Table 2.1 Factors influencing interaction scenarios
3.3 Solution to the Meteorological environment in the Arctic
Antes de dar início às sessões de fotografia, comecei por fazer um jogo com
carinhas (emotions) com alguns dos adolescentes, os alunos T, R e AR participantes neste
estudo.
Figura-4. Emotions
Retirei estes desenhos da internet e mandei fotocopiar, entregando um a cada aluno. Por baixo de cada imagem, os alunos deveriam escrever o que representava para
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si cada carinha. Depois de uma breve explicitação da tarefa e do objetivo pretendido com a mesma, fiz, de forma exemplificativa, a ponte com o que se pretendia com as fotografias que os alunos tirassem.
Constatei que para a aluna AR era necessário escrever as palavras no computador porque não sabia ler e escrever. A aluna AR mostrou-se participativa, mas condicionada pela escrita. Primeiro, ela dizia a palavra que, no seu entender, ilustrava a expressão da
carinha e eu escrevia-a num documento Word, no computador, sendo que a aluna, de
seguida, copiava-a para o papel na legenda correspondente à figura.
O aluno R teve mais dificuldades em interpretar as carinhas e escrever a leitura que fazia de cada uma delas, mas foi realizando a tarefa. Foi o último da primeira série, era notória a dificuldade que tinha para interpretar as expressões e em expressar-se, ficava calado, a olhar para mim como se não entendesse o que era para fazer, mesmo depois de explicar, de observar os colegas e exemplificar. Apesar de insistir para dizer o que pensava, ficava calado e bastante sério, até que ao fim de algum tempo avançava com uma palavra.
O aluno T revelou-se participativo e rápido na interpretação.
Quando passaram para à segunda série de figuras a aluna AR foi ajudar o aluno R, perguntando ao colega o que significava o boneco para ele? Para melhor ajudar, disse- lhe que lhe dava uma dica para ele chegar à “emoção”.
A seguir pedi a cada aluno, o R e a AR, para tirarem fotografias pela escola que representassem o que eles mais gostavam na mesma.
Ao longo destas sessões, o ato de fotografar produzia neste grupo de adolescentes, os alunos T, R, JO e AR, a capacidade de interagir, dialogar sobre as mesmas, o que levava muitas vezes a exporem-se emocionalmente, de forma inconsciente, recordando o motivo pelo qual tinham tirado aquela fotografia, gerando, por vezes, críticas sobre as mesmas, sobre a forma como tinham sido tiradas e os motivos que os tinham levado a fazê-lo.
Neste caso em estudo, penso que a fotografia foi promotora da autoestima destes alunos, já que na escola chamavam a atenção dos colegas, dos professores e funcionários quando andavam a fotografar, acabando por se tornarem protagonistas desta nova história nas suas vidas e nos seus meios envolventes.
A dificuldade assentava em encontrarem as palavras certas, para cada um deles, traduzir e definir “cada” foto e, consequentemente, para se expressarem. Outro obstáculo sentido foi o receio que tinham de não responderem bem ou fazerem tudo certinho. Por
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vezes, ficava, também, a dúvida se teriam ou não entendido o que lhes tinha sido pedido para fazer.
No caso da aluna JO, a maior barreira, por vezes quase intransponível, foi a comunicação e o entendimento verbal e/ou gestual entre nós. Em vários momentos, a tensão foi grande. Entenda-se tensão numa aceção positiva, pois a discussão era acerca das fotografias que a aluna tinha tirado; a aluna tentava expressar-se, quer na articulação de algumas palavras, mas não conseguia pronunciar, visto que, por vezes, nem saía a primeira sílaba, só era emitido um som, quer através de gestos acompanhados por sons, os quais eram impercetíveis apesar das inúmeras tentativas. Esta situação tornava-se, por vezes, embaraçosa para as duas, contudo não desisti de tentar entendê-la, apesar de a aluna JO acabar por acenar com a mão num gesto desistente, como que dizendo “esquece, não interessa!” ou “desisto, tu não entendes e eu não sou capaz de me fazer entender!”, o que a deixava com alguma tristeza. Pedia, novamente, à aluna JO para ter um pouco de paciência e explicar-me de novo. Ela começava a apontar para a fotografia, fazia gestos e ia articulando alguns sons ou algumas sílabas. Numa tentativa de a entender, ia lançando hipóteses sobre o que poderia estar a dizer, perguntando se o que estava a tentar dizer, era isto ou aquilo, ao que ela ia confirmando ou não, e ia repetindo até que ficava tudo percebido entre as duas.
