Essa ação pastoral legítima reivindicada pela Igreja e incorporada pelos agentes desse universo social é refletida na experiência de outro clérigo que atuou simultaneamente em instâncias eclesiais e em domínios da sociedade civil. Os registros de engajamento do Pe. Jean Marie Van Damme são apresentados num variado repertório de intervenções, como a defesa de comunidades afetadas pela instalação de projetos industriais na periferia de São Luis, a luta por melhores condições sanitárias nas zonas periféricas, o envolvimento nos conflitos agrários, entre outros registros de atuação. Os mecanismos de intervenção de agentes com o perfil do clérigo mencionado caracterizam uma ação pastoral legitimada e potencializada pelos recursos e competências acionados nos múltiplos registros de inserção militante em seu itinerário. Da mesma forma que outros clérigos, as intervenções do Pe. Jean Marie estiveram pautadas, dentre outros aspectos, por sua percepção e apropriação da noção de popular, recurso discursivo que situa sua posição de intelectual, mediador e porta-voz inserido num espaço de disputas em torno da produção de concepções.
O padre Jean Marie é oriundo da Bélgica, tendo nascido na cidade de Mortsel, em 11 de julho de 1947. De origem familiar simples, o nível de instrução escolar dos ascendentes – tanto por parte da mãe quanto do lado paterno – corresponde ao ensino fundamental. O aspecto da educação em seu país de origem é bem enfatizado pelo clérigo ao comentar o nível de escolaridade de seus avós: “Na Bélgica, nas décadas de 1930 e 1940, não havia mais analfabetismo ou ele era muito residual. Já havia obrigação escolar até os 14 anos”. A vigência de um sistema de educação consistente, do qual o clérigo e as gerações anteriores de parentes receberam sua formação, conjugada às instruções da mãe professora no seio familiar são experiências geradoras de disposições que devem ter influência, reforçadas por investimentos posteriores (Pós-Graduação em Educação de Jovens e Adultos), na atuação do padre como educador de populações periféricas.
Filho mais velho entre dez irmãos, Jean Marie Van Damme possui raízes estreitamente vinculadas ao catolicismo tradicional cristão, religião predominante não apenas em sua região de origem (Mortsel), mas no país como um todo. Socialmente, a família do clérigo pode ser classificada como de baixa classe média. Essa condição
social se caracterizava pelo exercício de trabalhos autônomos realizados pelo pai e pelo tio materno do religioso (serviços de instalação de banheiros, encanação de água e impermeabilização de telhados). A atuação no ramo era complementada com a manutenção de um pequeno comércio de materiais hidráulicos, do qual a avó materna e a tia eram responsáveis. Desde muito cedo, então, o contato com essas atividades teria despertado uma valorização especial pelo trabalho enquanto instrumento de aprendizado: “quando eu era garotinho trabalhava com meu avô nas férias. Eu tenho um viés de trabalho também manual. Aprendi a assentar tijolos, construir casas... trabalhei não pra ganhar a vida, mas para aprender a trabalhar”.
O trabalho manual como ofício absorvido da convivência com o avô e o tio, não seria a única forma de aprendizado que o seio familiar deixaria como experiência ao jovem Jean Marie. A curta convivência com seu pai, prematuramente falecido quando Jean Marie tinha apenas 13 anos de idade, teria deixado ensinamentos importantes ao futuro religioso. Dentre muitas atividades exercidas por seu pai, que estudou somente até o quarto ano, destaca-se o trabalho de tradutor oficial do tribunal militar durante a segunda guerra. Apesar da baixa escolaridade atingida, o genitor do clérigo se notabilizou pela capacidade de auto-aprendizagem, chegando a falar perfeitamente quatro línguas, fato que o caracterizava, segundo a definição do próprio filho, como um “aprendiz próprio”, um “autodidata”. Desde os 11 anos, Jean Marie auxiliava seu pai no trabalho de tradução de peças documentais em francês, inglês, alemão, além do flamengo como língua oficial. O conhecimento de seu pai é justificado pelo religioso como um saber prático que independia da aquisição de diplomas, “título simbólico que não traduz aquilo que você conhece”.
