6. KREM 2005 – 2011. LÆRT
7.2 Sosial innovasjon og sosialt entreprenørskap
A confiabilidade dos dados requer um rigor na coleta e depende também da qualidade dos instrumentos de coleta. Os mesmos devem manter clara consonância com os objetivos da pesquisa e com a prática ética necessária a toda e qualquer coleta de insumos.
Nesta pesquisa, os dados foram coletados por meio de questionário on line, por consulta direta às bases de dados e por meio de entrevistas semiestruturadas. Com exceção das bases de dados, os instrumentos de coleta foram elaborados e, em seguida, validados por meio de pré-teste antes de serem disponibilizados em sua versão final.
6.6.1 Questionário do(a) Professor(a)
O Questionário do (a) Professor (a) continha 48 questões, sendo a maioria de múltipla escolha. O instrumento foi organizado considerando três aspectos: 1)Informações básicas sobre o professor; 2) Formação inicial e continuada; 3) Ensino de Língua Portuguesa. Cada aspecto contemplava múltiplas questões.
Quanto ao ensino de LP, em que abordamos as questões mais diretamente relacionadas à prática pedagógica do professor, subdividimos em:
a) informações sobre o tempo de docência no 5º ano e objetivos do ensino de LP no 5º ano;
b) conhecimentos sobre a matriz de referência de avaliação do 5º ano e questões da Prova Brasil e SPAECE sobre o descritor de variação linguística;
c) atividade envolvendo variação linguística, com fins de coletar informações sobre o modo como o professor explora esse conteúdo em sala de aula.
No Quadro 3, encontra-se a estrutura do questionário48. Vejamos:
Quadro 3 – Estrutura do Questionário do(a) Professor(a).
Parte Tema Conteúdo Questões
I
Informações
básicas sobre
o(a) professor(a)
Dados pessoais
Tempo de trabalho como docente.
01 a 06 (inclui 01 questão aberta) II Formação Inicial e Continuada
Formação inicial: curso de Graduação; tempo
de formado; cursos de Pós-graduação;
Participação em atividades de
desenvolvimento profissional nos últimos 18 meses e impacto dessas atividades;
Razões de não participação em atividades de
desenvolvimento profissional nos últimos 18 meses; 07 a 16 (inclui opções de respostas abertas) III- Ensino de LP no 5º ano do Ensino Fundamental
Anos/séries para os quais o(a) professor (a)
leciona) atualmente e há quanto tempo leciona para cada uma delas;
Foco principal do ensino de Língua
Portuguesa para os anos/série em que o(a) professor(a) leciona;
Recursos didáticos utilizados pelo (a)
professor (a).
17 a 19
(inclui opções
de respostas
abertas)
Conhecimento da Matriz de Referência do
SPAECE em Língua Portuguesa para 5º ano do EF;
Se o (a) professor(a) utiliza e como utiliza
essa Matriz para nortear o planejamento de suas aulas de Língua Portuguesa para o 5º ano;
Se os demais professores da escola utilizam e
como utilizam essa Matriz para nortear o planejamento de suas aulas de Língua Portuguesa para o 5º ano;
Prioridade dada a cada um dos seis tópicos
dessa Matriz nas aulas de Língua Portuguesa para o 5º ano;
Frequência com que o professor costuma
explorar cada um dos descritores da Matriz nas aulas de Língua Portuguesa para o 5º ano;
Se o(a) professor(a) teve dificuldade em
explorar cada um dos descritores da Matriz nas aulas de Língua Portuguesa para o 5º ano;
Descrição de dificuldade em explorar o
descritor D29 nas aulas de Língua Portuguesa para o 5º;
22 a 40
(inclui questões
abertas)
Parte Tema Conteúdo Questões Opinião do(a) professor(a) sobre a relevância
de itens relativos do D29 para o trabalho pedagógico com os usos sociais da linguagem no 5º ano.