Com o desenrolar das sessões, percebi que a aluna AR não se sentia bem a dar o nome às fotografias porque tinha muitas dificuldades ao nível da escrita, não sabia escrever as palavras. Isso deixava-a embaraçada e envergonhada, daí a sua recusa. Quando conversámos, ficou mais confortável, pois percebeu que não estava ali para a julgar ou avaliar, ficou mais liberta e até gostou, achando engraçado quando entrou no espírito da tarefa.
O aluno R foi um adolescente muito participativo e ativo no que diz respeito a fotografar, via-se que era uma tarefa agradável e aprazível para o aluno, no entanto quando passava para o tratamento da foto, em que tinha de atribuir um título ou uma pequena frase sobre a fotografia, era visível a sua atrapalhação e até algum sofrimento, pois ele gostava de fotografar, mas tinha muita dificuldade em traduzir por palavras o que as fotografias significavam para si, o motivo pelo qual as tinha tirado, causando, por vezes, momentos de silêncio e acabando por ficar parado e a olhar para as imagens, como se estivesse perdido. Era-lhe pedido para olhar para as fotografias e dizer um nome ou uma palavra que ele considerasse que poderia definir aquela fotografia. Ficava mudo, sem reação, como se não percebesse nada do que eu lhe acabava de explicar, o que me deixou
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um pouco preocupada. Insistia e dizia-lhe: “R, foste tu quem tirou as fotografias. Então, porque fotografaste este objeto e não outro; porque escolheste este sítio e não outro?…” O aluno R não dizia nada, continuava calado. Então, tentei, novamente, contornar a situação, resolvi pegar numa das fotografias do aluno R e, olhando para a fotografia, disse-lhe: “eu quando olhei para esta foto, lembrei-me logo da Primavera, porque está tudo verdinho. Já, nesta fotografia, vejo o Outono, as árvores não têm folhas, chego a ficar triste quando olho para ela”. Depois deste trabalho em conjunto, era necessário dar- lhe um reforço positivo, dizendo que tinha fotografias muito boas, que cada pessoa fazia uma interpretação diferente das fotografias e, que todas elas eram válidas. Apesar deste constrangimento, o aluno R gostava de falar com os colegas sobre as suas fotografias, assim como das dos colegas. Esses momentos de partilha tornavam-se dinâmicos e divertidos, gerando alguma discussão no grupo.
Das fotografias que apresentou e das quais se orgulhou e exibia aos colegas dando aso ao diálogo e discussão entre o grupo já que fazia uma apreciação e critica das mesmas gerando perguntas sobre o porque de fotografar este ou aquele objeto, porque gostava mais disto ou daquilo e assim por diante, como foi o caso das fotografias tiradas pelo R no seu quarto, na escola e no percurso entre a escola e a sua casa.
Glória Gatinho - 42 - Figura-6 “As minhas bolas”
Glória Gatinho - 43 - Figura-8 “R com a máquina na mão”
figura-9 “Cavalo a comer erva”
O aluno T, na fase inicial, revelou alguma dificuldade na escolha dos objetos/tema a fotografar, pois, por vezes, questionava o que devia fazer, o que devia fotografar. No entanto, foi um adolescente muito participativo e interessado, gostou muito de tirar
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fotografias, apesar de ter observado que tinha muita dificuldade no tratamento das mesmas, não ao nível informático, mas ao nível do pensar, do traduzir por palavras as suas emoções, como o próprio chegou a referir: “o mais difícil foi escrever o título, falar sobre elas porque era muito complicado, porque é difícil dar nome, não sabia o que dizer, porque é difícil falar dos sentimentos, pois os sentimentos são muito nossos”.
