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Smart omsorg på Økernhjemmet i Oslo kommune

A reflexão a seguir ressalta a importância dos vínculos e do apoio familiar ao egresso prisional. Indo nessa linha de raciocínio o autor Seron (2012), discorre que a importância da família foi muito além desse apoio "moral, já que supriu carências materiais, financeiras, e outras, que não se encontram disponíveis para o egresso no momento em que deixa a prisão e pelas quais o Estado não se responsabiliza" (SERON, 2012, p.9). O autor faz diversas reflexões sobre a dificuldade do egresso prisional se (re)inserir socialmente, sobretudo no competitivo mundo do trabalho, destacando que o apoio da família nesses momentos é fundamental. Afirma ainda que,

Além da pouca escolaridade e da ausência de uma qualificação profissional, o egresso se vê na condição de ter que enfrentar preconceitos que, não raro, são amenizados somente pelo apoio incondicional recebido da família. Para aqueles que possuem uma família (SERON, 2012, p.2).

E para o egresso prisional sem o apoio da sua família? O egresso prisional também é estigmatizado pelo seu passado e pelos anos de não cumprimento de seu papel de provedor, por anos de desgastes familiares e olhares preconceituosos, considerado uma "pedra" no caminho dos familiares e uma "desonra ao sobrenome da família". São poucos os egressos prisionais que tiveram a sorte de ter mantido os vínculos familiares no período do encarceramento e no período em liberdade.

A questão da família vai além de vínculos afetivos. Uma vida nova para o egresso prisional exigirá: conseguir apoio financeiro, emprego, sustento, moradia/fiador, higiene e alimentação. Além de uma reserva financeira significativa enquanto busca um trabalho com carteira de trabalho assinada. Para isso precisa contar com bons antecedentes criminais, qualificação para o trabalho, residência fixa e documentos. Caso consiga uma colocação, terá que esperar um mês para receber seu primeiro salário.

Sobre a importância da relação da família com o preso, segundo Seron (2009): a família constitui “um poderoso apoio moral ao sentenciado nessa fase de readaptação social e um estímulo aos seus momentos de desânimo” (OTTOBONI

apud SERON, 2009, p.93). Tudo isso traz grandes benefícios ao ser humano, "e a falta de contato com o mundo externo, com a realidade, pode levar o indivíduo a uma deterioração emocional e afetiva. Além disso, o contato com a família pode ajudar no processo de ressocialização" (SERON, 2009, p.173).

Ela pode suprir carências materiais, financeiras, além de outras, que não se encontram disponíveis para o egresso de outras maneiras no momento em que deixa a prisão, e pelas quais o Estado não se responsabiliza. Além disso, ela pode se constituir no primeiro grupo social que o aceite como membro. A aceitação incondicional da família proporciona ao ex-presidiário o desenvolvimento de sentimento de pertencimento, condição necessária para a sua inserção (SERON, 2009, p.93).

Por esses motivos elencamos nesse subitem cinco casos diferentes de recepção e não recepção familiar que acontecem diariamente com os egressos prisionais, apontando alguns efeitos e agravamentos das situações retratadas: (1) familiares morreram; (2) família que aceita novamente o egresso prisional; (3) tenho família, mas por não conseguir me sustentar não quero voltar para casa; (4) família que rejeita o egresso prisional; (5) a rua é a última e única opção de sobrevivência.

Dessa forma, ilustra o caso (1) que os familiares morreram. Caso que poucas vezes paramos para pensar, mas muitas famílias são pequenas, com poucos parentes vivos, podendo então ter casos com familiares que podem ter morrido no tempo que o egresso prisional estava preso.

Ilustramos o caso (2), família que aceita novamente o egresso prisional, demonstrando como é benéfico o apoio recebido da família nos primeiros momentos de liberdade. O apoio livra o egresso da sensação de que "tudo estava perdido, adquirida quando se encontrava preso; além disso, deu-lhe esperança de que poderia superar todas as dificuldades que ainda encontraria" (SERON, 2009, p.127).

EPSR-1: Minha relação com minha família é muito boa. Tenho duas

famílias e está tudo bem entre ambas. Tenho um irmão de 40 anos e um irmão de 5 anos de idade. Tenho mais contato com minha mãe do que com meu pai, embora eu tenha contato com ele. Como minha mãe mora em São Paulo o contato é físico e frequente. Meu pai, eu só vejo duas ou três vezes por ano. Falo com ele por telefone e internet semanalmente.

EPSR-6: Está bem. Vou sempre visitar meus pais e eles sempre me

tratam bem. Minha família me adora.

Familiar de um egresso prisional: Foi de felicidade e alegria

quando ele chegou, em casa. Foi muito bem recebido. Como ele ficou muito tempo na cadeia sozinho longe da gente, porque não era toda semana que podíamos visita-lo. Então demos toda atenção para que ele se sentisse melhor e a vontade em ser da família novamente.

