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3. Influence of snow and ice

3.2 Solar cell efficiency

Ensinar envolve o processo de se comunicar. “O importante, de início, é reconhecer que as práticas educativas supõem processos comunicativos, e quero acentuar, intencionais, visando alcançar objetivos de formação humana” (LIBÂNEO, 2011, p. 55). Ao apresentarmos esse pressuposto queremos destacar um fenômeno comum do processo comunicativo que ocorre tanto no relacionamento humano direto como no relacionamento mediado por máquinas, a interação.

Nossa pretensão ao tratarmos do fenômeno da interação é vinculá-lo à linguagem e com isso, desenvolver um senso comparativo entre as linguagens pela relação direta entre as pessoas e as linguagens articuladas pelos meios de comunicação em que elas não compartilham o mesmo ambiente físico, separando os pontos em que elas estruturam a cultura tradicional e a cultura atual pois:

“Vivemos em um mundo onde as grandes velocidades e, principalmente, a aceleração com que os aparatos se deslocam, provocam modificações profundas nas nossas formas de pensar e de ser” (PRETTO, 2011, p. 96 ).

“A interação comunicacional se efetua, assim, com o concurso da mediação da linguagem. Antes mesmo de convocar os sistemas sígnicos (constituintes de quaisquer linguagens), os atores da comunicação ou, um sentido mais técnico e abstrato, os actantes, postos em relação, destinador e destinatário, tomam posição, atribuem-se presença discursiva e tornam-se virtualmente capazes de efetuar representações a partir dos sistemas sígnicos. A semiose em ato que se instaura nesta relação permite que organizem o vivido e a experiência, estabelecendo inicialmente uma direção, uma ordem, uma forma intencional; vale dizer, delimitam-se as bases para a realização de um discurso” (NASCIMENTO, 2008, p. 22).

Este fenômeno é comum nas relações sociais, mas, recentemente, ele passou a ocorrer também através do computador que processa ou interpreta as informações a partir de códigos binários, como meio de comunicação, com isso, “o desenvolvimento dos meios de comunicação cria novas formas de ação e de interação e novos tipos de relacionamentos sociais” (THOMPSON, 2014, p. 119).

A interação mediada, embora crie novas formas de relacionamentos sociais, seu papel preponderante parece-nos ser o da mediação, ou seja, a comunicação mediada por computador – CMC. “O Denominador comum da CMC é que, de acordo com os estudos existentes sobre o assunto, ela não substitui outros meios de comunicação nem cria novas redes: reforça os padrões sociais existentes” (CASTELLS, 2013, p. 449).

A interação humana está estruturada por seus símbolos e metáforas que vão compondo o processo de comunicação pela linguagem. “A contribuição da linguagem consiste em um conjunto de símbolos comuns que, correspondendo a certos conteúdos, são idênticos na experiência dos diferentes indivíduos” (MEAD apud FRANCA, 2008, p. 76). Em fenômeno similar, as máquinas se desenvolveram passando a interpretar as informações como que dotadas de inteligência,

culminando na sua reprodução ou na recriação.

As interações promovidas por esses recursos permitem ao homem se relacionar socialmente sem compartilhar o mesmo ambiente físico, dando-se pelos fluxos da presença e ausência, que se equiparam à linguagem binária. No de presença, em que há de fato uma relação social entre duas pessoas. “Só a presença nesse sistema integrado permite a comunicabilidade e a socialização da mensagem (CASTELLS, 2013, p. 461).

Esse novo meio de comunicar redimensionou a percepção de espaço e tempo na comunicação de forma que os referenciais que articulam os sentidos e significados no contexto são representados pelo imaginário ou virtualmente, isto é, oferecida sem o compartilhamento do ambiente:

É um sistema em que a própria realidade (ou seja, a experiência simbólica/material das pessoas) é inteiramente captada, totalmente imersa em uma composição de imagens virtuais no mundo do faz-de-conta, no qual as aparências não apenas se encontram na tela comunicadora da experiência, mas se transformam na experiência.(CASTELLS, 2013, p. 459).

Não é nosso propósito criar um conceito diferenciado entre interação e interatividade, no entanto, consideramos importante o destaque entre um termo e outro, tendo em vista que o termo interatividade passou a ser utilizado vastamente como mera possibilidade de reação pela máquina, por isso, “deve-se alertar ainda para o esvaziamento do adjetivo ‘interativo” (PRIMO, 2008, p.12), pois, a interação possui um significado mais profundo, estabelecendo-se como um meio de linguagem em um processo de comunicação, ou seja, envolve um compartilhamento de experiência entre duas pessoas ao mesmo tempo. “Em outras palavras, não basta o simples agrupamento de homens movidos por interesses individuais a sociedade depende da colaboração, de uma ação mútua entre os indivíduos” (SIMMEL apud

PRIMO, 2008, p. 14).

