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Alguns dos objetivos traçados para esta seção foram entender o grau de satisfação comparativamente a duas modalidades de serviços em particular, os serviços comuns e os serviços que recorrem ao uso do Big data. Bem como entender até que ponto como consumidores, os indivíduos sentem-se confortáveis com o uso da sua informação por parte das empresas.

De forma a prosseguir com tal objetivo foram aplicadas no total sete perguntas, sendo que quando inquiridos acerca do seu nível de preocupação com a sua privacidade aquando de

navegar a internet, apenas 40,39% dos indivíduos concorda completamente que apresenta um elevado nível de preocupação com a sua privacidade.

Porém mais da metade dos inquiridos revelou ter muitas preocupações relativamente ao facto de lhes serem pedidas demasiadas informações, quando se registram ou efetuam compras online (57,4%), analogamente a veracidade da identidade das entidades online (52,71%).

A possibilidade de roubo de identidade de acordo com os dados não parece ser uma fonte de grande preocupação para os indivíduos, uma vez que menos da metade dos inquiridos (41,38%) reconhece esse risco.

Já no caso das situações hipotéticas em que as empresas despenderiam mais esforços para oferecer mais transparência no uso da informação dos mesmos, assim como reforçar a sua proteção, os resultados mostram que os indivíduos não estariam mais dispostos a disponibilizar a sua informação. Uma vez que apenas 28,08% do total dos inqueridos concorda que em presença de uma explicação exata de como a sua informação seria utilizada pelas empresas os faria partilhar a sua informação.

A suposição de maior proteção oferecida pelas empresas também teve um impacto reduto, na medida que apenas 35,96% dos indivíduos estariam mais dispostos a partilhar mais informações perante as tais condições.

Igualmente apenas uma pequena fração (25,12%) dos indivíduos estaria disposto a pagar uma pequena taxa para proteger a sua informação pessoal e evitar que a mesma seja vendida a outras entidades. Se analisarmos a percentagem de indivíduos que concorda totalmente em pagar a taxa, esse número cai ainda mais para cerca de (9,36%). Este facto também não é novo, antes vem confirmar o que a literatura sobre a privacidade diz e, portanto, as futuras entidades que tenham a pretensão de desenhar políticas que visem a proteção da informação dos indivíduos, com base em mecanismos pagos deverão ser suficientemente criativos, de forma a convencer os indivíduos de que vale a pena fazer tal investimento, doutra forma as probabilidades de adesão por parte dos mesmos serão um tanto baixas.

Contrariamente à relutância em estar dispostos a pagar por uma taxa para a proteção da sua informação, a maioria dos indivíduos (71,43%) é concordante que deve haver alguma intervenção por parte das entidades públicas de forma a evitar-se abusos relacionados com o uso da informação pessoal dos indivíduos.

Finalmente relativamente ao impacto do RGDP, o mesmo parece não ter tido grande impacto ao transmitir uma maior noção de segurança para os dados indivíduos inquiridos, visto que nas três categorias avaliadas (Considero que a minha informação pessoal está mais protegida com a implementação do Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD); Desde que o RGPD foi implementado tenho mais confiança em realizar transações financeiras online; Desde que o RGPD foi implementado tenho mais confiança em partilhar informação pessoal com empresas online) a moda foi sempre não concordo nem discordo, o que demonstra a incerteza dos indivíduos em relação aos efeitos do mesmo.

Nas perguntas 11 e 12 que estão relacionadas uma vez que ambas se referem ao Big data, 68,5% dos inquiridos é concordante que o Big data adiciona mais vantagens para as empresas do que aos consumidores em comparação aos 0,5 % que acreditam que o Big data adiciona mais vantagens aos consumidores do que as empresas.

O gráfico 1 ilustra melhor estas distribuições.

Gráfico 1. Nível de concordância sobre as vantagens do Big data para empresas e consumidores

No que concerne ao impacto do Big data nas categorias indicadas (velocidade nos serviços de compra; adequação de recomendações às necessidades de compra dos consumidores; facilidade de fazer compras online; preços personalizados para o meu perfil de consumidor; adequação dos resultados de pesquisa ao meu perfil de utilizador de internet) a maioria dos respondentes considerou o impacto como positivo com um intervalo de variação de 54,68% a 61,08%. 7,4% 70% 22,2% 0,5% 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

Vantagens apenas para as empresas Mais vantagens para as empresas do que para os…

Iguais vantagens para empresas e consumidores Vantagens apenas para os consumidores

% Cat e go ri as

Quanto aos comportamentos relacionados com as práticas de fidelização, quando são inquiridos sobre se possuíam algum cartão de lojas (incluindo os de supermercado) tal como o gráfico circular mostra, cerca de 88,2% dos indivíduos admitiu possuir um cartão. Sendo que o valor mais comum foi de três cartões por pessoa.

