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3. Influence of snow and ice

3.1 Obstruction of solar radiation

Nos últimos quarenta anos, vivemos o fenômeno revolucionário das tecnologias, passando elas a integrar grande parte das atividades humanas diárias, e deixando de ser privilégio de centros de pesquisas, órgãos governamentais ou

grandes indústrias, para se tornarem objetos de consumo domésticos, especialmente para as comunicações entre pessoas, eliminando as distâncias, alterando as formas de relacionamentos sociais, criando novos paradigmas culturais. Os efeitos dessa revolução afetaram a educação quanto ao aspecto da formação da cultura e do próprio conhecimento, que, em sua forma tradicional, ocorre por meios aos quais o homem já se encontra adaptado, ou seja, nas relações de espaço-tempo e nas experiências vivenciadas e compartilhadas. Com essas experiências em comum, são produzidos os símbolos ou metáforas que compõem os contextos ou linguagens comunicacionais: “nós não vemos... a realidade... como ‘ela é’, mas como são nossas linguagens. E nossas linguagens são nossos meios de comunicação. Nossos meios de comunicação são nossas metáforas” (POSTMAN apud CASTELLS, 2013, p. 414).

No entanto, a partir da comunicação mediada por computadores, esta dimensão foi transferida para uma outra dimensão que ainda não se encontra totalmente absorvida nas formas tradicionais das relações sociais, levando-nos a um estágio de adaptação.

Para identificarmos os pontos em que ocorreram essas transformações e de que modo os meios de comunicação alteraram as formas das relações sociais, inclusive as relações de ensino, faremos a seguir uma síntese do processo evolutivo da revolução tecnológica.

O processo de transformação social teve início na década de 1970, quando foi constituído um novo paradigma tecnológico, baseado nas tecnologias de informação, compreendendo por estas: “o conjunto convergente de tecnologias em microeletrônica, computação (software e hardware), telecomunicações/radiodifusão, optoeletrônica (CASTELLS, 2013, p. 67). Junto com a engenharia genética ao

serem aplicadas em todos os setores sociais geraram novos comportamentos e formas de agir nas organizações e governos, configurando um novo modo social também chamado de sociedade da informação:

Na sociedade da informação, a comunicação e a informação tendem a permear as atividades e os processos de decisão nas diferentes esferas da sociedade, incluindo a superestrutura política, o governo federal, estaduais e municipais, a cultura e as artes, a ciência e a tecnologia, a educação em todas as suas instâncias, a saúde, a indústria, as finanças, o comércio e a agricultura, a proteção do meio ambiente, as associações comunitárias, as sociedades profissionais, sindicatos, as manifestações populares, as minorias, as religiões, os esportes, lazer, hobbyes, etc.. A sociedade passa progressivamente a funcionar em rede. O fenômeno que melhor caracteriza esse novo funcionamento em rede é a convergência progressiva que ocorre entre produtores, intermediários e usuários em torno a recursos, produtos e serviços de informação afins. Os recursos, produtos e serviços de informação são identificados na Internet com o nome genérico de conteúdos (MIRANDA apud OLIVEIRA & BAZI, 2008, p. 127).

Essas transformações se encontram em desenvolvimento constante, que Castells (2013), classificou em três estágios a saber:

a) a automação de tarefas; b) as experiências de uso;

c) a reconfiguração das aplicações, tornando a mente humana fonte direta do sistema produtivo.

No primeiro estágio, o da automação, a informática se fazia presente através de complexos computadores, cuja tecnologia apresentava a característica de uso de equipamentos, servindo para os “cálculos científicos, as estatísticas dos Estados e das grandes empresas ou a tarefas pesadas de gerenciamento (folhas de pagamentos etc)”. (LÉVY, 2010, p. 31)

Ainda na década de 1970, ocorreu uma das principais revoluções com a comercialização de microprocessadores, cuja característica básica é a capacidade da máquina interpretar informações, criando-se um processo similar à comunicação humana, ou o processar de informações em alta performance, em um pequeno

dispositivo eletrônico, o chip, cuja “capacidade de incluir um computador em um chip, pôs o mundo da eletrônica e sem dúvida o próprio mundo de pernas para o ar” (CASTELLS, 2013, p. 79).

