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Forebygging, bygging eller underbygging?

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2 TEORETISKE PERSPEKTIV OG PROBLEMSTILLINGER

8.4 Forebygging, bygging eller underbygging?

Segundo Souza e Ripper (1998), os processos biológicos podem resultar do ataque químico de ácidos (produção de anidrido carbônico) gerados pelo crescimento de raízes de plantas ou de algas que se instalem em fissuras ou grandes poros do concreto, ou por ação de fungos, ou pela ação de sulfetos (S=) presentes nos esgotos. Neste último caso, o mais comum e importante em termos de ataque biológico, os sulfetos inicialmente em forma de gás sulfídrico (H2S) dissolvidos na água, ao entrarem em contato com o cálcio do cimento

Portland, e na presença de bactérias aeróbicas, formam o sulfureto de cálcio, que descalcifica o concreto, amolecendo a pasta de cimento.

As atividades microbióticas que são importantes na deterioração dos materiais de construção são mostradas na Tabela 1.2. Tais atividades estão localizadas e concentradas internamente aos biofilmes.

Tabela 1.2: Atividades microbiais envolvidas na deterioração dos materiais de construção (Gaylarde e

Morthon, 1997, apud Costa, 1999).

Atividade Microbial Danos Causados Materiais Afetados

Crescimento Superficial Descoloração e Retenção de Água madeira, plástico pintura, telhas de cobertura, Concreto, telhas de cerâmica,pedra, tijolos, reboco

Produção de Ácido Corrosão, Erosão Concreto, pedra, metal

Enzimas Hidrolíticas Aumenta Fragilidade, Erosão. Madeira, pintura

Produção de H2S Corrosão Metal

Crescimento de Filamentos

de Fungos Danos Físicos à Superfície, Aumento na Permeabilidade Concreto, madeira, reboco, superfícies pintadas, plásticos Crescimento/Atividade não

Homogênea Corrosão devido à Concentração de Células Metal

Segundo Morthon e Gaylarde (1997), apud Costa (1999), a degradação dos materiais de construção é acelerada por uma camada superficial de microorganismos, chamada de biofilme. Tal camada contém microorganismos ativos e inativos e produtos do seu metabolismo, tais como ácidos e polímeros produzidos pelas células microbiais. Estes polímeros, conhecidos como EPS (exopolymeric substances), agem como colas, adornos de poeira e outros materiais particulares. A atividade de microorganismos nos biofilmes pode levar a uma rápida deterioração dos materiais.

Os biofilmes em questão são formados em qualquer lugar onde microorganismos e umidade está presente. Todos os microorganismos são capazes de atacar as superfícies embora o grau e velocidade deste processo e do subseqüente crescimento microbial dependam do tipo de organismo, da natureza da superfície e das condições do meio ambiente. Em ambientes tropicais úmidos, ou em outras áreas de alta umidade como os banheiros, a formação de biofilmes pode ser extremamente rápida.

Os danos provocados pela ação destes microorganismos poderão eventualmente promover a remoção da camada de pintura e esfarelamento da estrutura de concreto. No caso das bactérias, muitas têm ação fermentadora sob determinadas condições e produzem ácidos agressivos, já outras são os principais organismos envolvidos na corrosão anaeróbica (sem oxigênio) do metal.

Segundo Costa (1999), as algas, são organismos fotossintéticos que se desenvolvem na presença da luz. Elas têm um importante papel na desfiguração das construções. Costumam prevalecer em áreas com elevada umidade, mas podem ser inibidas por uma exposição prolongada à luz do sol intensa. As algas exigem poucos nutrientes, sendo capazes de produzir material celular estrutural do CO2, minerais inorgânicos e luz e a partir daí, estarão prontos para a colonização de superfícies limpas, tais como construções recém-pintadas.

Pinturas à base de óleo e certos pigmentos são inibidores e a formação de biofilmes nestes materiais será consideravelmente retardada, como será em concretos novos onde o pH ≥ 12,5 é também alto para o desenvolvimento microbiótico. A formação de biofilmes de algas e fungos acelera-se, após a ação percoladora da chuva, contendo CO2 dissolvido.

Segundo Costa (1999), as bactérias blue-green (também classificadas sob as normas do Código Bacteriológico) geralmente revelam uma distribuição similar à das algas, mas são mais resistentes à seca e a temperaturas extremas. Danin & Caneva (1990), lembrado por Gaylarde e Morthon, trabalhando no ambiente seco de Jerusalém, sugeriram que as bactérias blue-green (cyanobacteria) induzem à degradação de pedras e rochas nos seguintes passos:

1. Ataque de células cyanobacteria em pequenas fissuras; 2. crescimento dentro das fissuras;

3. crescimento e expansão de água da massa celular, assim exercendo pressão dentro da estrutura;

4. precipitação de carbonatos e oxalatos ao redor das células; 5. abertura das fissuras devido a essas pressões internas; 6. entrada de poeira, grãos de pólen, etc.;

7. morte parcial das células cyanobacteriais e estabelecimento de bactérias, fungos e pequenos animais tais como araquinídeos ou ácaros dentro das fissuras;

8. aumento da pressão interna na camada superficial da estrutura levando eventualmente a seu destacamento.

Algas e bactérias “blue-green” caracterizam-se por serem os maiores deterioradores de superfícies expostas em construções. Seus efeitos negativos são estéticos, além da retenção de água, predispondo a superfície à colonização de mais organismos danosos, tais como os fungos, musgos e plantas.

Segundo Souza e Ripper (1998), as ações biológicas, embora possam desempenhar papel particularmente importante como agentes de deterioração em pontes e em construções rurais, também atuam de maneira grave em edifícios localizados nos grandes centros urbanos. Alguns desses agentes causadores da deterioração e da desagregação do concreto são o crescimento de vegetação nas estruturas, cujas raízes penetram principalmente através de pequenas falhas de concretagem, ou pelas fissuras e juntas de dilatação, e o desenvolvimento de organismos (como conchas, por exemplo) e microorganismos em certas partes da estrutura. Outros agentes biológicos como conchas cupins e formigas também podem ser particularmente danosos às estruturas de concreto, alterando seu comportamento dinâmico ou diminuindo a capacidade de resistência da estrutura.

1.5 A INFLUÊNCIA DO MEIO AMBIENTE NA APARÊNCIA DO CONCRETO

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