Por sua vez, o processo de reflexão ou reação individual imaginária diante de uma unidade informacional ou mídia, chamada de interatividade (LÉVY, 2010), não comporta uma relação social presencial, assemelhando-se às reações produzidas por um programa de televisão, ou a leitura de um livro cujas informações produzem um ato autorreflexivo e não inter-reflexivo que Thompson (2014) classifica como quase-interação mediada, trazendo entre suas características a de ser monológica, cujo fluxo de comunicação é de sentido único.

Ao separarmos estas duas situações de autorreflexividade e inter- reflexividade, temos também por intenção enfatizar pontos importantes na relação de ensino. O contexto social que envolve a prática docente, se dá através de uma interação entre professor e aluno como processo estruturador dos contextos de aprendizagens ao compartilharem o tempo e o espaço em um ambiente comum, pois, o conhecimento e a cultura se estruturam a partir do relacionamento social humano:

“Ao entrar em sala de aula, o professor penetra em ambiente de trabalho constituído de interações humanas. As interações com os alunos não representam, portanto, um aspecto secundário ou periférico do trabalho dos professores: elas constituem o núcleo e, por essa razão, determinam ao nosso ver, a própria natureza dos procedimentos e, portanto, da pedagogia (TARDIF, 2011, p. 118).

O fazer docente compartilhado em um mesmo ambiente dá ao aluno a oportunidade da contextualização do objeto de ensino através dos símbolos e representações constituído dentro da dimensão espaço-tempo. “Os saberes que os professores produzem e executam estão relacionados com as suas histórias e com a cultura na qual estão inseridos (SOUZA JÚNIOR & LOPES, 2007, p. 7).

Portanto, a interação como resultado de um compartilhamento de experiências sociais comuns, gerando símbolos e metáforas, alimenta a linguagem

na criação dos contextos, alcançando com isso maior relevância que a simples possibilidade de reação individual a distância pelo usuário, através de um dispositivo ou computador, prática esta popularizada como interatividade.

As experiências sociais na produção de conhecimento mesmo presenciais, também são consideradas como realidades imateriais, ou, realidades virtuais. “Portanto a realidade, como é vivida, sempre foi virtual porque sempre é percebida por intermédio dos símbolos formadores da prática com algum sentido que escapa à sua rigorosa definição semântica” (CASTELLS, 2013, p. 459). A realidade virtual referida aqui se destaca ao compararmos com o processo mental ou cognitivo do professor e do aluno, que é real, mas é imaterial. No entanto, foi constituída por uma experiência histórica em que os ambientes sociais foram compartilhados.

Por sua vez, a simbologia criada na interação humana através da presença física, equipara-se a recursos de linguagens para a produção dos sentidos e significados nos processos de comunicações, criando os contextos do tema trabalhado pelo professor. “É por meio do caráter polissêmico de nossos discursos que a complexidade e até mesmo as qualidades contraditórias das mensagens do cérebro humano se manifestam” (CASTELLS, 2013, p. 459).

Essas características apontam que a experiência social como relação de ensino é de grande relevância para o aprendizado quanto ao aspecto da formação, ou seja, daquilo que prevalece como conhecimento na pessoa, que é incorporada em seu caráter ou personalidade pela vivência em comum. Não se pretende com isto dispensar o relacionamento remoto ou se desprezar o uso das tecnologias, mas sim, apontar que as tecnologias possuem características, neste caso, da mediação, ou um recurso à disposição do professor, não se confundindo com uma

automatização ou digitalização do ensino, cujas tecnologias nesse caso, teriam autonomia própria para a produção do conhecimento.

Contudo, as experiências virtuais sem o envolvimento da organização de espaço e ambiente compartilhados em comum não possuem o caráter de incorporação da realidade vivenciada pelos atores, permanecendo sem constituir uma memória de longa duração, “a escolha das várias mensagens no mesmo modo de comunicação, com facilidade de mudança de uma para a outra, reduz a distância mental entre as várias fontes do envolvimento cognitivo e sensorial” (CASTELLS, 2013, p. 458).

Comparando os estudos realizados com o uso das mídias, estes nos revelam que o seu impacto na criação da cultura é pouco significativo:

“Era de se admitir que a presença poderosa e penetrante dessas mensagens de sons e imagens subliminarmente provocantes produzisse grandes impactos no comportamento social. No entanto, a maior parte das pesquisas disponíveis aponta para a conclusão oposta” (CASTELLS, 2013, p. 419).

Estes tímidos efeitos sobre a fixação de mensagem ou na incorporação de emoções, têm por base o grande fluxo de informações a que estamos expostos diariamente, além dos processos interacionais ocorrerem em um plano individual e coletivo ao mesmo tempo.

