O objetivo primordial dessa secção foi de verificar qual é o valor para os indivíduos em relação à sua informação pessoal, e verificar mediante a aplicação de diferentes textos com vantagens e desvantagens a vários níveis se existem alterações na valoração dos indivíduos. Através da pergunta número 24 ao selecionarem o mês correspondente à sua data de nascimento, os respondentes foram aleatoriamente direcionados para os diferentes textos.
A primeira questão (23) destinou-se a explicar aos respondentes sobre o facto de que as atividades diárias que levam a cabo na internet, acabam por converter-se no seu histórico online e que este mesmo histórico online, é continuamente compilado em grandes bases de dados - o chamado Big data.
A primeira situação hipotética testada foi a opção de que os respondentes tinham a possibilidade de pagar um determinado valor por um serviço mensal, de forma a proteger a sua privacidade e garantir que o seu histórico online fosse acessível apenas por eles. A intenção do cenário era o de averiguar a disposição máxima a pagar dos indivíduos.
A tabela 14 representa a frequência de respostas e permite entender detalhadamente as valorações dos respondentes.
Tabela 14. Disposições a pagar por serviço de proteção de informação pessoal Categoria Frequênc ia Absoluta Frequência Relativa % Frequência Absoluta. Acumulad a Frequência Relativa Acumulada
Não estaria disposto a pagar por
esse tipo de serviço. 90 44,33 90 44,33
Estaria disposto a pagar no
máximo €0.50 mensal. 20 9,85 110 54,18
Estaria disposto a pagar no
máximo €1.00 mensal. 27 13,30 137 67,48
Estaria disposto a pagar no
máximo €2.00 mensal. 20 9,85 157 77,33
Estaria disposto a pagar no
máximo €3.00 mensal. 8 3,94 165 81,27
Estaria disposto a pagar no
máximo €4.00 mensal. 2 0,99 167 82,26
Estaria disposto a pagar no
máximo €5.00 mensal. 29 14,29 196 96,55
Estaria disposto a pagar no
máximo €10.00 mensal. 6 2,96 202 99,51
Estaria disposto a pagar no
máximo €20.00 mensal. 1 0,49 203 100
Total 203 100
Resumindo a tabela acima, os valores que foram sugeridos variavam entre o (“Não estaria disposto a pagar por esse tipo de serviço”) e 20 euros. O valor de 20 euros foi o máximo que os indivíduos se mostram dispostos a pagar mensalmente pelo serviço (0,49%), sendo que 10 euros foi o segundo maior valor escolhido, correspondendo a 2,96% das respostas e 5 euros o terceiro (14,29%). O não pagamento do serviço foi escolhido pela maioria (44,3%). Neste cenário a totalidade dos inquiridos (100%) foi confrontada com este texto, sendo que a média relativamente à valoração deste cenário foi correspondente a 1,65 € (considerando o valor máximo que indicam estar disponíveis para pagar).
Na pergunta número 25 os respondentes foram aleatoriamente confrontados com vantagens específicas que o Big data oferece aos consumidores, e confrontados com uma segunda pergunta de valoração.
Foram igualmente inquiridos sobre qual seria a sua disposição a partilhar a sua informação bem como, qual seria novamente o valor máximo que estariam dispostos a pagar para proteger a sua privacidade e permitir que o seu histórico online fosse acessível apenas para si, caso tal opção existisse.
Tal como foi referido anteriormente o primeiro texto diz respeito a algumas vantagens da aplicação do Big data para os consumidores.
O mesmo foi respondido por 27,09% do total da mostra, e com apresentação das possíveis vantagens em concreto para os consumidores era de esperar-se que os indivíduos estivessem mais dispostos a partilhar a sua informação, porém, apenas 14,5% mostrou-se estar mais disposto a partilhar a sua informação, 78,2% manteve a sua disposição de partilha inalterada e 7,3% foi taxativo em revelar que estaria menos disposto a partilhar a sua informação.
Relativamente aos tetos máximos e mínimos a que estariam dispostos a pagar comparativamente com o primeiro cenário de valoração, neste cenário houve um decréscimo de 10 euros para o valor máximo. Visto que no primeiro cenário a pequena percentagem de indivíduos com a valoração mais alta mostrou-se disposta a pagar 20 euros e aqui os indivíduos com a valoração mais alta, em percentagem igualmente reduzida (1,8%) mostrou-se disposta a pagar 10 euros. Cinco euros aparecem como o segundo maior valor (12,7%), porém o valor mais frequente foi de 1 euro. A média relativamente a valoração deste cenário foi correspondente a 1,45 €.
