2. Theory
2.2 Sources initiating and/or amplifying drillstring vibrations
A conceituação e definição do turismo também são campos de possibilidades a depender do enfoque observado. Leiper observa que existem em média três campos dessa definição, sendo uma de ordem econômica (fluxos financeiros e impactos na cadeia macro e microeconômica causados pelo turismo), técnica (coleta de dados sobre as preferências do consumidor, fluxos de viagens, demanda e oferta de produtos turísticos) e holística (temas diversos envolvidos como meio ambiente, sociedade, cultura, etc.) (LEIPER, 1979 apud THEOBALD, 2002, p.32).
Em relação a formação de políticas públicas nacionais e internacionais, desde defi iç es do sujeito tu ista e da atividade tu is o são p opostas, o o forma de melhor precisão e controle sobre seus gastos e movimentos. William
Theobald lembra que a Liga das Nações já conceituava o turista estrangeiro como a uele ue visita u país ue ão eside ha itual e te, po u pe íodo supe io a ho as THEOBALD, , p. . E , o g esso da ONU so e o te a ue daria origem a Organização Mundial de Turismo - OMT) refinou o conceito colocando que esse visitante deveria estar no país por qualquer motivo, que não fosse remunerado, sendo considerado turista quando sua motivação fosse basicamente lazer, ócio, recreação e visitas familiares desde que ultrapassasse 24 horas de permanência; e Excursionistas aqueles que estariam de passagem pelo local, permanecendo menos de 24 horas e sem pernoite. Com a melhora exponencial dos meios de transportes – principalmente aeroviários – pós 1950, o turismo tem se desdobrado em formas de deslocamento nacionais e transnacionais, envolvendo uma temporalidade que não excede a 365 dias e cuja motivação seja para recreação, lazer ou negócios.
Mas suas possibilidades de definição técnica, econômica ou holística também guardam uma dimensão simbólica de construir para o turismo um papel maior do que apenas o de fluxos de pessoas e bens entre as nações. Exemplo dessa expectativa pode ser vista na chamada Declaração de Manila, de 1980, organizada pela OMT, que coloca o turismo como um elemento fundamental para a paz, prosperidade e desenvolvimento dos povos. De modo geral, a Declaração de Manila parece sobrepor o conceito de turismo ao conceito de lazer, como se este último estivesse contido no primeiro. Valores éticos, morais e espirituais foram atribuídos ao turismo como ponte aos Direitos Humanos, quase uma necessidade estrutural para a formação dos indivíduos e das nações. Para alguns teóricos, como Roberto Boullón, o turismo e a recreação deveriam ocupar uma posição de destaque na capacidade de neutralizar a alienação do trabalho, emancipando o Homem moderno das imposições do cotidiano (BOULLÓN, 2004, p.134).
Entretanto, após pesquisas sobre o tema paz e turismo mundial, Jonh Ap e Tu gut Va hega a o lusão de ue o papel do turismo como fator que contribui para a paz é, na melhor das hipóteses, tênue e não pode aparecer como preeminente as pe epç es dos e t evistados, o fo e a edita os defe so es do tu is o AP; VAR, 2002, p.77). Mesmo com todo o esforço de alimentar o simbolismo sobre o
turismo como uma força social libertadora e pacificadora, é no plano do desenvolvimento econômico que o turismo tem se mostrado proeminente e avançado. Essa identificação do turismo com o lazer relaciona-se com uma das dimensões do tempo liberado do trabalho moderno, pois o núcleo central de toda prática turística é a capacidade de dar um uso ao tempo livre, em diferentes modalidades. Desde o século XIX, lutas e conquistas dos trabalhadores forçaram a liberação de mais tempo em relação ao trabalho, incluindo o direito às férias remuneradas e jornada média de 08 horas semanais29.
