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4.2 Foreldreskap og hverdagsliv

4.2.3 Sosiale ressurser

A penetração dos genéricos no mercado é também um aspeto importante da evolução do mercado dos medicamentos. De modo a estudar os determinantes da penetração dos MG em termos de QM em volume, o modelo 3 foi estimado por OLS. Os resultados são apresentados na tabela seguinte.

Tabela 8 – Modelo 3: Determinantes da penetração dos genéricos

Variáveis MODELO 3 Constante 0.7660** (2.36) Lnvendas - 0.0373 (-1.65) Número 0.0118* (3.26) Numapresent - 0.0139** (-2.44) Difpreço 0.0162* (3.97) Idadegenérico 0.0279* (3.59) Crónica - 0.1030 (-1.66) F(6,27) 31.66 Prob > F 0.0000 R-squared 0.8129 Root MSE 0.12864 N 34

Notas: *1% de significância **5% de significância Os valores entre parênteses são estatísticas t Lnvendas = ln(Vendastotais)

Através dos coeficientes estimados, verificamos que as variáveis explicativas “número”, “difpreço”, e “idadegenérico”, são estatisticamente significativas a 1% e têm todas uma relação positiva com a QM dos MG. Estes resultados indicam que para

79 aumentos em uma unidade dessas variáveis, há um aumento da QM dos genéricos em volume definido pelos valores dos respetivos coeficientes.

Relativamente à variável “difpreço”, o sinal do coeficiente estimado converge para a evidência anterior. Grabowski e Vernon (1992), que evidenciaram que a variável preço é a mais importante na explicação da QM dos MG. De acordo com os seus resultados, genéricos com preços mais baixos capturam maiores QM, ou seja, quanto maior a diferença de preços praticados pelos dois diferentes tipos de medicamentos, espera-se que a QM em volume dos MG seja maior. Em relação à variável “lnvendastotais”, de acordo com os resultados obtidos não encontramos evidência de associação com a QM dos MG. Este resultado não está de acordo com resultados anteriores apresentados na literatura. Por exemplo, Magazzini et al. (2004) encontraram evidência de que a dimensão do mercado total é um importante determinante da difusão de genéricos, ou seja, em mercados maiores, os genéricos atingem QM superiores.

No que diz respeito à variável “numapresent”, o resultado obtido está de acordo com o esperado. O coeficiente estimado sugere uma relação negativa e estatisticamente significativa a um nível de significância de 5% com a QM dos MG. Este resultado está em conformidade com o reportado por Ellison e Ellison (2011), que indicam que quanto maior a linha de produção dos MR, ou seja, quantas mais formulações e dosagens, mais difícil e custoso será para os produtores de genéricos replicarem todas as apresentações, e portanto, torna-se mais limitada a difusão destes medicamentos em termos de QM em volume no mercado português.

Relativamente à variável “crónica”, à semelhança do que obtivemos no modelo anterior, o sinal estimado também não é o que seria esperado, embora neste modelo seja estatisticamente não significativo. A explicação dada no modelo anterior também pode neste modelo justificar o sinal negativo do coeficiente.

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4.7 Conclusões

A análise descritiva realizada a 29 SA que constituem parte da amostra mostrou que 8 vêm as suas vendas diminuírem mesmo antes dos genéricos entrarem no mercado, o que vai de encontro ao estudo de Huckfeldt e Knittel (2012) em que os autores referem que alguns MR chegam a perder, em média, 50% das vendas desde dois anos antes até dois anos depois da entrada dos concorrentes genéricos. Grabowski e Vernon (1992) concluem igualmente que há uma perda de cerca de metade das vendas e grandes quedas de QM após os dois primeiros anos com a presença da concorrência. Das 29 SA em análise, há vários MR que perderam vendas de quase 50 pontos percentuais após três anos da entrada dos MG, e alguns chegam mesmo a atingir perdas próximas dos 80 pontos percentuais. Esses medicamentos eram vendidos a preços entre os 20 e os 40 euros no ano anterior à entrada dos seus substitutos, e alguns por preços de venda acima deste intervalo.

