2.2 Den profesjonelle sosialarbeider
2.2.1 En samlet profesjonalitet
A pesquisa abrangeu, inicialmente, uma população de 224 empresas brasileiras de capital aberto, listadas na BM&FBOVESPA, ativas, não financeiras, que apresentaram negociação de ações ordinárias, e com valor de mercado disponível na base Economática®, nos quatro anos do período da pesquisa (2010 a 2013).
Cabe ressaltar que, destas empresas, observou-se que duas (Embratel Par e Net) tiveram seus registros na listagem da bolsa brasileira cancelados após o período da pesquisa, em 31 de dezembro de 2014, permanecendo ainda, portanto, na população estudada.
A análise documental envolveu Formulários de Referência das empresas, em sua última versão de 2013, divulgados no website da BM&FBOVESPA, estatutos sociais, códigos de conduta, demonstrativos financeiros, relatórios de sustentabilidade e relatórios anuais ou da administração, disponibilizados no portal eletrônico da BM&FBOVESPA, da CVM, no banco de dados GRI e nos websites das empresas.
Em consideração à ausência de documentos, no entanto, as empresas com nome de pregão Rede Energia (setor Utilidade Pública) e Tecnosolo (Construção e Transporte) não dispuseram seus Formulários de Referência para o ano analisado, enquanto que a empresa Sansuy (Materiais Básicos) nunca divulgou este documento, o que levou a exclusão dessas três empresas da população, finalizando, portanto, a análise de 221 empresas para o alcance dos objetivos da pesquisa.
4.1.1 IGC e suas dimensões
Na busca para composição do Índice de Governança Corporativa (IGC), conforme os critérios elaborados e apresentados no Apêndice D desta pesquisa, destacando-se a dimensão da responsabilidade corporativa, diferencial neste enfoque de governança corporativa, foram analisados os relatórios e documentos já mencionados, cujos dados foram tabulados através do Microsoft Excel®.
Inicialmente, cabe mencionar sobre o processo de coleta dos documentos necessários para a pesquisa, em especial sobre a fonte de coleta. Ao todo, foram analisados 221 Formulários Cadastrais, 221 Formulários de Referência, disponíveis no website da BM&FBOVESPA, além de 161 códigos de conduta divulgados e 107 fontes de relatos de sustentabilidade.
A apresentação das fontes de coleta e a situação das empresas quanto à divulgação dos códigos de conduta vigentes e dos relatos de sustentabilidade do ano de 2013, é disponibilizada na Tabela 2.
Tabela 2 – Fontes respectivas de códigos de conduta e relatos de sustentabilidade
Código de conduta Relatos de sustentabilidade
Local Total %Cód %Pop Local Total %Relat %Pop
CVM 135 83,9% 61,1% Empresa 55 51,4% 24,9%
Empresa 26 16,1% 11,8% GRI 40* 37,4% 18,1%
- - - - CVM 30 28,0% 13,6%
Total 161 100% 72,9% Total 107 100% 48,4%
Nota: *Das 40 empresas que divulgaram o relatório de sustentabilidade GRI, 18 também divulgaram no website da CVM.
Fonte: Dados da pesquisa.
Os websites da CVM, da BM&FBOVESPA e das empresas foram as principais fontes respectivamente dos códigos de conduta (83,9%) e relatórios de sustentabilidade (51,4%) divulgados. Além da maioria dos relatórios de sustentabilidade divulgados nos websites corporativos, 40 empresas, isto é, 27,4% divulgaram no banco de dados do GRI. Pode-se observar que poucos foram os relatórios de sustentabilidade divulgados no website da CVM, 30 de 161 divulgados, isto é, 18,63% de reportes de sustentabilidade, e, considerando a população, a representatividade é de aproximadamente 13,39%. Apenas 43,75% da população das empresas divulgou seu código de conduta e relatório de sustentabilidade conjuntamente.
Comparativamente, a quantidade nominal de empresas que divulgam os códigos de conduta encontrada nesta pesquisa foi um pouco abaixo do estudo de Azevedo et al. (2014). Estes autores buscaram evidenciar a aderência das recomendações do IBGC (2009),
constatando que 166 empresas disponibilizaram os códigos de conduta, correspondendo a 39,6% do universo de 419 empresas listadas na BM&FBOVESPA, em 30 de junho de 2010, demonstrando que seus resultados foram inferiores aos obtidos por estudos similares.