Com melhores oportunidades de formação que os parentes, tendo avançado no nível de estudos e adquirido saberes específicos legitimados por títulos simbólicos, como o mestrado em ciências éticas e religiosas, o jovem Jean Marie preservou do trabalho de tradução com seu pai, o hábito de registrar eventos importantes, costume que se tornaria uma característica forte de sua atuação como clérigo inserido em diversos espaços de representação onde exerceu funções de coordenador, representante, secretário etc. O aprendizado incorporado pelo religioso resulta, então, de uma combinação entre recursos de origem (os saberes e habilidades adquiridos na convivência familiar) e investimentos realizados no decorrer de seu processo de formação (uma instrução mais acadêmica, respaldada em títulos).
Dos ensinamentos mais informais adquiridos das relações familiares à instrução mais escolarizada (ingresso em estabelecimentos escolares religiosos, universidade católica, instituto superior de ensino em filosofia, entre outros mecanismos de socialização), a formação recebida pelo padre Jean Marie teria consolidado um perfil de sacerdote intelectualizado, cujas ações são respaldadas, reconhecidamente legítimas e constituída por um conjunto de saberes e competências detidas no percurso biográfico do agente.
Os múltiplos registros de engajamento e atuação que compõem a carreira do religioso apresentam a característica da mediação exercida pelo clérigo entre diferentes domínios sociais. Pelo fato de representar um perfil culturalmente favorecido (SEIDL, 2008b), detendo competências e propriedades específicas que o legitimam nesta posição de mediador, padre Jean Marie é notabilizado pela condição reivindicada de representante dos interesses populares. Essa condição é objetivamente reconhecida por algumas funções exercidas pelo religioso no decorrer de sua trajetória. Após a defesa de sua tese sobre as Comunidades Eclesiais de Base, na Universidade de Lovaina, alguns anos depois de sua chegada ao Maranhão (1975), padre Jean Marie desempenhou as funções de assessor teológico e educacional da Comissão Pastoral da Terra, educador popular da Associação da Saúde da Periferia, representante no Conselho Estadual da Reforma Sanitária, representante no Conselho de Assistência Social, sendo a maioria dessas representações na condição de agente vinculado a ASP.
A trajetória do padre Jean Marie é permeada não apenas por estas modalidades de atuação voltadas para as representações em conselhos de gestões de políticas públicas (parte considerável desses registros de intervenções iniciados no decurso da década de 1980), mais se constitui também de outros modos de intervenção. Combinada a esse tipo específico de inserção mais política (instâncias de representação dos “interesses populares”), observa-se em momentos diferenciados de seu percurso biográfico, a atuação do clérigo professor em institutos de estudos na capital, em projetos de qualificação de profissionais da educação lecionando diferentes disciplinas, inclusive algumas que compõem a área de saber das ciências humanas e sociais, como História, Sociologia, além da Filosofia.
De modo objetivo, essa dimensão prática da experiência em ministrar essas disciplinas condiciona, de maneira particular, as concepções acerca do mundo social produzidas por esse religioso. Mais precisamente, os princípios e critérios tomados em
conta para a definição que esse religioso concebe sobre a dinâmica social mais ampla (política, economia, sociedade, religião) mantêm relação direta com os recursos de origem e investimentos que são refletidos, de maneira mais ou menos consciente, em tomadas de posições que correspondem à posição ocupada pelo agente. No caso do perfil do religioso Jean Marie, o interesse em desenvolver uma atuação em interface com outros domínios sociais – através da educação, da representação em instâncias da sociedade civil ou através de estruturas da própria Igreja Católica –, sobretudo, a partir do trabalho com as CEB’s, parece se manifestar tão logo no momento de sua chegada ao Maranhão, como descreve o próprio padre:
“Depois dos estudos médios (1966), me dispus a entrar no seminário. No entanto, não queria ficar na Bélgica. Estava a procura de me colocar a serviço de um chamado país de terceiro mundo. Conheci em Lovaina um seminário que preparava agentes de pastoral – padres, religiosas e leigos – para servir na América Latina... O Arcebispo de São Luis, Dom João da Mota e Albuquerque demandava por professores para o seminário e respondemos a esta solicitação. Quando chegamos, o seminário estava fechado. Mas o padre Victor Asselin nos tinha escrito antes da nossa saída que o que o Maranhão mais precisava eram de padres que trabalhassem com Comunidades Eclesiais de Base. Então, desde o primeiro momento eu me engajei” [...].