Em suma, foram encontradas diferenças assinaláveis entre as SA que constituem a amostra recolhida para estudo. Mas, no geral, a tendência é traduzida pela perda de mercado dos MR, salvo algumas exceções, tanto ao nível das vendas em volume como das QM também em volume. Com base na literatura, esta é a tendência que é esperada quando os MR deixam de estar protegidos por patentes. Porém, apesar dos impactos significativos gerados pela entrada de substitutos genéricos na maior parte dos MR, encontramos também exemplos de SA que, praticando preços inferiores a 5 euros e pouco acima dos preços praticados pelos seus substitutos, têm conseguido manter as suas vendas estabilizadas, registando perdas pouco significativas. Nalguns casos, os MR conseguiram mesmo registar aumentos nas suas vendas desde a entrada dos genéricos até ao último ano do período em análise, limitando a difusão de genéricos no mercado. No caso destes medicamentos originais, o fator decisivo para esta evolução parece estar relacionado com os preços de venda praticados pelos detentores das marcas.

No entanto, o Gabinete de Estudos e Projetos do Infarmed, I.P. (2014) destaca outros fatores que podem estar na origem de uma fraca penetração dos MG. Esses fatores, de acordo com estudo referido, podem estar relacionados com os

81 hábitos/padrões de prescrição de medicamentos, com algum desconhecimento que ainda existe relativamente à qualidade e eficácia dos genéricos por parte da população, e ainda pelo número limitado de concorrentes genéricos comercializados e comparticipados.

No geral, o consumo de MG tem vindo a crescer de forma substancial nos últimos anos, no entanto parece que os consumidores ainda não confiam totalmente na qualidade destes medicamentos, visto que apenas os adquirem em quantidades mais relevantes quando há diferenças significativas entre os preços praticados pela marca e pelos genéricos.

Essa desconfiança da qualidade dos MG destaca-se ainda mais quando os consumidores optam por comprar genéricos que praticam um preço de venda acima do grupo de genéricos mais baratos, o que indica que os consumidores associam a qualidade do genérico ao preço, apesar de os genéricos serem equivalentes no que diz respeito às práticas de fabrico e qualidade, visto que todos os medicamentos, tanto genéricos como marcas, têm de cumprir as mesmas rigorosas regras de produção. A dispersão de preços dos MG e a circunstância de, em regra, os MG mais vendidos não serem os mais baratos, sugerem que não há apenas diferenciação do produto entre MR e MG, mas também entre os próprios genéricos.

A desconfiança em relação a alguns laboratórios e o comportamento das farmacêuticas ao induzirem os genéricos mais caros também podem estar na origem deste facto.

Relativamente aos modelos estimados, foram obtidos alguns resultados interessantes que, em grande medida, corroboram os estudos anteriores.

Destaca-se no primeiro modelo que a dimensão do mercado (que a literatura considera uma boa aproximação à lucratividade do mesmo) é o principal determinante da probabilidade de haver genérico(s) comercializado(s) para uma marca já não protegida por patente em Portugal.

Os resultados obtidos para o modelo 2 evidenciam que o aumento do número de genéricos no mercado para cada MR, está diretamente associado a altas receitas/vendas e, neste caso, também a preços elevados dos medicamentos originais,

82 pois quanto maiores estas duas variáveis, mais o mercado se torna atraente para os concorrentes genéricos. Verifica-se também a tendência para penetrarem no mercado em maior número quando o período de tempo entre o ano da expiração da patente e o ano da entrada do primeiro genérico é mais curto.

Aquando a entrada dos MG no mercado, não são esperadas facilidades, e como tal, a difusão dos genéricos pode ser influenciada por vários fatores, que podem ou não impedir estes de alcançarem os níveis de QM desejados.

Com a estimação do modelo 3, conseguimos perceber que a penetração dos genéricos em termos de QM tende a ser maior quando são comercializados no mercado um maior grupo destes medicamentos, ou seja, quanto maior o número de genéricos, maior a facilidade de estes penetrarem no mercado. Também quanto maior a idade dos MG, mais fácil será para estes obterem QM superiores.

Além disso, uma grande diferença ao nível dos preços praticados entre MR e respetivos genéricos poderá tornar os consumidores mais sensíveis aos preços, e como consequência, a sua preferência começa a recair sobre os genéricos.

Por fim, apenas uma variável com relação negativa é estatisticamente significativa para poder exercer influência sobre o crescimento da QM dos genéricos. Essa variável diz respeito ao número de apresentações dos MR, em que o aumento deste número, pode levar os produtores de genéricos a ter dificuldades em igualar toda a linha de produção do MR e, como tal, poderá dificultar a penetração dos genéricos no mercado.

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