O tempo livre se torna uma fração do tempo social moderno, organizado para apresentar também uma funcionalidade própria. Não se trata de ócio pelo simples ócio, ou lazer pelo lazer, mas sim uma atividade dividida em temporalidades e ambientes específicos, isto é, o dormir em um hotel, o almoço em um restaurante, as compras em um shopping, etc. Roberto Boullón, ao refletir sobre as horas livres e obrigatórias, considera que o saldo não consumido pelas atividades obrigatórias (trabalho, estudo, tarefas domésticas, comer, dormir, etc.) permite quantificar esse tempo e, portanto, servir como um parâmetro de estoque de todo o tempo livre demandado pela sociedade contemporânea (BOULLÓN, 2004, p.58). Na distribuição média do tempo moderno, proposta por Boullón, o Homem necessita de 23,8% do tempo para o trabalho, 50,1% para necessidades como comer e dormir e 26,1% para o ócio, sendo que no final do século XIX o tempo gasto no trabalho respondia por 62% do total (BOULLÓN, 2004, p.64). O impacto desses números para a demanda global de possíveis turistas é considerável, ou no dizer de Boullón,
Cerca de 20% (aproximadamente 500 milhões [de pessoas]) saem de suas casas nos fins de semana com a intenção de passar o dia ao ar livre ou consumir algum serviço recreativo na cidade. Como o ano tem 52 semanas, tem-se que, em escala mundial, a demanda recreativa acumulada em um ano é igual a 26 bilhões de pessoas. Essa cifra supera amplamente os 400 milhões de pessoas que fazem turismo internacional e os 528 milhões que integram o turismo interno e colocam em sua verdadeira dimensão as necessidades de dispersão da população mundial (BOULLÓN, 2004, p.68).
29 Em 1948 a Declaração Universal dos Direitos humanos (art. XXIV) é taxativa ua to ao di eito ao
Mesmo que a análise de Boullón considere o fluxo de turistas em 1979 (em 2008 o fluxo global foi de aproximadamente 920 milhões de turistas internacionais), a reflexão sobre a proporção entre a disponibilidade de tempo recreativo e seu potencial de utilização no turismo, serve de parâmetro para compreender a expansão das atividades econômicas voltadas ao lazer nas décadas de 1980 e 1990.
Não apenas o tempo livre para recreação, mas também as atividades educacionais e pedagógicas, encontros científicos, congressos e eventos em geral utilizam a infraestrutura voltada ao turismo. A motivação da viagem é o meio que permite ampliar as necessidades básicas – comer, dormir, descansar, etc. – para determinados sentidos, gestos e sensações, ampliando ou reduzindo-as. Não há turismo sem deslocamento e este força o turista a reproduzir em outro sítio essas necessidades e preferências.
O tempo livre não é homogêneo e, tampouco, suas formas de desenvolvimento. Munne (apud ESRICHE, 1995) comenta que existem temporalidades como o psicobiológico, o socioeconômico e o sociocultural. Em relação ao último, seria o tempo gasto pelo Homem em atividades que não possuem uma imposição externa, isto é, o próprio Homem pode efetivar sua recreação independente de exigências do trabalho ou da sociedade. Daí resulta o prazer do controle do tempo, pois as demais temporalidades o escapam. Aqui se percebe o eco da própria essência da liberdade como elemento de conquista e direito. Mas é evidente que se trata de uma liberdade concedida àqueles que estão inseridos no mundo do trabalho, seja como mão de obra, seja como proprietários. É uma liberdade moderna, fordista e democrática (em sentido político), livre para dispor de seu tempo exercendo manifestações de ordem social nos esportes, na cultura, nas artes, na educação comunitária, nos jogos e também no turismo.
Cada manifestação possui seu microcosmo de relações e símbolos, mas todos se ligam a contraposição do trabalho como espaço da obrigação imposta contra a capacidade criativa do ócio. Aqui, segundo Esriche (1995, p.117), várias dimensões são possíveis: A) a dimensão dos esportes (o jogo, a competição aliada ao relaxamento e a diversão, prática antiga e fundamental ao sentido de humanidade) na modernidade assume um elemento relacionado à saúde física e mental, prática de cunho civilizador,
chegando até mesmo a ser imposto aos jovens em sua formação educacional; B) dimensão criativa – seria o ócio defendido por Domenico De Masi com o desenvolvimento de novas capacidades; C) Dimensão festiva – pensar na festa primeiro em família e depois em sua extrapolação comunitária; o encontro é o principal, a troca de memórias, o pertencimento ao grupo e as mesmas significações. Daí pode decorrer para a própria territorialidade desse pertencimento da tribo, grupo, bairro, cidade até o país inteiro (como no Carnaval); E) dimensão solidária - quando a ação do tempo livre se dá na forma de altruísmo, para o vizinho ou indivíduo anônimo, em ações de ajuda; F) dimensão de bemestar – dá conta das ações feitas para gerar alguma forma de prazer ou contentamento pessoal pela aquisição de uma experiência, objetos ou sensações saudáveis. Normalmente nessa dimensão o turismo se mostra de modo mais nítido, ao vender a ideia de gozo e fruição ao se deslocar no espaço.