A narrativa reproduzida sobre a chegada e a inserção do clérigo, bem como as formas e espaços de atuação parecem estar relacionadas a algumas questões pertinentes acerca das condições objetivas que orientam as práticas efetivas de um agente social dentro de um processo de engajamento individual. Um primeiro aspecto refere-se à dimensão dos investimentos pessoais que os agentes realizam no decurso de sua trajetória, destacando-se, no caso do sacerdote Jean Marie, a iniciativa de buscar ainda na Bélgica qualificação adequada ou a mais direcionada aos seus propósitos de atuação pastoral. Nesse sentido, o senso de engajamento apresentado nos registros objetivos de intervenção do religioso mantém correspondência com o gosto pessoal por questões relacionadas à política, à cidadania e à participação social, percepções que são reforçadas com o aprofundamento dos estudos de disciplinas que se ocupam da dinâmica social.
Podemos observar ainda, a partir de outros relatos oferecidos pelo religioso, a importância de vínculos pessoais constituídos e a influência, no nível das concepções geradas, das relações com outros agentes do universo católico. Na trajetória do padre Jean Marie esses vínculos privilegiados podem ser pensados, com base no modelo da
modo mais objetivo, essa perspectiva é ilustrada na trajetória do religioso precisamente na ocasião em que tem seu mestrado concluído, em 1975. Àquela época, Jean Marie Van Damme estabeleceu uma relação de amizade pessoal com o padre José Maria, um religioso brasileiro, da cidade de São Paulo. Os estudos sistemáticos sobre a teologia das Comunidades Eclesiais de Base, assunto de interesse do padre belga, desenvolvidos pelo clérigo brasileiro representaria uma afinidade temática que complementava ou reforçava outras disposições das quais o sacerdote estrangeiro era portador.
Do vinculo estabelecido entre os dois religiosos resultou uma relação prática de auxílio baseada na reciprocidade que satisfazia os interesses dos agentes envolvidos na díade. Numa lógica de troca instrumentalizada, proporcionada pelos laços de amizade constituída, o contato regular firmado entre os sacerdotes, na prática, redeu ao belga Jean Marie acesso direto a informações e subsídios teóricos necessários ao desenvolvimento de sua tese sobre as CEB’s, uma vez que havia se tornado amigo pessoal de um de seus estudiosos no Brasil, ao passo que, ao teólogo brasileiro, a contrapartida gerada pelo vínculo se manifestou em auxílios eventuais de tradução simultânea (do português para o flamenco ou francês) na ocasião de visitas do padre José Maria convidado a ministrar palestras em universidades da Bélgica. Convém pontuar que a habilidade com a tradução remete a experiências de infância do clérigo Jean Marie, período em que ajudava o seu pai com trabalhos de tradução. Nesse caso, podemos inferir que o seu domínio de idiomas seria resultante de experienciais objetivas incorporadas como habilidade e/ou disposição herdada, e provavelmente aperfeiçoada na universidade23.
