Embora tenha definido uma problemática, os resultados obtidos não foram substanciais, visto dispormos de muito pouco tempo para a implementação das atividades propostas. No entanto, em seguida, exponho algumas estratégias e eventos que coloquei em prática durante a intervenção na vertente de educação de infância (creche), no âmbito da problemática levantada.
No que diz respeito ao desenvolvimento moral, promoção da autonomia social, conferi que as crianças eram muito ativas, energéticas e gostavam de assumir o controlo dos materiais que possuíam (brinquedos e outros objetos lúdicos), o que, muitas vezes gerava pequenos conflitos entre elas. Ainda não tinham compreendido totalmente a necessidade da partilha e do respeito pelo outro. Contudo, através de um diálogo explicativo com um adulto da sala (na maioria das vezes a educadora cooperante e posteriormente eu também) acerca da importância destes valores, conseguimos atender às necessidades das crianças, resolvendo os conflitos e até preveni-los. Estes diálogos permitiram-lhes mudar alguns comportamentos e compreender a necessidade de assumir atitudes mais assertivas. Ao deixar que a criança se expresse e se mostre verdadeiramente às outras, não fazendo julgamentos das suas ações, permitimos e possibilitamos, enquanto profissionais da educação, que estas estabeleçam relações com os seus futuros pares.
O facto de que toda a criança é diferente da outra poderá servir de pretexto para o surgimento de conflitos ou de reações agressivas. A utilização de jogos que possibilitem que estas se conheçam e interajam entre si criando laços de amizade poderá ser uma mais-valia para a resolução de conflitos e, acima de tudo, para a sua prevenção. Nesta interação, os intervenientes estarão em contacto com valores essenciais a uma
vida social, como o caso da partilha, cooperação, respeito mútuo, entre outros, valores fundamentais para a criança adquirir progressivamente uma maior autonomia social e posterior socialização.
O conto de histórias é uma forma lúdica de transmitir conhecimentos às crianças, proporcionando-lhes experiências diversificadas (diversos tipos de historias e formas de contá-las) e significativas. O uso de fantoches contribuiu para motivar a criança a captar o interesse para novas aprendizagens. Esta estratégia de dramatização com fantoches de uma história escrita por mim acerca da importância dos valores sociais resultou bem, pois constituiu uma boa oportunidade para desenvolver competências que propus para o grupo obter foram retidas. É de salientar que, uma vez que este era muito novo não foi possível a assimilação de tudo, inicialmente. Para tal, foi necessário repetir imensas vezes as competências a reter utilizando variadas estratégias.
A lição presente no conto utilizado serviu de ponto de partida para dar continuidade à resolução da problemática detetada, articulando as diferentes áreas de conteúdo. A aprendizagem e exploração da letra da canção “Ser Amável” contribuíram também para a resolução da questão de investigação-ação, dado que a repetição de conteúdos é fundamental nestas idades e reforça as aprendizagens já realizadas. Tive em atenção os interesses e as preferências individuais de cada criança (aspetos fundamentais para uma boa educação), nomeadamente a expressão musical, aliando a arte (expressão e comunicação) à formação pessoal e social, áreas presentes nas OCEPE.
Ao longo da minha intervenção, fui detetando e observando, gradualmente, ações das crianças que iam ao encontro dos objetivos pretendidos com a investigação- ação em curso, nomeadamente terem atitudes mais assertivas com os colegas, partilhar brinquedos e respeito pelo outro. Estas ações quotidianas evidenciaram a interiorização de valores e de posturas pretendidas com a investigação praticada.
