De acordo com o Projeto Pedagógico Integrado (PPI), a Matriz Curricular do Projovem Urbano é formada por meio da combinação entre os conteúdos curriculares, que correspondem às Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação no ensino fundamental, e os eixos estruturantes do Programa, que foram definidos com base nas características do público a ser beneficiado. No que se refere ao componente curricular necessário à certificação, este compreende os conteúdos de Ciências Humanas, Língua Portuguesa, Inglês, Matemática, Ciências da Natureza, Qualificação Profissional e Participação Cidadã. Já os eixos estruturantes servem para auxiliar os educadores na organização dos conteúdos, e comtemplam temas referentes a situações relevantes na vida cotidiana dos jovens envolvidos no Programa. Esses eixos estruturantes são divididos em Unidades Formativas, a saber: (I) juventude e cultura, que trata de temas sobre hábitos culturais da comunidade, preconceito e discriminação; (II) juventude e cidade, que aborda as práticas de ocupação do espaço urbano pelos jovens; (III) juventude e trabalho, que faz menção as transformações do mercado de trabalho e as práticas de inserção dos jovens neste mercado; (IV) juventude e comunicação, que aborda as dinâmicas de inclusão e exclusão dos jovens no acesso à informação e à comunicação; (V) juventude e tecnologia, a qual faz referência às dificuldades de acesso a novas tecnologias, e como elas podem produzir efeitos ao meio ambiente; e (VI) juventude e cidadania, que enfatiza a responsabilidade do cidadão com meio ambiente.
Com relação ao componente Qualificação Profissional, esta é composta por três atividades, a saber: (I) Formação Técnica Geral, que aborda aspectos comuns a qualquer ocupação e que permitem ao jovem compreender o papel do trabalho e da formação profissional; (II) Arcos Ocupacionais, compostos por 23 tipos de ocupações, preparam o jovem para atuar no mundo do trabalho, como empregado, pequeno empresário ou membro de cooperativa. Cada arco desenvolve competências relacionadas à concepção, à produção e à circulação de bens ou serviços, ampliando e articulando as possibilidades de atuação do
jovem no mercado de trabalho; e (III) Projeto de Orientação Profissional (POP), que preparando o jovem para melhor compreender a dinâmica do mundo do trabalho e planejar o percurso de sua formação profissional.
Em relação ao componente Participação Cidadã, este compreende dois conjuntos de atividades: (I) reflexões sobre conceitos básicos para a participação cidadã, articulando esse componente com os demais, especialmente, Ciências Humanas, Língua Portuguesa e Qualificação para o Trabalho; e (II) Plano de Ação Comunitária (PLA), que se refere ao planejamento, realização, avaliação e sistematização de uma ação social escolhida pelos alunos, fundamentada no conhecimento de sua realidade próxima.
Com relação à carga horária do Programa, as atividades do Projovem Urbano são realizadas de forma a cumprir um total de 2000 horas, sendo 1560 horas presenciais, que incluem as atividades em sala de aula, visitas, pesquisas de campo, participação em palestras, práticas relacionadas à qualificação profissional e a participação cidadã, e 440 horas não presenciais, que são dedicadas à leitura e as atividades das unidades formativas, conforme pode se observado no Quadro 3.
Quadro 3: Carga horária de realização das atividades do Projovem Urbano.
Carga horária Formação Básica Qualificação Profissional Participação Cidadã Total Horas
presenciais 1092 390 78 1560
Horas não
presenciais 440 440
Total 2000
Nota: Projeto Pedagógico Integrado (PPI) – Projovem Urbano.
Essas atividades deverão ser cumpridas no período de 18 meses. Este período é dividido entre as seis unidades formativas da Matriz Curricular do Projovem Urbano, conforme já citadas (Unidade Formativa I - Juventude e Cultura; Unidade Formativa II - Juventude e Cidade; Unidade Formativa III – Juventude e Trabalho; Unidade Formativa IV - Juventude e Comunicação; Unidade Formativa V - Juventude e Tecnologia; Unidade Formativa VI – Juventude e Cidadania), sendo três meses para cada uma dessas unidades.
No que se refere ao sistema de avaliação do Programa, este constitui um processo contínuo de obtenção de informações sobre o ensino e aprendizagem. Através deste sistema de avaliação se pode, entretanto, planejar intervenções docentes, criar formas de apoio aos
alunos que apresentem algum tipo de dificuldade em assimilar o conteúdo, verificar se os objetivos do Programa estão sendo alcançados, e, sobretudo, revisar a metodologia utilizada, tornando-a sempre atualizada de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais no que diz respeito à formação no ensino fundamental. O desempenho dos alunos também é feito através dos registros das observações feitas pelos professores nos trabalhos realizados em sala ou em campo, nas fichas de auto avaliação e nos resultados das provas realizadas ao final de cada unidade formativa.
Cabe ressaltar, portanto, que a avaliação antecede, acompanha e sucede o trabalho pedagógico desenvolvido no Projovem Urbano. Esta é dividida em três modalidades especificas, a saber: avaliação diagnóstica, avaliação formativa e avaliação somativa. Essas modalidades possuem objetivos bem diferentes e específicos de cada tipo de avaliação, porém são complementares umas das outras. Com isso, faz-se necessário a abordagem de cada uma dessas modalidades para melhor entendimento de suas participações na avaliação final do aluno.