Conjugado ao perfil intelectual engajado resultante de um background constituído, aspecto favorecido pela vigência de uma “política pública de educação eficiente na Bélgica”, responsável pela formação superior de todos os irmãos do clérigo, devem ser consideradas determinadas experiências sociais ou influências específicas geradoras de disposições que são acionadas em modalidades específicas de atuação do religioso. Nesse sentido, deduz-se, segundo tais associações, que as ações engajadas do
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Lovaina é uma instituição católica tradicional na Europa, onde a experiência seminarística do religioso Jean Marie Van Damme foi marcada pela convivência entre culturas diferentes, e pela vasta oferta de ensino de outros idiomas (VAN DAMME, entrevista ao autor).
padre Jean Marie em favor de comunidades de base24 são reflexos de experiências sociais como a participação em movimentos juvenis, forma de socialização que preza pelo senso comunitário, pelo bem estar coletivo, ou ainda, refletirem influências de um exemplo de engajamento político dentro da própria família pela convivência com um de seus irmãos dedicado a um grupo de defesa do meio ambiente, organização ligada ao partido verde local.
A vertente da educação popular compõe uma temática mobilizada nos registros de inserção do religioso, em sua passagem por instâncias como a CPT e a ASP25, atuando em ambas como articulador de ações nas áreas específicas de intervenção dessas entidades. Nesse sentido, a competência detida para o ensino voltado à instrução de outros agentes – disposição aprimorada com a experiência do magistério em diversas instâncias (seminário, institutos superiores, projetos de educação pelo interior, etc.) – teria se manifestado na modalidade de “educação direcionada ao povo”, da qual o religioso se utiliza ao definir seu perfil de “educador popular”. Esse recurso teria sido mobilizado na forma de atividades como a formação sindical dirigida ao público dos trabalhadores rurais e o trabalho em torno da educação, especialmente com escolas comunitárias (VAN DAMME, entrevista ao Jornal Vias de Fato, em janeiro de 2011).
Inserida no rol da vasta produção de temáticas apresentadas como “demandas de grupos sociais” na década de 1980, a atuação da ASP (espaço de inserção do clérigo atualmente) esteve voltada para um trabalho de educação sanitária e de lutas por melhorias sanitárias. Segundo padre Jean Marie, tais ações eram dirigidas aos bairros de periferia envolvidos no processo mais abrangente definido como ocupações urbanas. A estratégia de afirmação da entidade como mediadora dos interesses da população de periferia se pautava na “organização destas populações em torno de várias ações que iam desde a discussão das reivindicações de água, esgoto, coleta de lixo e saneamento básico” (VAN DAMME, entrevista ao Jornal Vias de Fato, em janeiro de 2011).
O panorama exposto com base nas experiências de alguns clérigos considerados neste estudo apresenta, de modo abrangente, uma tendência ao fenômeno das múltiplas inserções que esses agentes colocam em prática em espaços sociais favoráveis ao
24 Conjunto de comunidades sob a jurisdição da paróquia do Anjo da Guarda na capital, ameaçadas de desapropriação de terras para construção do porto de exportação da Vale do Rio Doce. Este seria um dos primeiros registros de intervenção do clérigo Jean Marie depois de sua chegada ao Maranhão (1975). 25 As siglas das instâncias de inserção se referem, respectivamente, a Comissão Pastoral da Terra e a Associação da Saúde da Periferia.
engajamento onde, predominantemente, suas intervenções estariam orientadas por princípios imbricados referentes à estrutura de funcionamento desses diferentes espaços. Convém reiterar que tais práticas podem ser resultantes de uma dinâmica social específica que mantêm conexões, de acordo com a percepção dos agentes, com “princípios éticos e morais” que orientariam suas intervenções, de modo a angariarem uma posição afirmada e legítima nos espaços constituídos em que atuam.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em linhas gerais, procuramos demonstrar desde o início do trabalho que a atividade militante de agentes sociais vinculados ao universo religioso é orientada por princípios e lógicas específicas referentes aos processos de socialização de cada agente do grupo em questão. De modo mais detido, o objetivo da análise foi esboçar que o mecanismo de engajamento individual, manifestado em múltiplas atividades da esfera social, política ou religiosa, preserva uma interface e resulta de processos constantes de redefinição dos espaços pelos quais transitam os clérigos, onde procuram afirmar suas posições objetivando impor suas visões e definições legítimas sobre o mundo social.
