Para atender ao primeiro objetivo específico, a Análise de Correspondência foi aplicada com a finalidade de analisar a associação entre o Índice de Governança Corporativa (IGC), adaptado de Lameira (2007) e Silveira et al. (2009), e o desempenho superior e persistente, adaptado de Villalonga (2004) e Besanko et al. (2009), das empresas de capital aberto que compõem a população desta pesquisa, tomadas por base suas características de setor de atuação na BM&FBOVESPA e sua estrutura de propriedade do capital, tratadas pelo software estatístico SPSS®, testando-se assim, as hipóteses H2a, H2b, H3a, H3b, H4a e H4b desta
Para aplicação da análise de correspondência, foi necessário categorizar as variáveis quantitativas (FAVERO; MARTINS; LIMA, 2007; NASCIMENTO et al., 2013; AZEVEDO et al., 2014) de governança corporativa e desempenho superior e persistente no período. O Quadro 13 resume as categorizações das variáveis.
Quadro 13 – Resumo da categorização das variáveis quantitativas
Var. 1º Quartil 2º Quartil 3º Quartil 4º Quartil
IGC [4 ; 7] e [4; 9] IGC Baixo [8 ; 10] e [10; 11,49] IGC Médio Baixo [11] e [11,5; 14,24] IGC Médio Alto [12 ; 18] e [14,25; 17] IGC Alto DSPF [0,0068 ; 0,0346709] DSPF Baixo [0,03471 ; 0,0650799] DSPF Médio Baixo [0,06508 ; 0,1089799] DSPF Médio Alto [0,10898 ; 0,53992] DSPF Alto DSPV [1,0 ; 1,57499] DSPV Baixo DSPV Médio Baixo [1,575 ; 2,4499] DSPV Médio Alto [2,450 ; 3,32499] [3,325 ; 167,9] DSPV Alto
Fonte: Dados da pesquisa.
A categorização das variáveis quantitativas foi feita através de medidas quartílicas e considerando os valores mínimos e máximos apresentados nas estatísticas descritivas. Para a variável IGC, (vide Tabela 33), classificou-se as observações em “IGC Baixo”, “IGC Médio Baixo”, “IGC Médio Alto” e “IGC Alto”, conforme os quartis correspondentes à métrica do grupo de desempenho superior e persistente a ser associado. Quanto ao desempenho superior e persistente das empresas do grupo 1, observando os quartis da Tabela 34 e Tabela 35, respectivamente, para o DSPF, com 71 empresas classificadas, e o DSPV, com 50 observações encontradas, foram categorizados em “Baixo”, “Médio Baixo”, “Médio Alto”, “Alto”.
A Figura 8 resume os passos da aplicação da Análise de Correspondência.
Figura 8 – Resumo das etapas para a Análise de Correspondência
Fonte: Elaborado pelo autor.
Análise de Correspondência Resultado do p-value Teste do Qui-quadrado
Teste de par em par entre as variáveis categorizadas
Não associação entre nenhuma
das variáveis (sem teste)
Associação para um par de
variáveis Anacor
Associação de par em par
Conforme adotado na metodologia desta pesquisa para significância da associação, parte-se da significância estatística indicada pelo teste Qui-quadrado, que é pressuposto da análise de correspondência simples (GREENACRE, 2007; NASCIMENTO et al., 2013; AZEVEDO et al., 2014), utilizado para a padronização dos valores de frequência da tabela de contingência e formação da base para associação ou similaridade (HAIR JUNIOR et al., 2009). Em seguida, as análises do valor do Qui-quadrado, tomadas de duas em duas variáveis, serviu para decisão sobre inclusão em uma análise de correspondência múltipla para o conjunto de variáveis simultaneamente (IEZZI, 2005).
4.3.1 IGC, desempenho superior e persistente e setor da BM&FBOVESPA
Inicialmente, são realizados os testes Qui-quadrado, tomados a cada par de variáveis, obtendo-se a significância de associação pela Anacor, para determinação da válida associação múltipla dos desempenhos superiores e persistentes com o IGC e o setor de atuação da BM&FBOVESPA, através da Homals.