A Avaliação Diagnóstica acontece antes do início das atividades, e tem como função básica obter informações sobre o domínio de conhecimento nas disciplinas de matemática e português dos alunos participantes do Programa. Esse tipo de avaliação possibilita melhor procedimento das práticas pedagógicas e do planejamento dos objetivos de trabalho, assim como o melhor caminho a ser percorrido para alcançar tais objetivos. A avaliação formativa acontece durante todo o processo de ensino e aprendizagem, está interligada com a avaliação diagnóstica, e tem como função identificar os avanços no processo de aprendizado dos alunos, como também verificar quais os possíveis problemas que possam dificultar este procedimento. A avaliação formativa compreende as Avaliações Interciclos, que são realizadas após a Avaliação Diagnóstica.
As Avaliações Interciclos consistem em avaliações realizadas ao final de cada ciclo, o qual compreende duas unidades formativas, e tem como objetivo verificar o aprendizado dos alunos no decorrer do curso. A avaliação de ciclo I é realizada ao término das unidades formativas I e II; a avaliação de ciclo II se faz ao término das atividades das unidades formativas III e IV; e a avaliação de ciclo III, ou Exame Final, se realiza ao final as unidades formativas V e VI. Cabe ressaltar que, conforme já exposto, que a Matriz Curricular do Projovem Urbano compreende a combinação entre os conteúdos curriculares para a formação no ensino fundamental e os assuntos que abrangem cada unidade formativa.
O Exame Final tem função somativa e tem caráter obrigatório para os alunos, uma vez que essa avalição é condição para os alunos obterem o certificado de conclusão do ensino fundamental. Este fornece um “feedback” do trabalho realizado durante o período de atividades do Projovem Urbano, assim como a evolução no desempenho dos alunos durante todo o período de aprendizado. Todas essas avaliações são externas e elaboradas pelo Sistema de Monitoramento e Avaliação (SMA) do Programa, o qual compreende um grupo de nove universidades federais, a saber: Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), e Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Portanto, o Sistema de Avaliação do Projovem Urbano combina a avaliação formativa com a avaliação externa, a qual se justifica pelo caráter nacional do Programa e pela obrigação dos órgãos competentes em prestar contas dos recursos investidos. A avaliação externa se faz com base na aplicação de exames de capacidades básicas relacionadas aos conteúdos do ensino fundamental. Esses exames se diferenciam em suas funções: (I) exame diagnóstico, aplicado no início do processo e tem função de medir o conhecimento prévio dos alunos nas disciplinas de matemática e português; (II) exames interciclos, realizados ao longo do processo, e combinam as funções somativa e diagnóstica; (III) e o exame final, aplicado no fim do curso e tem função de verificar o conhecimento adquirido ao longo do curso, sendo condição necessária para a certificação do aluno no ensino fundamental.
Sendo assim, esse tipo de avaliação permite, além de mensurar o progresso realizado por cada aluno na aquisição das capacidades avaliadas, comparar o desempenho dos alunos submetidos ao Programa com o desempenho dos alunos que frequentaram o sistema regular de ensino. Essa comparação é possível uma vez que os artifícios utilizados nos teste diagnóstico e final são medidos pelas escalas de desempenho utilizadas pelo SAEB para avaliar os estudantes do 5º e do 9º ano no país.
A pontuação dos resultados das avaliações é distribuída entre as notas das provas ao final de cada Unidade Formativa, os exames interciclos, e os registros nas fichas, onde é expressa a pontuação correspondente ao aproveitamento do aluno. No Quadro 4 pode ser sintetizada a distribuição da pontuação que pode ser alcançada pelo aluno nas avaliações do Projovem Urbano.
Quadro 4: Distribuição de pontuação nas avaliações do Projovem Urbano.
Unidades Formativas
Avaliação Formativa Avaliação Final
Total Geral Provas Fichas Prova 1º Ciclo Prova 2º Ciclo Subtotal Exame Final
UF I 42 110 1100 2200 UF II 42 110 Total 1º Ciclo 84 220 100 404 UF III 42 110 UF IV 42 110 Total 2º Ciclo 84 220 100 404 UF V 36 110 UF VI 36 110 Total 3º Ciclo 72 220 292 Total Geral 240 660 100 100 1100 1100 2200
Nota: Projeto Pedagógico Integrado (PPI) – Projovem Urbano.
Sendo assim, os jovens deverão obter pelo menos 1100 pontos na soma dos resultados da avaliação formativa e da avaliação final, como também ter no mínimo 75% de frequência às aulas, para receberem o certificado de conclusão do Ensino Fundamental. Para obter a certificação na Qualificação Profissional, o aluno precisa ter alcançado 72 pontos, ou seja, 50% do total dos pontos. O resultado final das avaliações do Projovem Urbano, como também as devidas certificações dos alunos, é expresso conforme as condições expostas nos Quadros 5 e 6.
Quadro 5: Menções para certificação do Ensino Fundamental.
Menções para certificação do Ensino Fundamental
Muito bom Obtenção de 1650 até 2200 pontos no conjunto das avaliações do Programa. Bom Obtenção de 1100 até 1649 pontos no conjunto das avaliações do Programa. Insuficiente Abaixo de 1100 pontos no conjunto das avaliações do Programa. Nota: Projeto Pedagógico Integrado (PPI) – Projovem Urbano.
Quadro 6: Menções para a certificação da Qualificação Profissional.
Menções para certificação da Qualificação Profissional
Muito bom Obtenção de 108 até 144 pontos no conjunto das avaliações de Qualificação Profissional do Programa. Bom Obtenção de 72 até 107 pontos no conjunto das avaliações de Qualificação Profissional do Programa. Insuficiente Abaixo de 72 pontos no conjunto das avaliações de Qualificação Profissional do Programa.
5 AVALIAÇÕES EXTERNAS