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Før innføring av Digitalt tilsyn

6 Erfaringer med digitalt tilsyn på Økernhjemmet

6.1 Før innføring av Digitalt tilsyn

Um dos grandes preconceitos e dificuldade dos egressos prisionais em conseguir emprego, devido a exigência da folha de antecedente criminal: "a discriminação e o preconceito que muitos enfrentam para se inserir no mercado de trabalho porque a sociedade não abre as portas para quem já viveu a experiência da privação de liberdade" (FERREIRA, 2001, p.515). A autora em seu artigo nos traz diversos depoimentos de egressos prisionais, ressaltando a dificuldade em obtenção de emprego e como lidam com o desemprego:

Eu já arranjei um trabalho na empreiteira da prefeitura, na hora que eu tava pronto pra trabalhar, na hora de pegar o crachá, o pessoal falou que eu não podia trabalhar porque eu tinha antecedente criminal e aí o mundo acabou pra mim (FERREIRA, 2001, p.516).

O preconceito também inibe a busca pelo trabalho formal. É sabido pelos egressos prisionais que algumas empresas têm como praxe o levantamento da "ficha criminal dos contratados para trabalhos formais, com carteira assinada. Principalmente os que estão em liberdade condicional temem ser descobertos através dos antecedentes e serem excluídos dos processos seletivos por conta disso" (CARVALHO FILHO, 2006, p.183). Elencamos a seguir três depoimentos coletados na pesquisa de Madeira (2008) e também de Seron (2009) que ilustra a dificuldade que os egressos prisionais têm por motivos da cobrança da folha de antecedentes criminais:

Depois que saí do sistema penitenciário desde que eu cumpri até o meu livramento eu não havia conseguido trabalho, até em função dos antecedentes, na hora que tu vai fazer a busca ali, aí registra antecedentes, e como a maioria das empresas, na hora de fazer um recrutamento pede além de tua documentação pessoal, a tua folha corrida, isso aí me impedia de conseguir um trabalho, de carteira assinada (E2) (MADEIRA, 2008, p.298).

Pedro diz que após sair da prisão tudo ficou pior do que era antes de ser preso. Se antes era difícil conseguir um emprego, agora, com os maus antecedentes, sua situação piorou (...). Mesmo em atividade que não exige nenhuma qualificação profissional, o egresso tem

dificuldade em se empregar. Ele não goza mais de credibilidade social, o que dificulta seu ingresso no mercado de trabalho. Segundo o depoente, as vagas de empregos são dadas [...] para aqueles que não têm passagem. Não adianta esconder, a empresa descobre de um jeito ou de outro (SERON, 2009, p.154).

[...] para mim, a dificuldade maior, por mais que a mídia divulgue o negócio do estudo, mas para mim não é o estudo não. Porque teve lugar de eu parar pra pedir emprego e eles pedem a ficha criminal. Então para mim, o que mais dificulta para mim, nesse momento, é o meu passado. É o fato de eu ser um ex-presidiário, o fato de eu ter complicação com a justiça. E a sociedade, por mais que a gente tente mostrar para ela, eu acho que nunca vai acreditar na gente. O meu passado é o que mais dificulta. É se as pessoas descobrirem o meu passado (SERON, 2009, p.99).

No curta metragem, intitulado como "O egresso79" feito pela UnB e dirigido por Fáuston da Silva demonstra nitidamente os preconceitos quando um egresso prisional vai procurar um emprego e a contratante informa que a empresa está com muitos serviços atrasados e já precisava fazer a contratação e que teria que trabalhar imediatamente. O egresso fica muito feliz, entretanto no momento que ele ia para o novo setor, a contratante pergunta onde está sua ficha de antecedente criminal. O mesmo confessa que já foi preso e após a confissão a contratante ressalta que a empresa nesse momento não está mais contratando e se aparecer uma oportunidade de emprego futura entraria em contato com ele. O egresso fica indignado, pois se deparou com o preconceito, falando que ele é um ex preso e que já cumpriu sua pena e suas obrigações com a justiça. A contratante enfatiza que a empresa nunca contrataria um egresso, por ter muitos objetos de valor, ainda enfatiza que um assassino de fulano nunca se tornará um ex assassino de fulano. Ele vai ser sempre assassino de fulano, pois cumprir a pena não faz de ninguém um ex criminoso, só faz dele um criminoso que ficou impune.

O ponto que queremos destacar e fincar é o preconceito que os egressos prisionais passam ao tentar se candidatar em uma vaga de emprego e tentar a “ressocialização” da sua vida. Destacamos que muitos egressos prisionais têm às vezes mais conhecimento e experiências do que pessoas que não foram presas. Muitos eu acompanhei em atendimento (seja população de rua ou egresso prisional em situação de rua), relatando as dificuldades e os abusos que sofrem no emprego

e continuaram pela situação que se encontravam, além das dificuldades de conseguir um novo emprego.

Como a grande demanda trazida pelos egressos prisionais é a questão do desemprego, tentei contatar algumas empresas para pleitear uma possível contratação dos acolhidos da ONG. Deparei-me com diversas situações, desde receber um não inicial e não querer mais comentar sobre o assunto quando relatei o perfil dos acolhidos, até empresários que ficaram ou demonstraram interesse por telefone, me perguntando como que eu poderia garantir a eles que os acolhidos não iriam assaltar a sua empresa após a contratação. Dessa forma, argumentei com a mesma indagação ressaltando: você garante que seu funcionário que nunca foi preso não vai assaltar sua empresa? Por mais que essas pessoas não contrataram naquele momento – posso ter causado uma reflexão positiva.

Outro ponto a destacar é a tentativa de entrevistar uma agência de emprego em Santo Amaro, mas os funcionários não estavam com tempo e paciência para saberem da pesquisa, dando diversas desculpas para não ceder entrevista, mesmo eu explicando que demoraria só 10 minutos. Entretanto um dos funcionários ficou curioso em saber do que se tratava a pesquisa, ressaltei o tema, falando que era sobre pessoas que saíram da prisão e hoje moram na rua. Lembro da feição dele ter mudado, como se nunca tivesse ouvido sobre esse assunto ou feito tal reflexão. Mesmo sem saber das perguntas dos questionários da agência de emprego e não ter concedido a entrevista gravada, vale a pena ressaltar que o funcionário ironizou minha pesquisa, dizendo que nunca contratariam um ex-detento e muito menos um “mendigo”. Com medo de uma tréplica minha, pediram para eu me retirar.

Todos os exemplos ilustram perfeitamente a dificuldade que os egressos prisionais têm para adquirir o comprovante de antecedente criminal, muitos não informam seus empregadores sobre seu passado, tentam "enrolar" os empregadores quando são cobrados de tal documento. E, nesse medo e agonia vivenciada por alguns egressos que conseguem emprego pelo seu mérito e não são demitidos pelo bom trabalho que prestam na empresa, que iremos ilustrar o próximo subitem.