O teste Qui-quadrado para a associação entre as variáveis categorizadas por quartis do IGC, DSPF e setor de atuação, tomadas a cada par, é apresentado na Tabela 36, para o grupo 1 de empresas com desempenho superior e persistente no enfoque financeiro.
Tabela 36 – Teste Qui-quadrado para quartil de IGC, de DSPF e setor de atuação
Variável 1 Variável 2 N Df Valor do Qui-quadrado Significância
IGC DSPF 71 9 16,505 0,057*
IGC Setor de atuação 71 24 25,151 0,398
DSPF Setor de atuação 71 24 53,099 0,001**
Notas: * Associação entre as variáveis ao nível de significância de 10%. ** Associação entre as variáveis ao nível de significância de 5%.
Fonte: Dados da pesquisa.
Cabe ressaltar que o grupo 1, no contexto de desempenho econômico com métrica financeira observado no teste, trata da relação de 71 empresas com DSPF, resultante da média de ROAS sempre maior que zero para o período. Os dados permitem analisar que não há significância na associação entre a variável IGC, categorizada por quartis para as 71 observações deste grupo, e o setor de atuação. Favorecendo como um cenário comparativo, o trabalho de Moura, Mecking e Scarpin (2013) buscou analisar, entre companhias abertas listadas na BM&FBOVESPA, a relação existente entre competitividade de mercado, através do índice de Herfindahl-Hirschman, proporções de ativos intangíveis e eficiência na combinação dos ativos fixos. Os resultados do período de 2008 a 2010 demonstraram ainda que entre as 268 companhias abertas que compuseram a amostra, àquelas em ambientes mais
competitivos (fator contingencial) possuíam maiores proporções de ativos intangíveis e melhores combinações de investimentos e imobilizados relacionados com seus intangíveis. Foi observada também a presença de monopólio e oligopólio entre setores de atuação da BM&FBOVESPA, o que prejudica uma análise conjunta da associação entre níveis de governança, desempenho sustentável e setor, visto que as empresas ou grupo com maior participação no mercado pode não se preocupar com o benefício de práticas de governança, e suas exigências de disclosure, em função de sua já privilegiada posição (status quo).
Observa-se, por outro lado, significativa associação entre a categorização das variáveis DSPF e setor de atuação, para nível de significância de até 1%, e entre as categorias de IGC e de DSPF, no nível de significância de 10%, favorecendo a análise de correspondência simples (BRUNI, 2012; NASCIMENTO et al., 2013; AZEVEDO et al., 2014) entre os pares de variáveis categorizadas do nível de governança corporativa e desempenho superior e persistente pelo enfoque financeiro, e entre este tipo de desempenho e o setor de atuação da BM&FBOVESPA.
Dessa forma, é possível montar um mapa perceptual a partir da Anacor para visualizar a associação entre o IGC das empresas que possuem desempenho financeiro superior e persistente e o seu DSPF, conforme a Figura 9.
Figura 9 – Mapa perceptual entre quartis de IGC e de DSPF das empresas que possuem desempenho financeiro superior e persistente
O mapa perceptual das empresas do grupo 1 para o DSPF, formado pela Anacor, demonstra que o nível de IGC Baixo está mais associado ao DSPF Médio Baixo, enquanto que o IGC Médio Baixo está mais próximo do DSPF Baixo e DSPF Alto, e o IGC Médio Alto está próximo do DSPF Médio Alto. Para o IGC Alto, a associação não está muito clara, pois sua aproximação está entre os quartis de DSPF Alto, DSPF Médio Alto e DSPF Baixo.
A correspondência apresentada na Tabela 37 torna mais clara ainda, a quantidade de categorias de IGC com as de DSPF, observado nas 71 empresas com desempenho superior e persistente, no enfoque econômico, na medida financeira.
Tabela 37 – Tabela de correspondência entre quartis de IGC e de DSPF Quartil de IGC
Quartil DSPF
DSPF Baixo DSPF Médio Baixo DSPF Médio Alto DSPF Alto Margem ativa
IGC Baixo 1 6 3 1 11
IGC Médio Baixo 8 4 2 8 22
IGC Médio Alto 4 4 6 1 15
IGC Alto 4 4 7 8 23
Margem ativa 17 18 18 18 71
Fonte: Dados da pesquisa.
