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Across the Social Sciences: Variation in Firm Environmental Behaviour

2 Methodology

3.4 Across the Social Sciences: Variation in Firm Environmental Behaviour

Na teledramaturgia, quando Neide chega em casa após o assassinato de Tânia Maria, os policiais a aguardavam à porta. Neide negou saber de tudo o que eles perguntaram sobre o paradeiro da menina. Um policial, dentro da residência de Neide, indagou sobre a bolsa e sobre a arma contida nela. Pergunta se ambas são dela. O interrogatório prosseguiu na delegacia, ela negou saber do desaparecimento de Tânia novamente. Surge a notícia de que um corpo fora achado no Matadouro da Penha. Os investigadores e jornalistas a levam até esse local. Neide não suportando a situação, pede que a tirem do local, dizendo que na delegacia contaria tudo sobre a morte da menina. Ela, no entanto, negou por mais de 12 horas o crime, segundo Domingos Meirelles, apresentador do programa. A simulação é interrompida pelo repórter Saulo Gomes, que intervém rememorando a atuação que teve como jornalista que cobriu o crime em 1960. Ele relatou que à época conseguiu a entrevista com Neide, após solicitação à autoridade policial, que há horas persistia pela confissão sem obtê- la. A cena com atores prosseguiu.

Neide a princípio se recusa a responder qualquer coisa a Saulo Gomes (agora moço e personagem do LDJ) sobre a morte de Tânia Maria, apesar da insistência dele. Logo depois reage e afirma “Mas sabe de uma coisa? Eu só não matei a família toda porque não deu tempo”. Ela prossegue dizendo que queria ficar com Antônio. “Ele não terminou o casamento dele. Eu pedi várias vezes, falei que não queria ser amante”. A partir daí ela relata detalhes do

seqüestro e do assassinato da menina. As falas ressentidas transcritas do DVD em nenhum momento foram citadas no livro. Nele, como já foi dito, Neide buscava se desvencilhar de Antônio após o aborto sem sucesso,uma vez que ele insistia em prosseguir o “caso” com ela.

O apresentador Domingos Meirelles comenta sobre a retirada dela da delegacia para a penitenciária Lemos de Brito. Ele afirma que a saída de Neide dessa unidade prisional só acontecerá para comparecer ao primeiro julgamento,onde é condenada quatro meses após o crime. Um juiz comenta que durante o julgamento tomou todos os cuidados para que Neide não fosse linchada. A narradora informa que Neide foi condenada a 33 anos de prisão e que a defesa tentou alegar que ela era portadora de insanidade mental, argumento não aceito. O psicanalista conclui a afirmação anterior afirmando que, fora da paixão, Neide não tinha nenhum distúrbio. Imagens do local onde Tânia Maria foi morta são mostradas na atualidade, uma praça foi erguida ali. Populares falam que pessoas acorrem ao local em busca de graças e outros tantos para pagar promessas.

Em 1964, Dominhos Meirelles narra, Neide tem sua sentença confirmada. O promotor da época exalta o brilhantismo do então juiz ao ratificar a sentença anteriormente dada à ré. A narradora informa que Neide cumpriu 15 anos de prisão, e que tratava uma boneca como se fosse sua filha dentro do cárcere. Sobre Antônio e Nilza, ela conta que refizeram o casamento e que tiveram mais dois filhos e dois netos. Eles não quiseram ser entrevistados. Ela acrescenta, por último, que a produção do LDJ tentou por dois meses fazer contato com Neide, mas que ela se recusou a falar com eles. O desfecho do episódio é feito com a afirmação de que hoje ela vive só, pouco conversa e que tem como único entretenimento assistir à televisão.

De distintas maneiras, livro e programa televisivo abordam as condutas e procedimentos de Neide no decorrer do romance até o desenlace do crime. Antônio, no entanto, é poupado de comentários mais minuciosos. No LDJ é mostrado como um homem

bon vivant que namorava fora do casamento, utilizando-se de um automóvel emprestado para passear com Neide pelas ruas suburbanas do Rio de Janeiro. No CAB é citado em sua faceta mais vil, sem que se teça um comentário contundente sobre o crime que cometeu contra Neide, que realizado de maneira premeditada, deu fim à sua gravidez. Em ambos os veículos não existe uma crítica à maneira como ele se aproximou de Neide, omitindo e mentindo sobre o próprio casamento e, particularmente no livro, sequer se fala do perfil ameaçador que ele foi tomando contra Neide, depois de ter perpetrado o aborto. A agenda moral que permeia livro e programa serviu para enquadrar Neide no desvio, o mesmo não acontecendo ao amante.

O esforço de sintetizar ambas as narrativas, a literária e televisiva ou teledramatúrgica, serviu para apontar significativas diferenças em ambas as construções de Neide como Fera da Penha. No quadro a seguir, disporei os elementos que considero mais relevantes para diferenciar ambas as abordagens:

QUADRO I

PERÍODO DA VIDA

DE NEIDE NEIDE NO CAB NEIDE NO LDJ

Infância

Adolescência

Juventude

Neide-Amante

Neide -amiga de Nilza

Neide grávida e vítima de um abortamento feito por Antônio

Neide assassina

Neide-Fera da Penha

Infância infeliz, triste. Neide é uma leitora assídua

Driblava o cotidiano com leituras. “Era

a sua vingança”.11

Neide lia assiduamente, fumava, assistia a corridas de ciclismo, não depilava axilas nem pernas. Fazia “conjecturas filosóficas”. Era trabalhadora do comércio nas casas Ducal, no Rio de Janeiro.

Apaixonada e iludida. O depoimento dela no diário a faz parecer autônoma por se contrapor aos pais e à moral vigente.

Investiu em conhecer a intimidade e o cotidiano da família.

O livro descreve a surpresa da gravidez para Neide, sua vontade de maternar e a má acolhida da notícia por

Antônio.Alguém “que fermentava

pensamentos” após ter sofrido o aborto. Apenas suportava a presença de Antônio diante de suas ameaças contra ela. Neide comprou a arma, seqüestrou Tânia após uma súbita mudança do percurso que fazia naquele dia e após horas de caminhada a matou.

Neide afirmou que Vilma, noiva de um amante de Nilza,a mãe da menina seqüestrada, a teria pedido para levar a menina da escola. Houve várias

Não faz menção.

Não faz menção.

Menciona-se uma vez que ela trabalha. É apresentada com alguém que desperdiça luz no lar, que fuma, que lê até mais tarde sob as advertências do pai.

Mulher fatal. Obcecada pela conquista do objeto de amor.

Investiu em conhecer a intimidade e o cotidiano da família

Não faz menção

Não suportando ver que Antônio não se separaria de Nilza, Neide, aos poucos, desenvolve sua investida assassina contra Tânia.

Neide negou participação no

desaparecimento da menina, após longo interrogatório. Sob privações, confessou o crime e disse que se pudesse o teria

contradições no seu depoimento. Confessou o assassinato após longo interrogatório sob privações. Disse que se pudesse o estenderia ao restante da família. Foi condenada a 33 anos e cumpriu 15 anos de reclusão. Seu pai tentou protegê-la do linchamento público, após a confissão. Foi uma

detenta que “sempre teve bom

comportamento”. Após o cumprimento da pena, ela trabalhou em escritório de advocacia.

estendido a toda a família.É mostrado um forte clamor popular contra ela.

Neide, por fim, é mostrada dentro da cela, cantando com uma boneca nas mãos.