Tive com o aluno T procedimentos semelhantes aos do aluno R, mas acabei por verificar, ao fim de algum tempo, que o aluno T era capaz de trabalhar de forma autónoma, o que não invalidava que continuasse com grandes dificuldades. Durante as sessões, constatei que o aluno T ocupava o seu pensamento com os seus problemas pessoais, o que não o deixava concentrar-se, gerando a necessidade de falar sobre eles e só depois conseguia trabalhar.
Também nas descrições/títulos das fotografias, o aluno T queria colocar, para quase todas, as palavras “Carinho”, “Amor”, “Tristeza”, sem conseguir encontrar outras palavras para definir as suas fotografias, por que motivo as tinha tirado.
Glória Gatinho - 45 - Figura-11 “Amor”
Figura-12 “Tristeza”
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A aluna JO foi uma adolescente que, mesmo antes de lhe perguntar se gostaria de participar neste estudo, já ela estava a dizer que também queria fazer parte dele.
É uma adolescente com caraterísticas um pouco diferentes dos restantes adolescentes em estudo, por que uma das condicionantes é a forma como comunica, como já descrevi. Esta aluna comunica por sons pouco inteligíveis e expressa-se através de gestos, no entanto, esforça-se muito para ser entendida.
No início da atividade que lhe propus, expliquei-lhe o que pretendia, explicitando que ia na mesma linha de atuação do ano transato, no entanto, esta situação estava a fazer- lhe um pouco de confusão, nomeadamente sobre o propósito do objetivo das fotografias e a tipologia de fotografias eu queria. Tentei dar-lhe um exemplo, explicando que poderia fazer uma “selfie” e podia ser a forma de ela se descrever. Achou engraçado e de imediato passou à ação, tirou a “selfie” e mostrou-me; fiquei um pouco preocupada porque a JO é uma jovem que está sempre a sorrir e bem-disposta, mas tirou uma foto em que ficou muito séria e triste. Perante tal facto, não resisti em perguntar-lhe se ela se via assim. Esta, curiosamente, respondeu afirmativamente.
Figura-13 “A escola” (selfie produzida pela JO).
A professora de Educação Especial, que ia a passar, viu a fotografia e, imediatamente, questionou a aluna JO, dizendo “Então, JO, que cara é essa? Onde está o sorriso? Achas que és assim?”. Mais uma vez, a aluna JO acenou afirmativamente com a
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cabeça. Após este reparo, perguntou se podia ir tirar mais fotografias, retornando à atividade.
Durante dois dias, a aluna JO andou com a máquina em todos os intervalos, ia ter comigo, muito bem-disposta e muito entusiasmada com a função de fotógrafa.
Na aula de Educação Ambiental, estávamos a preparar o terreno para construir o canteiro da turma. Todos os alunos da turma, onde a aluna se encontra inserida, trabalhavam a terra e, ao mesmo tempo, intrigados por que razão a JO andava com uma máquina a tirar fotografias e não podia, pois não é permitido tirar fotografias na escola. De imediato, expliquei o motivo aos colegas.
Foi curioso observar que, com o decorrer da aula, os colegas se iam aproximando da JO, pedindo para lhes tirar fotografias e perguntando-lhe se esta lhes podia emprestar a máquina para lhe tirarem uma fotografia, ou dizendo “JO, queres que te tire uma fotografia?”. Observando a turma e alguns alunos em relação à aluna JO, verifiquei que a máquina fotográfica era o veículo que, de alguma forma, promovia e motivava o diálogo e a aproximação entre os colegas da turma e a JO, inclusive alguns deles que, em aula, passavam o tempo a ridicularizá-la ou até a colocá-la de lado.
Durante esta observação, reparei que os outros colegas com necessidades educativas especiais, incluídos na turma, e que são os seus companheiros em todas as situações (alunos S e J) ficaram fascinados com a máquina e constantemente a rodeavam com a finalidade de a pedir emprestada para também tiram fotografias. Quando lhes disse que a aluna não poderia emprestar a máquina, ficaram aborrecidos, apesar de explicar o motivo. Fizeram questão de a acompanhar, já depois de a aula terminar, pelo recreio, dando-lhe indicações para onde deveria ir tirar fotografias, perguntando-lhe se a podiam ajudar a tirar as fotografias.