Como já observado na Figura 9, há maior concentração de IGC Baixo e DSPF Médio Baixo, no grupo das 71 empresas com desempenho superior e persistente financeiro. O IGC Médio Baixo está mais concentrado nos extremos DSPF Baixo e no DSPF Alto. O IGC Médio Alto tem maior concentração associado ao DSPF Médio Alto. É possível verificar, de forma clara, que o IGC Alto tem maior concentração de empresas associado ao DSPF Alto, embora com pequena vantagem em relação ao quartil de DSPF Médio Alto.
Verificou-se ainda, a associação do grupo 1 das 71 empresas com desempenho superior e persistente financeiro, com o setor de atuação, observado no mapa perceptual apresentado na Figura 10.
Figura 10 – Mapa perceptual entre quartis de DSPF e setor de atuação das empresas de desempenho financeiro superior e persistente
Fonte: Dados da pesquisa.
Por meio do mapa perceptual apresentado, é possível verificar que existem algumas associações entre setores de empresa e desempenho superior e persistente no aspecto financeiro. Observa-se no mapa que os setores de Telecomunicações, Petróleo, Gás e Biocombustíveis e Consumo não Cíclico possuem características mais fortemente voltadas a um desempenho superior e persistente alto (“DSPF Alto”). O setor Bens Industriais está mais próximo do “DSPF Médio Baixo”. O setor de Construção e Transporte está muito próximo ao DSPF Médio Alto, mantendo-se este desempenho próximo também a Utilidade Pública. Materiais Básicos e Consumo Cíclico têm proximidade ao desempenho superior e persistente de baixo para médio baixo.
A Tabela 38, com a correspondência entre as categorias das duas variáveis para o grupo 1 de DSPF, complementa a análise do mapa perceptual, apresentado na Figura 10.
Tabela 38 – Tabela de correspondência entre quartis de DSPF e setor de atuação Setor de atuação
Quartil DSPF
DSPF Baixo DSPF Médio Baixo DSPF Médio Alto DSPF Alto Margem ativa
Bens Industriais 2 6 2 1 11
Setor de atuação DSPF Baixo DSPF Médio Quartil DSPF
Baixo DSPF Médio Alto DSPF Alto Margem ativa
Consumo Cíclico 2 5 2 2 11
Consumo não Cíclico 0 0 2 4 6
Materiais Básicos 7 4 1 0 12 Petróleo, Gás e Biocombustíveis 0 0 0 1 1 Tecnologia da Informação 0 0 0 1 1 Telecomunicações 0 0 0 5 5 Utilidade Pública 2 2 4 2 10 Margem ativa 17 18 18 18 71
Fonte: Dados da pesquisa.
É possível observar que há maior concentração de DSPF Baixo no setor Materiais Básicos. Seguindo a análise dos desempenhos superiores, observa-se DSPF Médio Baixo mais associado a Bens Industriais, enquanto DSPF Médio Alto concentra-se mais em empresas de Construção e Transporte, assim como o DSPF Alto no setor de Telecomunicações. Assim, em relação aos setores de atuação, pela correspondência na Tabela 38, observa-se que o Consumo Cíclico concentra-se no DSPF Médio Baixo, enquanto que as empresas do Consumo não Cíclico se encontram mais concentradas no DSPF Alto. Os dois casos únicos de empresa no setor Petróleo, Gás e Biocombustíveis e no setor Tecnologia da Informação apresentaram DSPF Alto.
Para análise da associação das empresas pertencentes ao grupo de desempenho superior e persistente pela dimensão de valor de mercado, o teste Qui-quadrado para a associação entre a categorização das variáveis IGC, DSPV e setor de atuação, tomadas a cada par, é apresentado na Tabela 39, para a nova formação de empresas com desempenho superior e persistente do grupo 1.
Tabela 39 – Teste Qui-quadrado para quartil de IGC, DSPV e setor
Variável 1 Variável 2 N Df Valor do Qui-quadrado Significância
IGC DSPV 50 9 5,801 0,760
IGC Setor de atuação 50 24 25,514 0,378
DSPV Setor de atuação 50 24 22,054 0,576
Fonte: Dados da pesquisa.