Em relação ao estudo da KPMG (2013), com base em Formulários de Referência de 232 empresas, à exceção das empresas listadas no segmento do Mercado tradicional, com apenas 56%, as empresas dos níveis diferenciados de governança apresentaram 100% de divulgação do Código de Ética ou Conduta, resultado diverso do encontrado nas 221 empresas desta pesquisa.
Como constatado na pesquisa de Cardoso (2013), o conteúdo dos relatórios de sustentabilidade devem conter informações relativas aos aspectos econômicos, sociais e ambientais das empresas, não abrangendo demonstrações contábeis e notas explicativas. Ainda assim, algumas empresas investigadas apresentaram em um único documento todas as informações, considerando as práticas econômicas em relatórios financeiros e de responsabilidade corporativa, também observado por Cardoso (2013), em diversas titulações, como se demonstra na Tabela 3.
Tabela 3 – Fontes de relatos de sustentabilidade
Temática Quant. %Quant. Padronizado %Padrão Padrão Não Padrão %Não
Sustentabilidade 42 39,3 38 35,5 4 3,7 Relatório Anual 30 28,0 16 15,0 14 13,1 Anual e Sustentabilidade 12 11,2 12 11,2 0 0,0 Demonstrações 10 9,3 2 1,9 8 7,5 Responsabilidade Socioambiental 3 2,8 2 1,9 1 0,9 Balanço Social 3 2,8 1 0,9 2 1,9 Pacto Global 2 1,9 0 0,0 2 1,9 Performance 2 1,9 1 0,9 1 0,9
Responsabilidade Social e Ambiental 1 0,9 0 0,0 1 0,9
Balanço Socioambiental 1 0,9 0 0,0 1 0,9
Social 1 0,9 0 0,0 1 0,9
Total 107 100,0 72 67,3 35 32,7
Fonte: Dados da pesquisa.
Comparativamente à metodologia de Cardoso (2013), esta pesquisa procurou evidenciar os tipos de relatório apresentados pelas empresas sobre a temática da sustentabilidade, que incorpora as questões da responsabilidade corporativa. Assim, considerando a abordagem stakeholder oriented, incorporando a dimensão responsabilidade social corporativa para a construção do índice de governança, observou-se o predomínio dos relatos de sustentabilidade em relatórios com intitulação própria, assim como constatado por Cardoso (2013), e nos relatórios anuais das empresas (“relatório de sustentabilidade”, “relatório anual” e “relatório anual e de sustentabilidade”), ou termo derivado em língua
estrangeira, compondo 84 empresas, i.e. 78,5% das 107 empresas que divulgam tais relatórios. Destas, 74 empresas, i.e. 69,2% das divulgadoras de relatórios de sustentabilidade e apenas 33% da população, emitiram documentos padronizados, para efeitos desta pesquisa, conforme critério metodológico, o que favoreceu a mensuração dos aspectos referentes à dimensão de responsabilidade corporativa do índice de governança.
Quanto aos modelos padronizados, que corroboraram com a mensuração do IGC, no que se refere à dimensão da responsabilidade corporativa, e considerando as principais orientações de sustentabilidade, apresentados no Apêndice A, a Tabela 4 destaca os modelos de relatórios de sustentabilidade evidenciados na pesquisa.
Tabela 4 – Modelos de relatórios de sustentabilidade
Modelos Usados Relatórios %divulgação %população
GRI G3 39 36 18 GRI G3.1 29 27 13 GRI G4 25 23 11 IBASE 36 34 16 *ISE 16 15 7 NBC T 15 12 11 5 (não padronizado) 35 33 16
Total de Relatórios de Sustentabilidade 107 100 48
População 221 100
Nota: *O ISE é referente ao questionário para o Índice de Sustentabilidade Empresarial Fonte: Dados da pesquisa.
Observam-se que os modelos GRI, com a grande vantagem de identificação de seus itens atendidos através de seu índice remissivo, foram as padronizações mais utilizadas entre as empresas divulgadoras de relatórios de sustentabilidade, seguidos pelo IBASE, apresentado em forma de balanço social, inserido, em sua maioria, em alguns relatórios conjuntamente com um dos modelos GRI, sendo que também 16 empresas publicaram respostas ao questionário do ISE, referente à carteira de 2014 disponibilizada pelo Centro de Estudos de Sustentabilidade da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP), Fundação Getúlio Vargas, em parceria com a BM&FBOVESPA.