Foi curioso de registar a forma como os alunos reagiam à máquina e à forma como a aluna JO se sentia feliz e importante com tanta atenção. Todos os intervalos, a aluna vinha ter comigo, dizendo: “já tirei mais uma”. Sempre um pouco tímida, mas, ao mesmo tempo, com um sorriso enorme.
O tratamento das fotografias começou por ser feito no computador da biblioteca, começou por se colocar títulos, numerar e escrever pequenos textos sobre cada foto que ela tirava. Quando se passou para a parte do registo escrito, a aluna revelou grande dificuldade na escrita das palavras e, igualmente, na expressão do que pretendia. Esta tarefa foi árdua, morosa e complexa, pois a aluna comunicava, através de gestos e sons, para que eu a pudesse compreender. Como já apresentei, era um processo um pouco
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complicado, que criava, na aluna, ansiedade e tristeza, ao verificar que eu não percebia o que ela queria dizer, apesar dos esforços continuados de ambas as partes. Apercebi-me que a fotografia número dois tinha sido tirada pelo João, um colega da JO. Os colegas que foram fotografados tinham ameaçado a aluna e bateram-lhe nos braços, quando a foto foi tirada. A JO confidenciou-me depois que um dos colegas que aparecia escondido na foto era a sua paixão.
Numa das sessões, a JO ficou no meu computador. Sentia-se muito importante e privilegiada por a deixar utilizar o mesmo. Deixei-a sozinha a trabalhar, depois de lhe explicar o que tinha de fazer. Reparei que se sentia um pouco intimidada naquele ambiente, sala de estudo, com outros colegas da escola, mas, ao mesmo tempo, valorizada porque reparavam nela, pois tinha um computador diferente e era alvo de atenção dos colegas, despertando a curiosidade destes por dois motivos: o computador e as fotografias. Apesar de questionada várias vezes, relativamente a precisar de ajuda, respondeu sempre negativamente. Em determinada altura, já todos tinham saído e estávamos as duas sozinhas, perguntei-lhe se tinha ficado triste por estar a trabalhar sozinha. No entanto, esta respondeu que não. Quando questionada se tinha preferido trabalhar só comigo na outra sala, na ludoteca, espaço reservado para os meninos de educação especial, para o “Saber Fazer”, respondeu afirmativamente.
A seguir, atribuímos mais uns títulos às fotografias, a aluna, entretanto, parou, fazendo sinal que queria mostrar o recado que tinha na caderneta a dizer que este mês ia faltar à escola porque ia passar uns dias no norte de Portugal, na casa da avó. Devo dizer que foi um diálogo muito complicado, pois, mais uma vez, tentava expressar-se de várias formas, gestos, sons para que eu percebesse onde ficava a casa da avó.
Na aula com a turma, pediu-me para ir para o computador continuar a trabalhar as fotografias. Acedi, mas sempre com o olhar curioso por parte dos colegas que queriam ver o que ela estava a fazer e queriam ver as fotografias.
Foi interessante observar que a JO, embora trabalhasse na presença de outros colegas e em locais como a sala de estudo, não se sentia à vontade, ficando intimidada, mas ao mesmo tempo sentindo-se valorizada, pois os colegas ficavam curiosos e perguntavam o que estaria a fazer, que fotografias eram e para que serviam.
Na sessão seguinte, a JO estava muito triste e séria, o que não era costume, perguntei-lhe porque estava assim, se não tinha corrido bem a visita à sua avó. Respondeu que estava tudo bem, que o motivo da sua tristeza em nada se relacionava com a escola ou os colegas. Perguntei-lhe se era capaz de ir fotografar algo que mostrasse como se
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sentia, ao respondeu que sim, mas não foi. Começou a mostrar as fotografias que tinha feito e indicou uma com o título de “Apaixonada”, era esse o motivo da sua tristeza. Quem estava na fotografia era o colega de quem ela gostava, pedindo-me de seguida para a guardar pessoalmente.