Desta vez, para o grupo 1, observado o prisma de desempenho de valor de mercado, verificam-se 50 empresas com DSPV maior que 1. Pode-se observar que, para todas as combinações das variáveis, não há nenhuma associação significativa, pois todos os testes de Qui-quadrado obtiveram p-value maior que os níveis de significância 5% e 10%, invalidando a análise de correspondência GREENACRE, 2007; BRUNI, 2012 NASCIMENTO et al., 2013; AZEVEDO et al., 2014).
Em relação à avaliação da classificação entre categorias de IGC e setor de atuação, considerando todas as 221 empresas deste estudo, dada nova quartilização de IGC, conforme estatísticas descritivas na Tabela 33, para a toda população, o valor do Qui-quadrado passa para 49,611 e com p-value de 0,002, portanto, dentro do nível de significância de 5% e 1%, tendo, assim, forte associação entre as duas variáveis, com nível de confiança em até 99% de fidedignidade para a associação em Anacor. Assim, considerando toda a população do estudo, o mapa perceptual apresentado na Figura 11 favorece o exame de proximidade geométrica entre as variáveis IGC e setor de atuação.
Figura 11 – Mapa perceptual entre quartil de IGC geral e setor de atuação
Nota: Quartis de IGC: [2; 6] = IGC Baixo; [7; 10] = IGC Médio Baixo; [11] = IGC Médio Alto; [12; 18] = IGC Alto.
Fonte: Dados da pesquisa.
O mapa perceptual evidencia muitas aproximações entre vários setores e determinados quartis de IGC. O IGC Baixo está muito próximo do setor Petróleo, Gás e Biocombustíveis, bem como do setor Consumo Cíclico. O IGC Médio Baixo está mais próximo do setor Utilidade Pública. Observa-se grande distância geométrica entre os setor de Telecomunicações e os quartis, sendo o mais próximo o de IGC Médio Baixo.
Para elucidar, em valores nominais, as correspondências entre estas categorias de IGC e o setor de atuação das empresas, apresenta-se a Tabela 40.
Tabela 40 – Tabela de correspondência entre quartil de IGC geral e setor de atuação Setor de atuação
Quartil de IGC
IGC Baixo IGC Médio Baixo IGC Médio Alto IGC Alto Margem ativa
Bens Industriais 7 8 5 7 27
Construção e Transporte 6 3 13 19 41
Consumo Cíclico 14 15 5 7 41
Consumo não Cíclico 3 5 7 15 30
Materiais Básicos 9 10 3 7 29 Pet., Gás e Biocombustíveis 2 1 1 1 5 Tecnologia da Informação 0 1 1 4 6 Telecomunicações 0 5 0 1 6 Utilidade Pública 4 10 10 12 36 Margem ativa 45 58 45 73 221
Fonte: Dados da pesquisa.
A partir da Tabela 40 observa-se a concentração de cada quartil de IGC entre os setores. O IGC Baixo está mais concentrado no Consumo Cíclico, assim como o IGC Médio Baixo. O IGC Médio Alto e o IGC Alto se encontram mais associados ao setor Construção e Transporte. Por sua vez, observando-se os setores de atuação, pode-se dizer que as empresas do setor Bens Industriais, por exemplo, se apresentam mais no quartil de IGC Médio Baixo, assim como o Consumo Cíclico e o setor Materiais Básicos. Construção e Transporte, Consumo não Cíclico, Tecnologia da Informação e Utilidade pública concentram suas empresas no quartil de IGC Alto.
Como se pode observar, não há no grupo 1 desta pesquisa (empresas com desempenho superior e persistente), tanto na métrica financeira quanto na de valor de mercado, a associação conjunta entre as variáveis de governança, desempenho superior e persistente e setor de atuação, tomadas de par em par, pelo teste preliminar do Qui-quadrado (IEZZI, 2005), não sendo possível realizar a Homals.
Considerando a possibilidade de se registrar alguma associação entre a categorização de quartil de IGC e do desempenho superior e persistente no enfoque financeiro, em cada setor de atuação da BM&FBOVESPA, a Tabela 41 faz um resumo dos testes Qui-quadrado por setor.