Seguindo a transversalidade presente nas atividades desenvolvidas para a resolução da questão de investigação-ação, optei por avaliar o comportamento assertivo do grupo diariamente, através da estipulação de regras em conjunto com o grupo. Brazelton e Sparrow (2006) referem que este tipo de atividade é essencial para uma vida social e reveste-se de extrema relevância que as crianças aprendam, precocemente, a sua importância e existência. A elaboração das regras deverá ser realizada com a
participação destas, devendo ser negociadas com estas e redigidas na afirmativa (Estanqueiro, 2010). Este tipo de atividade dá autonomia à criança que se sente responsável pelas suas ações age de forma a cumprir as regras estipuladas. É de ressalvar que existem ainda regras não passíveis de negociar, mas que devem ser explicadas desde início à criança para que as entenda e reconheça a necessidade de as cumprir (Brazelton & Sparrow, 2006). É importante também que sejam elaboradas na positiva (reforço positivo), permitindo fazer uma avaliação ao comportamento assertivo da criança e não fazer imposições do género “não pode fazer algo” (Estanqueiro, 2010). Estas imposições poderão inibir alguns dos seus comportamentos e até dificultar o cumprimento das regras, por serem encaradas (pela criança) como uma punição, pois se não as cumprirem terão castigos. O reforço positivo e o elogio às suas ações corretas contribuem para o bom desenvolvimento moral desta e aquisição de valores sociais e pessoais (Brazelton & Sparrow, 2006). Observei com clareza que as crianças reagiam melhor aos incentivos positivos do que à punição, sendo que a última provocava sentimentos de alguma agressividade e de incompreensão.
O grupo de crianças entendeu a necessidade do cumprimento de regras. Verifiquei ainda que o mesmo revelou conhecimento, identificando os comportamentos adequados na sala e aqueles que eram quebrados pelos colegas. No entanto, demonstraram dificuldade em assumir e identificar os seus próprios comportamentos menos corretos (quebra das regras estipuladas). A elaboração do cartaz com as regras foi muito proveitosa e eficaz para o alcance dos objetivos traçados durante a investigação-ação (desenvolvimento moral e autonomia social).
O tempo insuficiente da minha intervenção impossibilitou-me de terminar a investigação-ação como pretendia. Trabalhar com um grupo tão novo em tão pouco tempo não permitiu atingir os objetivos desejados. No entanto dei o meu melhor e apliquei os conhecimentos adquiridos em todo o meu percurso académico, não descurando os conselhos e críticas construtivas da educadora cooperante pela sua grande experiência e competência profissional. Nesta linha de pensamento, julgo que tendo em conta o tempo de estágio, a idade do grupo, as preferências, os interesses e necessidades individuais, fiz uma boa intervenção e tive sucesso, pois a evolução deste foi notória em todas as circunstâncias. Também importa referir que, pelo que observei durante a intervenção, encontrei indícios de uma possível resolução da problemática, na medida em que evidenciei algumas alterações nos comportamentos das crianças.
A relação que deve existir entre o lúdico, a motivação e a intencionalidade educativa das atividades da rotina é extremamente importante no quotidiano das crianças no contexto de educação de infância. Esta possibilitou uma maior aprendizagem dos conteúdos e desenvolvimento das crianças, que demonstraram gosto e implicação nas atividades desenvolvidas através do lúdico e dos seus interesses. As crianças demonstraram vontade em repetir algumas das atividades que planifiquei, nomeadamente a aprendizagem de canções, a carimbagem dos frutos do outono, a elaboração de pictogramas e a colagem com diversos materiais de imagens dos frutos do Pão-por-Deus. Este desejo na repetição das atividades em questão surgiu do facto destas terem sido planificadas, a partir de uma observação profunda do grupo de crianças e de um diálogo com a educadora acerca dos interesses, preferências, conhecimentos prévios e limitações deste.
Considero que a experiência profissional e pedagógica de um docente em lidar e contornar possíveis conflitos é crucial para uma boa e eficaz gestão do grupo de crianças com o qual trabalha. Assim, a educadora cooperante, com a sua experiência e dedicação, teve um papel fundamental ao disponibilizar-se a ajudar-me a resolver os conflitos que surgiram e ao dar-me sugestões de prevenção e que me auxiliaram noutras situações quotidianas. Entendi que é mais correto e benéfico para a criança não chamá- la à atenção em público (quando necessário) mas individualmente (quando surgir uma oportunidade), de modo a não inibi-la nem ferir a sua autoestima.
Para finalizar, planifiquei atividades concretas para a resolução da questão de investigação-ação assim como outras dirigidas à rotina diária das crianças que procuraram também ir ao encontro da resposta ao problema mencionado. Tentei-lhes proporcionar experiências/vivências diversificadas com diversos materiais e em diferentes espaços (contextos) que lhes fossem significativas e fossem ao encontro das suas necessidades individuais.