Figura- 14 “Apaixonada”
Na ludoteca, depois de colocar a música de que gostava, começou a ver as fotografias, retirou algumas da pasta das fotografias do ano anterior para a nova pasta. Conversando ao mesmo tempo que trabalhava, fez questão de me dizer que o irmão fazia anos no dia seguinte e que iriam jantar fora e depois cantar os parabéns. Foi, novamente, muito complicado e frustrante tanto para mim como para a JO entendermo-nos porque ela emitia algumas silabas e só era percetível a palavra pai e mãe. Mano/irmão não conseguia dizer, assim como traduzir a palavra cantar, foi expressa através do gesto de bater as palmas. Foi doloroso este percurso até chegarmos ao objetivo da JO que era simplesmente dizer que o irmão fazia anos e que ela faria anos dia cinco de fevereiro, através do calendário do computador. Continuámos a conversa, a JO ia pesquisando na
internet a localização da escola primária que frequentara. Através de gestos e perguntas
que lhe ia fazendo, disse que tinha gostado muito/adorado aquela escola e que tinha saudades. Ainda no Google maps mostrou-me a casa onde morava. Notei que fazia esta pesquisa sem ajuda, de maneira desembaraçada. Este pequeno desvio do nosso trabalho
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serviu para descontrair e de certa forma dialogarmos, encurtando a barreira da comunicação.
Entretanto, já tinha dado o título às fotografias e questionei-a se tinha gostado de fazer este trabalho, colaborar no projeto, ao que respondeu afirmativamente porque gosta muito de tirar fotografias.
Na aula de Educação Ambiental com a turma, a JO pediu-me sempre a máquina para fotografar. Só o facto de a JO ter a máquina fotográfica, já chamava a atenção dos restantes colegas que vinham ter com ela, como já foi referido, interagiam, perguntando o que estava a fazer, se podiam tirar também fotografias e se lhe emprestava a máquina.
Antes de dar por finalizada a sua participação neste estudo, estava curiosa por saber a sua opinião, estava expectante por saber se a aluna tinha sentido o que eu observara ou pensava poder dizer acerca do que tinha observado. Por isso, coloquei algumas questões, tais como se gostava de tirar fotografias, ao que respondeu afirmativamente, mas não sabia os motivos. Ainda acrescentou que gostou de participar neste estudo. Perguntei-lhe se conseguia dizer às pessoas se estava triste, feliz ou chateada através das fotografias, tendo respondido que sim.
Perguntei, também, se, para ela, era mais fácil comunicar com as pessoas através das fotografias ou das palavras, ao que me respondeu que era mais fácil comunicar através da fotografia. Questionei-a, igualmente, sobre se ela achava que a fotografia facilitava a comunicação entre ela e os colegas, tendo novamente respondido afirmativamente, acrescentando que eles se aproximavam mais dela por causa das fotografias, uma vez que ela tinha a máquina na mão. A JO dizia que, quando não tinha a máquina e não estava a fotografar, os colegas não se aproximam nem conversavam com ela. No entanto, não achou que a tivesse ajudado a aproximar-se da turma, dado que só falavam com ela quando tinha a máquina fotográfica. Gostou muito de fotografar, mas não soube explicar porquê.
Para a aluna AR, outra das adolescente deste estudo, o procedimento foi um pouco diferente, pois sabia muito pouco ler e escrever, informação que obtive pela própria no início da atividade. Assim, a pedido da aluna, eu ia escrevendo os títulos ou frases numa folha e, a seguir, esta copiava para o computador.
Na primeira sessão, para proceder ao tratamento das fotografias que já tinha tirado, começou a dar o título às fotografias de forma acertada, mas foi visível a sua falta de concentração. Não conseguia estar quieta muito tempo e constantemente era preciso
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adverti-la para que olhasse para a fotografia, a fim de lhe dar um título. Olhava e dizia- me “não sei que nome lhe dar”, dando como hipóteses “imagens, fotografias…”.
Como forma de a ajudar, questionava por que motivo a aluna a tinha tirado, porque tinha escolhido aquele local e não noutro, ao que me respondia que não sabia ou porque simplesmente gostava.
Dispersava-se com facilidade, desligando-se da nossa conversa, a sua atenção focava-se no que se passava em seu redor. Como havia muitos alunos por ali a fazer trabalhos, com professores a dar o seu apoio pedagógico, a atenção da AR orientava-se