Tabela 41 – Resumo por setor de testes Qui-quadrado para quartil de IGC e de DSPF
Setor N Df Valor do Qui-quadrado Significância
Bens Industriais 11 9 7,333 0,602
Construção e Transporte 14 9 9,771 0,369
Consumo Cíclico 11 9 10,450 0,315
Consumo não Cíclico 6 3 6,000 0,112
Materiais Básicos 12 6 7,571 0,271
Utilidade Pública 10 9 8,750 0,461
Nenhum dos valores dos testes Qui-quadrado atendeu ao nível de significância de 5% ou 10%, não rejeitando a hipótese nula que trata da independência das variáveis, ou seja, invalidando a associação pela Anacor (GREENACRE, 2007; BRUNI, 2012 NASCIMENTO et al., 2013; AZEVEDO et al., 2014). Os setores ausentes apresentaram categorias por variável menor que 3, como indicado como premissa no teste Qui-quadrado para análise de correspondência (GOUVÊA; PREARO; ROMEIRO, 2012). Ficaram, portanto, desconsideradas as empresas do setor Petróleo, Gás e Biocombustíveis (1 empresa), Tecnologia da Informação (1) e Telecomunicações (5), que completam o grupo de 71 empresas com desempenho superior e persistente financeiro.
Quanto ao enfoque do desempenho superior e persistente pelo valor de mercado, a Tabela 42 apresenta o resumo do teste Qui-quadrado para interdependência entre o quartil de IGC com o de DSPV, por setor de atuação.
Tabela 42 – Resumo por setor de testes Qui-quadrado para quartil de IGC e DSPV
Setor N Df Valor do Qui-quadrado Significância
Bens Industriais 6 4 6,667 0,155
Construção e Transporte 7 6 4,861 0,562
Consumo Cíclico 13 9 5,005 0,834
Consumo não Cíclico 6 6 6,000 0,423
Materiais Básicos 4 6 8,000 0,238
Utilidade Pública 10 6 4,792 0,571
Fonte: Dados da pesquisa.
Nenhum dos valores dos testes Qui-quadrado atendeu ao nível de significância de 5% ou 10%, aceitando a hipótese nula que as variáveis são independentes, invalidando a associação pela Anacor (GREENACRE, 2007; BRUNI, 2012 NASCIMENTO et al., 2013; AZEVEDO et al., 2014). Da mesma forma, os setores ausentes apresentaram categorias por variável menor que 3, como indicado como premissa da análise de correspondência (GOUVÊA; PREARO; ROMEIRO, 2012). Neste grupo de análise, foram desconsideradas as observações do setor Petróleo, Gás e Biocombustíveis (1 empresa), Tecnologia da Informação (1) e Telecomunicações (2), que completam o grupo de 50 empresas com desempenho superior e persistente por valor de mercado.
Apresentadas as possíveis associações em relação ao setor de atuação, passa-se a evidenciar a associação com a estrutura de capital na seção terciária seguinte.
4.3.2 IGC e desempenho superior e persistente e estrutura de capital
Assim como na seção anterior, são apresentados os testes Qui-quadrado, na comparação dos desempenhos superiores e persistentes associados ao IGC, para análise de possível inclusão conjunta pela Homals, considerando agora a variável estrutura de capital, categorizada por medida quartílica.
A Tabela 43 apresenta os valores do Qui-quadrado para a categorização quartílica das variáveis IGC, para o grupo de 71 empresas com desempenho superior e persistente pelo enfoque financeiro, de DSPF e estrutura de capital (propriedade).
Tabela 43 – Teste Qui-quadrado para quartis de IGC, DSPF e propriedade
Variável 1 Variável 2 N Df Valor do Qui-quadrado Significância
IGC DSPF 71 9 16,505 0,057*
IGC Estrutura de propriedade 71 12 10,667 0,558 DSPF Estrutura de propriedade 71 12 12,437 0,411 Notas: * Associação entre as variáveis ao nível de significância de 10%. ** Associação entre as variáveis ao nível de significância de 5%.
Fonte: Dados da pesquisa.
Considerando o nível de significância de 5%, observa-se que não há nenhuma associação significativa entre as variáveis, através do registro de seus valores categorizados para as 71 empresas do grupo de desempenho superior e persistente, no desempenho financeiro. Portanto, não se pode associar, conjuntamente, as variáveis IGC, DSPF e estrutura de propriedade, através da análise pela Homals (IEZZI, 2005). Entretanto, assumindo um nível de significância de 10%, mantém-se a associação das variáveis categorizadas de IGC e DSPF, pela Anacor, já apresentados no mapa perceptual na Figura 9 e correspondência na Tabela 37.