As máquinas passaram a processar informações, ou interagir com as informações, assemelhando-se ao processo humano de interações, com isto, ampliaram os meios de automação na área industrial com a robótica, flexibilizaram as linhas de produção, as máquinas controladas digitalmente e, também, o setor terciário como bancos e seguradoras. (LÉVY, 2010)

Nesse mesmo estágio de automação, seguindo o processo evolutivo, surgiu o computador doméstico que expandiu o universo tecnológico para além do processamento de dados, até ali controlado por grandes empresas e pessoas especializadas nas automações, o que popularizou os recursos eletrônicos, que passaram a automatizar as tarefas comuns das pessoas, organizando planilhas, pesquisas, textos, e jogos (ibid.).

No passo seguinte neste processo revolucionário, desenvolveu-se a experiência de uso, testando repetidamente as descobertas e aplicações em um processo interativo de tentativa e erro, em que “aprendia-se fazendo” (CASTELLS, 2013, p. 103). Este fenômeno, recriou a relação homem-máquina existente até ali, cujo status era o de processador e organizador de informações em que se buscava um resultado de otimização de tarefas, passando para um novo processo do fazer, do produzir sobre novas tecnologias ou digitalmente.

Com isto, a predominância da informática foi perdendo seu destaque com seus números e textos, e as tecnologias de informação tomaram o seu lugar ao absorver as características de imagem e som. “A informática perdeu, pouco a pouco, seu status de técnica e de setor industrial particular para começar a fundir-se com as

telecomunicações, a editoração, o cinema e a televisão” (LÉVY, 2010, p. 32).

Interessante notar que, ao se referir à perda de status de técnica da informática (ibid.), considera que esta perda de ação (técnica) não ocorre por se transformar apenas ao uso do artefato (tecnologias de uso), mas por se transformar em conjunto de técnicas, agregando diversas áreas, pelas mudanças proporcionadas nas dimensões da escala industrial para a escala doméstica, o que antes era só manuseado por especialistas, daí para diante, torna-se possível ser executado por pessoas comuns.

No entanto, essas tecnologias ou conjuntos de técnicas, ainda sob o ponto de vista do receptor, apresentavam a característica de difusão de informações ou de uso de aplicações, que se davam por programas de computadores apenas executáveis, e, apesar de alguma interatividade, mantinha o usuário preso ao recurso através de uma estrutura linear do dispositivo informacional, cujo desempenho era de suporte ou veículo da mensagem. “A mídia é o suporte ou veículo da mensagem. O impresso, o rádio, a televisão, o cinema ou a Internet, por exemplo, são mídias” (ibid., p. 64).

A mídia, portanto comportava-se antes como um sistema linear fechado, isto é, que apenas disponibiliza o uso da tecnologia para a difusão da informação, articulando informações em ambientes cujos textos e imagens são dotadas de comprimento e largura (bidimensionais) ou analógicas, mas, a partir do fenômeno da revolução digital, passaram a ser desmaterializadas e codificadas pela linguagem binária entre um e zero.

Para entender melhor o que está em questão, pensemos em um exemplo. Começamos pegando uma fotografia de uma cerejeira florida, obtida pela captura ótica da imagem e da reação química com cloreto de prata. Digitalizamos a fato com a ajuda de um scanner. Ela encontra-se agora sob a forma de número no disco rígido do computador (ibid., p. 56).

A digitalização das informações permitiu a apropriação de recursos como a possibilidade de acesso às tecnologias que antes dependiam da reprodução em massa. “A digitalização penetrou primeiro na produção e gravação de músicas, mas os microprocessadores e as memórias digitais tendiam a tornar-se a infraestrutura de produção de todo o domínio da comunicação” (ibid., p. 32). Estes recursos são armazenados em arquivos eletrônicos chamados de mundo virtual, caracterizado como o ambiente que “dispõe as informações em um espaço contínuo – e não em uma rede” (ibid., p. 65), acrescendo-se a informação em fluxo que designa dados em estado contínuo de modificação, dispersos entre memórias e canais.

Dentro deste processo evolutivo, domesticou-se também a comunicação entre os computadores, que, em um primeiro momento, estava limitada apenas para usos científicos e militares, (Castells, 2013). Essa comunicação ocorria através de uma linguagem entre os computadores conhecida como protocolos, estabelecendo a comunicação recíproca e formando redes, em que cada um era considerado como a um nó, transferindo informações a partir da fragmentação das mensagens em pequenos pacotes, processo este, que passou a ser conhecido como internet.