A ênfase de tais dimensões pode ocorrer de múltiplas formas, a depender dos condicionantes sociais, econômicos, culturais, religiosos, políticos, etc. que esse Homem está inserido. Em um país em guerra civil, por exemplo, a dimensão da solidariedade não é apenas importante, mas vital para a manutenção da própria vida biológica e comunitária; em outro país com excedente de riquezas e em tempos de paz, a ideia de bem-estar é mais forte, associada ao consumo de serviços. Nesse sentido, o tempo livre e a utilização de suas dimensões possuem a capacidade de revelar os processos de reprodução social tanto quanto as relações de trabalho, embora com diferentes especificidades relacionadas com uma faixa específica da população (renda, cultura, interesses religiosos, etc.). A transformação do tempo livre (livre do trabalho ou da rotina imposta) em direito ao lazer (inclusive nas leis constitucionais) foi a primeira etapa da definição de uma nova necessidade de satisfação do Homem; daí a organização das diferentes dimensões onde este pode es olhe gasta sua li e dade de odo ais ap op iado. O Me ado a ie te das trocas) compreendeu que a própria liberdade e prazer podem ser quantificadas na forma de serviços e comodidades e, assim passou a organizar sua cadeia econômica de equivalentes – nessa o turismo apresenta-se não como um Setor (que organiza cadeias dependentes funcionalmente) mas como um feixe de atividades ora ligadas em sua estrutura, ora relacionadas apenas tangencialmente.
Dessa maneira pode parecer que o ócio e suas dimensões são invenções modernas, fato este errôneo. O gosto e gasto do tempo livre dos monarcas, aristocratas, reis e príncipes, com seus eventos de caça e suas casas de campo, há tempos se constituíam privilégios de uma estreita faixa social que tinha isso como advindo do Direito Divino. A luta pelos Direitos Humanos pela igualdade, pela segurança e garantias laborais forçaram a massificação da ideia de descanso e lazer para todos, de forma democrática. As lutas dos trabalhadores, por sua vez, forçaram um caminho pelo fordismo (baseadas no acesso às massas) e as legislações nacionais passaram a incorporar o tempo livre como intervalo fundamental aos inseridos em sua lógica de reprodução social.
Mas nos lembra Francis Wolff que uma coisa é a liberdade política (o regime que me permite ir e vir) e a outra coisa é a justiça social (a capacidade econômica de decidir ir ou vir) que revela a liberdade material, ou melhor, as condições materiais da li e dade; se liv e faze o ue depe de de si WOLFF, , p. . A liberdade no esteio da modernidade é uma liberdade individual, restringida pelos Direitos de pertencimento e igualdade. Decorre da liberdade individual o tempo livre (até as crianças ganharam o direito de ter templo livre) a ser gasto pelo indivíduo.
São do corolário liberdade, trabalho e propriedade privada que decorrem os contratos sociais modernos não para abolir os privilégios da religião ou da aristocracia, mas para demarcar que a todos seriam estendidas tais possibilidades, organizados agora pelo Estado. Daí a passagem do individual para o coletivo ocorrer gradualmente de setores específicos (eco dos antigos privilégios) para a coletividade, independente de etnia, gênero ou poder econômico. A liberdade política se fez antes da justiça social. (MARÉS, 2002).
Domenico De Masi observa que a transição do fordismo para o pós-fordismo resultou também na liberação de mais tempo livre, primeiro nas sociedades de economia avançada depois no restante das sociedades capitalistas. A definição de pós- industrial de De Masi refere-se a produção de bens imateriais e sua relevância atual – serviços, símbolos, informações, comunicação e valores intangíveis. O capital transforma a própria ideia de ócio em possibilidade de novos negócios, serviços e produtos a partir da ho ege eização dos gostos e p efe ias. O io ga ha espaço
no mundo frenético dominado pelos negócios, transformando-se, por sua vez, num bom negócio; a estética ganha terreno no mundo opaco atormentado pelo pragmatismo, transformando também em business DE MA“I, , p. . O uad o 01 resume as principais alterações do consumo pós-fordista e seus impactos no turismo contemporâneo, proposta por Lash e Urry.