Considerando o grupo das 50 empresas com desempenho superior e persistente pelo enfoque econômico do valor de mercado, a Tabela 44 apresenta os valores do Qui-quadrado para as categorias das variáveis IGC, DSPV e estrutura de capital.
Tabela 44 – Teste Qui-quadrado para quartis de IGC, DSPV e propriedade
Variável 1 Variável 2 N Df Valor do Qui-quadrado Significância
IGC DSPV 50 9 5,801 0,760
IGC Estrutura de propriedade 50 12 6,842 0,868 DSPV Estrutura de propriedade 50 12 11,309 0,503 Fonte: Dados da pesquisa.
Não foi encontrada significância aceitável para associações entre nenhuma das variáveis, com suas respectivas métricas de categorização para o grupo 1 das 50 empresas
com desempenho superior e persistente na avaliação de mercado, inviabilizando a Homals (IEZZI, 2005).
No entanto, Okimura, Silveira e Rocha (2007) investigaram relação entre a estrutura de propriedade e controle e o valor e desempenho das companhias privadas abertas brasileiras entre 1998 e 2002, classificando o tipo de controlador em propriedade privada estrangeira, propriedade privada nacional, propriedade familiar ou pessoal, propriedade por bancos/instituições financeiras, e propriedade por fundos de pensão. Obtiveram, entre seus resultados, que o tipo de acionista controlador influencia o valor das empresas positivamente em dois casos: no caso de controle privado estrangeiro e no caso de controle privado nacional. Um possível impacto, positivo ou negativo, no valor das empresas por meio de um controle do tipo familiar não foi verificado como significante estatisticamente. Desta forma, a observação dos autores sobre as causas do desempenho não corroborou para o resultado observado nesta pesquisa, que não constatou relação entre estrutura de propriedade e desempenho superior e persistente no enfoque econômico para o valor de mercado.
Em relação à avaliação da classificação entre quartis de IGC e estrutura de capital, levando em conta todas as 221 empresas, considerada a quartilização de IGC para toda a população, referida pelas estatísticas descritivas apresentadas na Tabela 33, o valor do Qui- quadrado passa para 23,718 e com p-value de 0,070, dentro do nível de significância de 10%, favorecendo, portanto, associação pela Anacor (GREENACRE, 2007; NASCIMENTO et al., 2013; AZEVEDO et al., 2014).
A Figura 12 apresenta o mapa perceptual da associação do quartil geral da população para IGC e as categorias de estrutura de propriedade.
Figura 12 – Mapa perceptual de quartil de IGC e estrutura de propriedade
Nota: Quartis de IGC: [2; 6] = IGC Baixo; [7; 10] = IGC Médio Baixo; [11] = IGC Médio Alto; [12; 18] = IGC Alto.
Fonte: Dados da pesquisa.
Pode-se observar as proximidades geométricas entre algumas categorias de estrutura de propriedade e quartis de níveis de governança corporativa (IGC). A propriedade privada estrangeira está associada ao IGC Médio Alto. A propriedade estatal muito associada ao IGC médio Baixo, enquanto que a propriedade privada nacional está mais próxima do IGC Alto.
Para uma maior evidenciação dessa associação e concentração das empresas, a Tabela 45 apresenta a correspondência entre as variáveis apresentadas no Figura 12.
Tabela 45 – Tabela de correspondência entre quartis de IGC e estrutura de propriedade Estrutura de
propriedade
Quartil IGC Geral
IGC Baixo IGC Médio Baixo IGC Médio Alto IGC Alto Margem ativa
Privada estrangeira 0 4 7 3 14 Estatal 3 4 3 4 14 Privada nacional 16 27 19 43 105 Familiar 26 23 15 21 85 Fundo de pensão 0 0 1 1 2 Instituição financeira 0 0 0 1 1 Margem ativa 45 58 45 73 221
De forma mais clara, é possível observar a concentração das estruturas de propriedade das empresas entre as categorizações de IGC, segundo os quartis da população. O IGC Baixo