No caso (3) tenho família, mas por não conseguir me sustentar não quero voltar para casa. Essa situação se reflete no papel de provedor, nas cobranças, falta de condição financeira, o não poder contribuir nas despesas, a sensação de peso, faz com que resolva não morar com a sua família:

EPSR-3: Minha família se resume a minha mãe e meu padrasto, eles

vivem no litoral. Eu preciso ter condições de viver ao lado deles e no momento estou sem condições para poder ajudá-los, mas quando eu tiver, ai sim eu pretendo me aproximar mais. No momento pouquíssima aproximação.

Já no caso (4) família que rejeita o egresso prisional, podemos ver inúmeras diferenças, já na recepção do egresso prisional, a diferença é nítida. Para muitos os preconceitos sofridos ampliam a sensação de desamparo, principalmente quando se estabelece na família e nos vínculos mais próximos. O autor Carvalho Filho (2006) novamente ilustra sobre essa situação e aborda um exemplo em suas entrevistas:

Em algumas famílias o ritual de chegada não se dá de forma festiva e o sujeito não assume o papel de “sobrevivente”. Nesses casos, sem ritual de saída e/ou de chegada, os sujeitos já vivem a estigmatização de ser um ex-preso, a partir do rótulo de vagabundo. O retorno do considerado “vagabundo”, para casa, implica o aumento de custos com alimentação, entre outros. Sem participação financeira nas despesas domésticas, aliado ao fato de a família ter se organizado para funcionar sem o sujeito e sem os problemas gerados pela sua “conduta criminosa” e, em muitos casos, agressiva, o ex-preso acaba, portanto, excluído do convívio familiar. Nesses casos, o retorno pra casa é uma obrigação dolorosa (...) A estigmatização ou a culpabilidade por parte da família desorienta o sujeito nessa fase de chegada em casa. Em alguns casos a família não quer mais receber o sujeito em casa principalmente àqueles que passaram longos anos na prisão. Resgatar a autoridade na família, ou a relação com a mulher e com os filhos, o que muitos desejam, torna-se quase impossível (CARVALHO FILHO, 2006, p.98).

Eu tô enfrentando muita dificuldade, até com os parentes. Ninguém sente dó de mim? Nem mais mãe eu tenho pra sentir dó de mim. Só por ser um ex-presidiário já me pisam. O preconceito é o mesmo que te pisar (PEDRO, 2002) (CARVALHO FILHO, 2006, p.181).

Mesmo o caso número (4) ser muito difícil para o egresso prisional, no caso número (5) a rua é a última e única opção de sobrevivência, consegue ser mais agravante e mais complexo. Nos casos em que não há o apoio da família os sujeitos precisam contar com a própria sorte. "Os que não têm casa para onde ir também não festejam a chegada, até por não retornarem a lugar algum. Geralmente vão para albergues ou dormem na rua" (CARVALHO FILHO, 2006, p.85, grifos nosso).

EPSR-5: Minha relação com minha família é bem vazia. Eu, por

exemplo, não tive visita na prisão, não tive retorno da carta que escrevi, nem nada. Quando eu sai da cadeia, fui pra casa da minha mãe com uma roupa que nem era minha, quando fui solto eles deram uma roupa de quem foi incluso no sistema. Peguei uma camisa polo, uma bermuda jeans e sai. Na hora que eu cheguei em casa era por volta das 20 horas. Apertei a campainha e ela saiu fora. Perguntou o que eu estava fazendo lá, respondi que havia sido solto. Perguntei se estava tudo bem com ela, ela me respondeu: - “Tá tudo bem, mas

fala rápido”. Fiquei surpreso com essa reação dela e questionei

porque não perguntou como estou e etc. Ela me tratou como se eu não fizesse parte da vida dela mais. Eu perguntei a ela se eu poderia tomar um banho, ela subiu em cima e colocou todas as minhas roupas em uma mala e colocou em cima da cesta de lixo em frente da minha casa. Talvez não seja, como talvez seja. Foi uma situação que fiquei muito sensível e me fez ficar pensativo. Questionei com ela o porque disso tudo, ela respondeu: -" Se você quiser tomar

banho, tome aonde você quiser mas não aqui. As suas roupas estão aqui”. Ela virou as costas e entrou.

EPSR-7: Tenho filhos e filhas, netos e netas, mas não considero

como família e sim números. Foi totalmente destruída, porque os próprios filhos não acreditam em você e percebo o menosprezo deles, sinto que eles fazem as coisas por dó, e não quero que eles tenham dó de mim. A única pessoa que eu quero que tenha misericórdia de mim é o próprio Deus porque ser humano é complicado.

EPSR-8: Sim, tenho contato com meu irmão do meio, mas por causa

que eu ainda estou foragida eles me ignoram, tenho uma relação conturbada com eles, pois sempre ficam jogando na cara. Tanto que eu fui pra rua. Vim do Paraná para São Paulo nessa condição.