Consumo Pós-fordista Impactos no turismo
Consumidores com maior poder de decisão e produtores atentos as variações do perfil de
consumo
Rejeição a formas repetidas de turismo de massa e busca por diversidade
Grande volatilidade no consumo Pouca repetição de visitas e pulverização de
sítios e atrativos turísticos
Aumento da segmentação de mercado Multiplicação de tipos de feriados e busca
por novo estilo de vida
Crescimento no número de consumidores Muito mais informação disponível sobre
alternativas de descanso e lazer na mídia
Desenvolvimento de muitos produtos (com ciclo de vida mais curto)
Retorno rápido do turista (baixa permanência)
Cresci e to de práticas ão assificadas Crescimento de turismo de baixo impacto, exclusivos, eco-turismo, etc.
Quadro 01 - Relações entre consumo no Pós-fordismo e Turismo
Fonte: Lash; Urry (1994, p.274) apud MOWFORTH; MUNT, 2006, p.22.
Tal como está, essa sociedade global parece imersa em uma segunda natureza que aponta para uma globalidade esquizofrênica, ao mesmo tempo anulando o espaço pela tecnologia empregada na compressão do tempo e ampliando o fosso social entre as pessoas, por meio da reprodução do capital. A alteridade envolvida, como pressuposto básico de nossas relações culturais, passa a ser dominada por e essidades de e ai e e u a so iedade e ede ue se p e de ada vez ais ao se debater (CASTELLS, 1999). Mas de uma forma diferente, a necessidade de se colocar no lugar do Outro, para reconhecer a diversidade, encontra, como, aliás, sempre encontrou no debate sociológico, enormes desafios. Nesse sentido, esclarece N. Gusmão que,
Se no passado o outro era de fato diferente, distante e compunha uma realidade diversa daquela do meu mundo, hoje, o longe é perto
e o outro é também um mesmo, uma imagem do eu invertido no espelho, capaz de confundir certezas, pois, não se trata mais de outros povos, outras línguas, outros costumes. O outro hoje é próximo e familiar, mas não necessariamente é nosso conhecido (GUSMÃO, 1999, p.44 apud ZANELLA, 2005, p.100).
O esgarçamento do mundo leva consigo o esgarçamento da alteridade para limites que não mais define o outro como oposição simples ao eu, mas o outro como uma possibilidade diversa de se localizar em qualquer lugar, inclusive dentro do local, como oposição ao global. Isso só se tornou possível – em uma perspectiva histórica – por meio das transformações nas relações que envolvem a redefinição dos papéis sociais dentro da estrutura produtiva contemporânea. Nessa perspectiva, alteridade e identidade são constituídas por enunciados relacionados com a mediação das atividades e, se assim for, estas são mediadas pela técnica, pelo capital e pela divisão do trabalho. Os signos dessa sociedade são construídos a partir de mediações sociais historicamente definidas, não apenas psicologicamente inatas, ou melhor,
Considerados como instrumentos psicológicos, Vygotski (1991) refere-se aos sig os o o ...dispositivos so iais pa a o do í io dos p o essos p p ios ou alheios p. , o o i st u e tos ue reorganizam a operação psíquica na medida em que possibilitam a regulação da própria conduta. Permitem, assim, a inserção do homem na ordem da cultura e o estabelecimento de relações qualitativamente diferenciadas com a realidade: ao invés de diretas e imediatas, estas passam a ser mediadas pelos signos, pela cultura (ZANELLA, 2005, p.101).