Nesse sentido, um procedimento de análise indispensável à pesquisa foi o exame das propriedades sociais apresentadas pelo conjunto de sacerdotes que compõe a amostra da população investigada. Com base no exame de variáveis, indicadores (origens sociais, modalidades de atuação, investimentos escolares, etc.) e recursos culturais diversos apreendidos das sucessivas etapas de socialização foi possível identificar perfis específicos de ação engajada, a partir dos quais, através de uma descrição geral das propriedades fornecidas são traduzidas, simultaneamente, lógicas que os agentes empreendem na constituição legítima de “causas” em que atuam, de um senso político de engajamento que reflete na diversificação das intervenções em espaços distintos de atuação.
Deste modo, compreendeu-se que o conjunto das experiências do grupo de religiosos, como participação em eventos, movimentos e instâncias diversas, compõe uma sucessão difusa de movimentos que os agentes realizam no decurso de seu itinerário a partir de relações objetivas que os mesmos estabelecem orientados por princípios assimilados e mobilizados para afirmação na carreira religiosa. O perfil militante (no sentido da ação política e envolvimento em questões sociais) constitui, portanto, um elemento de distinção entre os agentes sendo que esta característica apresenta diferenciações quando comparadas as propriedades sociais, os recursos detidos e mobilizados ao longo das trajetórias, as percepções do mundo social e as tomadas de posições manifestadas pelos religiosos.
Decorre precisamente desta dinâmica, bem como das experiências anteriores de socialização, o sentido das intervenções militantes objetivas pelas escolhas e formas de atuação dos clérigos e resultante de uma relação entre as propriedades sociais (herdadas
ou adquiridas), os recursos e investimentos mobilizados pelos agentes nas diferentes etapas e registros de inserção em seu itinerário.
Em outras palavras, a apreensão das lógicas que norteiam o envolvimento dos padres em questões como a causa latifundiária, as ocupações urbanas e em outras reivindicações populares, implicou compreender a relação imbricada que existe entre os elementos apontados na constituição de um perfil, e que são determinantes para a definição de um padrão de engajamento. Evidenciou-se, desta maneira, que essas formas de trunfos (investimentos e recursos) mobilizados ao longo do percurso biográfico são decisivas, por exemplo, nas escolhas pessoais dos agentes no que tange à opção pelo sacerdócio e, uma vez constituída como especialistas do domínio religioso, são determinantes quanto às investidas por “demandas” específicas, cuja emergência se deve ao trabalho de produção coletiva empreendido pelos próprios agentes segundo suas percepções e objetivos. O processo das intervenções militantes de sacerdotes nas dimensões política e social ensejou, dessa forma, o esforço pela apreensão de dinâmicas específicas que apresentam regularidades nas relações objetivas dos agentes, que são imprescindíveis no processo de afirmação da ação engajada.
No decorrer do trabalho procuramos demonstrar também a centralidade das redes de relações pessoais como trunfos acionados pelos religiosos (de modo mais ou menos consciente), com vistas a objetivos bem específicos que podem se apresentar na dinâmica da carreira religiosa e/ou militante. No que se refere aos laços recíprocos que são constituídos, cotejou-se a apreensão do que eles representam, na prática, para os objetivos dos agentes que decidem ingressar no domínio religioso ou a efetividade dessas relações para a afirmação de um perfil. Mais precisamente, observamos que determinado recurso baseado em vínculos e alianças que podem ser temporários, mas também duradouros são imprescindíveis, por exemplo, na formação seminarística dos agentes, na ocupação de postos após a ordenação sacerdotal, o que em ultima instância, constitui um trunfo valorizado quanto às pretensões de carreira (já que uma boa relação pode definir uma posição de destaque).
Convém reiterar, que a apreensão das relações estabelecidas pelos agentes mostrou-se um recurso analítico favorável à compreensão do processo de entrada desses clérigos no Maranhão e ao seu ingresso efetivo em atividades engajadas, caracterizadas pelo duplo registro das lógicas específicas aos domínios político e religioso. Observou-