para o reconhecimento da área e pontos de interesse, além do registro e referenciação dos principais pontos através da determinação de suas coordenadas por GPS, bem como para averiguar questões pendentes nas análises de imagens.

A partir disso, foi possível realizar uma análise mais elaborada do meio físico, através de estudos ambientais existentes, além de interpretações das imagens (cartas, fotos aéreas, imagens ópticas e orbitais), possibilitando uma descrição e síntese dos dados da bacia regionalmente.

Essas informações reunidas, aliadas à interpretação dos dados do trabalho de campo, propiciaram, na etapa seguinte, o início das análises sobre o atual uso da bacia e, a partir disso, foi elaborado um mapa do uso e ocupação do solo, através do cruzamento entre os mapas produzidos por CETEC (1981), dados do IEF (1994) e imagens de satélite atuais, para verificar as condições geoambientais das áreas e suas evidentes distorções e desconformidades vigentes.

Concomitantemente a esta etapa, ocorreu um segundo trabalho de campo para verificação e constatação dos principais impactos, além de análises de descontinuidade floral territorial e entre maciços e a pré-escolha dos locais para a inserção de corredores, no intuito de promover uma política geo- ambiental de florestamento ecológico-econômico. Nesse período, também foram estabelecidos contatos com algumas associações locais, com o Comitê de Bacia, a Prefeitura de Paracatu e empresas.

Nesse contexto, foram avaliadas as atuais condições de estabilidade e segurança dos locais estudados em face aos projetos agrícolas e realizada a extração do índice de vegetação para as relações entre as formações vegetais e áreas desmatadas, isto é, tipos de vegetação existentes pelas áreas totais da bacia.

Complementarmente, foram coletados e inseridos outros dados secundários sobre os principais projetos agrícolas presentes na bacia, com o intuito de ilustrar a atual e sensível situação dos produtores, além de comprovar a magnitude dos processos modificadores.

Posteriormente, foi conferido o cruzamento, através de matrizes de correlação, entre as classes de morfotemas x rochas x solos, e a partir desta associatividade, bem como de análises sob um enfoque fisiográfico e interpretações de trabalhos de campo, foi possível estabelecer uma proposta de áreas homogêneas ou unidades geoambientais com o intuito de auxiliar na gestão territorial.

Como se tratou de um cruzamento entre três variáveis (rochas, formas e solos), onde cada uma delas abarcava uma série de características, foi considerado o conjunto de correlações e identificadas particularidades comuns.

Esse elenco de correlações, análises e sínteses, permitiu compartimentar a área em unidades territoriais homogêneas caracterizadas pela convergência de semelhanças dos componentes físicos, bióticos e de suas dinâmicas, sem deixar de destacar o uso antrópico e suas principais conseqüências. Dessa maneira foi realizada a Vetorização e os cálculos das áreas das unidades geoambientais e, conseqüentemente, produziu-se um mapa de Zoneamento Geoambiental na escala de 1:250.000.

Ressalta-se que o capítulo 5, o qual poderia ser integrado ao capítulo 6, não o foi em função de que alguns dos principais problemas identificados na bacia transpassam as Unidades Geoambientais definidas.

A continuidade do estudo se deu através da realização do terceiro trabalho de campo para conferência e constatação dos locais escolhidos para inserção dos corredores e das principais medidas de mitigação. Além disso, foi realizado um seminário com a população local para discussão e apresentação de alguns temas referentes à presente dissertação.

Em seguida, partiu-se para a proposta de um novo cenário, através da organização do enfoque regional para a decisão de florestamento e reflorestamento a partir das áreas escolhidas para inserção dos corredores com a elaboração de um esboço regional na escala de 1:250.000 e da proposição de soluções mitigadoras dos problemas regionais existentes nas relações geoambientais e agrícolas.

Conseqüentemente, tem-se uma proposta de uso optimal e ordenado da bacia ancorado nos conceitos de eco-sustentabilidade e no binômio ecologia-economia.

Dessa forma, a presente dissertação se estrutura apresentando, de início, uma breve revisão bibliográfica contendo conceitos e técnicas para a introdução de corredores florestais, além do estabelecimento de alguns de seus fatores positivos e limitantes.

Na seqüência, são apresentados alguns dos conceitos norteadores para o desenvolvimento eco- sustentável e a sua prática nas Geociências Agrárias e Ambientais.

A partir da contextualização histórica e da definição desses conceitos, partiu-se para uma análise da bacia hidrográfica em estudo. Em um primeiro momento foram descritos os aspectos físicos, o processo de ocupação, características sócio-econômicas e outros elementos concernentes, de maneira geral, na região.

Em seguida, ocorreu a avaliação do cenário atual da bacia evidenciando e dissecando as principais desconformidades como, por exemplo, a descontinuidade do bioma sobre grandes extensões, os problemas relacionados à conservação da água e do solo, além das dificuldades econômicas que circundam grande parte dos produtores.

Levantadas tais desconformidades, os esforços foram direcionados para a busca de soluções visando uma mudança desta realidade.

Contudo, com o objetivo de subsidiar soluções concernentes às distorções, além da finalidade de racionalizar a ocupação foi efetuado, primeiramente, um zoneamento, em unidades geoambientais. Este foi esboçado a partir do cruzamento e associação entre as formas de relevo, as rochas e os solos, bem como através da análise de processos ambientais bastante semelhantes que acometem cada uma dessas unidades. A interação entre as variáveis estudadas permitiu dividir a bacia em 7 unidades, definidas como: (1) Áreas de Superfície Tabular Elevada; (2) Áreas de Cristas e Vertentes; (3) Áreas de Colinas e Vertentes; (4) Áreas Associadas ao Calcário; (5) Áreas de Superfície Tabular Intermediária; (6) Áreas de Pedimento - Superfície Tabular Rebaixada; e (7) Áreas de Planícies Aluvionares e Hidromorfismo.

Após o zoneamento, partiu-se de fato, para a análise de medidas de mitigação e correção das distorções. Nesse contexto, verificou-se a possibilidade da implementação de corredores florestais ecológico-econômicos como uma proposição bastante coerente. Assim, procurou-se apresentar um cenário alternativo engendrando soluções ecológico-econômicas aliadas a um conjunto de medidas mitigadoras no intuito de se aproximar a um uso optimal da bacia.

Por fim, destacam-se as principais conclusões e apresentam-se algumas sugestões para futuros trabalhos.

Espera-se, também, apresentar e disponibilizar os resultados desta dissertação aos órgãos administrativos, como as Prefeituras locais (Paracatu e Unaí) e ao Comitê de Bacia do Rio Paracatu, bem como à Associação dos Produtores para que os mesmos possam rediscutir e repensar o atual uso e, se possível, intervir na realidade aplicando tais proposições desenvolvidas.

CAPÍTULO 2