Como o(a) professor(a) exploraria o poema
apresentado nas aulas de Língua Portuguesa para os alunos do 5º ano;
Importância que o (a) professor (a) atribuiu ao
trabalho com os usos sociais da linguagem (D29) nas aulas dos anos iniciais do EF, Anos finais do EF e do Ensino Médio.
45 a 48 (inclui questões
abertas)
Fonte: Elaborado pela autora (2013)
A maioria das questões foi construída especificamente para a pesquisa. Outras foram inspiradas em questionários contextuais utilizados pelo SAEB/Prova Brasil, pelo SPAECE e pela Pesquisa Internacional Sobre Ensino e Aprendizagem49 (TALIS), realizada no Brasil, em 2007.50.
O instrumento foi validado junto a uma amostra de professores da rede estadual de ensino que leciona LP no 5º ano, em Fortaleza. Após essa validação, e considerando as observações dos professores, o instrumento foi revisado e algumas adaptações foram feitas para a versão on line, o que necessitou de um novo pré-teste antes de ser disponibilizado para os respondentes durante a primeira etapa da pesquisa.
Vale destacar que não obstante todo esse rigor técnico na construção desse instrumental, o mesmo apresenta limitações como instrumento de coleta, conforme já asseverado por Marconi e Lakatos (2003) e por Gonçalves (2008). Dentre as desvantagens desse instrumental elencadas por Gonçalves (op.cit.), temos a falta de habilidade dos respondentes, a dependência dos recursos tecnológicos e a baixa taxa de respostas.
Apesar dessas limitações, resolvemos adotá-lo considerando os pontos positivos, também elencados pelos autores acima. Gonçalves (op.cit.) cita a flexibilidade, a economia de tempo, a facilidade de coleta e tabulação dos dados, além do baixo custo e da possibilidade de controle sobre o preenchimento desse instrumental.
49 Teaching and Learning International Survey –Talis. Questionário cedido pelo Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira-Inep.
50
Essa pesquisa é coordenada internacionalmente pela Organização e Cooperação para o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e, nacionalmente, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira-Inep.
6.6.2 Protocolo da entrevista semiestruturada
Para a segunda etapa, realizada junto às escolas de Fortaleza, utilizamos uma entrevista semiestruturada. A opção pela entrevista nesse segundo momento, foi aprofundar questões apresentadas no questionário on line de modo a se ter uma visão mais aprofundada sobre os saberes e atitudes dos professores acerca dos fenômenos linguisticamente variáveis bem como identificar suas práticas pedagógicas que envolvem a variação linguística.
Para a elaboração do protocolo da entrevista semiestruturada tomamos como inspiração direta o modelo teórico-metodológico da Sociolinguística que busca minimizar
toda a tensão existente entre pesquisador e pesquisado. E como diz Tarallo (1997), “parte do
objeto bruto, não polido, não aromatizado artificialmente” (p.18) e procura “minimizar o
efeito negativo causado pela presença do pesquisador na situação de coleta de dados” (p.21).
Assim, o protocolo (APÊNDICE 02), com o roteiro de perguntas, possibilitou uma entrevista em que os participantes ficaram bem à vontade para expressar suas experiências, independente da presença da pesquisadora e do fato de a entrevista ser gravada.
No roteiro de questões, foram incluídos os seguintes tópicos: infância e adolescência, vida adulta, vida profissional, atuação na escola e linguagens. A ida prévia da pesquisadora a cada escola e o diálogo direto com cada professor, geraram um relevante nível de espontaneidade que contribuiu para incentivar o professor a narrar um pouco de seu trabalho pedagógico em sala de aula envolvendo a variação linguística. A escolha por essa estratégia vem ao encontro do que nos fala Tarallo (1997), que diz que a narrativa de
experiência pessoal é “a mina de ouro que o pesquisador-sociolinguista procura” (p.23).
Embora nossa pesquisa não seja de caráter descritivo, a narrativa possibilitou que os professores se desvencilhassem da rigidez das situações mais monitoradas, dando leveza à interação com a pesquisadora.