Também como observado por Cardoso (2013), teve destaque na aparência dos relatórios de sustentabilidade a presença de ilustrações, por meio de gráficos, tabelas ou quadros. Duas empresas usaram os relatórios interativos exclusivamente online (Aco Altona e Cemig). As demais empresas disponibilizaram seus relatórios, ao menos, no formato de portable data file (PDF), para download.
Constatou-se na coleta que alguns relatórios eram difíceis serem encontrados e, por vezes, estes estavam inseridos em documentos com intitulações variadas, o que leva a maior
dificuldade no trabalho de um investidor em avaliar a responsabilidade corporativa da empresa. Neste mesmo sentido, houve casos em que os relatórios estavam em websites com domínios externos ao da corporação, encontrados aleatoriamente, para leitura apenas online.
Embora não tenha sido tratada como foco das orientações de sustentabilidade, no Apêndice A, foi observada também uma preocupação à adequação da norma brasileira NBC T 15, que trata de informações de natureza social e ambiental, entre 12 empresas da população. Ainda, 2 empresas, que assinaram o Pacto Global (Rio+20), passaram a se preocupar com o reporte, mas sem uma padronização que evidenciasse, em seus relatórios, das questões mensuradas pela metodologia desta pesquisa.
Durante a coleta e conforme instrumento de coleta do IGC (vide Apêndice D), na análise documental dos códigos de conduta ou códigos de ética, buscou-se associação de palavras-chave que evidenciassem políticas de sustentabilidade, quando não claramente disposto nas seções do documento, envolvendo as metas ou ações estratégicas para políticas socioambientais, entre elas: “comunidade”, “impactos ambientais”, “meio ambiente”, “projetos sociais”, “projetos ambientais”, “responsabilidade corporativa”, “responsabilidade social”, “responsabilidade socioambiental”, “sociedade”, “sustentabilidade”, “desenvolvimento sustentável”.
Destarte, pode-se relacionar, considerando apenas os documentos disponibilizados que favoreceram a construção do IGC, a relação entre estratégias de sustentabilidade previstas em códigos de conduta ou ética e o efetivo reporte no período de 2013, conforme se observa na Tabela 5.
Tabela 5 – Relação entre estratégias em códigos e relatórios
Conflitos entre estratégia em códigos de conduta e relatórios de sustentabilidade Empresas %Total
Empresas com estratégia em códigos de conduta e com relatórios padronizados 50 23 Empresas com estratégia em responsabilidade corporativa no código de conduta, com
relatórios não padronizados 12 5
Empresas com estratégia em responsabilidade corporativa no código de conduta, sem
evidenciar em relatórios periódicos 19 9
Empresas sem estratégia em responsabilidade corporativa no código de conduta, mas
com relatórios periódicos não padronizados 15 7
Empresas sem estratégia em responsabilidade corporativa, mas com relatórios
periódicos padronizados 21 10
Empresas sem estratégia em responsabilidade corporativa e sem relatórios periódicos 44 20 Empresas sem código de conduta, mas com relatórios periódicos não padronizados 6 3 Empresas sem código de conduta, mas com relatórios periódicos padronizados 3 1 Empresas sem código de conduta e sem relatórios de sustentabilidade 51 23
TOTAL 221 100
A partir da Tabela 5, verifica-se que apenas 22% da população apresentou estratégias em seus códigos de conduta e respectivo reporte em relatórios padronizados de sustentabilidade, seguindo especialmente modelos GRI e IBASE e as respostas do questionário ISE, considerados principais na pesquisa. A Tabela 5 também demonstra, em polos opostos, de um lado, as empresas que apresentaram estratégias em seus códigos, mas não reportaram de forma que a padronização favoreça uma avaliação do investidor; assim como, do outro lado, empresas já com preocupação em reportar sustentabilidade, embora sem políticas claras definidas em seus códigos. O índice de 24% de empresas que não apresentaram códigos de conduta e nem relatórios de sustentabilidade demonstra ainda uma falta considerável de empresas que não vislumbram uma reputação corporativa, ou que possa estar relacionado a um nível de governança corporativa ainda ausente.