Os efeitos entre as atividades comuns de ambientes físicos e aquelas desenvolvidas individualmente em um ambiente virtual exige pesquisa mais aprofundada que vai além do foco deste trabalho, no entanto aqui, é possível evidenciar a preponderância da relação social no processo de ensino sobre as relações remotas individuais proporcionadas pelas tecnologias. Tendo por base os estudos sobre os efeitos da interação no processo comunicativo, considera-se que a comunicação “é inseparável do ato social que ajuda a realizar. Como componente do

ato, a comunicação intervém na construção do espírito, do self e da sociedade” (MEAD apud FRANÇA, 2008, p. 75).

Além da capacidade menor na incorporação do ato social nas comunicações mediadas por computador, há o fator da redutibilidade da sensibilidade das emoções pelo contato contínuo com as comunicações virtuais como apontou pesquisa recente cuja conclusão apresentamos a seguir:

Considerando que um pré-requisito para a socialização eficaz é o aprender e a prática de como se comunicar com os outros pessoalmente (Eder & Nenga, 2003), as experiências face-a-face devem ser enfatizadas no processo de socialização. Enquanto a mídia digital fornece muitas maneiras úteis para se comunicar e aprender, nosso estudo sugere que as habilidades em leitura e emoção humana pode ser diminuída quando a interação das crianças face-a-face é deslocada pela comunicação mediada tecnologicamente. Hoje, até mesmo as crianças menores de 2 anos de idade usam dispositivos móveis (Common Sense Media, 2013). Além disso, os computadores e tablets estão entrando rapidamente nas salas de aula e sendo colocados nas mãos de todas as crianças que começam desde o jardim de infância (Partnership for 21st Century Skills, 2009 e Rotella, 2013), sem a devida atenção para os potenciais resultados (Cuba, 2001). (UHLS et. al., 2014, p. 391). (Tradução nossa).

Estes fatores reforçam a ideia de que a relação de ensino, a partir do contexto sócio-histórico, é um elemento precioso no processo da formação humana, sem contudo lançar mão das tecnologias no ensino, cuja tendência é de que devam ser utilizadas como elemento agregador ao processo de ensino, valorizando os componentes que integram a vivência social, e, não como processo autônomo de autoaprendizagem. “As TIC não devem ser um objeto de aprendizagem; as TIC devem estar a serviço da pedagogia para que os futuros docentes sejam expostos a modelos eficazes de integração pedagógica das TIC”. (KARSENTI, 2011, p. 183)

As tecnologias alteraram os relacionamentos sociais que passam a ocorrer intermediados por processos microeletrônicos, permanecendo abstratos ou na subjetividade do sujeito, como se a realidade estivesse limitada ao plano da observação ou da virtualização, e não mais da ação, contudo, produzem novas formas de aprendizado e cultura cuja individualização do saber em um ambiente

virtual não composta pela sequência lógica ordenada no tempo, e no espaço referencial, cria um novo paradigma convidando à adaptação diante do modelo tradicional cuja linguagem constrói as representações e sentidos que se diferencia da mera interpretação de códigos como é o zero e um da linguagem digital:

Por isso, o pensamento e a linguagem são a chave para a compreensão da natureza da consciência humana. Se “a linguagem é tão antiga quanto a consciência”, se “a linguagem é uma consciência prática que existe para outras pessoas e, consequentemente, para mim”, se a “maldição da matéria, a maldição das camadas móveis do espírito paira sobre a consciência pura”, então é evidente que não é um simples pensamento mas toda a consciência em seu conjunto que está vinculada em seu desenvolvimento ao desenvolvimento da palavra. Pesquisas eficazes mostram, a cada passo, que a palavra desempenha o papel central na consciência e não funções isoladas.

Na consciência a palavra é precisamente aquilo que, segundo expressão de Feuerbach, é absolutamente impossível para um homem e possível para dois. Ela é a expressão mais direta da natureza histórica da consciência humana. (VYGOTSKY apud IVIC, 2010, p. 77)

Se os chips têm a função de interagir entre os códigos zero e um através da linguagem binária, ao qual conhecemos como o processamento de informações, as interações humanas pela vivência física, criam os símbolos que permite ao homem a construção dos sentidos e significados como uma verdadeira linguagem. “Em todas as sociedades, a humanidade tem existido em um ambiente simbólico e atuado por deles” (CASTELL, 2013, p. 459).

Diante disso, identificamos que a cultura tecnológica está no plano do conceito da cultura humanista como forma de comportamento a partir do uso das tecnologias como o computador e os dispositivos móveis, contudo guarda estreita dependência da cultura na concepção antropológica que cria toda a linguagem contextual das experiências sociais que por sua vez alimentam a comunicação a distância.