A não necessidade de pertencer a um local para formar uma identidade contraria os próprios fundamentos da noção de pertencimento, levando a criação de um tipo de cidadania múltipla, transnacional. No plano geral, a possibilidade de dese aiza e tos to a f lego te i o e e pírico com a globalização e a ampliação da capacidade individual de pertencer/apossar de frações diversas de território, alterando a noção de comunidade. Entretanto, parece cada vez mais claro que o rebatimento desse plano teórico geral não ocorre sem conflitos, mediações, crises e confrontos entre a apropriação do meio físico por diferentes culturas. Ou melhor,
Con la globalización, los lugares no desaparecieron, junto a la desterritorialización se produjo una reterritorialización: ya sea el
despliegue infinito y con frecuencia monstruoso de la ciudad mundo, ya sea el repliegue de la ciudad global o de la ciudad étnica (MONGIN, 2006, p.275)
Segundo Liszt Vieira (2001), reforçando teoricamente essa perspectiva aberta pela globalização, o cruzamento das implicações econômicas, ambientais, culturais e sociais da transnacionalidade possuiria a capacidade de formação de tipos de idadãos glo ais . U p i ei o fo ado pelos i divíduos ue pe sa os p o le as do mundo de modo holístico, global, seja nos aspectos do eio a ie te u u do se f o tei as , seja a luta pela paz u dial ou pela igualdade e o i a i est ita. Um segundo tipo identifica-se com a base produtiva essencial da globalização, isto é, as finanças e a tecnologia; são os homens e mulheres de negócios que atuam em todo o mundo, viajando sem cessar para fechar acordos, abrir empresas, comprar terras e investir em ações. O terceiro tipo é formado pelo conjunto de funcionários de instituições de atuação global que trabalham na implementação de políticas de difusão de conceitos, estratégias, planejamento ou fomento, alinhados a temáticas definidas a
priori no contexto internacional. Aqui se destacam os analistas e consultores dos
bancos internacionais de financiamento de obras e projetos, organizações não- governamentais e de ajuda humanitária. O quarto tipo é formado pelos sujeitos que se situam em um novo arranjo supranacional como a União Européia, sujeitos estes que se consideram cidadãos nacionais e europeus. O quinto tipo decorre de uma militância transnacional decorrente dos movimentos sociais reivindicatórios dos anos de 1980, o o ativis os de g e o, di eitos hu a os ou pela defesa da A az ia VIEIRA, 2001, p.251-252).
A possibilidade de ampliar a grade de tipos parece iminente. Os tipos acima são caracterizados não exatamente pelo seu deslocamento espacial, mas pela sua percepção de identidade como não contida pelo local. Essa visualização da cidadania enquanto conceito transnacional implica na decorrência de vários outros subtipos que revelariam assim as reais possibilidades empíricas da existência de um cidadão global, isto é, os diferentes graus de não pertencimento a uma determinada localidade. Por e e plo, o tipo ho e de eg ios atua e u a l gi a de flu os as seus resultados efetivos são medidos por algum ponto fixo, local ou nacional, do mundo. A
sua continuidade enquanto cidadão global está condicionada não a sua identidade própria, mas ao papel funcional que cumpre em determinado esquema de gestão.
Não é objetivo deste trabalho ampliar o debate, mas sim especificar para o turismo seu papel neste tema. Em que tipo, considerando a abordagem acima, o turista poderia ser enquadrado? Pela decorrência do conceito básico do turismo e do turista todo aquele que se desloca espacial e temporalmente pode, nas diferentes motivações, ser enquadrado nas estatísticas turísticas, seja o consultor da ONU que visitou o país por uma semana, ou o ambientalista que realizou um projeto social ou um representante de vendas de software em passagem rápida de dois dias em determinada cidade. Por outro lado, a motivação de prazer, lazer e divertimento não teria capacidade de formar uma cidadania, na medida em que não implica necessariamente um envolvimento de pertencimento com o mundo ou com as múltiplas localidades.
Jacques Lévy (2008) não recorre a tipos, mas pensa em termos de uma imbricação entre alteridade e identidade (alteridentidades). Como exemplo, citando Michel Lussault, Lévy lembra do Tsunami de 2004 na costa asiática, quando não apenas os turistas que estavam nas localidades foram afetados (física e e o io al e te as ta todos a ueles tu istas pote iais ue pode ia também estar lá, identificando-se de modo inédito com as vítimas (não apenas por compaixão humanitária mas também pela sensação de que realmente poderia ter a o te ido o ele . A pa ti desse e e plo, L v afi a ue as ide tidades individuais não podem, portanto, ser vistas como pequenos objetos incluídos numa caixa grande. Precisam ser consideradas camadas de espaço organizadas e orientadas, o di i a p p ia LÉVY, , p. , a adas de situaç es espe ífi as ue edefi e o o eito de a ui e ali a edida e ue a o e ão e t e os dive sos lugares se dá no ambiente da globalização, em um determinado sistema de compressão do espaço-tempo.
A questão que volta a se apresentar é quem orienta o sistema de compressão