Nesta pesquisa, observou-se que 81 empresas possuem informações em seus códigos de conduta sobre estratégias que envolvem conjuntamente o aspecto ambiental e social. Embora não se possa confrontar diretamente, vale ressaltar os dados encontrados na pesquisa de Azevedo et al. (2014), que observou que 125 empresas evidenciaram em seus códigos a questão do meio ambiente, enquanto que 115 empresas evidenciaram o assunto de relações com a comunidade, segundo as recomendações do IBGC (2009).
É claro que as empresas podem ter uma estratégia em outra fonte documental externa ou apenas internamente para seus colaboradores, mas o destaque desta informação demonstra que o parâmetro de avaliação das empresas pelo investidor (mercado) ou pesquisador está limitado ao que deveria constar nos códigos de conduta quanto às estratégias de responsabilidade social e ambiental (IBGC, 2009) e, por consequência, evidenciado em relatos de sustentabilidade, padronizados, para melhor comparabilidade de informações, ou não padronizados, o que dificulta ainda a análise para uma reputação da empresa.
O detalhamento das empresas referentes à Tabela 5 e outras situações encontradas na análise do conjunto das empresas da população estudada na pontuação do IGC na dimensão de responsabilidade corporativa estão informados no Apêndice E.
Considerando as dimensões de governança corporativa mensuradas pelo IGC nesta pesquisa (Apêndice D), podem-se observar as que obtiveram maior adesão pelas empresas investigadas, conforme a Tabela 6.
Tabela 6 – Dimensões do IGC atendidas pelas empresas
IGC Dimensão / item (palavras-chave) Trad. BDR BO N1 N2 NM BM Total %pop Transparência
IGC 1 Relatórios periódicos sem ressalvas 77 2 1 20 12 92 2 206 93,2 IGC 2 Normas internacionais de Contabilidade 76 2 1 22 12 93 2 208 94,1 IGC 3 Auditoria por Big Five 57 2 1 20 12 91 1 184 83,3 IGC 4 Remuneração divulgada 75 2 1 22 12 91 1 204 92,3
Conselho de Administração
IGC 5 CEO diferente de Chairman 58 2 1 21 12 87 2 183 82,8 IGC 6 Comitês de monitoramento 1 0 0 3 1 12 0 17 7,7
IGC 7 Maioria de membros independentes no Conselho 4 0 0 1 2 15 0 22 10,0
IGC 8 Tamanho do Conselho (5 a 11) 54 2 1 18 9 88 2 174 78,7
Ética e Conflitos
IGC 9 Conselho Fiscal permanente independente 1 0 0 0 1 15 0 17 7,7
IGC 10 Mediação ou arbitragem 0 0 0 1 0 5 0 6 2,7
IGC 11 PN menor que 20% do Capital Total 31 2 1 3 0 93 2 132 59,7 IGC 12 Capital controlador menor que capital total 45 2 0 5 2 94 2 150 67,9
Direito dos acionistas
IGC 13 Ação com direito a voto 23 2 0 2 7 93 2 129 58,4 IGC 14 Tag along ofertado 7 0 0 3 10 93 2 115 52,0 IGC 15 Acordos com acionistas minoritários 1 1 0 0 1 1 0 4 1,8
IGC 16 Free Float maior ou igual ao Nível 1 54 2 1 22 12 93 1 185 83,7
Responsabilidade Corporativa
IGC 17 Estratégia sustentável 14 1 0 19 9 38 0 81 36,7
IGC 18 Relato de sustentabilidade padronizado 22 0 0 10 6 36 0 74 33,5
IGC 19 Contribuições voluntárias 12 0 0 9 6 27 0 54 24,4
IGC 20 Gerencialmente de impactos 13 0 0 9 4 28 0 54 24,4
Total da população 88 2 1 22 12 94 2 221 100
Notas: Trad = Tradicional; BDR = BDR’s patrocinados; BO = Balcão Organizado; N1 = Nível 1; N2 = Nível 2; NM = Novo Mercado; BM = Bovespa Mais.
Fonte: Dados da pesquisa.