Em suma houve um decréscimo de 4 euros da valoração da primeira questão (23) para este primeiro cenário no que diz respeito aos valores mais frequentes escolhidos pela maioria disposta a pagar pelo serviço.
Porém, contrariamente ao esperado, houve um acréscimo de 1,2 pontos percentuais de um cenário para outro na percentagem de indivíduos que não estariam dispostos a pagar pelo serviço, que por sua vez também foi a maioria de respostas (de 44,3% para 45,5%).
O segundo texto diz respeito a vantagens direcionadas para a sociedade. Em cuja lógica de avaliação manteve-se.
Este cenário foi exposto a 26,10 % do total dos indivíduos inquiridos, sendo que o mesmo teve como média correspondente a valoração 1,83 €.
A disposição dos indivíduos para partilhar a sua informação pessoal, quando o que estava em causa eram as vantagens para a sociedade teve um acréscimo exponencial uma vez que se passou de percentagens correspondentes a 14, 5 % para percentagens de 43,4%.
A percentagem dos igualmente dispostos a partilhar foi correspondente a 54, % e apenas uma ínfima fração (1,9%) dos indivíduos neste cenário revelou-se menos disposto a partilhar a sua informação.
Estes resultados podem ser indicativos de que se os indivíduos se aperceberem que a sua informação pode ajudar a melhorar algumas áreas da sociedade os mesmos poderão estar mais abertos em partilhar a mesma.
Quanto as disposições máximas, novamente 10 euros surge no cenário como a disposição máxima (3,8%), 5 euros como a valor mais comum (17%), e houve um decréscimo na percentagem de indivíduos não dispostos a pagar comparativamente a primeira pergunta (23) de valoração e o primeiro cenário (de 44,3- 45,5% para 37,7%). Esta redução pode ser explicada através do facto dos indivíduos reconhecerem que a sua informação aliada ao Big data pode traduzir-se numa mais-valia para a sociedade a vários níveis.
O terceiro texto diz respeito a algumas desvantagens relacionadas a aplicação do Big data. Quando confrontados com algumas das possíveis desvantagens da aplicação do Big data que surgem na pergunta número 29, desvantagens como a redução de privacidade, possibilidade de ataques cibernéticos, roubo de identidade, cobrança de diferentes preços (mais baixos ou mais altos) para os mesmos produtos aos mesmos ou a diferentes consumidores, publicidade alvo predatória, e a assimetria de informação. Mais da metade dos inquiridos mostrou-se menos disposto a partilhar a sua informação, tal como mostra o gráfico circular abaixo.
Gráfico 5. Disposições para a partilha de informação
Este texto foi apresentado a 27,58% do total dos inquiridos sendo que o valor médio foi correspondente a 1.39€.
Quando levados a pensar novamente sobre o cenário previamente expostos de forma a equacionar a sua disponibilidade máxima para proteger seu histórico online / privacidade em
caso de existência de tal possibilidade, 10 euros aparece novamente como o montante máximo a ser pago pelos indivíduos (3.6%) e igualmente o valor mais frequente manteve-se em 5 euros (12,5%).
Apesar dos riscos expostos em concreto a maioria dos indivíduos mostrou-se relutante em pagar alguma quantia monetária, uma vez que 53,6% dos inquiridos não estariam dispostos a pagar pelo serviço, percentagem que foi maior comparativamente ao cenário que expunha as vantagens. Em concreto houve uma oscilação de 15,9%.
Para finalizar no último cenário tentou-se trazer um exemplo real de um texto, que se referia ao auxílio do Big data no combate ao crime, bem como alertar sobre alguns contornos menos positivos que podiam ser gerados a partir do mesmo, tais como os abusos das extrapolações que podem levar a que alguém que seja inocente possa ser acusado de um delito.
Este texto foi apresentado a 19,21% do total dos inquiridos sendo que o valor médio registrado foi correspondente a 2.29€.
Curiosamente apesar da possibilidade do mau uso da sua informação, a maior parte dos indivíduos mostrou-se igualmente disposto a partilhar a sua informação e apenas 10,3% dos indivíduos mostrou-se mais relutante em partilhar a sua informação tal como o gráfico abaixo indica.
Gráfico 6. Disposições para a partilha de informação
No que concerne as disposições máximas, o padrão manteve-se em comparação aos dois últimos cenários, com exceção que o valor máximo foi de 20 euros (2,6%), sucedendo nomeadamente 10 (5,1%) e 5 (7,7%) euros como as valorações secundárias mais altas, 30,8% foi a percentagem dos não disposto a pagar pelo serviço sendo até agora a percentagem de rejeição do serviço mais baixa de todos os cenários. Porém houve um empate de 17,9% entre os valores mais frequentes sendo eles 1.00 e 2.00 euros mensais.