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Noen eksempler på erfaringer fra samarbeidspartnere50

6.  KREM 2005 – 2011. LÆRT

6.4  Erfaringer som partner i utviklingsprosesser i velferdsforvaltningen

6.4.2  Noen eksempler på erfaringer fra samarbeidspartnere50

A citação em epígrafe nos encoraja diante do desafio de coletar dados. O trabalho pedagógico com variação linguística, realizado pelas escolas da rede pública de ensino do Ceará, constituiu nosso tema de pesquisa por objetivarmos contribuir, de algum modo, para pautar uma discussão mais qualificada sobre o tratamento dado à variação linguística no âmbito das discussões pedagógicas e educacionais no Estado. Para que essa discussão seja possível, necessário se faz refletir sobre elementos referentes à formação inicial e continuada dos professores que atuam no 5º ano, responsáveis pelos conteúdos de Língua Portuguesa (LP), bem como sobre a qualidade do livro didático de LP; sobre o acompanhamento pedagógico feito às escolas pelos sistemas de ensino e, em especial, sobre o planejamento pedagógico escolar em si. Um norte desafiador que requer a confluência de muitas variáveis.

Nossa escolha por esse objeto de pesquisa remonta o estudo realizado durante o Mestrado. A imersão em nossa pesquisa in loco nos possibilitou um olhar mais refinado diante da tentativa de conhecer e analisar a perspectiva dos professores no tratamento dado à variação linguística na escola e, por conseguinte, o desenvolvimento das competências sociolinguísticas dos estudantes. A trilha, nesse sentido, tem um viés familiar e o engajamento intelecto-emocional já foi instaurado há um certo tempo. É desse lócus que nos postamos para falar de nossa aproximação com a temática e para definir nossa trilha metodológica.

Como ponto de partida, analisamos os resultados obtidos pelos alunos do 5º ano no SPAECE, ao longo da série histórica que vai de 2008 a 2012, no descritor da matriz de avaliação referente à variação linguística.

Os resultados instigaram-nos a adentrar o universo escolar com o intuito de desfraldar o que se passa nos bastidores da sala de aula e de conhecer as percepções dos professores em relação a essa temática. Seus saberes sociolinguísticos e seus discursos sobre a variação poderiam nos dar pistas substanciais sobre um viés do ensino da língua materna na sala de aula que requer um olhar mais atento por parte de quem é responsável por pensar e refletir sobre o ensino nesta etapa de escolaridade.

Para dar conta de nosso propósito, estabelecemos, como ponto de partida, a definição da própria pesquisa. Isso nos ajudou no desenho do processo metodológico. O propósito não foi acirrar dualismos conceituais, nem cristalizar modelos, de forma inflexível, mas clarear as nossas escolhas. Reportamo-nos, para tanto, às reflexões de estudiosos dessa área.

Gonsalves (2001) assinala que as pesquisas podem ser classificadas a partir de diferentes critérios:

 segundo os objetivos (exploratória, descritiva, experimental e explicativa);  segundo os procedimentos de coleta de dados (experimento, levantamento,

estudo de caso, bibliográfica, documental, participativa);

 segundo as fontes de informação (campo, laboratório, bibliográfica,

documental) e

 segundo a natureza dos dados (quantitativa e qualitativa).

Entender como as pesquisas se classificam, embora necessário, nem sempre nos facilita a tomada de decisão por uma determinada escolha metodológica. Silverman (2009) destaca que muitos pesquisadores supõem enfrentar uma escolha entre os métodos qualitativos e quantitativos. Mas, segundo o autor, há maneiras de se trabalhar com os dois tipos de dados para tratar o tema da pesquisa. Uma delas é usar tabulações quantitativas simples para dar maior validade ao estudo qualitativo.

Acrescenta ainda que uma das maneiras principais de combinar a pesquisa quantitativa e qualitativa é iniciar um estudo quantitativo a fim de estabelecer uma amostra de respondentes e de estabelecer os contornos amplos do campo, e “depois usar a pesquisa

qualitativa para observar em profundidade uma questão-chave por meio de algumas das

amostras anteriores” ( op.cit.2009, p.55).

O que vemos é que a pesquisa qualitativa e a pesquisa quantitativa podem ser complementares. Gonsalves (2001) defende que um dos desafios postos ao pesquisador é a superação desse dualismo entre pesquisa qualitativa e quantitativa, tratadas durante muito

tempo como paradigmas distintos. Para a autora, cabe ao pesquisador “corrigir desequilíbrios,

esforçar-se para ampliar o conjunto de materiais disponíveis para dar conta de um

entendimento amplo sobre o problema” ( op.cit. p.68). E acrescenta que:

Não se trata de fazer uma “salada epistemológica”, trata-se de pontuar, com muita clareza, que utilizar um dado quantitativo não significa necessariamente mergulhar nos pressupostos teóricos do positivismo. Assim como a utilização de um dado qualitativo não indica que você estará mergulhando em pesquisas de caráter etnográfico, que remontam às origens da abordagem qualitativa. (op.cit. p.68). Segundo Silverman (2009), havia uma crença bastante difundida entre as pessoas

que iniciam um projeto de pesquisa, que o bom pesquisador qualitativo não deveria “sujar as mãos com números” (p. 58). E esse sentimento advinha de críticas profundas da base lógica

subjacente a algumas análises quantitativas. Entretanto, defende o autor que o pesquisador

pode sim fazer “alguns usos da quantificação na pesquisa que é planejada para ser qualitativa e interpretativa” (p. 58). Isso permite ao leitor, “em vez de confiar na palavra do pesquisador, ter uma chance de obter uma percepção do valor dos dados como um todo” (idem).

E como a pesquisa qualitativa, conforme assinala Flick (2009), dirige-se à análise de casos concretos em suas peculiaridades locais e temporais, partindo das expressões e atividades das pessoas em seus contextos locais, os dados quantitativos agregarão valor a esse olhar mais particularizado, possibilitando algumas generalidades para o contexto educacional cearense.

Partilhamos, portanto, do que postula Franco (2001) para quem a metodologia pode estar associada à filosofia da ciência ou à estatística. Quando associada à estatística

“significa o conjunto de procedimentos utilizados pelo pesquisador para a captação do empírico” (p. 207), passando a ser entendida como o “caminho que o sujeito percorre para a

apreensão da realidade, sem questionar que tipo de vinculação se estabelece no percurso desse

caminho, entre o sujeito que conhece e a realidade a ser apreendida” (p.207). E quando

associada à filosofia da ciência, examina o processo de investigação científica como movimento do pensamento humano do empírico ao teórico e vice-versa. Nesse contexto, estabelecem-se bases gnosiológicas que, de diferentes maneiras, buscam explicar “a relação

que se estabelece entre o sujeito que conhece e o objeto a ser conhecido, resultando, dessa

interação, o conhecimento” (p. 208).

Foi nessa direção que conduzimos nossa pesquisa, buscando conjugar as duas perspectivas, quantitativa e qualitativa, com o intuito de identificar elementos que nos possibilitem uma visão mais alargada do trabalho pedagógico que é feito com variação linguística em todo o Estado. Um maior volume de dados nos possibilitou o alargamento de uma interpretação qualitativa que agrega, dessa forma, confiabilidade e validade aos resultados da pesquisa.