Pode-se observar que há grandes hiatos na adoção de boas práticas de governança corporativa, no Brasil, com incipiências ainda evidenciadas nas várias dimensões e na estrutura legal vigente de governança, embora com alguns avanços no decorrer dos anos, como já atestado por vários autores, como Saito e Silveira (2008), De Luca et al. (2010), Black, Carvalho e Gorga (2012), Barros, Soares e Lima (2013), Calsavara (2013), Macêdo et al. (2013), Nascimento et al. (2013), Black, Carvalho e Sampaio (2014), Moura, Varela e Beuren (2014) e Sonza e Kloeckner (2014).
Destacou-se de forma positiva, nesta pesquisa, a dimensão transparência, representada em especial pela emissão de relatórios periódicos sem ressalva, denotando uma preocupação das empresas com relação à qualidade de informação contábil (LAMEIRA, 2007) e ao
cumprimento da legislação (LEAL; CARVALHAL-DA-SILVA, 2005; LAMEIRA, 2007). No mesmo sentido, destaca-se ainda o atendimento às normas internacionais de contabilidade, relevante para os investidores, possibilitando a comparação entre desempenhos (LAMEIRA, 2007); a emissão de ADRs por parte de algumas empresas (LEAL; CARVALHAL-DA- SILVA, 2005); o uso de empresas de auditorias renomadas, com maior independência para avaliar a adequação das demonstrações financeiras (LEAL; CARVALHAL-DA-SILVA, 2005; LAMEIRA, 2007; SILVEIRA et al., 2009; LAMEIRA et al., 2011; LAMEIRA, 2012); e a divulgação da remuneração dos administradores, como boa prática de governança corporativa no mercado (SHLEIFER; VISHNY, 1997; LEAL; CARVALHAL-DA-SILVA, 2005; SILVEIRA et al, 2009; LAMEIRA et al, 2010).
Na questão do conselho de administração, considerada como parte da solução dos problemas de agência (FAMA; JENSEN, 1983; GONDRIGE, CLEMENTE; ESPEJO, 2012; ROSSETTI; ANDRADE, 2012), a maioria das empresas distingue o CEO do presidente dos conselhos, que devem ter atribuições diferentes, evitando-se a concentração de poder (LAMEIRA, 2007) e favorecendo a valorização pelo mercado, segundo Silveira, Barros e Famá (2003).
O estudo do Audit Committee Institute da KPMG (2013), com base nos Formulários de Referência das empresas abertas brasileiras, observou aumento no número de empresas em que os cargos do Presidente Executivo e o Presidente do Conselho de Administração são ocupados por pessoas diferentes, especialmente no Novo Mercado, em 2013. Em relação à quantidade de membros conselheiros, para a maioria das empresas, nesta pesquisa, demonstrou-se elevada aderência ao IBGC (2009), assim como observado por Nascimento et al. (2013). No estudo da KPMG (2013), o segmento de listagem da BM&FBOVESPA com maior número de membros em 2012, em média, o Nível 1, apresentou um membro a mais em 2013, passando de 8,5 para 9,2.
As empresas investigadas apresentaram pouca formação de comitês de monitoramento com membros independentes, bem como a independência do próprio conselho de administração, o que demonstra fraco compromisso de controle e gestão corporativa, como apontam Black, Jan e Kim (2006). Neste mesmo sentido, De Luca et al. (2010) evidenciam incipiência dos mecanismos de auditoria nas empresas dos níveis diferenciados de governança corporativa 1 e 2 e no Novo Mercado da BM&FBOVESPA. Considerando os resultados da KPMG (2013) para o conselho de administração, foi observado pequeno aumento na participação de conselheiros indicados por acionistas minoritários e conselheiros
independentes em 2013 em relação a 2012, enquanto os comitês mais frequentes foram de Auditoria (95 empresas em 2013) e Remuneração (59), mais observado no Novo Mercado.