Gráfico 2. Quota de respondentes que possuem cartões de loja.

Os respondentes também foram inquiridos sobre o seu nível de concordância, em outras categorias relevantes que serão apresentadas na tabela 13 que se segue.

Tabela 13. Perceções dos respondentes sobre cartões de fidelidade e práticas comerciais no ambiente de comércio eletrónico.

Categoria Discordo Totalme nte Disco rdo Parci alme nte Não concor do nem Discor do Concor do Parcial mente Concord o Totalmen te Sou incentivado a usar com mais

frequência cartões de fidelidade de loja devido à possibilidade de receber mais promoções. 13 (6,41%) (6,4113 %) 24 (11,82% ) 73 (35,96%) 80 (39,41%)

Tenho confiança que as empresas usam os dados associados aos cartões de fidelidade apenas para fins comerciais. 23 (11,33%) (20,241 0%) 41 (20,20% ) 66 (32,51%) (15,76%) 32 Os sistemas de recomendação de

produtos online são úteis para mim. (8,37%) 17 (15,732 6) 54 (26,60% ) 76 (37,44%) (11,82%) 24 Os preços cobrados no ambiente

comércio eletrónico são justos. (5,42%) 11 (12,826 0%) 92 (45,32% ) 64 (31,52%) (4,93%) 10 As empresas de comércio eletrónico

com base em informação dos consumidores podem cobrar preços diferentes consoante o consumidor.

54 (26,60%) (15,231 7%) 50 (24,63% ) 41 (20,20%) (13,30%) 27

já me senti prejudicado por me ter sido cobrado um preço mais elevado do que a outro comprador.

(33%) (14,2

9%) (34,98%) (9,85%) (7,88%) Em ambiente de comércio eletrónico,

já me senti prejudicado por o preço ter aumentado pouco tempo depois de ter visto o produto pela primeira vez. 31 (15,27%) (8,8718 %) 40 (20,20% ) 54 (26,60%) (29,56%) 60

“Sou incentivado a usar com mais frequência cartões de fidelidade de loja devido à possibilidade de receber mais promoções”, nesta categoria 39,41% dos indivíduos inquiridos concordou plenamente que as promoções oferecidas pelos supermercados é um grande incentivo para utilizar os cartões de loja.

Já em relação à afirmação: “Tenho confiança que as empresas usam os dados associados aos cartões de fidelidade apenas para fins comerciais” os indivíduos mostram-se pouco inclinados em concordar com essa informação, uma vez que apenas 15,76% dos indivíduos inquiridos concorda plenamente que a sua informação seja utilizada para esse fim. Porém são mais otimistas em relação aos sistemas de recomendação de produtos online, visto que 37,44% dos indivíduos concordam parcialmente que os mesmos são úteis para eles, embora fosse esperado que esse número fosse maior devido ao crescente uso e aperfeiçoamento das tecnologias de targeting.

Quanto à equidade dos preços cobrados no ambiente de comércio eletrónico apenas 4,93% dos indivíduos concordam que os mesmos sejam justos. Assim, como apenas 13,30% dos indivíduos acredita que as empresas de comércio eletrónico, com base na informação dos consumidores podem cobrar diferentes preços consoante o seu perfil.

Apenas 7,88 % dos indivíduos concorda totalmente já terem sido lesados em ambiente de comércio eletrónico, ao lhe ter sido cobrado um preço mais elevado em relação a outro comprador. Por outro lado cerca de 29,56%, dos inquiridos reconhece já ter sido prejudicado em ambiente de comércio eletrónico através do aumento do preço pouco tempo depois de ter visto o produto pela primeira vez.

Para finalizar a maioria dos inquiridos revelou estar confortável com o facto de as empresas recolherem muita informação sobre os seus hábitos de compra através do cartão de loja. Dado que se revelou atípico em consonância a literatura, porém, uma vez que os indivíduos em alguns

casos revelaram preocupações baixas em relação a sua privacidade, este pode ser um fator que ajude a entender melhor este comportamento.