Este conjunto de protocolos se sofisticou, abolindo os nós, com isso, ampliou-se o universo das redes de computadores. Novos protocolos foram desenvolvidos culminando em 1990, com a criação da world wide web – www por Tim Berners-Lee que:

Viabilizou as condições para a transmissão dos dados em rede, através do desenvolvimento do protocolo HTTP (Hypertext Transfer Protocol), da linguagem HTML (Hypertext Markup Language), do Web browser e editor Web WYSIWYG, renomeado para NEXUS e do primeiro servidor Web HTTP, armazenando as primeiras páginas da Web com ferramentas próprias para criar, armazenar e partilhar dados em redes computacionais (PEREIRA & FERREIRA, 2011, p. 6).

função dos dispositivos de processamentos de números e textos para som e imagem, da escala industrial para a escala doméstica e a transmissão de dados entre computadores, mantinham os artefatos apenas como instrumentos a serem apropriados pelos usuários.

Como exemplo, temos a própria Web que se caracterizava, “então, por uma grande quantidade de informação disponível e acessível a todos, em que o utilizador era um simples espectador que não podia alterar ou reeditar o conteúdo das páginas da Web” (PATRÍCIO apud PEREIRA & FERREIRA, 2011, p. 6).

É possível perceber entre o estágio da automação e o estágio da experimentação dois fenômenos profundamente significativos no processo da comunicação e interação humana. No primeiro, o da automação, a invenção do chip ou semicondutor, possibilitou a interação da informação pela máquina, ou processamento da informação, ou seja, tornou-se possível à máquina, articular e intercambiar informação, ao passo que, no segundo estágio, o da experimentação, a informação articulada ou processada em uma máquina, expande-se para outra máquina, passando a compartilhar informações entre máquinas. O homem passa a integrar a seus meios de comunicação o computador.

Na sequência dessa evolução, segue o terceiro estágio da revolução tecnológica, caracterizando-se pela reaplicação da tecnologia sobre a própria tecnologia, ou reconfiguração. Se até aqui, a máquina passou a interpretar informações, e depois disso, a compartilhar essas informações entre máquinas, a partir daí ela cria uma plasticidade, permitindo que a informação possa ser remodelada ou interagida entre as conexões virtuais.

O estágio da reconfiguração se deu pelo próprio fazer, portanto, pelo diálogo entre máquinas, possibilitando a aplicação de técnicas sobre as tecnologias

que geram novas tecnologias:

No terceiro estágio, os usuários aprenderam a tecnologia fazendo, o que acabou resultando na reconfiguração das redes e na descoberta de novas aplicações. O ciclo de realimentação entre a introdução de uma nova tecnologia, seus usos e seus desenvolvimentos em novos domínios torna-se muito mais rápido no novo paradigma tecnológico. Consequentemente, a difusão da tecnologia amplifica seu poder de forma infinita, à medida que os usuários apropriam-se dela e a redefinem (CASTELLS 2013, p. 69).

O destinatário ou usuário torna-se também criador, transformando o processo de inovação tecnológica em um ciclo dinâmico e rápido, que altera as estruturas dos ambientes frequente e continuamente. “Usuários e criadores podem tornar-se a mesma coisa. Dessa forma, os usuários podem assumir o controle da tecnologia como no caso da internet” (ibid., p. 69).

Na internet esse fenômeno ficou conhecido em 2004, como Web 2.0:

Um ponto que nos parece importante destacar é a possibilidade de qualquer pessoa poder criar, publicar e partilhar informação, de forma gratuita, rápida, simples e fácil. A Web é uma plataforma promotora da inteligência coletiva e de experiências enriquecedoras nos mais diversos campos. O aspecto interativo e colaborativo da Web 2.0 permitiu uma nova forma de inteligência, a inteligência coletiva, que surge da colaboração de um grupo de indivíduos para gerar novos conteúdos, melhorando os conteúdos existente. (PATRÍCIO APUD PEREIRA & FERREIRA, 2011, p. 7).

Assim, no terceiro estágio, a tecnologia apresenta a possibilidade de alteração de uso, ou reconfiguração através de ações de interação entre emissor e receptor, compondo-se de tecnologias de uso de equipamentos agregadas às tecnologias de re-uso que receberam interações ou planificações, ou tecnologias da inteligência (Lévy, 2010).