Quanto à dimensão ética e conflitos, observou-se praticamente ausência de uso de mediação, verificando-se, no máximo, o uso da arbitragem para solução de conflitos, em sentido contrário ao sugerido pelas boas práticas de governança recomendadas pelo IBGC (2009). Ainda sobre essa dimensão, poucas empresas dispõem em sua estrutura de conselhos fiscais permanentes e independentes, eleitos por acionistas não controladores, aumentando o risco de expropriação do acionista minoritário (LEAL; CARVALHAL-DA-SILVA, 2005; LAMEIRA, 2007; SILVEIRA et al., 2009). A pesquisa da KPMG (2013) revela que, proporcionalmente, a quantidade de empresas em que o conselho fiscal atua de forma permanente foi no Nível 1, com 56% em 2013, sendo o Novo Mercado maior percentual de membros indicados pelos acionistas minoritários, com 44%. Em uma situação um pouco mais adequada, destaca-se que, em mais da metade das empresas analisadas, a prática de ações sem direito a voto é menor que 20% do capital total da empresa, evitando excessos de direito de voto e favorecendo o desempenho das empresas (OKIMURA; SILVEIRA; ROCHA, 2007; SILVEIRA et al., 2009; LAMEIRA et al., 2010). Em patamar próximo a dois terços da população, a relação final dos acionistas controladores com direito de fluxos de caixa para os de direito a voto é superior a 1, o que pode evitar a expropriação dos acionistas minoritários (LAMEIRA et al., 2010).
Na dimensão direito dos acionistas, apenas a prática de acordos de acionistas apresentou baixa adesão. A maior parte das empresas pratica o free float maior que o exigido para o Nível 1 da BMF&BOVESPA, i.e., com 25% das ações para livre negociação, no sentido de compromisso em aumentar a liquidez dos negócios, apontado por Silveira (2004). Um pouco mais da metade das empresas investigadas pratica o princípio de “cada ação vale um voto” e a oferta de tag along acima do exigido pelo dispositivo legal, com 100% para ações ordinárias e preferenciais do grupo não controlador, o que amplia os direitos de propriedade dos investidos minoritários, como aponta Lameira et al. (2010).
Quanto à dimensão responsabilidade corporativa, os resultados apontam que a mesma ainda está em fase embrionária pelas empresas brasileiras investigadas, tanto no tocante ao compromisso estratégico, quanto à difusão dos relatórios e também à sua padronização. Desta forma, podem-se observar fracas as contribuições voluntárias para a comunidade no ano pesquisado (2013), resultando, portanto, em situação contrária ao que preconiza a literatura ao apontar que um maior relacionamento da empresa com a comunidade pode propiciar aumento
da imagem institucional, redução do custo de capital e maior liquidez das ações (CUNHA; RIBEIRO, 2008; DE LUCA; MOURA, NASCIMENTO, 2012; GONÇALVES et al., 2013). Neste mesmo sentido, e em igual percentual (24,4%), verificou-se a baixa divulgação dos aspectos referentes ao gerenciamento de impactos das atividades empresariais sobre o meio ambiente, de forma sistemática e periódica. Deste modo, pouco se observou o estímulo das organizações a considerarem o impacto de suas atividades e integração da administração ambiental na rotina do trabalho, como racionalizam Delai e Takahashi (2008). Da mesma forma, a adoção de práticas e procedimentos de gestão ambiental como visão ampla, englobando todo o ciclo de vida do produto (GVCES-FGV, 2014), foi pormenorizada pelas empresas da população.
4.1.2 Estrutura de propriedade
Para a consecução do segundo objetivo específico, fez-se necessário analisar a estrutura de propriedade das empresas. Considerando o Formulário Cadastral e o Formulário de Referência de 2013, em suas últimas versões disponibilizadas, pode-se avaliar o controle acionário e ponderar sobre a estrutura de propriedade das empresas, no referido ano de estudo, conforme a classificação de Silveira, Barros e Famá (2008). Dessa forma, essa subseção apresenta os principais aspectos sobre a estrutura de propriedade das empresas investigadas.
O quesito principal da coleta no Formulário de Referência foi o item “15. Controle”, subitem “15.1 / 2 - Posição acionária”. Destarte, confrontou-se também o item “8. Grupo econômico” e o item “15.5 - Acordo de Acionistas”, do mesmo Formulário, além dos dados do Formulário Cadastral referentes ao país de origem e de custódia dos valores mobiliários, da situação do emissor e do controle acionário, para a devida classificação do tipo de controle (definido, difuso e pulverizado), conforme IBGC (2009), e estrutura de capital (tipo de propriedade, conforme definido na seção anterior – Metodologia).
A Tabela 7 apresenta o resumo das características analisadas para a composição acionária das empresas da pesquisa.
Tabela 7 – Aspectos da estrutura de propriedade
Aspectos Estrutura de propriedade
Total Pop % Segmento de listagem
na BM&FBOVESPA estrangeira Privada Estatal nacional Privada Familiar Fundo de pensão Instituição financeira